Duas Metades De Mim
7 ainda mais confusa
Mal consegui dormir durante a noite. Fiquei me revirando na cama dividida entre o desejo e a culpa, sem saber se me sufocava com o travesseiro por ser tão sem caráter a ponto de não conseguir conter minhas fantasias com o meu cunhado, ia atrás de Damon para pedir um segundo round ou contava tudo para Stefan e me livrava daquela culpa. Aliás, posso dizer com certeza o que eu não vou fazer. Optar pela terceira opção e causar uma guerra nuclear.
Levantei-me logo que o dia amanheceu. Tomei um longo banho frio, me arrumei para a escola, desci e fiz café.Péssima ideia. O cheiro de café logo me lembrou de Damon.Sou capaz de produzir todos os tipos de calor, desde um calorzinho até quente como o inferno.Estremeci.Que droga, tudo me lembra ele agora!- Elena! – ouvi Jeremy gritar ao descer as escadas – Hora de acordar preguiçosa! Você sempre se atrasa e...Ele entrou na cozinha e deu de cara comigo encostada na bancada, olhando para ele de braços cruzados.- Você estava dizendo? – ergui uma sobrancelha.- Que vai chover hoje – ele foi direto para a cafeteira e se serviu – Você acordando antes de mim! Eu estou sonhando? Caí em uma dimensão paralela dentro do espelho?Joguei um pano de prato nele.- Vai arrumar o que fazer – resmunguei.- Já arrumei maninha, nada melhor do que ver a sua cara de irritação logo de manhã – ele disse debochadamente – Ainda mais quando você é tão esperta que joga um pano de prato para me machucar.- Ah é? Vou te mostrar o que é machucar – eu peguei uma colher de pau e estava prestes a tacá-la nele quando a campainha soou.- Deve ser o caçador de esquilos – comentou Jeremy – Vem cá, ele nunca arrumou problemas com a guarda florestal não? Revirei os olhos e bufei. No meio do caminho me virei e disse:- Jeremy?Ele virou a cabeça para me olhar. Joguei a colher de pau no olho dele.- Ai!- Headshot – sorri satisfeita e fui atender a porta.Era Stefan.- Oi amor – ele me beijou.A culpa revirou meu estômago. - Oi amor, Jeremy vai com a gente hoje tá bom? – eu disse sem pensar – Espera aqui só um segundo.- Tá...Fiquei na ponta dos pés para dar um selinho nele e depois praticamente corri de volta para a cozinha.- Você vai comigo e com Stefan para a escola hoje – informei.- O quê? – ele segurava um pano recheado de cubos de gelo contra o olho que eu acertei.Repeti.- Se isso é uma tentativa de se desculpar pelo olho roxo pode esquecer – ele protestou – Eu vou com a Bonnie.- Não, você vai comigo. Nem que eu tenha que te amarrar e colocá-lo no porta-malas – grunhi.Jeremy tirou o pano do olho que já começava a inchar. Ele me olhou por um momento e franziu a testa. Eu sabia que estava parecendo uma louca.- Beleza, vou avisar a ela – disse ele por fim.Fiquei aliviada por ele não ter feito mais perguntas, porém sabia que assim que voltássemos para casa ele faria um interrogatório. Fui para a sala procurar Stefan.- Te fiz esperar muito? – perguntei indo me sentar ao lado dele no sofá.Ele me puxou para seu colo e eu senti meu corpo enrijecer. Aquele perfume, os braços musculosos, o calor dele, tudo parecia estar errado.- Claro que não amor – ele sorriu.O toque de Stefan me deixou desconfortável. Só o que eu conseguia sentir era a culpa por não conseguir parar de pensar no beijo de Damon. Eu sou uma pessoa detestável. Uma dessas garotas fúteis que trai o namorado que eu sempre critiquei. Ai meu Deus, eu sou igualzinha a Katherine!- Ainda está doendo? – ele passou as mãos por baixo da minha blusa, percorrendo minhas costas – Me desculpa mesmo por ontem.- Tudo bem, não está doendo – eu parei as mãos dele e abri um sorriso amarelo – Eu sei que você não queria me machucar amor.Seria muito mal educado se eu saísse do colo dele? Ou, sei lá, saísse correndo de volta para a cozinha?- O que foi? – ele afagou meu rosto, seus olhos verdes se estreitando – Você está estranha.Eu estou confusa.- Impressão sua amor – eu o beijei e me levantei do seu colo, puxando-o pela mão – Vamos, a gente vai acabar se atrasando para a escola. Conseguiu descobrir alguma coisa sobre o tal vampiro que anda atacando a cidade?- Ainda não.Ele sabia que eu estava mentindo. Sua expressão séria me informou que ele sabia que eu escondia alguma coisa, embora não fosse me pressionar a dizer o que era. Eu ri de nervoso.- Estou pronto – nunca fiquei tão feliz na minha vida com uma interrupção do Jeremy – Vamos?- Arrã – saí rebocando Stefan pela mão.Fomos no carro dele. Eu fiquei quieta praticamente o caminho todo. Jeremy e Stefan conversavam sobre o que fazer para descobrir o novo vampiro e eu sentia o peso do olhar de Stefan sempre que ele me olhava de relance. Tive o cuidado de retribuir os olhares e sorrir para ele de vez em quando, como que para mostrar que estava tudo bem. Por dentro eu me sentia estranha, como se tivessem enchido meu estômago de gelo, provocando uma sensação fria e desconfortável que se espalhava por todo o meu corpo.
Chegamos na escola e encontramos Bonnie, Caroline e Tyler.Passamos alguns minutos conversando no portão. Stefan me abraçou por trás, apoiando o queixo em meu ombro enquanto falava. Bonnie pareceu notar como eu estava rígida. Eu e ela teríamos aula de química agora, então eu já estava me preparando para as perguntas assim que ficássemos sozinhas. Carol e Tyler também estavam abraçados e não pareciam ter notado nada de diferente. Jeremy deu um beijo em Bonnie quando tocou o sinal e foi para sua aula de inglês com a Carol. Todos nos separamos e, surpreendentemente, Stefan não me deu um beijo de despedida antes de ir para a sua aula de biologia.- Conta tudo – disse a ruiva mal ele dobrou o corredor na direção da sala 7 – Vocês brigaram?- Não exatamente. – como eu sabia que ela não ia engolir aquilo e me encheria a paciência até que eu dissesse alguma coisa, contei sobre o que aconteceu na casa do Stefan.Contei quase tudo: Minha tarde com Stefan, a ideia de ir para o quarto do Damon, Damon chegando e nos surpreendendo, a briga deles, eu me metendo e Stefan sendo jogado em cima de mim.- Safadjeenha! – foi o primeiro comentário dela quando acabei de falar – No quarto do Damon? Amiga, eu não sabia que você e o Stef eram tão aventureiros.- Ele quis fazer isso porque era uma fantasia minha – senti meu rosto esquentar.- Sério? Fazer sexo no quarto do seu cunhado? – ela riu – Isso é que é gostar de perigo.Não exatamente no quarto dele, sabe, é mais com ele. Como se eu fosse admitir isso em voz alta.- E você está legal? – Bonn parecia apreensiva agora – O Stefan não é nada fraco, deve ter machucado quando Damon o tacou em você.- Não, eu estou bem. Mas ficou um clima estranho entre a gente desde então – eu disse.- Ele deve estar achando que você ficou chateada – opinou ela – Sobre todo o negócio de ser jogada na parede e da briga dele com o Damon. É compreensível.- É, pode ser.- Ele já se desculpou?- Várias vezes.- E por que você continua estranha?- Porque eu... – mordi a língua.Estava tão acostumada a responder rápido as perguntas de Bonnie que quase disse porque eu beijei o Damon ontem e estou me sentindo culpada.- Porque você o quê?A professora de química chegou e todo o burburinho de conversa na sala morreu. Bonnie estava sentada na carteira atrás da minha, então eu virei para frente e fingi prestar atenção na aula. Teria quarenta minutos para pensar em alguma desculpa que não envolvesse Damon.E passei metade do tempo pensando no que teria acontecido se Bonnie não tivesse nos interrompido ontem.O calor que percorria meu corpo aumentava cada vez mais. Eu me pressionava contra ele com força, buscando alguma forma de alívio para aquele desejo incinerante, desfrutando a tortura lasciva que era a exploração lenta de Damon em meus seios. Já não conseguia conter meus gemidos. Eu estava ficando tonta, meu coração parecia bater ao mesmo tempo rápido e devagar, o oxigênio não chegava aos meus pulmões em quantidade suficiente.Eu me esfreguei contra o monte duro na frente da calça dele e Damon grunhiu contra minha pele. Ele desceu a boca pela minha barriga e tornou a subir, suas carícias experientes fazendo um calor abrasador latejar por todo o meu corpo. Eu sentia que iria desmaiar de tanto prazer e desejo, não me sentia capaz de aguentar tudo aquilo. E ainda assim precisava de mais. Rebolei contra ele sensualmente, aumentando o ritmo conforme as ondas de prazer se transformavam em espasmos.- Damooon... – eu gemi.Bonnie me deu uma cotovelada dolorosa nas costas.- Elena! – chamava a professora de química com uma expressão aborrecida – Será que você pode responder a minha pergunta? Estamos esperando.A sala inteira olhava para mim, assim como a professora impaciente ao lado do quadro.F-E-R-R-O-U.
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