O que eu fui? O que eu sou? O que eu serei? Todas as perguntas tinham só uma resposta. Nada. Nada além de uma menina obcecada com um mundo fictício, vendo nele um refúgio impossível. Tão obcecada que me apaixonei, com uma estranha devoção. A devoção que ele recebia de todo seu reino.

E eu? Bem, eu era pior do que uma mortal. Eu era humana, frágil.

Eu tinha sentimentos que me machucavam cada vez mais. Talvez eles quisessem competir com a realidade.

Passava as noites esperando adormecer e sonhar com ele. Dentro de mim, sabia que tinha alguma ligação, eu o amava. Entretanto, a certeza de meu amor era tão grande quanto a certeza de que ele não era real. O Deus do Trovão, era uma grande mentira. Uma ilusão da minha mente. Eu amava uma ilusão.

Um dia, fui para meu quarto e comecei a chorar, como sempre. Minhas lágrimas, como uma canção de ninar, me adormeceram naquela prazerosa dor. Fui guiada por aqueles braços fortes até meus sonhos.

Em um último suspiro de consciência, proferi suavemente:

"querencia".