Dream On

1 Percy - Tento explicar os últimos anos


Notas iniciais
Título completo: Eu tento explicar o que aconteceu nos últimos 10 anos da minha vida. Narração: Percy Jackson Idade: 29 anos Status atual: Aposentado da legião Romana, estudante de Direito, Herói com honras e glórias.

Oi, eu me chamo Percy Jackson, tenho vinte e nove anos. Sou um cara legal, eu acho. Tenho uma família que vive em Nova Iorque. Minha mãe Sally Jackson, meu padrasto Paul e minha irmãzinha Donna. Ah! Sim, minha mãe e Paul tiveram uma filha. Ela é bem bonita e normal... comparada a mim.

Meu pai, bem... meu pai é o deus dos mares. Poseidon. É uma longa história e ainda estou tentando assimilar tudo. Não é fácil.

Passo as férias de verão no acampamento meio-sangue, fica em Long Island, Nova Iorque. O restante do ano eu estou em São Francisco. Isso mesmo, eu moro no acampamento Júpiter. Aliás, eu não apenas moro, mas trabalho e estudo.

Exatamente o que você leu: trabalhar e estudar. Você não está lendo errado, calma, a não ser que tenha dislexia. Sendo assim eu poderia compreender sua confusão.

Ah! Você não é um meio-sangue como eu? Então não deveria estar tão confuso. Se bem que para mortais a inteligência depende de como a névoa se comporta ao seu redor. Já vi mulheres lindas e sedutoras saindo de carroças, achando que estavam em uma Ferrari vermelha. Os acompanhantes geralmente possuem um ou mais chifres, cascos e uma barriguinha saliente. Mas nada como a ignorância (e um pouco de névoa) para a humanidade dar continuidade a sua vida.

Eu sei, eu sei. Você quer saber como foi que tudo isso aconteceu. Eu também me pergunto. Mas como não tenho muito tempo (eu não sei de onde tirei isso) farei um resumo dos últimos anos.

Você se lembra da profecia dos 7 certo? Sim, acho que sim. Não tem como esquecer aquilo. Aliás, algumas coisas eu ainda acho que foram apenas um pesadelo. Sério! Melhor pensar que foi um pesadelo do que remoer por dentro certas lembranças tristes.

Não, ninguém morreu. Pelo menos nenhum dos meus amigos íntimos. O que aconteceu foi algo simples. Algo que todos estamos fadados a passar. O crescimento, maturidade, responsabilidade. Futuro.

É a lei natural da vida. Seu pai ou sua mãe deusa decide procriar o mundo com heróis... sua vida curta começa a ter seus dias contados a partir dos doze ou treze anos. E, por fim, se tiver sorte, continuar a viver de alguma forma nesse mundo maluco. A não ser que você seja aquele meio-sangue azarado que recebe missões mortais.

Muito prazer, sou um desses azarados.

Não estou reclamando. Imagina... não, espera, estou sim. Talvez você também iria sentir isso. Não venha me dizer que não. Essas coisas a gente só entende quando sente na pele. Lembra do começo da minha história? O que foi que eu disse:

Olhe, eu não queria ser um meio-sangue.

Se você está lendo isto porque acha que pode ser um, meu conselho é o seguinte: feche este livro agora mesmo. Acredite em qualquer mentira que sua mãe ou seu pai lhe contou sobre seu nascimento, e tente levar uma vida normal.

Ser meio-sangue é perigoso. É assustador. Na maioria das vezes, acaba com a gente de um jeito penoso e detestável.

Deixando o primeiro livro de lado, vamos falar da minha fase atual, ou melhor, de como minha fase atual transformou-se no que é hoje.

Após a profecia ser concluída (e a gente quase morrer lá na Europa) nós retornamos para o acampamento meio-sangue para por um ponto final aquela rivalidade entre gregos e romanos.

Veja bem, séculos de rixa não se desfaz em uma tarde com por do sol magnífico e muitas vidas poupadas. Requer mais do que isso. Conversas intermináveis em uma reunião, depois outra reunião, daí um julgamento com direito a um Deus como juiz. Embora o Senhor D. (Baco como ele queria ser chamado) tivesse puxado muito o saco dos romanos. Mas no final ele foi justo e fez todos compreenderem... ok, estou mentindo para vocês.

O Senhor D. só colocou lenha na fogueira e bebeu Coca. Mas aí Atena, isso mesmo, a mãe da Annabeth apareceu e quase nos matou com sua luz divina. E do outro lado, representando o acampamento Júpiter estava Juno. Felizmente não houve carona nos braços, ela sequer olhou na minha cara, fico feliz por isso.

Confesso que fiquei confuso na maior parte do julgamento. Não consegui acompanhar toda aquela conversa. Deu um sono incontrolável e isso resultou em um puxão de orelha da sogra. Ou melhor, ex-sogra.

É, a história esta ficando longa. Mas antes de atirar uma pedra na minha testa, continue lendo. Eu sou a vítima da história. O que? É sério. Vai lendo.

O julgamento finalmente chegou ao fim e conseguimos assinar um acordo de paz. Sabe, com diversos (intermináveis) parágrafos. Ao acordar no outro dia, cada um encontrou uma cópia do acordo na cabeceira da cama ou beliche. Era preciso ler e se aceitar, assinar. Não foi esclarecido o que aconteceria com quem não assinasse o acordo, e ninguém descobriu, pelo menos até agora estamos todos vivos.

Você deve estar curioso em saber o que foi redigido nesse acordo. Algumas coisas como não matar uns aos outros e que todos mereciam um julgamento decente e etc. Uma das coisas legais foram as cotas na faculdade para meio-sangue grego. Também foi criado um programa de trabalho para inclusão de gregos. Casa, trabalho e escola. Tudo ao alcance de todos, desde que servissem ao acampamento por dez anos, como era de costume.

Algumas pessoas não curtiram a ideia, outras acharam muito legal. Então é aí que minha vida tomou um rumo completamente diferente do que eu imaginava.

Depois do jantar, quando procurei Annabeth para organizar nossa partida (Sim, eu estava disposto a servir dez anos, se isso significasse que eu teria um lar seguro, onde pudesse morar e trabalhar, claro estudar também. Deixar minha mãe dormir tranquila, sem temer mais pela minha segurança)

Mas Annabeth não concordava.

Veja bem. Que tipo de futuro um filho de Poseidon teria no mundo? Com monstros e sabe-se lá quais profecias viriam dali em diante. Em que lugar no mundo nós estaríamos seguros para dar continuidade a nossa vida? Ter filhos, uma casa. Eu poderia por em risco a vida das outras pessoas inocentes em uma Faculdade? Na escola dos meus filhos?

Estão conseguindo me acompanhar?

Annabeth me disse que já possuíamos uma família e um lar, a do acampamento meio-sangue.

Sim, sim. Compreenda que eu amo todos. Me sinto parte da família, é o local onde desejo de todo coração retornar todo verão. Mas eu não queria passar o resto da minha vida morando sozinho no chalé do meu pai.

Pela primeira vez eu desejei um futuro melhor, fazer algo mais importante do que salvar o mundo. Afinal, pequenas ações também podem transformar o mundo.

Mas pelo jeito Annabeth não compartilhava do mesmo sonho que eu. O meu argumento não a convenceu. Eu fiquei triste. Imagina só. A sua primeira paixão escorregar de suas mãos assim. Não foi uma decisão fácil. Aliás, ela não me deu alternativas. Foi tipo “Seu cabeça de alga, você está dizendo que lá é melhor que aqui? Se é assim, eu não sou boa o bastante para você?”

Tô falando, eu fui a vítima. E não fui a única vítima.

Alguns dias depois, quando o acampamento já estava totalmente reformado com a ajuda dos nossos amigos romanos, eles decidiram partir. Foi aí que as coisas ficaram interessantes. Reyna convidou gregos para conhecerem seu acampamento, assim poderiam tomar uma decisão mais sábia. Todos de acordo? Pois é. Só que não.

Jason estava pronto para partir e ele achou que Piper também estaria pronta. Segundo ele, conversaram a noite inteira e decidiram que ela iria morar com ele. O cara esta supernervoso e empolgado. Eu fiquei feliz por eles dois. Mas parece que Piper não estava assim tão animada. Ela e Annabeth apareceram nos últimos 5 minutos para se despedirem de nós.

Imagina só que cena de final de filme.

Elas lá e a gente aqui. Foi triste, mas Jason segurou firme suas emoções. Incrível, ele me incentivou com dois tapinhas nas costas e nós entramos no utilitário que Reyna dirigia. Acho que o sorriso dela era maior que a força do sol naquela manhã.

Mais uma novidade. Hazel ficou no acampamento meio-sangue. Aquele dia, a deusa Afrodite estava hiper inspirada. Dava para sentir a pressão dela no ar. Foi apavorante.

Frank estava no mesmo carro que a gente e sua cara de cão sem dono era de cortar o coração.

A única pessoa que pode comemorar foi Léo. Eu sei que no começo tivemos alguns desentendimentos, mas o Léo salvou nossas vidas. Aprendemos que não podemos salvar todo mundo sozinho, trabalhar em equipe é a melhor forma de vencer.

Esse resumo ficou grande não é? Vou tentar ser mais direto daqui para frente.

Aconteceu algo que eu não esperava quando chegamos no acampamento Júpiter. Fomos saudados e aclamados como heróis. Vamos ser sinceros, eu estava com medo de ser chutado de lá. Mas os meio-sangue que nos acompanharam foram muito bem recepcionados.

Certo, eu disse que seria mais direto daqui para frente. E vamos lá. Passei os últimos nove anos servindo o acampamento Júpiter. Nos verões eu fazia uma espécie de intercâmbio no acampamento meio-sangue. Era divertido cruzar o país dirigindo um ônibus cheio de romanos. Eu aproveitava essa viagem para visitar minha mãe. As vezes ela ia até São Francisco e eu dava um jeitinho de nos encontrarmos também.

Você deve estar se perguntando o que houve com Annabeth. É uma boa pergunta.

Nos primeiros três anos todos ainda estavam lá no acampamento. Annabeth virou professora no acampamento e nas horas vagas ela tentava desvendar os mistérios do computador de Dédalo. Isso foi o que Quírion me contou. Annabeth estava sempre muito ocupada, ou ela dizia isso para me evitar. Acontece que, depois de três anos, ela se mudou após concluir a faculdade. Viajou pelo mundo, conheceu pessoas novas e é isso. Lutando para sobreviver no mundo. A proteção de Atena colaborou para que ela pudesse andar por aí sozinha, e as vezes acompanhada, eu sei que Piper e ela se tornaram grandes amigas. Eu fico imaginando uma filha de Atena e a filha de Afrodite em um shopping. Uau cara, devem chamar atenção.

Percy Jackson é um babaca que não correu atrás de seu grande amor.

Se pensou exatamente isso, ou algo parecido, eu sugiro que não dê continuidade a leitura. Minha vida não foi um mar de rosas, a vida de ninguém é. Aprendi algo com minha mãe, o amor é um sentimento perigoso. Ele pode nos fazer sorrir e chorar. Isso depende de suas atitudes.

Eu não sei o que teria acontecido se minhas decisões tivessem sido diferentes. Mas pensar nisso só trás dor. Prefiro as boas lembranças. Eu prefiro olhar para frente e aprender com meus erros.

Não posso demorar muito, como disse, agora me lembrei porque. Daqui cinco minutos vou encarar uma aula de direito penal. Meu primeiro ano na faculdade esta sendo bem aproveitado. Minha mãe está super animada em ter um advogado na família.

Eu contei que recebi uma dispensa do serviço em nove anos?

Isso mesmo, devido a toda aquela coisa de profecia e ter passado um tempão dormindo, graças a ajuda de uma certa deusa. Reyna foi uma das testemunhas, ela também já completou seus dez anos e Jason também. Eu disse que eles estão morando juntos? Ah! Foi mal. É, eles moram juntos. São felizes e me chamam para jantar as vezes lá na casa deles. Embora a Reyna não seja lá muito boa na cozinha. Eu costumo levar bolo azul para a sobremesa. E acho que ficarei alguns meses sem levar o bolo, da última vez ela passou mal e... sabe, eles vão ter um filho.

Talvez você deseja saber por onde anda Frank, Hazel, Léo e até mesmo a Clarisse. Certo, não sei porque pensei nela agora. Talvez porque da última vez que visitei o acampamento, ano passado, a filha dela quase me deixou cego arremessando uma lança na minha direção.

Pois bem, vamos começar com o Groover... Ah, desculpem, estou atrasado, Lavínea esta me chamando. Ela é uma colega de classe. Estamos fazendo um trabalho juntos para entregar em uma semana. E é melhor nos apressarmos, ainda falta metade do trabalho para ser concluído.

Mas não vá embora, volte depois, enfim... tenho muita coisa para contar.

Notas finais
Oie, uma nova história. Eu estava louca de saudades da narração do Percy, daí comecei a digitar esse capítulo, depois o outro e o outro e saiu a história. Usei a Rachel como par romântico do Percy porque eu gosto dela, e também porque sou do contra. Curto os casais menos populares.Beijos e até o próximo capítulo :D