Duas Metades De Mim
5 POV Damon
Notas iniciais
espero q gostem do capitulo meninas, boa leitura !
Ela tinha acabado de pegar no sono. Seu cabelo longo e cor de chocolate estava derramado no travesseiro, contagiando-o com seu aroma de morango. Os lábios cheios e tentadores estavam ligeiramente separados, como que em um convite silencioso. Seu rosto gracioso e delicado tinha uma expressão serena que a deixava ainda mais linda. Esperei até ter certeza que ela dormia, então forcei a janela para cima, terminando de abri-la, e entrei no quarto. Estar ali me lembrava da nossa noite juntos, de tudo que ela me fizera sentir.
Não conseguia tirar da minha cabeça a imagem dela e Stefan nos braços um do outro em minha cama. Nunca fui um cara ciumento, pelo menos não até conhecê-la.
Ironicamente, eu não gostava dela no começo.
E pelos mesmos motivos que hoje me faziam... amá-la.
Sim, já era hora de admitir pelo menos para mim mesmo: estou apaixonado por Elena Gilbert.
Inicialmente o que me atraiu nela foi a semelhança com Katherine. Mas sua personalidade tão séria e boazinha combinava muito mais com Stefan, apenas sua aparência me atraía na época em que eu ainda amava, ou pensava amar, Katherine.
O tempo foi passando e aos poucos eu descobria as qualidades de Elena. Sua determinação, sua coragem, o modo como não hesitava em me desafiar quando tinha vontade, sua generosidade, seu jeito ao mesmo tempo firme e doce, sua força de caráter. Tudo que Katherine não tinha.
Ela esteve ao meu lado quando descobri a verdade sobre Katherine. Me abraçou quando eu estive transtornado e vazio. Ela foi carinhosa, não me tratou com aversão ou pena.
Ela se tornou a coisa mais importante em meu mundo.
Porém, assim como Katherine, ela preferia Stefan.
Pelo menos até aquela noite, uma noite em que eu acreditei verdadeiramente que ela podia me amar, talvez tanto quanto eu a amava. Até ver a expressão de culpa em seu rosto pelo que fizemos.
Eu não queria fazê-la sofrer. Nem me sentir tão vulnerável, tão dependente de alguém.
A solidão sempre fora a escolha mais fácil de se administrar.
O que não era tão fácil de fazer era me desligar de tudo que aquela simples humana me fazia sentir. Ela trazia à tona todas as emoções que eu lutei ao longo dos anos para destruir em mim. Ela me fazia sentir humano novamente.
E eu sempre a escolheria, sempre a protegeria, sempre estaria por perto.
Mesmo que fosse meu irmão quem ela preferisse.
Me aproximei de sua cama com passos lentos e sentei-me na beirada, tocando seu rosto com delicadeza. Ela era como uma boneca de porcelana. Frágil, delicada e perfeita...
Minha Elena.
E agora que eu já sabia como era tê-la achava cada vez mais difícil vê-la com Stefan. Apenas um beijo já era o bastante para me incomodar e surpreendê-los na minha cama... Imagino qual seria a reação dela se soubesse como aquilo doeu em mim. Se soubesse o quanto desejei matá-lo naquele segundo.
Teria feito isso, se ela não tivesse se colocado entre nós. Se ela não tivesse se metido no fogo cruzado, sabendo que se machucaria. Ah, minha doce Elena... Por que você precisa sempre se preocupar mais com os outros do que consigo mesma?
Fechei os olhos e inspirei seu cheiro. Fiquei satisfeito ao perceber que minha camisa fizera meu cheiro se misturar ao dela. Pena que havia o fedor do devorador de esquilos impregnado em sua pele, quebrando a harmonia perfeita de aromas.
Minha mão desceu do seu rosto para o pescoço e continuou descendo até alcançar o primeiro botão da minha camisa. Olhei para as roupas no chão e vi uma blusa vermelha, jeans e um conjunto de lingerie branco e rendado.
Ela não estava usando nada por baixo da minha camisa?
Imaginei Elena nua por baixo da camisa preta, com suas curvas macias acariciando o tecido e imediatamente fiquei excitado.
– Droga Elena... – eu murmurei rouco.
Era melhor que eu me levantasse e fosse embora antes que pudesse fazer algo de que me arrependeria depois.
Ela estremeceu ao ouvir minha voz e abriu os olhos.
– Damon? – a voz sonolenta não parecia chocada como eu esperava.
Ela se espreguiçou e meu olhar faminto percorreu todo o seu corpo.
– Não me provoque. – eu disse entredentes.
– Você está mesmo aqui? – ela ergueu os braços para tocar meu rosto e eu esperei que ela não tivesse notado o arrepio que me percorreu ao sentir seu toque quente.
– Estou.
Ela sorriu. Sentou-se na cama e me puxou para mais perto, suas mãos entrando embaixo de minha camisa.
– Pois eu acho que estou sonhando de novo – ela disse – E dessa vez vou aproveitar o máximo que puder.
Minha respiração acelerou e eu estremeci perceptivelmente. As mãos pequenas percorrendo minha barriga por baixo da camisa me faziam ter a sensação que meu sangue tinha se tornado lava, pulsando trabalhosamente em minhas veias. Eu já estava começando a perder o controle.
– Você não está sonhando – me esforcei para manter tanto meu rosto como a voz inexpressivos – E eu já vou embora.
– Não – ela me segurou pelo braço – Por favor, Damon, não...
Era muito mais difícil do que deveria ser tentar recusar algo a ela.
– Você acha que está sonhando. E você está com o meu irmão, não comigo – eu disse ríspido – Nem sei por que vim aqui em primeiro lugar.
Ela ficou em silêncio por um minuto.
– Você está mesmo aqui.
Assenti.
– E vou embora.
– Não. – ela protestou outra vez – Por que está aqui?
– Eu a machuquei? Quando joguei Stefan em você.
– Não foi sua culpa – ela deu de ombros – Eu fiquei no caminho porque quis.
– Eu te machuquei? – repeti.
– Não.
– Posso conferir?
Antes que ela pudesse protestar enfiei minhas mãos por baixo da camisa preta, que servia como um vestido nela. Era tão bom poder tocar de novo sua pele macia... Ela mordeu o lábio enquanto eu percorria suas costas. Não parecia ter nada deslocado ou machucado.
Eu estava certo antes. Ela realmente não usava nada por baixo da camisa.
– Está testando demais meu controle – eu não conseguia mais me parar, depois de sentir a textura da pele cor de leite.
Elena se arrepiou e fechou os olhos.
– Damon... – gemeu ela.
Grunhi em resposta.
– Eu estou bem – ela disse em um fio de voz.
Então tentou me afastar. Pena que eu já não podia mais ser contido.
Tomei-a em meus braços e a beijei com toda a paixão que reprimia. Elena logo amoleceu, retribuindo o beijo com a mesma intensidade, apertando-se contra mim. Aprofundei o beijo e passamos longos minutos com nossas línguas travando uma espécie de guerra deliciosa. Comecei a desabotoar a camisa que ela usava.
– Não... – ela ofegou quando precisou se afastar para tomar fôlego – Isso é errado... eu não devia sentir... aah Damon...
Eu me inclinei para provar seus seios e ela se contorceu em meus braços.
– A gente não devia... – ela ainda tentou protestar.
Mordisquei-os de leve e Elena gemeu.
Eu estava tão envolvido no momento que me sobressaltei ao ouvir o toque do telefone dela. Ela parecia se importar com o toque repetitivo tanto quanto eu. Puxou-me para mais um beijo. O telefone continuou a tocar. Suas mãos começaram a percorrer toda a extensão das minhas costas e ela pressionava seu corpo contra o meu. O aparelho continuou a insistir.
Finalmente Elena desistiu com um suspiro de pesar e foi atender a ligação.
– Alô?
Eu prestava muita atenção na conversa. Seria São Stefan para estragar mais ainda o meu dia?
– Oi Elena – a voz da bruxinha macumbeira soou do outro lado da linha –Você já viu o jornal de hoje?
– Hm. Não.
– Então veja – é, grande novidade, a mãe de ná estava irritada com alguma coisa – Não vou ser tão paciente com Damon dessa vez, já avisei para ele não sair atacando pessoas na floresta.
Elena parecia muito preocupada agora.
– Diga a ela que está me confundindo com o lobo mal – eu ergui as sobrancelhas – Não ando atacando ninguém na floresta.
– Que voz é essa aí no fundo?
– Não tem voz nenhuma Bonn.
– Tem sim, eu não sou surda.
– Vou olhar a manchete que você falou. Depois ligo para Stefan, ele deve saber se é o Damon que está por trás do que quer que seja.
– Ainda tem alguma dúvida?
– Até provarem que foi ele, sim.
Sorri satisfeito. Gostei do voto de confiança, principalmente sabendo que apenas Elena me daria o direito da dúvida. Com o passar dos meses ela começara a me entender como ninguém.
– O que deu em você?
– Bonn, preciso desligar, Jenna está me chamando. Te ligo mais tarde ok?
– Tá né...
Ela desligou e olhou no fundo dos meus olhos.
– Foi você? – perguntou.
– Não – eu respondi sem rodeios.
Era a verdade.
– Mas isso pode ser preocupante, significa que temos novas visitas pela vizinhança. Que com certeza não serão boazinhas como eu.
– Eu vou lá embaixo pegar o jornal e falar com o Jeremy – ela me informou – Ele me viu chegar chateada e bem... provavelmente vai bater aqui a qualquer momento.
Fiquei em silêncio. Ela não precisava ser mais clara: queria que eu fosse embora. Frustrado, me preparei para pular a janela mantendo a frieza e a indiferença de sempre intactas.
– Espere.
Eu parei e olhei para ela.
– Só me responda uma pergunta antes – disse ela escolhendo as palavras cuidadosamente – Sobre o que aconteceu hoje... Você ficou chateado porque eu e Stefan usamos seu quarto ou porque eu estava com ele?
Os dois.
– Porque vocês usaram meu quarto. Precisa admitir que foi meio baixo isso, Eleninha.
– Eu sei – ela estava muito vermelha, encarando suas mãos pousadas no colo – Me desculpe, de verdade. Eu não queria te deixar chateado. Eu só...não estava pensando direito na hora.
Ela estava tornando tudo pior. Eu não queria saber o quanto Stefan mexia com ela. Não queria pensar na cena que presenciara em meu quarto. E também... não conseguia odiá-la. Por que deveria odiá-la, por ter ficado com o namorado? Mesmo que o lugar tenha sido uma péssima escolha, ela está com Stefan, não comigo. Nem sequer se lembra da única noite que tivemos juntos.
Bom, pelo menos não se lembra como tendo sido real.
Eu não conseguia ficar com raiva dela, estava ocupado demais concentrando meu ódio em Stefan.
Ela pegou minhas mãos e seu toque macio me distraía.
– Desculpa.
– Não precisa ficar repetindo isso – eu estalei a língua – Nós não temos nada um com o outro. Não precisa se explicar.
– Sim, preciso, porque eu fiz uma estupidez. Espero que você não me odeie por isso, eu sei que deve estar me achando a maior vagabunda.
Eu ri sem humor.
– É claro que eu não acho isso. Talvez minha reação tenha sido um pouco exagerada – admiti.
Mas é só porque eu te amo, Elena. E talvez algum dia eu te diga isso.
– É verdade que você já levou garotas para o quarto dele?
– Culpado – fiz uma careta.
– Seu safado! – ela ria como se estivesse brincando, porém me socou com uma força razoável – Então considere que vocês dois estão quites, tá? Prometo que não vamos fazer de novo.
Prometa que nunca mais vai deixar que ele toque em você. Fuja comigo.
– Quer continuar de onde paramos? – abri um sorriso malicioso e me aproximei de sua boca, tentando sufocar o rumo absurdo dos meus próprios pensamentos.
A culpa e a mágoa em seu rosto me pararam.
– Não. – ela disse com firmeza – Eu preciso digerir o que aconteceu, Damon. Mesmo sendo um monstro eu ainda estou com seu irmão, como você adora me lembrar.
Ouvir aquilo dela era ainda mais doloroso, por algum motivo.
– Nos vemos amanhã então – eu disse em um tom despreocupado – Mas tenha uma coisa em mente, Eleninha, eu vou fazer você ceder.
Me inclinei para beijar seu pescoço e senti o cheiro dela em minha camisa.
– Gosto disso – eu sorri sedutoramente – Seu cheiro misturado com o meu... Pode pegar minhas camisas sempre que quiser. Mas não esqueça de devolvê-las depois.
Ela riu.
– Será que você pode retribuir o favor e me dar alguma peça sua? De preferência alguma coisa sexy?
– Damon – ela me repreendeu e deu um soquinho em meu ombro – Até amanhã.
Nos encaramos por alguns minutos sem nos mover. Nenhum de nós parecia querer se afastar do outro. Pelo menos até ela respirar fundo e dizer:
– Feche a janela quando sair, por favor.
Então ela saiu do quarto e foi procurar o tal jornal.
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