Dream?
1 Dream?
Notas iniciais
Na primeira vez que ela olhou para Los Angeles achou que aquele era seu lugar: ali seria o lugar onde poderia ser feliz, fugir da sua família — já que as coisas iam de mal a pior -, e principalmente viver um grande amor. Mas aí se lembrou que vivia na vida real e não em algum tipo de comédia-romântica hollywoodiana, sua família continuaria a importuná-la por causa de sua carreira e o grande amor não viria num estalar de dedos. O que mais a animava ultimamente era o fato de que iria conhecer os quatro caras que mais mudaram sua vida desde a adolescência: Big Time Rush.
A tarde de autógrafos ia acontecer no espaço de convenções do hotel que ela estava hospedada já há três dias. Tudo estava correndo bem até agora com sua irmã três anos mais velha, que vivia enchendo sobre “ser uma adulta, blá blá blá, achar ridículo pegar autógrafo de ídolos da adolescência e mais blá blá blá”, mas fazer o quê? Sua relação com a irmã foi sempre assim e sempre será, e não são algumas palavrinhas que podem magoar que vão fazer deixar de ser desse jeito.
O grande dia chegou, e apesar de esse não ser o principal motivo de ela estar em LA, o nervosismo percorria suas veias e fazia seu coração pulsar cada vez mais forte. Ela pensava nos olhares marcantes e nos sorrisos lindos que preenchiam as paredes de seu quarto de pôsters, mas que agora iriam preencher seu coração com lindas memórias. Mesmo que falar com mais uma fã não seja nada de mais para eles, para ela com certeza significaria mais do que isso: significaria viver um sonho reprimido na adolescência, porque para sua cética família, gostar de coisas “fúteis” como boybands não era uma atitude aprovada pela sociedade, muito menos por eles próprios. Imagine só quando ela resolveu contar para a família que queria ser uma artista. Imagine só quando ela abriu seu coração e deixou sua verdadeira vocação sair com as palavras. As pessoas reprovaram tanto suas atitudes que com 18 anos ela resolveu sair daquela “porcaria suburbana” que era sua casa, mas não o lugar que pode se chamar de lar. Esse lugar especial ela só conseguiu encontrar ao lado de sua meia-irmã, que teve seu caráter reprovado pela família por ser considerada uma “cigana do mundo moderno”. Essas eram as coisas nada simples que enchiam sua mente naquele dia com tanto significado sentimental.
Quando entrou naquela sala cheia de crianças e adolescentes acompanhados pelas mães, a única coisa em que conseguiu se concentrar foi naquele rosto divino com quem tanto sonhou. Ele começou a falar enquanto as fãs prestavam atenção em cada palavra, mas para ela, tudo o que importava era cada gesto, cada olhar, cada sorriso. Ela estava sentada lá no fundo provavelmente com um sorriso bobo no rosto, enquanto seus olhos focavam constantemente nele, e quando ele passava o olhar por onde ela estava ela desviava para as outras três pessoas mais lindas que ela já viu e soltava um sorrisinho discreto e envergonhado para si mesma.
Chegou a sua vez de pegar os autógrafos depois de pelo menos uma trinta garotas envergonhadas e umas quinze histéricas. Obteve a linda assinatura de cada um dos três rapazes que faziam seu coração bater mais forte e quando chegou na vez dele assinar aquele pôster antigo, seus olhares se encontraram, ele paralisou instantaneamente e ficou analisando cada característica da mulher mais absurdamente linda que já vira em toda a vida. Ela já estava vermelha feito pimentão e mal conseguia se mexer, mas mesmo assim tentou arrumar os cabelos que, na opinião dele, estavam perfeitos. Ela disse timidamente o seu nome enquanto ele voltava à realidade e assinava aquele pôster. Ela sorriu deslumbrantemente e saiu, deixando ele lá, sem encontrar uma palavra que saísse perfeita para ficar à altura dela.
Ela mal conseguia acreditar que causou aquele efeito no rapaz que sempre esteve em seus sonhos. “Será que sonhos antigos podem se tornar realidade?” ela pensou alto à caminho da piscina do hotel, até se sentir sendo puxada para a salinha escura que havia acabado de passar do seu lado. Ela ia gritar, mas alguém pôs uma mão tapando sua boca e acendeu a luz com a outra. Ela se surpreendeu ao perceber que era ele. “Sim, eles podem.” ele respondeu a pergunta dela com aquela bela voz.
Ao fechar a porta, ele a viu fazendo uma careta “ponto de exclamação”, soltou um leve sorriso, tirou a mão que antes abafava seu grito e a substituiu por seus lábios, e foi nessa atitude repentina que eles perceberam que palavras não poderiam expressar seus sentimentos naquele momento e que esse amor duraria mais do que uma simples vida.
Notas finais
Reviews?
XOXO
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