Dreans Can Shine
2 Capítulo 2: Sem esperanças
Sábado, manhã do meu aniversário, 09h00min, faltando 12 horas para o show da Miley, que eu com certeza não vou. Passei a última noite no apartamento da Lara procurando os ingressos, mas não os encontrei de novo. Minhas chances de encontrar os ingressos até o show estavam em quase zero, o show agora era um sonho distante e impossível.
Mas desistir não era uma opção, eu queria de qualquer jeito encontrar os ingressos até o show, fui para o meu quarto pensar o que eu poderia fazer para achar os ingressos. E naquele momento me passou pela cabeça que ninguém tinha parado um minuto para perguntar a Dona Mara à mãe da Lara algo sobre os ingressos, então resolvi ir até o apartamento dela e perguntar...
***
Após a conversa com a Dona Mara, vi que ela não sabia nada sobre onde poderiam estar os ingressos. Minha esperança agora tinha chegado ao fim.
Ir ao show da Miley seria uma das melhores coisas que eu já poderia ter feito, mas ao invés disso eu vou passar o meu aniversário entre as quatro paredes sem graça do meu quarto. Eu não poderia ter aniversário pior!
Depois da conversa com a Dona Mara, fui direto para o meu quarto, a tristeza eminente surgida da minha decepção se manifestava em forma de lágrimas que eu não conseguia controlar, elas desciam de mim como as águas das Cataratas do Niágara, tentar segurá-las era inútil. Ao olhar ao redor do meu quarto e ver minhas dezenas de pôsteres da Miley só me enchiam de tristeza, pois eu sabia que não poderia vê-la pessoalmente!
***
Quando dão umas 10h00min eu ouço alguém batendo na porta do meu quarto, faço silêncio e não atendo a porta, a pessoa bate na porta de novo e diz:
-João abre essa porta que eu quero falar com você! –Era a Lara quem estava batendo na porta, e como eu sabia que ela ficaria lá o tempo que precisasse até eu abrir a porta resolvi abrir. Ao abrir a porta percebi que a Lara estava com um embrulho na mão, ele era fino e quadrado, ela esticou o breco e com o embrulho na mão disse:
–Toma.
-O que é isso? –Perguntei.
-Seu presente de aniversário. Feliz Aniversário! –Disse Lara com um sorriso de orelha a orelha e uma animação igual à de bailarinas de palco dos programas de TV.
-Isso daí é um presente? Pra mim? –Disse com surpresa, eu não podia imaginar que ela ia me dar alguma coisa.
-Claro que sim, pegue! –Disse Lara com bastante entusiasmo.
-Lara não precisa de presente nenhum eu estou bem ta bom?
-João eu insisto, pegue!
-Ta bem, mas é só pra você parar de me “encher o saco”! –Peguei o presente e o abri, era um CD caseiro estilo Mp3 que a Lara fez pra mim com segundo ela, as 30 melhores músicas da Miley. –Muito obrigado Lara, a sua intenção foi boa, mas a tristeza de não ir ao show perfurou meu coração e vai deixar uma marca que só o tempo pode curar, mas nada.
-Mas João, Você não pode ficar assim, você ainda pode ir a outros shows dela. -Disse Lara com a esperança de me animar.
-Não, Lara, eu não posso, a Miley vai fazer só um show aqui no Rio. Se eu não for nesse não vou a mais nenhum, só Deus sabe quando ela vai voltar aqui de novo.
-Está bem, então, melhor eu voltar pra casa e te deixar um pouco sozinho pra pensar na vida. Tchau João. -Foi à única coisa que ela poderia dizer, Lara tinha percebido que nada que ela dissesse poderia me animar.
***
Enquanto eu ficava sozinho no meu quarto para “pensar na vida”, Lara volta para o seu apartamento e conversa com a sua mãe...
-Ai, mãe... Estou com tanta pena do João.
-Por que, minha filha?
-Ele quer tanto ir àquele show no aniversário dele, que por um acaso é hoje, mas então, ele queria que hoje fosse um dia especial indo ao show da Miley.
-É, minha filha, o que a gente pode fazer, ué?É uma pena vocês não poderem ir ao show, mas infelizmente eu não posso fazer nada. -Disse Mara quase brigando com a Lara.
-O pior é que é verdade. Infelizmente a gente não pode fazer nada, cabe somente ao João superar isso...
***
Coloquei o CD que a Lara me deu para tocar. Pulei direto para a faixa 15, a música “The Climb” começou a tocar. O clima triste da música penetrava em mim, mas ao mesmo tempo a ideia de superação que a música transmitia parecia ser bloqueada pela minha tristeza. Eu não conseguia absorver nada de bom que me dissessem só a decepção tinham espaço dentro de mim. Enquanto a música tocava, eu decidi fazer uma coisa que eu nunca tinha feito: Sair de casa sem que ninguém soubesse, e simplesmente sumir do mapa.
Saí do meu quarto, mas deixei o rádio ligado para dar a impressão de que eu ainda estava lá. Minha mãe estava na área de serviço, então fui até a cozinha e vi à hora no relógio de parede: 11h30min, quase na hora do almoço. Todos deviam estar reunidos em casa, ninguém me veria sair do prédio. Era o momento perfeito para passar despercebido.
Foi exatamente isso que eu fiz: saí do prédio sem ser visto.
***
Após sair da área de serviço, minha mãe foi até a cozinha tirar a comida do fogo e fazer a mesa. Uns 40 minutos depois, ela foi até o meu quarto, bateu na porta e disse:
-Filho, vem almoçar. -Ela não me ouviu responder, mas ouvindo a música do rádio, pensou que eu estava no quarto. Então chamou mais uma vez:
-João Victor!Sai desse quarto e vem almoçar!-Mais uma vez, ela não me ouve responder. Então abriu a porta do quarto...
Ao abri-la e não me ver, minha mãe entra em desespero e começa a me procurar pelo apartamento, mas não me acha em lugar nenhum. Também vai à casa da Lara, mas também não me acha.
Vendo o desespero da minha mãe, a dona Mara conversa com ela:
-Calma Raquel. Não precisa desse desespero todo, o João só deve ter ido passear e se esqueceu de te avisar, só isso. -Disse a dona Mara com uma voz suave como uma brisa de verão acalmando até a mais feroz das feras, ou no meu caso, a mais feroz das mães.
-Será mesmo?-Disse minha mãe apreensiva.
-Claro! Vamos só dar um tempo que tudo se ajeita.
-Está bem, então vou ouvir seu conselho e esperar...
***
Umas 7 horas e 30 minutos depois...
-Mara, não é possível que ele ainda não tenha voltado! Ele nunca ficou fora tanto tempo sem dar notícias!-Disse minha mãe, mas desesperada do que nunca.
-Olha Raquel, estou começando a ficar preocupada. O João não é mesmo de fazer isso. — Nem mesmo a dona Mara estava conseguindo manter minha mãe calma.
-Claro que ele não é de fazer isso!Ele nunca fez!-Minha mãe já não estava conseguindo se controlar. -Encare os fatos... Meu filho sumiu!
CONTINUA...
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