Duas E Meia (one-shot)
1 Duas e Meia - Capítulo Único
Notas iniciais
Fiquei com saudades de vocês e resolvi escrever uma songfic para vocês.
É baseada na música Duas e Meia - Darvin (http://www.youtube.com/watch?v=sQpCbjbgoRw), é no ponto de vista do Maxi.
Espero que gostem!
- Maxi, Maxi! – alguém chamando meu nome, tirou-me dos meus sonhos.
Acordei com aquela conhecida voz doce chamando meu nome, virei-me, olhei no relógio. Duas e meia. Madrugada de sábado, já era de se imaginar que uma hora ela iria chegar. Levantei-me e fui até a janela.
- Naty! – exclamei assim que levantei o vidro e olhei para baixo.
- Oi – ela falou com a voz triste.
- Você sabia que falando alto assim vai acordar os vizinhos, né?
- Desce aqui, por favor! – ela me pedia com aquela voz e aquele jeito delicado que eu tanto gostava.
- Já vou, mas, por favor, não me chame mais – eu ri, ela continuou estática olhando para cima.
Juntei no chão do meu quarto a primeira camiseta que encontrei, desci para falar com Naty. Ela estava sentada na escada, de costas para mim, e antes que me aproximasse mais um pouco dela, parei e fiquei admirando-a e imaginando qual motivo a trazia ali dessa vez. Sentei-me ao seu lado.
Duas e meia da madrugada, uma voz doce, delicada, pela janela me pedindo pra descer
— O que aconteceu? – perguntei sem hesitar.
— Foi ele, Maxi... O Tomás, ainda não acredito que fez aquilo! – respondeu, com os olhos enchendo de lágrimas. E eu já imaginava que a resposta teria a ver com ele.
— O que ele fez?
Será que ele arrumou uma briga? Ou então cantou a sua amiga? E você já não sabe o que fazer
— Ele ficou com outra, Maxi! Na minha frente! – ela se levantou, e gritou olhando para mim. Notei o sofrimento em seus olhos.
— Hey, calma, senta aqui e me conta o que aconteceu exatamente...
Foi nesse momento, enquanto ela se sentava novamente ao meu lado, que notei, Naty vestia um vestido curto e sapatos de salto, além de carregar uma pequena bolsa nas mãos, sim, ela estava vindo direto da festa na qual havia ido com o então namorado, Tomás.
- Nós chegamos à festa e Tomás começou a beber sem parar, eu pedi que parasse, mas continuou bebendo, falei que não voltaria de carona com ele, que simplesmente me ignorou – ela falava enquanto lágrimas corriam em seus olhos, e eu só conseguia pensar no porquê de Naty ainda namorar aquele cara -, fui então procurar a Vilu ou a Fran para pedir uma carona, encontrei-as e combinei de voltar com a Fran e Fede. Fui avisar o Tomás que estava indo embora, e ele ficou irado quando falei isso, me disse milhões de coisas na frente de todo mundo, que eu era muito mimadinha, cheia de histórias, que ele não aguentava mais eu sempre reclamando que ele bebe demais, que sempre vou às festas pra ficar de canto e blá, blá, blá – ela chorava sem parar contando isso, e seu choro era alto, com soluços. – Eu fiquei sem chão depois disso, e sai correndo pro banheiro, as meninas foram lá e ficaram um tempo comigo enquanto eu me acalmava. Resolvi voltar e conversar com o Tomás, só que aí, quando cheguei no salão, ele estava c-com... – Naty não conseguiu terminar a frase e afundou seu rosto em meu peito chorando mais ainda.
- Com a Ludmila? – eu não pude evitar, sabia que a resposta seria afirmativa, todos, até mesmo Naty, que namorava Tomás, sabia que existia algo entre ele e Ludmila.
- S-sim – ela respondeu, olhando para mim, e mesmo escuro, encontrei com dificuldade seus lindos olhos castanhos atrás de tantas lágrimas. Assim como vi seus olhos, notei as luzes de algumas casas e apartamentos vizinhos se acendendo, estava na hora de subir.
Sentada na escada você só consegue chorar, e eu te consolo ou falo logo o que eu tenho pra dizer e no que fazer, se o que eu quero é você?
- Sinto muito – falei com sinceridade. – Vamos entrar? Lá em cima você me conta o resto.
Ela assentiu, nos levantamos e subimos em silêncio. Naty foi na frente, demostrando que já conhecia o caminho. Assim que entramos em meu apartamento, jogou sua bolsa em qualquer canto, sentou-se no sofá e tirou seus sapatos. Percebi que ela se encolhia, fui rapidamente até meu quarto, peguei uma blusa e entreguei a ela.
- Obrigada – deu um sorriso amarelo.
- Está com fome? – perguntei.
- Um pouco.
- Posso fazer alguma coisa para você comer. O que vai querer?
- Qualquer coisa – deu de ombros.
Fui até a geladeira, peguei alguns ovos e comecei a preparar uma omelete para Naty. Ela continuava no sofá, olhando para horizonte enquanto lágrimas silenciosas corriam por seu delicado rosto.
- Você quer continuar me contando o que aconteceu depois? – propus, olhando rapidamente para ela e voltando a me concentrar na cozinha.
- Eu me aproximei deles, indignada, Tomás e a vaca olharam para mim e começaram a rir, ele não me falou nada, só me olhou e riu. Sai de lá humilhada, peguei um táxi e vim parar aqui...
- Sabe, Naty – falei me aproximando, entregando o prato a ela e sentando-me ao seu lado -, há quanto tempo vocês namoram? Seis meses? – ela assentiu com a boca cheia. – E nesse meio tempo eu já te falei muitas vezes para você largar esse cara, olha só o que ele faz! Toda semana você me conta alguma que ele aprontou, mas mesmo assim vocês ainda estão juntos... Você deveria olhar, tem tantos caras por aí que gostam e dariam tudo para estar com você, enxergariam seu valor, suas qualidades, toda essa delicadeza, meiguice, alegria que você carrega, mas não, você continua com aquele babaca que não te dá o devido valor! – falei tudo que estava trancado na garganta a tanto tempo, querendo que Naty notasse que quando falava tudo isso, me referia a mim mesmo e tudo que daria para estar com ela.
- O que você não entende Maxi, é que eu gosto dele! – ela exclamava, mas mesmo assim chorava.
- Mas você o ama? – retruquei.
- A-amo! – ela falou gaguejando.
Pra que chorar? Não vai ter fim, foi o destino que quis assim. Pra que tentar? Se é tão ruim, e acaba sempre igual pra mim.
- Tem certeza?
- É claro que tenho! Por que isso agora, Maxi?
- Porque eu queria que você enxergasse o mundo, as pessoas que existem além desse cara que você nem tem certeza se ama, que só brinca com seus sentimentos, que enquanto está contigo, está com a Ludmila, porque essa, bem, ele nunca vai largar – cuspi as palavras, e Naty ficou perplexa olhando para mim. – E não me olhe assim, todo mundo vê que o Tomás está com vocês duas! Eu sei que dói, dói saber quem você ama não está inteiramente ou totalmente contigo, mas essa é a vida, Naty!
- Quem é você pra falar de amor? Se nem mesmo namorada tem, se passa os dias trancado dentro desse apartamento ou na faculdade, e única coisa que faz da vida é estudar! – ela alterou a voz comigo pela primeira vez em anos.
- Eu não preciso ter namorada para saber o que é amor! E se você quer saber, eu passo os dias e noites trancados aqui ou estudando, porque não quero sair de casa para alguma festa e ver a menina que amo junto de outro cara, um cara que não dá o devido valor a ela! – falei olhando fundo nos olhos dela.
- E quem é essa garota, afinal?
- É VOCÊ, NATÁLIA! – alterei a voz. – É você quem eu amo, e é de mim que falo todos os dias que vem aqui chorar por aquele otário do Tomás e todas as besteiras que ele fez! Me dói ver você sofrendo e chorando por ele, me dói não poder te ajudar, me dói mais ainda ter que te ver junto com ele na faculdade, fingindo o casal feliz, sendo que depois disso você vem até mim chorar!
Naty não me respondeu, porque assim que terminei a frase seu celular começou a tocar, ela levantou-se e o pegou dentro de sua bolsa, olhou no visor e olhou para mim.
- E agora ele tá aí te ligando, e você vai fingir que nada aconteceu – falei com a voz triste. – Vai atende! – debochei.
- Para, Maxi! Eu não quero mais ouvir nada por hoje, estou muito confusa e com a cabeça cheia – ela falou me olhando fixamente.
Ela adentrou em meu quarto e trancou a porta, deixei-a, sabia que depois da noite agitada, Naty precisava pensar.
Você se tranca no quarto escuro, depois sou eu que sou inseguro, e você vive me pedindo pra parar
Arrumei uma cama para mim no sofá, deitei-me, mas rolei de um lado para o outro até desistir de tentar dormir, seria um resto de noite perdido. Comecei a me perder em meus pensamentos e me lembrar do passado, de quando conheci Naty, de quando nos mudamos, da faculdade.
Nos conhecíamos desde a infância, crescemos juntos em Buenos Aires, estudamos sempre na mesma escola, em turmas diferentes, pelo um ano de diferença na idade. Quando terminamos a escola decidimos nos mudar para Cambridge para fazermos faculdade. Ela psicologia, e eu engenharia. Foi na faculdade que tudo mudou, Naty conheceu pessoas novas, começou a frequentar festas e happy hours, e eu sempre ficando mais em casa, estudando, até o dia em que conheceu Tomás. Eles ficaram algumas vezes e há pouco tempo começaram a namorar, quando isso aconteceu é que notei o quanto a amo, seu jeitinho, seus cabelos encaracolados, seus olhos brilhantes, seu jeito de comer, de rir, de brigar, mas era tarde, porque apesar do namoro conturbado, eles estavam juntos, e eu nada poderia fazer, mesmo sendo o conselheiro de Naty, aquele que escutava todas as noites seu choro pelas burradas de Tomás. E agora ela está a metros de mim, dormindo em minha cama, após ouvir minha “declaração” para ela. Tenho medo de como Naty pode reagir a isso.
***
Abri os olhos e percebi que havia pegado no sono em meio às minhas recordações, levantei-me, e notei a porta do meu quarto entreaberta, me aproximei. Naty estava sentada na cama com o celular nas mãos, e chorava em silêncio. Adentrei no quarto e sentei-me ao seu lado sem falar nada.
- Eles passaram a noite juntos – ela falou por fim.
- Sinto muito!
Será que isso já virou um vício? Ele quebrou um compromisso e você tem vergonha de falar
- Não sinta! Eu fui avisada, e não foi só por você, todos sempre me falavam que eu deveria largar dele – quando ela falou isso, fiquei surpreso.
- Mas você gosta dele...
- Mas eu não o amo – falou sem pensar -, ontem, depois do que você me disse, parei para pensar nos meus sentimentos pelo Tomás.
- E o que você concluiu?
- Que nunca teve amor, nunca existiu porque no fundo eu sabia que ele ainda gostava, ou pelo visto, gosta da Ludmila...
- Entendo!
- Mesmo assim, eu gostava dele, e tudo que passei ontem foi horrível, ele não precisava ter a beijado na minha frente ou ter falado todas aquelas coisas para mim, nesses meses fui parceira, amiga, caixa eletrônico, namorada, cozinheira e todas essas coisas, mas ele não soube reconhecer... Ele presta mesmo, é um babaca!
Morrendo por dentro, você só consegue dizer, que ele não presta e o que nos resta, não sei o que dizer e no que fazer, se o que eu quero é você
- Por isso que eu digo que você precisa encontrar alguém que reconheça todas suas qualidades!
- Mas eu já encontrei – ela sorriu, e foi o primeiro sorriso “alegre” desde a noite anterior.
- Já? – falei chateado.
- Sim! Ontem, depois que me deitei, comecei a pensar e lembrar um menino que sempre esteve presente quando precisei, desde o jardim de infância, quando eu era ameaçada, quando me acompanhava até em casa depois dos bailes de debutantes, que sempre troca lâmpadas na minha casa, um menino que cresceu comigo, que me conhece, que sabe tudo o que gosto – ela falava e sorria lindamente olhando para mim -, um menino lindo, que tem um coração enorme, que é muito corajoso e que na noite passada se declarou para mim. Você conhece?
- Mais ou menos, não concordo com a parte do lindo e do corajoso – nós rimos juntos -, afinal, se fosse assim, eu já teria falado dos meus sentimentos pra você antes.
- Você esperou o tempo certo! E sabe do que mais? Você me fez entender que o que sinto por você também é amor, que essa vontade de falar dos meus sentimentos, das minhas brigas, era tudo desculpa para estar contigo, para podermos conversar depois de tanto tempo longe...
- E apesar de ter que ouvir você falar de outro, esse era o momento no qual eu aproveitava para estar com você também, poder admirar seus olhos e seu sorriso, nas poucas vezes em que ele aparecia...
Depois que falei isso, ficamos nos olhando por alguns minutos que pareceram uma eternidade, olhávamos fundo nos olhos um do outro, e aos poucos nossos rostos começaram a se aproximar, até que ficaram tão próximos que nossas respirações se tornavam uma só, então nossos lábios se tocaram e aos poucos nossas línguas, que entraram em sintonia desde o primeiro contato, e nosso primeiro beijo aconteceu, e foi cheio de sentimentos. Amor. Amizade. Carinho. E ficamos ali, nos beijando por algum tempo, até que nossas respirações falharam e nos separamos para recuperá-las. Ficamos novamente nos olhando, dessa vez, cada um com um sorriso no rosto, até que quebrei o silêncio.
- Esperei tanto tempo por isso, e pra dizer que te amo!
- Eu também acho que esperei tempo demais para notar isso, mas amo você!
E ficamos ali, curtindo o momento e tudo que ele poderia nos trazer no futuro.
Notas finais
Se gostarem e tiver bastante reviews, prometo postar outra logo, até arrumar tempo pra começar uma fic maior :)
Bjbj ♥
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