Drácula - Nascido para Morrer
1 Prólogo
Notas iniciais
“As pessoas costumam dizer que a vida é ingrata, então a morte vem e repara.”
Nunca em algum momento da história alguém acreditaria que o pequeno Vlad Culer seria um dia conhecido como Drácula. E não fazia sentido, porque ele era um garoto mirrado, fraco e nascido para morrer de leucemia, ou era o que todos achavam. Seu irmão gêmeo, Vlap Tepes, era o primogênito e carregava a saúde perfeita, além do legado de toda a família. Nunca foi fácil viver na sombra dos vencedores, principalmente quando a sua existência e vida eram escondidas num calabouço escuro e úmido. Vlad Dracul, o pai da família, fizera sempre questão de esconder o filho para que ninguém descobrisse a maldição do sangue que corria nas veias daquela família, assim como todos os outros Vlads anteriores. Os filhos dos Draculeas nasciam em pares, sendo que o primeiro filho era perfeito e o segundo nascia com leucemia, a doença do sangue. Ninguém sabia o porque, mas a maioria dizia que era uma “maldição”.
Para Culer, viver no calabouço era normal, mesmo que o lugar vivesse cheio de escravos, ratos, sujeira e cheiro ruim. Os condenados à morte geralmente eram enviados para lá, aonde passavam as últimas horas de sua vida aproveitando o limbo. O lugar era horrível: Tinha uma única peça grande e retangular, dividida em seis celas de frente para um corredor apertado. As paredes eram feitas de pedra e eram constantemente úmidas devido ao rio que passava por cima, era comum que os prisioneiros contraíssem alguma doença e morressem da noite pro dia antes de serem decapitados ou empalados. Uma única janela arejava o ambiente frio e sufocante, situado ao lado de três tochas que nunca eram acesas. Os prisioneiros que chegavam ocupavam as cinco primeiras celas, sendo que a sexta era recoberta por um lençol negro. Os únicos que souberam a verdade por trás do véu não continuaram vivos para contar a história...
Culer era um garoto pequeno mirrado e pálido de nove anos. Tinha os cabelos negros como a noite e os olhos de íris castanha num tom quase vermelho. Desde que nascera o único lugar que freqüentava era a cela de cortinas negras. Vivia deitado na cama, porque não tinha forças para ficar de pé e a sua visão não funcionava direito quando a luz ficava muito forte, tudo o que enxergava era uma mistura de borrões. Porém, quando a noite chegava, ele conseguia enxergar cada detalhe da cela de grades de ferro, os ratos que atravessavam as cortinas e comiam as sobras de comida no chão e as marcas deixadas pelos antigos prisioneiros que residiram lá.
“Porque eu estou aqui?” Pensou ao olhar um rato que devorava uma sobra de pão. “Quem sou eu afinal?”
Culer sabia pouco sobre si, mas conhecia tudo sobre sua família. Dracul não o visitava, pois tinha nojo e receio do filho. A mãe tinha morrido durante o parto e Tepes, seu irmão de um minuto mais velho, costumava aparecer algumas vezes, dizer coisas horríveis e apedrejá-lo: “Você é um imundo! Uma escória! A vergonha de nossa família! Jamais será um Draculea, seu rato desgraçado!”
Ele recebia a comida duas vezes por dia e ninguém conversava com ele, com exceção de sua única amiga e conhecida do mundo real: Tina. Tina era uma filha de um camponês, órfã desde os cinco anos. Ao completar nove anos foi trabalhar para Skovh, o dono de um bordel ali perto. Ela costumava falar com Culer através de um buraco na parede que dava para um beco fechado, aonde ela se escondia e passava horas conversando com ele, contando como era o mundo e descrevendo a beleza de um pôr-do-sol. Através da fresta era possível enxergá-la, e foi dessa forma que Tina o ensinou a ler e lhe trazia todos os dias uma novidade da cidade, como uma peça de roupa ou um espelho.
A vida teria continuado dessa forma se não fosse por um ritual de família: Quando os gêmeos completavam dezesseis anos, o filho doente deveria morrer para que o restante de sua vitalidade fosse entregue para o primogênito. Não foi novidade para Culer saber disso, porque Tepes fazia questão de lembrá-lo disso sempre, mas o que aconteceu na noite do sacrifício ninguém estava pronto para presenciar.
Notas finais
Capitulo 1 - 16° Aniversário de Vlad Tepes e Vlad Drácul: O sacrifício.
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