Duas Metades De Mim

17 o pesadelo de todo irmão


Notas iniciais
heey gente, Vic voltou ! o/
desculpem ter ficado tanto tempo sem dar notícias, é que eu estava com uns probleminhas familiares pra resolver, por isso precisei dar uma sumida. Mas agora estou de volta e vou postar bastante para compensar a demora.
bem vindas as novas leitoras e obrigada a todas pelos comentários e por acompanhar a fic, quero agradecer especialmente a Milation_Oliver, BSalvatore, Lety, Annia Korsakov e taah CS pelas recomendações, muito obrigada mesmo gente, fiquei toda feliz. esse capítulo é dedicado a vcs pelas recomendações lindas que fizeram da fic, se eu conseguir terminar o próximo antes de ser expulsa aqui hoje sai um duplo
bjoos

O mais silenciosamente que pude fui pro quarto do Stefan, peguei um roupão dele e o vesti por cima das minhas roupas amassadas, dei uma tropeçada básica procurando meus chinelos e desci para a cozinha. Uma cabeça vermelha desgrenhada junto à pia se virou para mim e me lançou um olhar cheio de reprovação.

– Sério? – Bonnie disse depois de uma pequena pausa – Mandando ver com o irmão do seu namorado?

Um calor súbito subiu pelo meu colo até alcançar o rosto. Eu sabia que estava muito vermelha, então disfarcei indo até a geladeira, abrindo a porta e me inclinando para examiná-la.

– Ainda estou brava com você – eu disse por cima do ombro, defensivamente.

– Eu já pedi desculpas Lena, o que mais posso fazer? – ela choramingou – Sinto muito mesmo não sei o que deu em mim. Exagerei na dose. Desculpa.

– Eu te desculpo – ergui o corpo para que ela pudesse ver minha sobrancelha erguida – se você me deixar espalhar pra escola toda que você é lésbica. E que vai dar um pé na bunda do Jer porque é secretamente apaixonada pela Carol.

– Elena! – exclamou Bonnie horrorizada, arregalando os olhos.

Eu ri. Estar nos braços de Damon tinha me deixado tão mais leve e... feliz, que eu nem estava mais com raiva dela.

– É brincadeira, calma – eu a tranquilizei.

– Falando na Carol eu liguei para ela várias vezes – Bonnie enrugou a testa – Queria dizer pra ela passar aqui de tarde, mas ela não tá atendendo o celular. Tentei a casa também, a xerife atendeu e disse que ela não passou a noite em casa.

– Que estranho – eu disse – Será que ela resolveu passar a noite na casa do Tyler?

– Depois de toda aquela insististência para ficar com a mãe?

É muito esquisito mesmo... será que... não, agora eu só estou sendo paranoica. Não pode ter acontecido nada com a Carol, não é? Ela é uma vampira, e uma forte, sabe se defender...

– É sim, aposto que daqui a pouco ela aparece e vai ter uma ótima explicação — quando Bonnie respondeu percebi que tinha pensado em voz alta.

Nós duas parecíamos estar tentando convencer mais a nós mesmas que uma à outra.

– Quer dizer, uma explicação bem à la Carol, tipo o salto dela quebrou e ela precisou rodar a cidade toda de madrugada catando uma loja que vendesse outro sapato igual e estivesse aberta ainda – continuou Bonnie, soltando uma risadinha nervosa.

– Aí também não exagera, vamos ser justas com a Caroline – eu a defendi – Ela já não é assim a meses e você sabe disso.

Ela suspirou.

– Eu sei, Lena. Mas em certas situações é melhor rir que chorar. Não podemos fazer nada até ela aparecer, só talvez mandar o Damon procurá-la – Bonnie arqueou as sobrancelhas como se não conseguisse imaginá-lo fazendo isso.

Para dizer a verdade, eu também não. Não que eu o ache exatamente cruel, só acho que ele gosta demais de fazer o que der na telha pra simplesmente sair procurando alguém só porque a gente pediu, não sem um motivo forte, tipo um desaparecimento prolongado ou um possível sequestro. Mas talvez ela... não. Não. Nem quero pensar nessa possibilidade. Deixa de ser paranoica Elena! Daqui a pouco ela vai retornar as ligações da Bonnie.

– Aposto que se a gente pedisse ele diria algo como ‘Tenho cara de GPS por acaso?’ – alfinetou a ruiva.

Uma pontada de irritação me fez ranger os dentes.

– Você sempre pensa o pior dele, não importa a situação. – eu disse com voz neutra.

– Porque eu me baseio nas atitudes – ela retrucou – E Damon nunca se esforçou pra ser decente, como o Stefan faz. Ele sempre gostou de deixar bem claro que...

Voltei minha atenção de volta pra geladeira e procurei uma embalagem de leite. Eu já não prestava atenção no que ela dizia. Soltava um ocasional ‘arrã’ enquanto preparava meu copo de nescau, me esforçando para não esquecer que já tinha pensado como ela. Antes de conhecer o lado doce de Damon. Antes de saber que ele não era tão mau como gostava de aparentar, apenas não queria ser magoado. Não queria se apegar, ou sentir. O próprio Stefan já teve uma fase assim...

Ai meu Deus.

Eu não acredito que pensei isso.

Stefan... ele não merece estar com uma mulher fácil como eu. Ele é romântico, lindo, se importa de verdade comigo, cuida de mim... e aqui estou eu, chifrando-o com o irmão dele.

– Mas sério – disse Bonnie – Você não está se sentindo nem um pouquinho culpada? Sobre o negócio Stefan/Damon?

Claro que sim. Muito. Terrivelmente confusa e culpada. Me sentindo uma vagabunda. Quase mudando meu nome para Katherine II, A Rainha Da Discórdia Entre Irmãos, De Preferência Vampiros Que Podem Detonar A Cidade Em Um Ataque de Fúria.

– O que você acha? – deixei meus ombros caírem, derrotada – Eu não presto. Sei disso. Mas estou tão confusa Bonn... não faço ideia do que fazer.

Pude sentir os olhos dela me examinando e me mantive encarando o copo. Não precisava de mais um par de olhos me olhando desaprovadoramente. Já existiam vários deles na minha cabeça, principalmente quando eu imaginava a reação de Stefan ao contar que estava apaixonada pelo irmão dele.

O que eu vou fazer? Como me livrar dessa bagunça que eu mesma criei?

– Também não é para tanto Lena – a voz de Bonnie se tornou mais suave – Conheço você e sei que nunca brincaria desse jeito com os sentimentos do Stefan, a não ser que... realmente sentisse alguma coisa muito forte pelo Damon. Ou que ele tenha te compelido – a expressão dela mudou – Ele te...?

– Nem termine essa pergunta – eu a interrompi aborrecida – Não foi culpa dele, Bonnie. Pelo menos não totalmente. Eu quis também, muito, pra ser sincera. Ele não me compeliu em nenhum momento, nós simplesmente...

– O que diabos foi aquilo? – perguntou Jeremy carrancudo, entrando na cozinha e indo abraçar Bonnie.

Seus olhos soltavam faíscas pra mim.

– Aquilo o quê? – forcei uma expressão inocente.

– Nem adianta fingir que não sabe do que eu estou falando – ele bufou – Ontem eu passei pelo pior pesadelo de todo irmão. Escutar a irmã transando aos gritos.

Ai. Meu. Deus.

Por que o chão não se abre e me suga para algum lugar longe daqui? Tipo, sei lá, o Japão. Ou mais longe.

Ou eu podia só ficar caindo e caindo pelo resto da enternidade, e não ter que lidar com tudo isso...

Agora eu estou roxa de vergonha. Que ótimo. O que mais falta acontecer?

– Jeremy – Bonnie o repreendeu – Vai lá pra sala, eu já te levo o café da manhã.

– Mas...

– Não acho que você vai querer ouvir essa conversa.

– Mas eu não posso deixar a minha irmã simplesmente...

– Vai pra sala Jeremy.

– Ela me deve explicações! Aliás, ela deve explicações ao Stefan!

– Não fala pro Stefan! – o desespero quase fechou minha garganta. Minha voz saiu em um fio, enquanto eu sentia garras geladas envolverem e apertarem meu coração, em sinal de pânico puro e instintivo – Jeremy, por favor, pelo amor de Deus, não fala nada pro Stefan!

– Jeremy. Sala. Agora. – Bonnie grunhiu.

– Eu não...

– PASSA.

Ele calou a boca e foi embora rapidinho.

Até eu fiquei com medo da cara da Bonnie.

– Elena – ela disse para mim, relaxando o rosto de volta em sua expressão suave de sempre – Eu não acho que o que você está fazendo é uma boa ideia. A situação toda pode simplesmente explodir e sair de controle, você já está desabando de culpa e o Stefan nem está em casa! Quanto tempo você acha que vai conseguir aguentar isso?

Eu não fazia a minima ideia. Ainda não tinha pensado naquela parte.

– Você é minha melhor amiga, e vou te apoiar mesmo que não concorde com a sua decisão – ela continuou – Só não acho certo você ficar enrolando os dois. E tenho certeza que você também não acha.

Claro que não acho. Mas como eu posso sair dessa? Tem algum jeito de não magoá-los?

– Pense em como o Stefan é bom. Como ele cuida de você, como te ama de verdade... e olha só o que você está fazendo com ele.

Ela quer fazer eu me sentir pior? Porque está conseguindo.

Apertei meu copo com força enquanto segurava as lágrimas. Eu não ia chorar. Eu não tinha o direito de chorar, precisava ouvir o que Bonnie estava dizendo. Era duro, mas também a pura verdade. Estou sacaneando um homem maravilhoso, dormindo com o irmão dele.

É só que... eu...

– STEFAN CHEGOU! – gritou Jeremy da sala.

Larguei meu copo e saí sem olhar na direção de Bonnie. Alaric trancava a porta e Stefan vinha correndo me dar um abraço apertado. Eu ainda me sentia reconfortada e protegida nos braços dele, mas agora parecia faltar alguma coisa. Algo parecia diferente. Provavelmente era só a minha consciência pesada

Incomodando-me como sempre.

O alívio e a preocupação que sinto ao abraçá-lo são verdadeiros. Eu estava com medo de que algo acontecesse a ele, porque ainda o amo. Tenho medo do que ele pode dizer, se alguém foi machucado durante a noite, se eles conseguiram encontrar os vampiros que estão atacando a cidade.

Tento me concentrar apenas nos sentimentos que Stefan provoca em mim, deixando de lado a culpa e Damon. O que eu sinto por ele é o bastante para me fazer escolhê-lo? Eu posso esquecer o que tive com Damon, dizer a ele para me deixar em paz, e ficar apenas com Stefan? Passar o resto da eternidade com Stefan, me casar com ele, ver Damon conhecendo outras garotas?

Stefan apertou o abraço, sussurrando em meu cabelo como sentiu minha falta e como odiava quando brigávamos. Quando ele me apertou, reparei numa estranha marca vermelha na parte de dentro do meu braço esquerdo. Parecia uma picada de mosquito, só que lisa.

Na hora, apenas achei que não fosse nada.

Só depois percebi o que era na verdade: o começo da destruição do resto da minha vida. Só isso.