Notas iniciais
Segunda longfic de Hetalia, terceira de tema polêmico...Vamos ver se vai dar certo!Boa leitura!

Os raios de sol já iluminavam o quarto bagunçado às sete horas da manhã. Mesmo as venezianas tentando escurecer o ambiente, a luz conseguia escapar pelas frestinhas. O quarto amplo, bem mobiliado, pintado de bege claro. A cama espaçosa encostada na parede, ao lado, uma escrivaninha grande de madeira, com um computador completo, dois potes com lápis e canetas, um aparelho de som; na parede onde encostava a escrivaninha, adjacente com a cama, uma enorme bandeira dos Estados Unidos da América. Pôsteres de bandas clássicas de rock grudados na parede oposta, mais uma televisão de tela fina e consoles de vídeo games em cima de um criado-mudo; na parede oposta à cama, um estande com troféus e medalhas, uma bola de basquete e outra de soccer. Roupas e tênis esportivos estavam salpicados pelo quarto, em cima da cadeira giratória cinza, do puff vermelho em frente à tevê, em cima do tapete e onde mais Deus sabe.

O relógio prateado tocou as exatas sete horas, mas ninguém no quarto precisara ser acordado. Alfred, um rapaz comum da classe média-alta americana, louro e dono de lindos olhos azuis, mal dormira a noite. Desde muito tempo – ele nunca parou para calcular quanto – vem tendo pesadelos, de todos os tipos. E, por mais que se esforçasse, não conseguia esquecê-los facilmente durante o dia. Muitas vezes, virava a noite jogando, indo dormir exausto, para que não fosse incomodado; apesar de os sonhos ruins não aparecerem, ele ainda dormia mal, acordando pior no dia seguinte.

Massageou a nuca com os dedos, procurando aliviar a tensão. Espreguiçou-se, ainda deitado, procurando algo na visão embaçada do seu quarto, algo que o motivasse a se levantar. Ah, sim. Tinha. Prova de álgebra.

Tateou o criado-mudo em busca de seus óculos, resmungando. Não tinha cabeça para enfrentar números e xs, ys, termos elevados a tal potência, fórmulas que mais pareciam línguas alienígenas. Não que fosse burro, muito pelo contrário, destaca-se muito nas notas e tinha o boletim invejável, ele não gostava era de estudar...

Pôs os óculos no rosto e seguiu para o banheiro, onde tentava relaxar em 15 minutos as oito horas que tentou dedicar a um sono revigorante. Vestiu seu uniforme e desceu as escadas em direção a cozinha enorme, branca, arejada, dotada dos mais belos e novos eletrodomésticos. Lá estava sua mãe, uma senhora de quarenta e poucos anos, conservadíssima pelos produtos de beleza caros, mas muito bonita. Na bancada, tomando um fresco suco de laranja, sua irmã mais nova, Amelia, exibia as longas e prateadas unhas, os cabelos louros muito bem alinhados, pele impecável e exalava um perfume doce. Muitos diziam que ela é a cara da mãe; mas Amelia era uma garota enjoada, exigente e perfeccionista. Escolhia os caras com quem ficava a dedo, e o mesmo valia para suas amizades. Vivia maquiada e sempre bem arrumada, uma típica patricinha estadunidense.

– Bom-dia, Alfinho – lhe sorriu a garota, divertida ao ver as olheiras do irmão.

– Dia. Oi, mãe – Alfred acenou para a genitora que providenciava uma fatia de bolo para o filho.

– Bom-dia, meu querido! Dormiu bem?

– Não... De novo... – resmungou, sentando-se em frente a irmã.

– Novamente com pesadelos, Alfinho? – questionou a lourinha, com um meio sorriso – assistir filmes de terror dá nisso.

– Nada a ver – ele retorquiu com desprezo – faz anos que não assisto terror nem nada do gênero. Nem meus games são mais desse gênero – esfregou os olhos por debaixo das lentes.

– Talvez seja a hora de procurar um psicanalista, querido – a mãe sugeriu, cansada de ouvir relatos diurnos e diários dos sonhos atormentadores do primogênito. Amelia deu uma gargalhada estridente.

– Ou um psiquiatra! É mais a cara dele! – Alfred sentiu-se tentado em jogar a bebida amarelada no rosto maquiado da irmã. – Mas Alfinho, eu tenho uma dica, desta vez é sério – seu sorriso se desmanchou – compre um filtro dos sonhos e pendure na janela do quarto. Acho que vai resolver.

– E onde vende?

– Tem uma feirinha hippie na praça próxima ao colégio, que abre aos sábados. Se eu não estiver muito ocupada, posso ir com você! – comentou, animada com a ideia de fazer compras.

– Se eu não estiver muito ocupado também, quem sabe. – ele adorava ver sua irmã frustrada. Bebera seu último gole de suco e comera o último pedaço de bolo e se levantara, pegou a chave do carro e a mochila que estavam em cima da mesa e chamou pela irmã. Durante o trajeto, Amelia olhava para as unhas cintilantes e comentava:

– Alfinho, peça ao seu amigo Williams para manter a irmã bizarra dele longe de mim? Ela me dá nos nervos! – Alfred pensava como uma criatura tão doce como Madeleine poderia irritar alguém; ela era solitária e queria fazer amizade com a garota mais próxima que conhecia, a irmã da amiga do seu irmão. Filha caçula de dois irmãos, tímida, e estudiosa, era tão impopular que alguns professores menos observadores se esqueciam dela.

– Amelia, não vejo motivos para isso. Faça você mesma.

Ela amuou e preferiu curtir as músicas em seu celular, para não ter que discutir com seu irmão. Na última vez, quase resultou em um acidente.

–+-

O amanhecer é, sem dúvida, um espetáculo. Passarinhos chilreando por aqui e ali, o céu ganhando perfeitos matizes, as luzes do sol refletindo no orvalho, o cheirinho de natureza renovada... Arthur agradecia aos deuses por apreciar aquela maravilha diariamente, exceto, claro, em dias de chuva, no qual ele também não se importava em admirar.

Acordava naturalmente minutos antes do nascer do dia. Deseja bom-dia a todas as criaturas que seus olhos alcançavam. Quando o sol estava um pouco mais desperto, lhe acariciava o rosto, e o vento bagunçava os cabelos louros. Isso é o que nós víamos, mas para Arthur, isso era obra de fadas, todas lindas e de asas brilhantes.

Seu quarto ficava no sótão (de onde poderia ver a floresta, um riozinho ao fundo), mas era muito bem arrumado. Pintado de verde e cheio de prateleiras, nas quais pousavam figuras de fadas, bruxas, duendes, gnomos, entre outras entidades fantásticas, livros de conhecimento wiccano e espírita, uma simples cama de madeira e um guarda roupa decorado. E flores e mais flores.

Arthur era praticante da religião pagã havia alguns anos; o exotérico lhe chamava, a adivinhação pelo futuro era excitante, lia seu horóscopo toda manhã, meditava, agradecia aos sonhos bonitos que as criaturinhas mágicas lhe concediam. Tomava seu café natural, assim como todas as refeições, tomava um banho com ervas aromáticas e seguia seu caminho para o colégio, onde lhe viam como um louco, um esquisito, sendo rechaçado pelos colegas. Mas ele acreditava que no seu futuro, as coisas seriam maravilhosas.

Notas finais
Oba! Se chegou até aqui, faça mais um esforcinho de deixar um review se quiser, claro.Um beijo até o próximo capítulo!