Dream
1 Capítulo Único
Notas iniciais
É uma one bem curtinha q foi feita meio nas pressas tb, mas espero q gostem ^^
Me remexi na cama ao ouvir passos pelo quarto. Meus olhos se abriam lentamente, incomodados com a luminosidade que vinha da janela:
— Desculpa, eu te acordei?
A voz grave e suave me trazia uma sensação de paz. Esfreguei os olhos algumas vezes tentando despertar por completo enquanto me sentava na cama. Meu olhar logo se fixou em seus fios negros e ondulados, ainda molhados. A pele clara, os lábios carnudos com um piercing no canto que o deixava ainda mais sexy, o peitoral perfeitamente definido. Ele acabara de abotoar a calça jeans e se esticava para pegar uma camisa branca sobre a poltrona:
— Yuu? — perguntei com a voz ainda rouca e um tanto surpresa. Ele sorriu. Era o sorriso mais maravilhoso do universo.
— Você ainda tá dormindo?
Sua pergunta me fez pensar no porquê da minha surpresa, afinal, ele morava ali:
— Devo estar. — confirmei, confuso comigo mesmo. — Fica na cama mais um pouco. — pedi manhoso.
Seu sorriso aumentou e ele prontamente atendeu ao meu pedido, me puxando para mais perto de si, envolvendo-me em uma conchinha que me fazia não querer levantar nunca mais. Passei minhas mãos por seus braços, sentindo a pele macia sob a minha, respirei fundo, sentindo o cheiro de seu perfume e sorri sabendo que eu era a pessoa mais feliz do mundo estando protegida por aqueles braços:
— Eu poderia ficar aqui pra sempre. — comentei fechando meus olhos para apreciar o momento.
— Eu também. — afirmou, beijando minha testa em seguida e estreitando mais o abraço.
Não sei dizer por quanto tempo ficamos quietinhos ali, apenas curtindo a presença um do outro, mas sei que não foi tempo suficiente. Meu estômago roncou e ele deu uma risadinha se levantando:
— Vou buscar o café.
— Não! — gritei em desespero segurando seu braço para que ele não me deixasse, mas logo percebi que aquilo era loucura. O que estava havendo comigo? — Que tal um café diferente hoje? — tentei disfarçar. — Posso fazer panquecas.
— Parece ótimo. — aquele sorriso, sempre estampado em seu rosto, trazia sentido à minha vida. — Eu faço um suco. — ditou e terminou de levantar-se, puxando minha mão pra que eu o acompanhasse.
Fomos até a cozinha e enquanto ele começava a juntar as coisas necessárias para o preparo do café da manhã eu só conseguia encará-lo angustiado. Não sabia o que tinha de errado comigo naquela manhã:
— Yuu… — chamei baixo, mas mesmo assim ele parou o que fazia pra me encarar. — Eu te amo. — por algum motivo senti necessidade de falar aquilo. É claro que ele já sabia, mas meu peito estava apertado, com a sensação de que eu não dizia isso pra ele o suficiente.
— Também te amo, Kou. — ele respondeu me encarando um tanto preocupado. — Tá tudo bem com você?
— Ta sim, eu só… — eu nem sabia como continuar aquela frase. Não sabia explicar aquela angústia que eu sentia e acabei por abraçá-lo. — Só quero ter certeza que você saiba.
— Kou, você tá me assustando. — respondeu deslizando os dedos gentilmente por meus cabelos.
— Desculpa. — eu ri de mim mesmo e passei as mãos nos olhos tentando controlar as lágrimas que ameaçavam cair. — Desculpa. — repeti. — Acho que acordei muito emotivo hoje.
— Tem certeza de que está bem? — ele perguntou levando a mão direita ao meu rosto e puxando-o levemente para me fazer encará-lo nos olhos.
— Tenho. — afirmei me perdendo em seus orbes negros.
Sorri por fim. Estava sendo ridículo. Me desvencilhei de seu abraço e fui preparar as panquecas, como eu havia prometido. Ele arrumou a mesa de forma exagerada e perfeita. Um forro branco, o jogo de porcelana que ganhamos da mãe dele e um vaso de flores de lavanda:
— Isso está com um cheiro ótimo. — o moreno comentou enquanto eu levava as panquecas para a mesa.
— Melhor provar antes de elogiar. — brinquei e ele imediatamente se serviu e comeu um pedaço.
— Isso aqui tá maravilhoso. — comentou ainda de boca cheia e eu ri. Ele sempre me fazia tão feliz…
E com esse pensamento, novamente eu sentia aquele aperto sem sentido em meu peito. O que estava acontecendo comigo? Apenas dei de ombros e continuei meu café. Ao final arrumamos a cozinha juntos, como sempre fazíamos. Foi então que escutei um barulho irritantemente incômodo. Era um apito alto e agudo. De início eu me perguntei de onde vinha aquilo, mas então aos poucos tudo ia fazendo sentido e eu de imediato me agarrei a ele:
— Não, não, não… — eu pedia, mesmo sabendo que era inútil. As lágrimas começavam a escorrer por meu rosto e eu me via completamente desesperado.
— Kou, o que foi? — o moreno perguntou confuso.
— Por favor, não me deixa. — enterrei o rosto em seu peito desejando me fundir a ele.
— Hei. — ele chamou erguendo meu rosto. — Eu não vou a lugar nenhum. — afirmou e selou nossos lábios.
Eu podia sentir seu sabor em meus lábios… E então eu acordei. Yuu não estava ali e eu apenas me deixei chorar com a frustração, jogando o maldito despertador contra a parede. Já fazia três meses, mas ainda doía como se fosse hoje. O moreno foi até a padaria uma manhã e nunca mais voltou. Um motorista bêbado o pegou no caminho. E simples assim, de uma hora pra outra, sem nenhum aviso prévio, eu perdi o amor da minha vida:
— Kou? — era Akira batendo à porta do quarto. Ele havia se mudado pra casa uma semana depois da morte do Yuu pra não me deixar sozinho.
— Entra. — pedi em meio aos soluços, sabendo que o abraço dele, ainda que não fosse o que eu precisava, iria me ajudar a me acalmar.
Ele sentou-se na cama ao meu lado e me aninhou em seus braços, deslizando lentamente os dedos por meus cabelos, como o Yuu costumava fazer. Aos poucos eu me acalmava e ele enxugou minhas lágrimas:
— Sonhou com ele de novo? — perguntou por fim.
— Parecia tão real… — comentei frustrado. Por melhor que fossem aqueles sonhos com ele, doía demais perdê-lo de novo e de novo a cada manhã.
— Talvez fosse. — falou encarando a janela e eu o olhei confuso. — Eu tenho certeza que o Yuu ainda está olhando por você.
Eu imediatamente enxuguei as lágrimas com o pensamento. O moreno sempre odiou me ver chorando. Acabei rindo de mim mesmo:
— Eu espero que ele não esteja vendo o caco que eu estou. — minha voz saiu fraca, mas eu sabia que ele tinha me entendido. — Sei que ele ia querer me ver feliz, mas eu não sei ser feliz sem ele.
— Você não está sem ele, Kouyou. — afirmou convicto. — Ele ainda está com você, toda noite quando você dorme ele dá um jeito de vir te ver.
Sorri levemente com isso. Talvez ele estivesse certo. Talvez eu devesse parar de sofrer por perdê-lo ao acordar e começar a agradecer por tê-lo ao ir dormir, afinal, ele estaria sempre em meus sonhos… Ele prometeu que não iria a lugar nenhum e o Yuu sempre cumpriu suas promessas.
Fale com o autor