Dream On
9 Percy - Senhor D. trás boas notícias
Notas iniciais
Eu não sabia o que era mais constrangedor. Aquela estátua de três metros que os filhos de Afrodite fizeram em minha homenagem. Detalhe: Sem roupa, o que me deixava mais envergonhado. Ou os olhares surpresos após a profecia que Rachel declarou.
O Senhor D. ao meu lado deu uma risadinha zombeteira, enquanto Léo segurava Rachel desacordada e Drew chamava Quíron.
— É Pedro, essa foi boa. — D bebia seu refrigerante e quando tentei me aproximar de Rachel, ele impediu. — Venha comigo Paulo.
— Mas ela precisa de ajuda.
— Não se preocupe, você já trouxe muitas emoções para essa noite.
O deus estalou os dedos e nós dois desaparecemos e reaparecemos segundos depois em um salão grande e frio. Eu não queria estar certo de onde estava naquele momento, mas os tronos a minha volta deixava tudo muito claro. Estávamos no Monte Olimpo.
— Seu pai deveria ter tido essa conversa com você alguns anos atrás, mas eu imagino que esteja muito ocupado cuidado de peixes. — ele começou a falar, enquanto eu ainda estava um pouco tonto com tudo o que estava acontecendo.
— Que tipo de conversa seria essa? — Perguntei porque estava na dúvida. Não sei ao certo quais são as prioridades da vida que o Senhor D acha mais importante.
— Mulheres, meu jovem Pablo, as mulheres. Seja elas deusas, ninfas ou mortais. No fim, todas tem o dom de causar uma guerra. Não vê o estrago que Hilda fez com Troia?
— Tenho quase certeza de que o nome dela era Helena.
— Que seja. — ele caminhou pelo salão. Me perguntei onde estariam os outros deuses naquele momento. — O fato é que você está mexendo com algo sério. Seu romance com Renata pode desencadear algumas desgraças no mundo.
— Eu não entendo. Ela está fadada a ser um oráculo para sempre? Sem poder viver como alguém normal?
— Não sou eu que faço as regras Peter.
— Existe alguma possibilidade do senhor falar o meu nome certo?
— Não.
Ele parou diante do trono de Afrodite. Eu não esperava que o Senhor D. compreendesse meus sentimentos, mas também não esperava que ele estivesse preocupado com todos nós.
— O que quer dizer com desencadear algumas desgraças no mundo?
— Um oráculo precisa ser puro para fazer seu trabalho corretamente. Sem as profecias, nós não saberemos o que e quem necessita de ajuda.
— Se é esse o problema, eu não fiz nada de errado com Rachel, nós apenas nos beijamos hoje. E nos encontramos nos sonhos as vezes. Mas eu garanto que foi um encontro inocente.
— Não dê esse sorriso pervertido na minha frente garoto. A pureza não esta na sexualidade. O amor é uma arma. Se você a utiliza de forma errada, machuca as pessoas ao seu redor.
— Já me falaram isso. Tenho a impressão de que fui o único que não recebi o mostruário anual do amor. Mas a mãe de Luke...
— Ora, ela era uma louca. E os loucos são puros aos olhos dos deuses.
— Que coisa mais estranha de se dizer. — andei em círculos por alguns minutos, pensando em toda aquela bagunça. E havia concluído que... — Resumindo: eu não posso ficar com ela.
— Não foi o que eu disse. — O Senhor D. já estava me deixando louco, quem sabe não seja o objetivo dos deuses. — Você pode ficar com Rita, se conseguir um novo oráculo.
— Um novo oráculo. — Como eu não pensei nisso antes? — Onde eu posso achar um?
— Nos classificados.
— Jura?
— É claro que não moleque. Francamente.
— A profecia disse: Juntos não podem ficar. Enquanto o corpo me servir. Píton não permitirá. — Pensei, sentindo minha cabeça ferver. — Certo. Preciso achar um novo corpo para o Oráculo. Mas e se Píton ir atrás de Rachel enquanto eu estou longe?
— É um perigo que você terá que correr. Agora vamos embora, eu não estou interessado no que você vai ou não fazer. Afinal, agora que mora no Acampamento Júpiter, não tenho nenhum interesse nos seus problemas.
O senhor D. estalou os dedos e eu apareci na avenida Madison. A galeria estava fechada, então ela deveria estar em um lugar. Mas não foi tão fácil entrar no apartamento de Rachel.
Drew impediu que eu passasse do saguão. Ela interfonou para o porteiro, dizendo que minha presença não era bem vinda. O que eu poderia fazer? Chamei BlackJack para me levar até a cobertuda.
Chegando lá, não me surpreendi com o que encontrei. Parecia uma reunião de mulheres. Hazel, Piper, Clarisse, Nyssa e Drew. Todas queriam proteger Rachel de mim. Notei a presença de Léo um pouco depois, quando ele tentou, inutilmente, me ajudar.
— Qual é garotas? Percy não vai fazer mal a ela. Vai? — ele me perguntou com um olhar cheio de dúvidas.
— É claro que não. Quero apenas conversar. Dionísio sabe como resolver o problema. — Elas não pareciam muito inclinadas ao diálogo e então Rachel apareceu na sala. Parecia cansada e sonolenta.
— Tudo bem pessoal. Ele não vai causar problemas.
Rachel estava com os olhos vermelhos, tudo indicava que estava chorando. E por minha culpa. Eu não pude me controlar, fui em sua direção e a abracei. Queria dizer tantas coisas, mas as palavras apenas não saiam.
— O que foi que Dionísio lhe contou? — ela perguntou, tentando se soltar do meu abraço de urso. Eu só não estava pronto para soltar.
— Precisamos encontrar um novo corpo para o oráculo.
Assim. Simples desse jeito.
Clarisse riu, zombando de mim. Hazel me chamou de louco. Piper fez questão de dizer que precisavam de Annabeth e Nyssa obrigava Léo a por juízo na minha cabeça. Apenas Drew não ficou contra mim. Mas também não estava a favor. Apenas ficou calada.
— Percy, como você pretende fazer isso?
— Ainda não pensei em como. Apenas queria te ver. — Eu a beijei. Não depois daquele beijo no terraço, sentindo Rachel protegida nos meus braços. — Eu vou dar um jeito nisso. Mas antes preciso saber até onde você está disposta a ir.
— Eu... eu. — Rachel lembrou-se de que não estávamos sozinhos na sala. Ela olhou para todos, por último seus olhos fixaram-se em mim.
Sabe quando você sente que algo não vai dar certo? Pois é. Naquele momento eu temi que ela me desse um chute na bunda.
— Tudo bem. Acho que está cedo ainda para dizer algum coisa séria. Então eu tenho uma proposta. — Seria mais fácil se estivéssemos as sós, mas seja como for, todo mundo ali só queria o bem dela. — Cinco encontros. Nada de abraço, nada de beijo e nada de... você sabe.
— Percy. — ela me repreendeu, mas eu pedi para que me ouvisse antes.
— Só nos dois, fazendo algo que gostamos, nos conhecendo melhor. Um encontro por semana, no final das cinco semanas, você deverá me dar uma resposta.
Ela pensava. Foram os três minutos e quarenta e cinco segundos mais longos da minha vida.
— Eu topo.
Queria abraçá-la, mas recuei um pouco sem graça. Enquanto Clarisse e Hazel protestavam, Léo me dava os parabéns pela primeira batalha vencida e sugeriu também um lugar legal que eu poderia levá-la para um encontro.
— Valeu cara! — Léo puxou Hazel para longe do burburinho em que Rachel era sufocada. Enquanto isso, Drew veio me cumprimentar, ou seja lá o que ela pretendia com aquilo.
— Uma das coisas que eu nunca entendi sobre minha mãe é a rejeição dela com seus filhos. Quando ela nos reclama, é como se as nossas respostas fossem totalmente respondidas. Sendo filhos de quem somos, parece que já temos tudo o que precisamos. Diferente da Piper, eu não troquei mais do que duas palavras com minha mãe.
— Eu não sabia disso, sinto muito.
— Não sinta Perseu. Eu não preciso da sua piedade. — Ok. Drew precisava segurar a emoção quando fosse conversar com as pessoas. — Só quero dizer que minha mãe é a deusa do amor. Mas isso não quer dizer que ela seja responsável pelos desastres ocorridos na vida amorosa das pessoas. Afrodite apenas se dá ao trabalho de aparecer para aqueles que ela acredita que irão dar belas histórias de amor cheio de drama e geralmente com um final trágico. Então, cuidado com as suas escolhas Percy. Píton não irá perdoar. Ela não vai desistir.
Drew foi embora, enquanto eu remoía suas palavras. Era como se ela soubesse qual era o meu maior medo.
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