Estava na sala do trono com meu pai, estávamos resolvendo algumas questões administrativas quando mamãe entrou.

— Estêvão, precisamos conversar, urgente e a sós. Bom dia meu filho.

— Bom dia mãe, acredito que já acabamos por aqui, vou deixa-los a sós.

Sai da sala do trono e enquanto subia a escadaria ainda ouvi a conversa abafada dos dois... — Estrela, meu amor, temos que fazer isso... — Eu não quero que seja assim... — Mas é preciso...

Eles pareciam preocupados, e eu também estava. Sempre fui muito ligado às questões do reino, treinado desde que nasci pra substituir meu pai no trono. Nunca questionei nenhuma ordem passada a mim por ele e para mim nem eram ordens e sim pedidos, sempre me dediquei as minhas funções como príncipe pois sei o que é de minha responsabilidade.

Tenho alguns amigos, lordes e duques, que não compreendem a minha dedicação integral ao reino; sempre queriam me arrastar para as baladas do centro da cidade, claro que eu nunca aceitava e eles nunca aceitavam minha falta de vida social.

Encontrei minhas irmãs em um dos salões de estar e fui até elas.

— Ei meu amores, Emma, Estela, tudo bem com vocês?

— Evan! A gente já tava com saudades, você nem aparece mais pra brincar com a gente!

— Estela nós já temos 14 e 10 anos, não temos mais tempo para "brincar"; temos que aprender a nos portar como parte da realeza.

— Você está certa Emm, porém você e a Estelinha podem sim brincar, e ainda assim se portar como parte da realeza. E eu prometo passar mais tempo com vocês, mas agora o maninho precisa ir, tudo bem?

— Tudo bem maninho, a gente te ama muito.

— Também amo você Tete e você também Emm.

Deixei as duas com as criadas e fui para o meu quarto. Comecei a me questionar se meu amigos não tinham razão, eu dedico todo o meu tempo aos afazeres de um futuro rei, acabo de fazer 18 e não vi nem metade das coisas que gostaria, mas não posso decepcionar meus pais com caprichos bobos. Estava absorto em pensamentos quando o mordomo bateu a porta.

— Senhor Evan, seus pais o aguardam no grande salão.

— Ok Joe, obrigado.

Fui me encontrar com meus pais e já pressentia algo vindo por aí, algo que talvez eu não gostasse.

— Papai, mamãe, mandaram me chamar.

— Evan meu filho, temos tanto orgulho de você — meu pai começou — sempre foi o melhor auxiliar e o melhor filho que eu poderia esperar e por sabermos que você sabe pesar as suas decisões, eu e sua mãe tomamos uma.

— Meu filho, pelo bem do reino, precisamos de... — minha mãe continuou em sua voz doce — um sacrifício! Ou melhor, não chega a ser um sacrifício, e sim um bem que pode fazer para o reino.

— Onde estão querendo chegar? — perguntei já nervoso

— O nosso reino vizinho pode se tornar um grande aliado — iniciou meu pai — estamos passando por um tempo de calmaria mas todos os reinos e países estão se armando para o momento necessário, se armando e se aliando!

— Seu pai acredita que a união do exército de nosso vizinhos com nosso poderio militar será de grande valia. É pena que nossos laços fraternos não seja tão fortes assim.

— Mas há uma maneira de deixa-los mais fortes. Um casamento.

— Ah não.

— Com a filha do rei Anthony.

— Um casamento arranjado!

— É a melhor forma de estabelecer união meu filho.

— Olha só, eu sempre fiz tudo que me pediram, em nome do reino, mas isso não; a única coisa que eu queria privar a MINHA escolha na MINHA vida era o amor, eu quero me apaixonar e não ser obrigado a passar o resto da vida com alguém que talvez nem seja compatível a minha personalidade. Me desculpem mas não vou ouvir mais nada.

Sai da sala batendo pé e ouvi deu para ouvir a última frase de meu pai. — Você não tem escolha meu filho, infelizmente assim será!

Subi para o meu quarto e liguei para Sam, meu melhor amigo.

— Sam, para onde vão hoje?

— E aí Evan, como assim? Tá querendo sair??

— Tô sim, e aí, algo interessante hoje?

— Po brother hoje a gente tava combinando uma viagemzinha.

— Viagem? Pra onde?

— Pro reino vizinho, vão ter uns shows maneiros lá, vamos passar o fim de semana, topa?

Será que largo todas as minhas responsabilidades assim? Ah vou fazer isso sim, preciso espairecer.

— Topo sim, até mais tarde.

Arrumei uma bolsa pequena e sai escondido, deixei um bilhete para mamãe não ficar preocupada mas não disse pra onde iria para não inventarem de ir atrás de mim; encontrei os caras e fomos, eram apenas algumas horas até a capital do reino vizinho então seria tranquilo.

***

Finalmente chegamos e eles nem pensaram duas vezes, chegaram no hotel, se arrumaram e saíram. Fomos a um club e os caras falaram que teria um show de dança; estava ansioso por estar quebrando tantas regras ao mesmo tempo mas não queria me importar.

O show começou. Estava tudo normal, até que...

— Meu Deus, quem é essa gata... — Que corpo, que sensualidade... só ouvia a voz dos caras ao fundo, mas meu olhos não desviavam dos olhos azuis dela. Ruiva, corpo escultural, tenho que admitir, uma atitude passada nos movimentos... e que movimentos, sem dúvidas a melhor bailarina do local.

— Evan, cuidado pra não babar em — Sam disse e eu acordei do transe.

— Ela é... linda!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.