Notas iniciais
Olá, meus(minhas) caros(as) leitores(as)!
Apenas passando para dar aqueles avisos básicos.
Essa é a minha primeira short fic em desenvolvimento cuja história já está planejada e em andamento, por isso, eu peço para que comentem para saber como estou andando e para saber a opinião de vocês com relação à história, vocês são muito importantes e cabe a mim dizer que cada comentário é um grande incentivo para a continuação da história.
Ah, acho que eu não preciso ressaltar que plágio é crime, né? Então eu espero que não tenha de me envolver em confusões por conta disso, essa é uma história completamente original e de minha autoria, cópias não serão admitidas.
Então é isso minhas pessoas bonitas, desejo uma boa leitura! Beijinhos e até o próximo capítulo!

— Está frio....Tão frio...

A pequena garota tremia encolhida em um beco escuro. As pessoas que passavam pelo local a viam como uma pedinte, suas roupas estavam esfarrapadas, porém, o que a diferenciava das outras pedintes era sua boa aparência. De olhos azuis cristalinos, cabelos castanhos claros curtos e um rosto angelical, era uma presença que mesmo naquela escuridão tendia a chamar imensa atenção das pessoas que por ali seguiam, mesmo que estas fossem em pouco número.

— Ei, você... É perigoso ficar aqui, sabia?

Uma mulher com uma voz jovem se aproximou e disse, a menina, porém, não se deu ao luxo de erguer o olhar, estava muito cansada e parecia que toda sua energia vital e emocional havia esvaído de seu corpo horas atrás.

— Eu...mamãe...papai.... se foram....

— Não me diga...Uma órfã?

Suas palavras perfuraram a menina como agulhas e logo suas bochechas foram infestadas por lágrimas e um choro alto entre berros, a quieta e calma garota nunca havia feito tal coisa antes mas a necessidade de se libertar e liberar toda a dor tomou posse de si e isso fez com que a mulher olhasse para todos os lados escandalizada e em seguida fazendo sinais como em meio de desculpas por suas palavras insensíveis.

— Não, não chore, desculpa! E-Eu conheço um lugar muito legal com pessoas muito gentis. Vamos, vamos.

— Eu não queero!!

— Eu não posso simplesmente te deixar aqui!

— Pode sim...Nãão!

— Ah, por favor...Quando chegarmos lá, e te darei muitos doces, okay?

— Eu odeio doces!

— Podemos...quem sabe, encontrar seus pais?

Por um momento a menina se silenciou e seu bico se tornou em uma expressão de desconfiança, com a vinda de um raio que fez um barulho estrondoso, a menina se levantou em um pulo do canto ao lado da lixeira que estava e agarrou a perna da mulher infinitamente maior que a mesma,tremendo como uma folha, a mulher gentilmente acariciou a cabeleira castanha e abriu um guarda-chuva rosa de ursinhos, em seguida pegando a mão da pequena e a liderando para o local.

— Moça, isso não é muito infantil?

— O quê...? Oh, meu guarda-chuva? Claro que não! É a última moda!

— Não é não, eu fiquei parada naquele canto o dia todo e ninguém tinha um guarda-chuva tão feio.

— Feio?!

— A senhora pegou isso no lixo, não foi?

— Essa garota...!

À caminho do pequeno orfanato local, a mulher deu um cascudo na menina que agora parecia mais calma e riu da reação da maior, que estava tão vermelha quanto uma pimenta. Porém, ao adentrarem na porta antiga de ferro e com o ranger enferrujado da mesma, a menina se deparou com diversos olhares de outras crianças e uma mulher idosa sobre ela, o que a fez esconder-se atrás da saia vermelha da maior, intimidada.

— Oh, Anne, é tão bom vê-la, querida.

— Irmã Maria...Ei...vamos, se apresente,

A mulher falava com animação com a freira idosa e a pequena apenas observava com os olhos inocentes ora a mulher e ora a idosa à medida que estas respondiam-se em um diálogo, até que por fim fora chamada para esta pelo olhar da mulher que agora por fim viu seu rosto, com cabelos cacheados pretos e olhos da mesma tonalidade que caiam sobre ela, a mulher tinha uma fisionomia comum que, porém, encantava pelo seu largo sorriso repleto por gentileza que a iluminava,

— R-Rachel...

Ela se apresentou, saindo vagarosamente de trás na figura gigante e olhando cabisbaixa para as mãos, brincando com os dedos timidamente, e embora não visse, a mulher então chamada por Anne sorriu satisfeita.

— Oh, mas que menina adorável.

— Rachelzinha, a tia Anne vai conversar com a Irmã Maria rapidinho, está bem? Por enquanto fique aqui conversando com seus amiguinhos, ok?

— Eu não tenho três anos!

A menina disse insatisfeita pela maneira que a mais alta falava com ela com gestos e palavras diminutivas, mas quando as duas mulheres se foram para dentro de uma sala e fecharam a porta de madeira, se virou vagarosamente e por fim viu o semblante assustados de seus "amiguinhos" sobre ela. Tentou fugir pela porta mas estava trancada e embora quisesse pular pela janela e fosse o que Deus quisesse, ela também estava emperrada, então, afastou-se para um canto e se encolheu a abraçar seus olhos e afundar o rosto sobre os braços, assustadiça e trêmula.

— Ei...Você está bem?

— AH! Se afaste!

— C-Calma... Eu sou Anthony. Amigo, amigo.

Com medo, sentiu uma mão pequena pousar sobre sua cabeça e logo a garota se ergueu pegando qualquer coisa que estava por perto e logo se viu com uma estátua pequena de madeira de Jesus crucificado em suas mãos apontada para a presença que por fim se mostrava mais clara. Com uma voz suave e fina, ela por fim abaixou a "arma", colocando em seu devido local, envergonhada e por algum motivo, chorando novamente, provocando que as outras crianças parassem o que faziam para encarar ele com desaprovação.

— N-Não, eu não fiz nada.

Ele tentou se defender e atrás dele a pequena caiu sobre o chão quase derramando um rio de lágrimas, não demorou para que os outros começassem a liberar murmúrios os observando. O menino soltou um suspiro e se virou novamente para a menor atirada abaixo de si com as mãos sobre o rosto inundado, então, sentou-se ao seu lado sentindo pena da tristeza que havia tomado posse da companheira.

— Você está melhor agora?

— Hm...

— Como eu já disse...sou Anthony, é um prazer, Rachel, certo?

— É...um prazer...eu acho.

— Você também se perdeu dos seus pais?

— ....

— Está tudo bem se não quiser falar disso. Bom...Eu me perdi dos meus. Na verdade, eles me abandonaram há dois anos.

— ....

— Eu não consigo lembrar de muita coisa, apenas de uma canção que ecoa pela minha mente, Ainda assim, é uma lembrança, não é?

— ....É....

Depois de ficar quieta por tanto tempo o escutando desabafar com tanta calma, o garoto abriu um sorriso por considerar aquilo um progresso e lhe ofereceu um lenço, na verdade, o que restou de um lenço em trapos para que esta limpasse seu rosto. Embora não o conhecesse profundamente, sentiu uma imensa admiração tomar-lhe pela forma que ele levava o assunto com tanta naturalidade, só então se dando conta que o lugar que estava era um orfanato, não precisava dizer mais nada, havia sido abandonada. Novamente à beira do choro, o garoto também começava a se desesperar sem saber se havia dito algo de errado, a porta atrás deles se abre e sua atenção se volta nas duas figuras que olhavam fixamente para ela,

— Rachelzinha, a partir de agora, esta é a sua nova casa!

Anne disse abrindo os braços amplamente em um sorriso animado e acolhedor, fazendo com que a menina piscasse os olhos em surpresa.

— Quê?! Você mentiu!

— Essa é uma palavra muito feia, sabia?

— Disse que iria encontrar meus pais!

— E você vai...

— ...Vou?

— Quando for mais velha. Mas agora, você tem que ser forte e ... Dar o seu melhor, senão seus pais ficariam muito tristes, correto?

A morena argumentava sem muita convicção em suas próprias palavras e a menina que havia se levantado ofendida e irritada, aos poucos se acalmava e para a surpresa da mulher, ficava em silêncio e assentia com o que dizia.

— Mas não se preocupe, a tia vai vir aqui toda semana para te visitar, ok?

— ...Vai mesmo?

— Vou sim, vamos, não chore.

— Deixo ela em seus cuidados, Anthony, Irmã Maria.

— Não se preocupe, vamos todos nos dar bem. Bem-vinda à família, pequena Rachel,

Se abaixando a ficar de joelhos à altura da menina, esta abraçou a mulher com uma intensidade assustadora e atrás dela viu os olhos tomados por compaixão diante da cena, acalmando a pequena e seguidamente direcionando-se ao pequeno menino, que olhou para ela e em seguida para a mulher com um sorriso forçado. Então, a idosa disse em uma voz entrecortada , colocando a mão sobre o ombro de Rachel e Anthony, que se levantou e todos os três adentraram ao local, sendo apresentados à família efêmera que viveria, por um momento, sorrindo.

~ Oito anos depois...

Rachel, agora com treze anos e Anthony com quatorze, caminhavam pelo jardim do imenso orfanato.

— Será que hoje vai?

— Até parece, hein. Eu NUNCA vou ser adotada.

— Coitada da Irmã Maria...

— Olha quem fala! Está aqui porquê, hein, hein?

— Porque eu sou tão ofuscante que as pessoas brigam para me adotar e no fim ninguém se torna apto.

— Aham...Iludido.

Os dois caminhavam em uma conversa entre provocações, de tarde haveria um evento o qual ocorria a cada semana para que as crianças tentassem chamar atenção das pessoas que passavam pelo orfanato para ser selecionadas e levadas ao novo lar adotivo. E, geralmente, os que tinham a maior probabilidade de serem selecionados eram os dois mais velhos, o que enchia a Irmã Maria de esperança. Coitada. Mal sabia a arte que iriam aprontar, pela milésima vez.

Com a vinda da tarde, ambos retornaram e sentaram-se em cadeiras de madeira enquanto o resto das outras crianças novatas brincavam pelo chão com seus brinquedos. Depois de alguns minutos, as Irmãs Maria e Lilian, a nova assistente da idosa, entraram com um punhado de gente, tomados pelo olhar da Irmã mais nova, eles se ajeitaram sobre a cadeira e logo grande parte voou sobre os adolescentes de aparência afável. Sendo o primeiro alvo Anthony, que logo fez uma cara de estranheza com a pergunta que haviam lhe feito à medida que avaliavam aqueles indivíduos superficiais, começou com sua atuação.

— Que nome?

— Como o chamam, rapazinho?

— Mim ser eu.

— Pff.

Agindo como um completo retardado, o garoto começou a roer as unhas e subir sobre a mesa como se estivesse encenando, e enquanto os adultos estavam horrorizados, sentia lágrimas e uma risada baixa escapulir de Rachel, que quando fora percebida pela Irmã Lilian, voltou a ficar séria e olhou para o rapaz com uma expressão problematizada.

— Desça logo daí, seu palerma. Desculpa gente, ele tem problema nos cromossomos.

— Ai, ai, sua macaca, isso dói.

Levantou-se e quando o alcançou sobre a mesa entre risadas baixas e discretas, puxou-o por sua orelha e colocou-o novamente sentado sobre a cadeira. Porém, muitos já pareciam ter perdido o interesse e se tomavam pelo sarcasmo.

— Quanto é...Dois mais dois?

— Ah, tá brincando? Eu pareço tão estúpido assim?!

Levantando-se inesperadamente e com uma voz irritada, até mesmo Rachel quase chegou a acreditar que Anthony estava irritado com a provocação do homem que segurava um cachimbo e pareceu se engasgar com a fumaça que esvaía do mesmo junto de olhos surpresos e arregalados. Mas, então, logo sua expressão se adoçou e ele levou a mão sobre o queixo.

— É óbvio que é cinco.

— As mulheres daqui não ensinam estas crianças o básico? Que horror!

Murmúrios começavam a esvair, fazendo com que as irmãs começassem a se desesperar, mas para a salvação de ambas, Rachel se posiciona, fazendo com que as duas mulheres a fitassem com as mãos unidas e olhos brilhando como se a jovem fosse uma heroína ou coisa parecida.

— Seu animal! Cinco? É claro que é oito!

— Oito, você bebeu?! De onde veio isso?!

— É só fazer as contas, olha só...

E então os dois adolescentes começaram a discutir sobre qual dos dois estavam certos, e nesse contexto as mulheres responsáveis pelas crianças andavam de um lado para o outro por trás dos adultos em pânico.

E por fim o plano havia funcionado. Grande parte dos menores havia passado no "teste" daquelas pessoas, fazendo que fossem adotadas, exceto, é claro, os dois adolescentes que já tinham passado da idade de estar ali.

Enquanto ainda podiam, tentaram fugir mas logo escutaram a voz áspera atrás deles e fizeram uma careta de quando eram pegos e uma bronca estava por vir.

— Anthony, para a minha sala...AGORA!

— Sim, senhora.

Ele disse e logo se despediu do rapaz com um sorriso lhe desejando boa sorte, seguidamente, foi acompanhada pela irmã Maria para a outra sala, tirando a sorte grande já que a Lilian era três mil vezes pior que a dócil idosa.

— Rachel! Você sabe que isso não é bom para você, como pode fazer isso?

— Eu gosto de me autoflagelar.

— Querida!

Em uma idade complicada para a mais velha compreender, tentava dialogar com a jovem, que parecia se esconder pelo seu orgulho, rejeitando quebrar as barreiras e seguir o seu destino, talvez passasse por sua mente que uma vez fora abandonada pela sua família e não queria que isso acontecesse novamente, não queria abandonar sua família com custo algum. Cruzando os braços e revirando o olhar, já convencida da palestra que escutaria da senhora, Maria se ajeitou na cadeira e não disse mais nada, então abriu a pequena gaveta de sua mesa, fazendo que o som da ação tomasse a curiosidade da jovem, cujos olhos abriram-se em choque quando viu o cordão de ouro em um formato de coração que sua verdadeira mãe havia lhe deixado antes de seu abandono há oito anos.

— I-Isso...

— Você disse que queria encontrar seus pais.

— ...

— Como poderá? Não tenho condições para ajudá-la.

Então, querida...

— Vocês querem se livrar tanto assim de mim? Esse é o tanto de significado que eu tenho para vocês?! Eu... Não sou um objeto nem um instrumento para ter que demonstrar o tanto de inteligência que tenho para ser escolhida por um desses malditos aristocratas!

— Rachel!

— Me recuso! Eu nunca irei ser adotada!!

Com a mente tingida pela culpa sobre a quantidade de trabalho que estava dando para a mulher, ela se levantou com um olhar sombrio, pagava até mesmo uma escola perto do orfanato aonde poderia ter a devida educação para ela e Anthony mas ainda assim, porque o fato de ser um fardo pesava tanto?

Retrucou a senhora com ousadia, o que fez com que esta a fitasse com paciência ainda que com uma evidente desaprovação, ela saiu da sala, pegando antes o colar dourado e se retirando a fechar a porta em um estrondo, incidente que poderia tê-la feito se desmanchar como nos desenhos animados por conta da idade do local.

— Porque, porque tudo tem que dar errado?

— Rachel..? Meu bom Deus, eu pensei que fosse levar um tapa da Lilian...!

Ele contava para a companheira que havia encontrado na porta do orfanato, em uma risadinha sem graça até que repentinamente fora abraçado pela adolescente, o que o fez piscar várias vezes sem saber como reagir, com as mãos erguidas e imóvel.

— Toooony! Porque tem que ser assim?

— Assim o quê, mulher?!

— ASSIM!

— ...

— ...

— Certo, certo... Não chore mais.

— Quem está chorando?!

Ela esfregava o rosto na blusa branca que vagarosamente se molhava pelas lágrimas, e depois de um tempo, quando provavelmente ele sentiu a sensação da roupa molhada sobre seu corpo, ele tentou se posicionar, tentando entender a situação, o que apenas piorou e ela o retrucou em irritação. O que o fez olhar para a menor agarrada nele com uma expressão de quem nunca entenderia as mulheres, logo, tentou acariciar os cabelos lisos em uma voz suave até que por fim ela o empurrou bruscamente envergonhada, quase voando nos céus, ele caiu na grama e ergueu o olhar assustado.

— Quê isso?! Sua bipolar!

Dizendo isso, eles ficaram se encarando por alguns segundos e ambos começaram a rir, de longe, as mulheres observavam, em uma mistura de ternura e rancor.

~ Uma semana depois

Depois de vários dias da rotina monótona, ambos os adolescentes retornavam do colégio juntos em um silêncio fora do comum, sendo Anthony o primeiro a quebrar o silêncio.

— Eu...Acho que vou me permitir ser adotado.

E apenas aquela frase fez com que Rachel abrisse seus olhos em um absoluto espanto.

— Por que?!

— Já chega, Rachel, já somos um fardo muito pesado para a irmã Maria. Não podemos ficar aqui para sempre, já passou da hora de a aliviar e garantir que estamos em um lugar seguro.

— ...

— Você devia pensar sobre isso também, você sabe...

— Eu não irei abandonar minha família.

— ...

Vendo que não valeria a retrucar, Anthony escolheu o sábio silêncio e seguiram o caminho silente o qual o único barulho que escutavam vinha do ambiente.

Com o anoitecer, teimosa como sempre foi, a figura esbelta da jovem estava encostada na árvore que ficava na frente da casa, observando fixamente a lua imersa em seus pensamentos, tentando imaginar o que fez o companheiro mudar de opinião com tanta convicção, e só então percebendo que sem ele e sua estupidez e gentileza por perto, ficaria muito solitária.

— Anthony...seu idiota.

Murmurou e então seu olhos subitamente começaram a escurecer pela vinda de lágrimas, desde que havia o conhecido, se tornou mais sensível que o normal, e quando ele se tornou uma presença marcante na vida dela, ele vai embora. Não consegue se conter e apenas se permite chorar e sentir o buraco que permaneceria dentro de si graças àquele cruel, estúpido e amável Anthony.

— Você vai pegar um resfriado, sabia?

— QUAL É O SEU PROBLEMA?

— Shh...Vai acordar as irmãs e as crianças, sua maluca! Para quê isso, gente?!

Desesperadamente levou o dedo para sobre os lábios escandalosos da morena, que arregalou os olhos a se maravilhar pela figura que se formou em sua frente do rapaz de cabelos de altura mediana e negros presos em um rabo de cavalo lateral, os olhos âmbar, coloração raríssima e uma fisionomia quase perfeita em poucos centímetros de seu rosto, o que a fez corar instantaneamente e ele, em reação, arqueou as sobrancelhas.

— O que foi? Está apaixonada e chorando porque seu príncipe vai embora? Ai!

— Cale-se, é muita ousadia da sua parte se autointitular meu príncipe.

— Que violenta...Por isso ninguém gosta de você.

O rapaz brincou entre risos, porém, para sua surpresa, a jovem estava muito mais sensível do que o usual e seu semblante tornou-se obscuro, o que o fez dar um pulo em comoção.

— ...É...Mesmo?

— Não, não, estou brincando. Eu gosto, gosto muito de você, tá bom?

— ...Eu hein, sai de perto.

— É só dar confiança que ela pisa em cima, aff.

Tentou imediatamente melhorar a situação a balançar as mãos desajeitado tentando reverter aquilo, o que apenas a fez o olhar de cima para baixo e se afastar com um sorriso esboçado em seus lábios.

Passaram momentos daquela forma, quietos e apoiados sobre o tronco a fitar o luar, até que o moreno se pôs a quebrar o silêncio.

— Eu vou sentir sua falta.

— Eu não.

— Quanta honestidade, há poucos minutos uma pessoa estava chorando porque o senpai vai embora.

— Com,o é que é?!

— "Anthony...seu idiota."

A imitou com a voz fina e chorosa, o que a provocou a se levantar e correr atrás dele.

— É hoje que você morre! Espero que seus pais possam lhe pagar um ótimo funeral, seu palerma!!

— Não, não, estou brincando.

Eles corriam pela grama quase que circularmente para não se afastarem demasiadamente do local até que por fim Rachel cortou o círculo e ele logo segurou as mãos que estavam erguidas e se direcionavam nele por puro reflexo, ainda que estivesse a rir da reação da pequena, estava emocionado porque aquilo evidenciava que, de fato, sentiria e muito sua falta, e não estava sozinha nisso.

— Vocês dois, para seus quartos, já!

Escutaram a voz da irmã Lilian na frente do portão do orfanato e logo obedeceram. Salvo pela irmã, o rapaz andou em passos rápidos enquanto Rachel o encarava por suas costas não gostando nem um pouco de ser deixada para trás, inesperadamente o mesmo parou e se virou na entrada do portão de ferro, o que a fez reagir da mesma forma e abriu os olhos com ansiedade por suas palavras.

— Boa noite.

E logo ele se foi, adentro do lugar e passou pela senhora de cabelos bagunçados cacheados ruivos com uma camisola que mais parecia uma burca branca que o fitava com reprovação, e, após o mesmo seguir as ordens, tossiu para que a garota retornasse à realidade e da mesma forma, obedecesse, o que ela fez, sem deixar de resmungar em todo o percurso.

Durante aquela noite, ela apenas chorou.

No dia seguinte, saiu do quarto com um vestido branco simples e sem graça que vestia por ter vários iguais, como em um desenho e se deparou no corredor com a figura reluzente de Anthony em calças jeans, uma blusa preta de mangas longas e botas da mesma tonalidade anterior, em um sorriso radiante, porém que se converteu em uma careta ao ver que os olhos azuis sem vida e tristes da jovem encontravam-se ofuscados por estarem roxos como se fosse um panda.

— Quê raios é isso, Rachel? Não me diga que você bateu a cara no armário? Está voltando com isso de autoflagelação?

— AQUILO FOI UMA SITUAÇÃO DIFERENTE!

— Calma, fala baixo.

— Traidor...

— Quê?

— SEU TRAIDOR! Como você pode? Você disse que nunca me deixaria!

— Ah...Rachel...

— "Ah, Rachel" o caramba! Você vai me deixar para trás, vou ficar aqui sozinha!

Retornando a ser uma garota infantil e que não aceitava perder, ela passou a agir de forma egoísta à medida que o fitava intensamente com ira, podia sentir a culpa tomando conta do rosto do mesmo. Não era bom, como uma melhor amiga, deveria o desejar uma boa vida, que tudo desse certo para ele, e não lhe tacar mais um peso sobre seus ombros. Ela era a pior, mas ainda assim, ele permanecia ao lado dela, pacientemente.

— Você não está sozinha, tem a irmã Maria, irmã Lilian e as outras crianças.

— Não terei você!

Sua fala fez com que ele abrisse os olhos e a boca sem ter o que falar mais, até que escutou seus nomes serem chamados pela voz aguda que logo identificou como sendo a da irmã Lilian, os adultos e talvez capazes pais adotivos estavam se aproximando.

— Eu vou escrever para você, sabe que não precisa fazer isso tudo.

— ...

— ...

— Vamos.

Em uma tonalidade de voz áspera, Rachel se pôs a descer a escadaria sem o fitar mais durante todo o caminho principalmente até as cadeiras aonde sentaram e ela fitava as próprias mãos, mesmo que sentisse o olhar preocupado do rapaz ao seu lado a penetrando, não ousou virar o rosto, sentia-se terrivelmente envergonhada e seu orgulho estava ferido pois pela primeira vez não obteve algo que queria e agora sentia a amargura da solidão e tristeza novamente.

Imersa nos próprios pensamentos e obscuridade, as pessoas que encheram o lugar não ousaram se aproximar e direcionar uma palavra sequer para ela, mas já para Anthony, agradável como ele era, uma multidão estava ao seu redor tal como na escola, sempre foi o garoto popular e querido por todos que até mesmo os rapazes idolatravam, mas já ela, apenas os rapazes o faziam e se incomodava bastante, por isso não tinha amigas. Ergueu ligeira e cuidadosamente o olhar apenas para ver como os adultos reagiam com ele, percebendo por seus semblantes que grande maioria estava muito interessada e com os olhos famintos por saber mais sobre o rapaz, embora o mais importante soubessem: era bonito.

Mordeu os lábios com força, não queria o ver rodeado por aquele bando de corvos superficiais, mas a escolha dele havia sido feita e não cabia a ela se intrometer mais e piorar o que já havia feito anteriormente. Quando a pequena "reunião" acabou e todos os visitantes se foram, Rachel foi arrastada pela irmã Maria para o andar superior enquanto atrás delas, a subir a escadaria, viu a irmã Lilian discutindo com uma expressão séria a escolha de Anthony com relação às pessoas que ele viu e conversou e era mais que óbvio que estava sendo arrastada para que não se metesse em mais nada.

— Isso não é ótimo?

— ...?

— Anthony...Com certeza vai para uma família excelente, meu coração poderá descansar em paz.

— ...

— Querida?

— Eu..vou ir pegar um ar fresco, irmã.

Com o fluxo da conversa puxada pela idosa, Rachel sentiu-se extremamente desconfortável e não ousou dizer uma palavra sequer, o que preocupou a freira. Claro que era ótimo, era perfeito, ele seria feliz com a escolha que fizesse, conhecia Anthony melhor que ninguém e sabia que ele era muito rígido em suas seleções. Ainda assim...porque continuava se sentindo tão infeliz, como se estivesse na beira de uma depressão? Será por conta de seu egoísmo exacerbado? Aquilo não era bom pois sabia que em algum momento tinha de amadurecer e deixar esses sentimentos para trás.

Despediu-se da senhora com um sorriso brilhante para que não levantasse ainda mais suspeitas e correu escadaria abaixo, vendo que Anthony e irmã Lilian não estavam mais ali e parando por um momento a procurar os dois, notando o que fazia, balançou a cabeça e retornou a correr para fora da casa.

Correu sem olhar para trás até a grande árvore que costumava se apoiar quando estava triste ou pensativa e lá estava ele, a figura magnífica fitando o céu límpido em seus próprios pensamentos, Hesitou um pouco e pensou em retornar, mas a frase retornou a passar por sua mente "Uma hora eu tenho que amadurecer" e seguiu em frente, sentando do lado inverso e podendo sentir o toque leve do seu ombro sobre as costas dele, o que o assustou e o fez rir de si mesmo por quase dar um pulo. E, por pensar que nunca mais escutaria aquela risada e veria aquele sorriso mais, lentamente era tomada pela melancolia ate que por fim ele se pronunciou.

— Eu fiz a minha escolha. Senhorita Tierney.

— ...Aquela do chapéu?

— Uhum.

— Você tem um gosto estranho...

— É por isso que fico contigo.

— ....

— Ela é uma pessoa maravilhosa, muito doce e aparentemente generosa, pelo que vi em nossa conversa. Como ela não pode ter filhos e não parece estar interessada em se casar, queria amenizar sua solidão tendo um filho para estar ao seu lado.

— Isso é muito estranho... Porque ela não quer se casar?

— Não sei, não achei que fosse da minha conta e uma pergunta apropriada naquele momento.

— Entendi...

— Você está bem interessada, não é?

— Cale-se!

— Sim, sim... Eu devo ir amanhã, depois dela e as irmãs mexerem com toda essa papelada.

— Ah...é?

— Quer um beijinho de despedida?

— ...

— Ok, nada de beijinho.

Com o desenvolver da conversa entre brincadeiras, ela não conseguiu se segurar e acabou rindo com o semblante deprimido que se formou nele com sua rejeição, esse era o pequeno poder de Anthony, conseguia a animar até nos piores dos momentos.

— Anthony Tierney...Não é ruim.

— Não é? Fica bonito como a minha pessoa.

— Iih, vai começar.

— O quê, falar a verdade é crime agora?

— Anthony...shiu.

Então ambos se viraram e começaram a típica "discussão" amigável que tinham em que Anthony sempre acabava apanhando sem motivo algum.

— Eu tenho cara de saco de pancadas?

— E saco de pancadas tem cara?

— Tem.

— Ah, é?

— A sua.

— Sua vida acabou, volta aqui agora!

Incrédula com a resposta dele, não demorou muito para que se levantasse pronta para lhe dar umas bofetadas, mas ele havia sido mais rápido ciente do que aconteceria e estava correndo longe, o que a fez rir e correr atrás dele forçando uma voz irritada.

A tarde passou muito rapidamente e a noite caiu, se despediram em um aceno e se direcionaram para seus respectivos quartos. Naquela noite não havia conseguido dormir nem um pouco, novamente acordando com olheiras terríveis ao redor dos olhos, o que preocupou as duas freiras, porém garantiu a elas que estava bem. É claro que elas não ficaram muito convencidas com sua resposta, principalmente depois do "show" que havia feito no dia anterior por causa de Anthony, mas escolheram crer nela do que a irritar sabendo que Rachel tendia a perder muito fácil a paciência se cutucada quando está ferida e ainda não cicatrizada em um meio de autodefesa.

Desceu a escadaria e durante o café da manhã, não havia nenhum sinal do moreno ou vestígios e sua presença, então ergueu-se em um tom desesperador e correu até as freiras.

— Anthony? A madame Tierney veio o buscar mais cedo.

— Ele achou que seria doloroso demais para você e como não queria a ver chorar, ele foi sem se despedir.

Assim, seu mundo desabou e desceu a escadaria em uma correria sem acreditar, buscando-o por cada canto da casa, como ele pôde? Sem ao menos dizer Adeus? Como conseguiu ser tão cruel?

Lágrimas não paravam de cair ao por fim se dar conta de que ele havia ido embora, não o veria mais. As irmãs apareceram na frente do portão e a idosa pousou a mão enrugada sobre os ombros da jovem, que ao se virar, abraçou as duas e as três puderam liberar suas tristezas juntas, contagiadas por Rachel,

As horas passaram e como nova atividade, substituiu o tempo que passava com Anthony no campo para dedicar-se aos seus "irmãos mais novos" e como os pequenos insistiram para passear pelo campo, depois de muita insistência infantil dos mesmos, acabou concordando e após escutar meia hora instruções de como cuidar das crianças para que elas não se suicidassem na presença dela, por fim caminharam de mãos dadas até perto da grande árvore, aonde se encostou e fazia seu papel observando a correria e animação das crianças de um lado para o outro, algumas vezes rindo das travessuras que faziam uns com os outros, até que quando foi apoiar as mãos sobre a grama para olhar para o céu celeste, sentiu algo espetar sua mão direita e percebeu que o sangue que escorria do furo fora por causa da ação do espinho de uma rosa vermelha que estava ali, junto de um bilhete ao seu lado.

"Adeus, minha princesa"

Reconhecendo de imediato a caligrafia, levou a mão livre ao rosto para esconder dos pequenos que se divertiam e apenas chorou silenciosa e discretamente.

— Adeus, meu príncipe...

Notas finais
Oie pessoinhas, sou eu de novo!
Passou rápido, né? Bom, se vocês curtiram ou não, eu peço que comentem suas opiniões e venho esclarecer algumas duvidas antes de ir.
Eu irei postar os capítulos em um intervalo de um dia, então se hoje teve um, depois de amanhã terá outro para que eu não fique muito sobrecarregada.
Sobre o horário, eu sou muito imprevisível, então o horário que eu terminar o capítulo eu devo postar, então fiquem atentos(as),
Acho que por enquanto é isso...Agradeço desde já e espero que tenham gostado! Até a próóximaa! kissus ~