Duas Metades De Mim
35 a escolha final
Notas iniciais
segundo postado e rumo ao terceiro yeeep o
[POV Damon]
Um espasmo contraiu o corpo de Elena. Aliado ao protesto do seu estômago, eu já sabia o que aquilo significava, assim como o pouco tempo que teria para fazer algo a respeito. Estávamos já no jardim da sua casa e eu a pus no chão tomando o cuidado de afastar seu cabelo do rosto. Com meio mundo de grama disponível ela vomitou em cima das rosas da tia.Não que eu me importe, mas não acho que Jenna vá gostar quando descobrir.Elena caiu na terra e eu passei um braço ao redor da sua cintura para firmá-la, mantendo os cabelos longos presos em minha mão livre. Ela estava tão atordoada que não parecia ver realmente as rosas.Eu queria consolá-la, porém não tinha ideia de como. Não estou acostumado a reconfortar mulheres, geralmente sou eu quem recebe o rótulo de assassino mulherengo que parte o coração delas. É estranho ter os papéis trocados, ainda mais com Stefan. O cara se alimentava de esquilos até uns meses atrás para não correr o risco de machucar alguém e agora não só é um assassino em série como traiu Elena com sei lá quantas mulheres!Por quê?O engasgo quase inaudível dela chamou minha atenção.Ela tinha parado de vomitar e agora soluçava baixinho. Eu a puxei para mim, abraçando-a com força, tentando transmitir com o abraço tudo que não conseguia com as palavras. Ela passou os braços ao redor da minha cintura e pressionou o rosto em meu ombro. As lágrimas escorrendo na minha camisa reviravam algo em mim que só fora despertado nas poucas vezes que a tinha visto sofrer, mesmo antes daquela primeira noite. Era como se alguma coisa afiada penetrasse em meu peito e pulmões repetidamente. Eu não precisava respirar, tecnicamente, o que não mudava o fato da respiração irregular demais ser um incômodo. E a dor fina e aguda no peito... não, não pode ser.Mas era.Conforme os soluços de Elena ficavam mais altos e ela tremia em meus braços, a dor fina em meu peito gradualmente aumentava, o que foi a prova. A dor dela causa dor a mim também. E não só por causa da ligação mental entre nós, seu sofrimento simplesmente me perturbava a ponto de afetar-me também. Só para ressaltar, de simples isso não tem nada.Fiquei mudo por um longo minuto, acostumando-me com todos aqueles impulsos conflitantes.Eu queria confortar Elena, ir atrás de Stefan e arrancar sem pressa cada membro do seu corpo traidor, fazer com que a dor dela passasse, fugir daquela sensação intensa que pulsava em mim, secar suas lágrimas, rir alto e dar um beliscão no braço para me certificar que não estava sonhando, eu, Damon Salvatore, estava mesmo sentindo por alguém aquele enorme instinto de proteger, curar, abraçar e não soltar nunca.Achei que esse tipo de coisa só acontecesse em livros melosos de mulherzinha. Ou com Stefan, que é praticamente uma mulherzinha. Ou era, sei lá.O velho instinto lutava para ser ouvido. O amor não era algo a que eu estivesse acostumado, muito menos a ser correspondido. Impulsos que eu teria antes de me apaixonar por Elena ainda estavam ali. Mais fracos, mas estavam. O modo como um sentimento tão forte e complexo se enraizava em mim ainda me assustava. Mas havia uma diferença fundamental: era fácil, muito mais fácil do que eu esperava, ignorar os impulsos que meses antes eu seguiria sem pensar duas vezes. Eu não ia abandoná-la. Não apenas não queria, eu me sentia fisicamente incapaz de fazê-lo. Mesmo que o que restava do velho instinto alertasse que era um erro ficar com ela, que eu devia fugir dos sentimentos desconhecidos e escolher o prazer vazio e seguro, não era o que eu faria.Ela vale à pena. Elena vale à pena.Talvez eu a tenha detestado e evitado tanto no começo por reconhecer em algum nível o poder que ela tinha de penetrar a muralha que passei tantas décadas construindo.– Vamos para o seu quarto – murmurei ao ver que ela se acalmara um pouco – É mais seguro lá.– Por quê? – a voz cheia de mágoa ácida me confundiu.Pelo tom, eu não sabia se ela estava questionando eu querer levá-la para o quarto ou o que tinha ouvido na mansão. Resolvi apostar na primeira alternativa.– Porque vai ser estranho se alguém chegar e nos ver largados no jardim. E se algum vampiro Original tiver nos seguido não vai conseguir entrar no seu quarto sem ser convidado.– Se um Original tivesse nos seguido já teria atacado – ela observou ressentida.– Não necessariamente – argumentei – Vampiros em geral são psicóticos e gostam que a presa alimente uma ilusão de segurança. Eu inclusive.– Stefan não era assim.– Ele se reprimia, e olha como funcionou bem para ele – pareceu mais uma acusação que uma constatação.Ela se encolheu para longe de mim e virou o rosto para esconder os dentes trincados. Tinha se esquecido da nossa ligação e do fato que eu sentiria a pontada de dor em seus pensamentos. Por que o ciúme é tão irracional? O cara é um mentiroso/assassino/pegador/bipolar psicótico. Não tem como a Elena querer voltar com ele.E ao mesmo tempo...Não que eu vá confessar isso, nem sob tortura, mas ela me escolheria se não fosse a vida dupla recém-descoberta do Patão? Ou eu sou só o estepe? Por acaso ela me vê como um daqueles perdedores com quem você faz o acordo de se casar com ele quando tiver 50 anos se ainda for solteira?– Tudo bem – ela estendeu os braços para mim e soltou um suspiro de rendição – Vamos pro meu quarto.
Foi uma interrupção bem-vinda. Mas não inteiramente. Como Elena estava mais calma, notei o tênue cheiro de sangue no ar. Ela não aparentava ter nenhum ferimento grave, tinha apenas um arranhão no queixo, o ombro e o braço esquerdos um tanto ralados e pontos vermelhos em dois dedos com unhas desiguais ao resto. – Isso deve ter doído – comentei.Ela olhou sem expressão para as unhas quebradas e deu de ombros. O cheiro leve do seu sangue fez meus caninos formigarem.– Foi a menor das minhas preocupações hoje. Não achei que fosse notar isso.Encarei por mais uma fração de segundo os pontos brilhantes. Eram como saborosos rubis para um vampiro que não se alimentava havia ao menos uma semana e meia. Meus caninos se alongaram na boca.– Eu noto tudo em você – murmurei.Ela corou e sorri de lado antes de pegá-la no colo. Como sempre, sua janela estava aberta. Saltei para a árvore quase sem esforço e, agarrando o galho com um braço, impulsionei o corpo para dentro. Ela tremeu e agarrou meu pescoço com uma força que me esganaria se eu fosse humano. Absorvi o impacto no assoalho de madeira com a sola dos pés e afrouxei um pouco seu aperto.– Sem arrancar cabeças, princesa. Dá trabalho colocá-las no lugar depois.– Tudo bem – ela balbuciou.Tornou a encolher-se quando minha mão tocou seu ombro ralado. Coloquei-a na cama e mordi meu pulso. Elena olhou o sangue que brotara com uma expressão horrorizada.– Não quero virar vampira – ela objetou quase incoerentemente.– Não me lembro de ter dito que te transformaria em uma.– Eu não quero – insistiu ela.– Beleza.Ela empurrou meu braço.– Nem trocar sangue, Damon – agora ela parecia apenas cansada – não estou no clima.– Você me ouviu pedir seu sangue por acaso?– Não mas...– E você achou que eu tomaria a força?– Não, mas...– Mas o quê? — vociferei impaciente.Seus olhos pareceram brilhantes demais por um momento e ficou evidente que ela lutava contra as lágrimas. Não, não, droga... Por que eu sempre digo a coisa errada?Tive vontade de me chutar.– Deixe que eu reformule – amaciei a voz – Eu não sou a pessoa mais paciente do mundo, nem costumo dar satisfações a ninguém, então...Ela esperou.– Desculpa – murmurei entredentes.Elena esboçou um leve sorriso e tocou meu joelho.– Tudo bem. Mas então, o que pretende fazer com o pulso sangrento?– Curar você.– Mas eu não preciso... ah – ela se interrompeu e olhou para o braço e a mão – isso não é nada meu anjo, não precisa se preocupar.– Não gosto que me chame assim – ressaltei.– Prefere que eu te chame de amor? – ela provocou – Parece o título de uma comédia romântica que eu quero ver, Desculpa se te chamo de amor. Espero conseguir que veja comigo.– Fica quieta e bebe, Elena, a dor está te fazendo delirar – bufei.– É, a incrível dor de duas unhas quebradas – ela ironizou – É pior que um tiro na barriga.Diante do meu olhar intenso, acabou cedendo e levou os lábios ao meu pulso cortado. Tomou alguns goles e a sucção delicada fez um arrepio descer pela minha coluna. A sede aumentou e minha mandíbula doía.– Odeio esse gosto – ela fez uma careta – É tão estranho beber o sangue de alguém...– Não pareceu achar isso das últimas vezes.– Nas últimas vezes... – ela corou e engasgou – Você sabe. É diferente no calor do momento.A leve insinuação foi o bastante para fazer meu corpo responder. Ela estava se referindo às noites que passamos juntos e trocamos sangue no auge do momento. E de repente eu me dei conta que fazia uma semana que não a tocava. Ótimo. Sede E desejo. Tudo que um vampiro em abstinência precisa.– De nada, de qualquer jeito – falei a primeira coisa que passou pela minha cabeça, desesperado para que ela me distraísse.– Pelo quê? Isso foi desnecessário – ela chiou indignada e passou a língua pelo lábio inferior para limpar uma mancha de sangue.Desviei os olhos rapidamente.– Foi mesmo?– Claro, isso não é nad... – ela apontou para o braço e percebeu que o ralado não estava mais lá.Nem no ombro, assim como o arranhão no queixo tinha sumido, ainda que ela não pudesse vê-los. Elena ergueu uma mão e limpou as gotas de sangue, encontrando pele rosada e inteira no lugar das pequenas feridas.– Fala. Sério. – ela sussurrou para os dedos.– Como eu disse. De nada.– Ainda acho que foi desnecessário, não era nada grave – ela sorriu – Mas obrigada assim mesmo.Sua outra mão abandonou meu joelho e se entrelaçou na minha. O sorriso sumiu de seu rosto tão rápido quanto chegou e um vinco de preocupação surgiu em sua testa.– Talvez seus amigos estejam certos. Não sou uma boa influência para você – soltei.– Como assim?– Invadir a propriedade alheia sem dar a mínima para os donos do lugar ou os trocentos empregados marchando por aí só porque algo despertou sua curiosidade? Soa como algo que eu faria.Ela riu pelo nariz.– É, soa.Hesitei. Alguma hora teria de abordar o assunto delicado, então resolvi dizer logo:– Eles ouviram seu grito. Teriam te alcançado se eu não estivesse...– Me perseguindo? – ela me interrompeu.– Prefiro o termo “cuidando de você”. Não que você tenha alguma moral para falar de mim depois de seguir a xerife na cara dura.– Foi diferente!– Claro que foi,diferente de certas pessoas não tenho o hábito de roubar bicicletas.– Damon! – ela exclamou angustiada – Eu juro que vou devolver...– Sei que vai. Você sempre faz a escolha certa. Que com certeza não seria eu se não tivesse dado a louca no Stefan – resmunguei.Ela arregalou os olhos e a vontade de me chutar foi substituída pela ânsia de catar um objeto pontudo de madeira. Por quediabos eu disse isso em voz alta?Elena se ajoelhou na cama e suas mãos tocaram meus ombros. Mortificado, eu olhava para qualquer coisa que não fosse ela. As mãos deslizaram pelo meu pescoço e tocaram a mandíbula. Seu toque era tão suave como eu me lembrava e não consegui resistir ao impulso de fechar os olhos.– Olha para mim – ela pediu.Olhei.– Mesmo com todas as gracinhas e sermões, mesmo com todo mundo falando mal de mim pelas costas, mesmo que ninguém aceite ou entenda, eu escolho você. Mesmo quando eu não sabia nada sobre o que Stefan fez. Eu não conseguia decidir porque secretamente queria me forçar a escolhê-lo, sabendo no fundo que queria você.A sinceridade derretia o castanho dos olhos dela, deixando-os quase mel.– Você parecia muito inclinada a ficar com ele – observei seco.– Eu ficava tentando me convencer que devia isso a Stefan por tudo que passamos juntos, não pelo que eu realmente sinto – ela sacudiu a cabeça – Tia Jenna tem razão, seria errado ficar com ele por pena. Agora vejo.– Você só diz isso porque está magoada e vulnerável – não foi fácil manter a máscara de frieza ao dizer aquilo. Estava sendo sincero também, mesmo que doesse – É normal, por tudo o que viu hoje.– Não! – ela protestou – Damon, não é por isso e você sabe. É claro que eu estou magoada! Ele me traiu e matou um monte de gente. Ele é perigoso e duas caras e não sei porque está fazendo isso e... eu estou sofrendo, não vou negar.Seus olhos estavam outra vez brilhantes demais, o rosto branco como papel e eu nem precisava ler sua mente para ver dor em sua expressão. Ela parou, acho que para impedir que as lágrimas caíssem. Olhou para algum ponto acima do meu ombro e piscou muito na tentativa de contê-las, mas caíram de qualquer jeito. Limpei-as com uma mão antes que ela continuasse, a voz mais firme ao dizer:– Só que não é por amar mais a ele. Você faz com que a dor seja suportável. Eu podia ver e sentir a extensão da dor. Minha mão procurou sua cintura em um gesto involuntário de conforto.– Dói muito saber o que ele fez pelas minhas costas – ela trincou os dentes — E nem tenho certeza se sei de tudo! Só sei que seria pior, infinitamente pior, se eu não tivesse você. Eu me sinto traída e enojada, uma anta cega e ingênua por não ter dado importância aos sinais que ele deu, à mudança... – Não foi sua culpa – murmurei – Você não o forçou a fazer nada disso. Não ouse procurar um jeito se culpar.– O ponto – ela continuou – É que eu amo você. Eu amava o Stefan também, de um jeito bem diferente. Mas não tenho certeza se ainda sinto algo por ele. Além de ódio e nojo, quero dizer. Tipo, ele disse que está apaixonado por uma das vampiras que atacou a Caroline! Como ele pôde? Depois de tudo o que fez!Senti a suspeita se esgueirar em meu cérebro. A Barbie Loura não tinha dito que fora atacada por três vampiros? Dois de olhos verdes e um de olhos azuis? Um vampiro no meio? Stefan tem olhos verdes. Também um caráter duvidoso, pelo que estamos vendo. E pelo que parece além de mim os únicos vampiros na cidade são ele e duas Originais. Ou uma, talvez seja uma Original e uma vampira. Será que ele...?
– Não. Diga. Isso. – Elena interrompeu quando me viu abrir a boca – Não foi ele.– Como você pode ter certeza?– Não, Damon. Aí ultrapassa todos os limites do que posso suportar. Me traindo com sei lá quantas outras mulheres, matando gente inocente E atacando minhas amigas? Não, não. Deve ter outro vampiro na cidade. Talvez não saibamos de todos. Talvez Stefan seja só um cúmplice que...– Está inventando desculpas para ele – foi minha vez de interromper.– Só sendo muito cínico e insensível para ver a Carol no estado em que ela ficou e se comportar como se estivesse preocupado com ela, quando foi ele quem fez aquilo – ela sibilou.– Ele parecia bastante culpado, que eu me lembre.– Não, Damon. – ela fechou os olhos, ainda mais pálida – Por favor.– Tudo bem, não está mais aqui quem falou – eu a puxei para o meu peito – Vamos voltar ao ponto. Você estava dizendo que me ama...Ela riu.– Amo. E escolho você – Elena se esticou e me deu um beijo rápido – Posso te provar, sabe...– Pode é?Ela afastou o cabelo e inclinou a cabeça para expor o pescoço esguio. Meus caninos alongados pulsaram.– Veja você mesmo.Não era uma boa ideia. Eu estava faminto demais. Sacudi a cabeça.– Posso ler seus pensamentos. Não preciso te morder.– Por quê? – ela examinou meu rosto com atenção – Isso nunca te impediu antes.A diferença é que eu estava alimentado e não havia risco que eu te machucasse ou bebesse demais.– Dá para ver nos seus olhos — as mãos dela deslizaram no meu rosto e tocaram de leve minhas pálpebras – Estão escuros como o azul de um mar revolto. Você está com sede. Faz quanto tempo que não se alimenta?Não respondi. Quase ouvi o estalo em sua cabeça quando ela ficou paralisada.– Foi comigo! Naquela noite, não foi? Damon, faz mais de uma semana! Você deve estar faminto!– Um pouco – admiti de má vontade.Ela puxou minha cabeça na direção do seu pescoço. – Beba – ela pediu.Trinquei os dentes.– Não – rosnei.– Seu teimoso – ela acariciou minha nuca e tentou me puxar para mais perto – Admita que estava esperando por mim. Você precisa. Beba.– É desnecessário – sibilei.– Você me fez beber seu sangue para curar alguns arranhões. Isso sim foi desnecessário – ela rebateu – Bebe de uma vez Damon.Ela arqueou o pescoço, aproximando-o ainda mais da minha boca. Ficou ainda mais difícil ignorar o impulso de morder a pele delicada.– Você não entende com o que está mexendo.– Ah não – ela fez cara de tédio – Já fui mordida umas quinhentas vezes e não sei como o que estou mexendo. Mais alguma desculpa?Deixei a cabeça pender para o lado e meus lábios alcançaram o pescoço dela.[POV Elena]– Você não entende com o que está mexendo.A sede brilhava nos olhos de Damon, mesmo que ele travasse o maxilar obstinadamente. Eu sabia que já estava quase completamente convencido. Lancei minha última cartada: – Ah não – deixei que o sarcasmo vazasse em minha voz – Já fui mordida umas quinhentas vezes e não sei com o que estou mexendo. Mais alguma desculpa?Sua cabeça pendeu para o lado, vencendo os últimos centímetros que nos separavam. Seus lábios alcançaram meu pescoço. Acariciaram hesitantes a pele até me deixar toda arrepiada. Agarrei seus cabelos e o incentivei a continuar, soltando um suspiro abafado. Os dentes de Damon rasparam de leve no ponto sensível abaixo da minha orelha e me espremi contra ele. Damon reagiu me enlaçando pela cintura e enfim seus dentes romperam a pele com gentileza.Senti uma pontada rápida de dor e depois o torpor prazeroso que vinha com a sucção. Ele tentava se conter, tomava cuidado para que eu não sentisse dor. Fiquei comovida.Deixei que as lembranças inundassem minha mente. Nossa primeira noite juntos, os sentimentos que eu já tinha revelado a ele antes, a saudade enorme que senti dele em nossa semana separados, o ciúme violento das piriguetes que vi com ele no Mysthic Grill, todo o sofrimento e a vontade de fugir com ele e ligar o foda-se para o mundo. Comparei com o amor tranqüilo e pacífico que tinha com Stefan, mesmo em nossos melhores dias. Ele se encolheu, mas não o deixei se desvencilhar. Ele precisava ver aquilo. Stefan e eu até combinávamos e tínhamos química, mas parecíamos mais amigos empolgados que um casal apaixonado. Eu podia ver isso com clareza agora. Eu o amava, mas o sentimento não era nem de perto tão intenso quanto o que sentia por Damon. Damon me consumia. E, secretamente, eu tinha medo de me deixar consumir. Tinha medo de sofrer. Mas ele fazia valer à pena o risco. Mostrei como minha relação com Stefan fora ficando frágil depois daquela primeira noite. Não só pelas mudanças nele, mas pelas mudanças em mim. Não havia sido só eu que mudara Damon, ele também tinha deixado sua marca em mim. Comparei mentalmente o ciúme absurdo que senti ao vê-lo sorrindo para outras mulheres com o que senti ao ver Stefan beijando outra mulher e se declarando para ela. Não houve ciúme com Stefan, apenas choque... e depois uma mistura de mágoa, decepção, nojo, dor, tristeza, mais choque, raiva, orgulho ferido. Tudo menos ciúme. Uma traição descarada dele não me causara ciúme, enquanto um sorriso de Damon me fizera perder as estribeiras. Era óbvio quem eu acabaria escolhendo. Mesmo que errasse à princípio, mesmo que demorasse, mesmo que me negasse a aceitar, meu coração tinha escolhido Damon.Ofegante, ele ergueu a cabeça. Seus olhos estavam muito mais claros e a emoção neles me fez perder o fôlego. Finalmente pareceu ter entendido que era minha escolha definitiva. Olhando no fundo dos meus olhos, mordeu o pulso recém-curado e fez com que eu bebesse mais um pouco. Senti o repuxar enquanto meu pescoço cicatrizava. Depois ele se inclinou e me deu um beijo profundo.– Pela primeira vez estou feliz por não mandar no coração – eu ri – Pelo menos não preciso mais me sentir culpada.– Vou fazer com que nunca mais sinta que precisa se sentir culpada – ele murmurou no meu ouvido — Vai dizer todo dia que me ama sem nenhum peso na consciência.– Isso depende, também vou ouvir que você me ama? – Vou pensar no seu caso – ele sorriu e me beijou para fazer suspense — Ti amo, piccola mia. Não acho que vá me cansar de dizer isso algum dia, então a resposta é sim.Depois as palavras não foram mais necessárias. Eu o puxei para cima de mim e deixamos o desejo alastrante falar mais alto.
Fale com o autor