Dramione - New Perspective.
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Estava com medo de abrir os olhos.
Ainda sentia o vento soprando meu cabelo, e minhas botas, molhadas da lama do jardim. Ainda ouvia o barulho das àrvores, e dos rangidos da casa antiga. Mas agora, depois desse milésimo de segundo, tudo estava completamente diferente.
Quando escutei alguns gemidos é que resolvi finalmente olhar. Bellatriz estava caída no chão, com uma das mãos na barriga. Quando retirou a mão, olhou-a e viu que estava completamente vermelha.
Em nenhum momento ela me olhou novamente. Apenas olhava para o chão, de um modo meio distante, como se não tivesse se dado conta do que tivesse acontecido. Apesar de isso durar apenas alguns segundos, para nós duas pareceram anos.
Finalmente ela sussurrou, mais pra ela do que pra mim:
–Meu lorde... estou indo.
Sua cabeça foi escorregando lentamente até encostar na grama e seu corpo finalmente parar de se mover.
Fiquei parada ali, estática, sem saber o que fazer ou dizer. Pra mim o tempo parou, e eu comecei a pensar no que eu havia feito. Eu tinha matado alguém.
Só percebi quando tempo havia se passado quando começou a chover, muito forte. O céu escureceu, e o corpo de Bellatriz parecia agora apenas uma sombra preta no chão.
Draco veio correndo, seus passos ecoando na grama molhada. Ele parou em frente a nós duas, e encarou a cena por um segundo. Primeiro se encaminhou até o corpo inerte e o virou para cima, checando se realmente ela estava morta. De certa forma, quando ele virou o corpo, eu observei o rosto dela novamente, agora limpo de qualquer emoção. Aquilo me deu náuseas.
–Hermione. — Ele veio correndo em minha direção, tapando a visão do corpo, deixando as coisas um pouco melhores. Eu enterrei o rosto em seu peito, e percebi que estava chorando.
Ficamos asism por alguns momentos, abraçados, logo que eu pensei: Vamos Hermione, volte à realidade. Agora está tudo acabado.
Me afastei dele por um segundo.
–Onde está Louis? — perguntei.
–Na cozinha. Está tudo bem?
–Sinceramente? — Perguntei. Pensei em quanto medo eu havia sentido, quantas fugas diferentes eu havia planejado, tentando me salvar daquela mulher. Pensei em todos os meus pesadelos, e na culpa que senti quando ela roubou James. Agora, estava tudo acabado. Sorri. — Estou ótima.
Ele segurou minha mão e voltamos para dentro da casa. Estávamos completamente encharcados pela chuva, então nos sentamos na cozinha, enquanto Louis nos preparava algo quente pra beber.
–Sabe, eu posso fazer isso. — Draco discutia com ele.
–Não precisa, realmente. Tia Bella também gostava de café, e eu preparava pra ela. — Louis manejava os utensílios de cozinha habilmente. — Aliás, o que aconteceu com ela?
Eu e Draco nos entreolhamos.
–Ela fugiu. — Respondi. — Mas nós a assustamos. Ela nunca mais vai mexer conosco.
Louis deu um sorriso alegre, mas também meio hesitante. Pra onde ele iria ir, agora que não tinha mais que servir a tia?
–O que importa é que agora vai ficar tudo bem. — concluí.
James brincava com meu dedo, mordendo-o. Tínhamos colocado o berço em cima da mesa, com um cobertor. O pequenininho parecia bem feliz.
Louis colocou os cafés na mesa, e Draco o bebeu quase imediatamente. Ele parecia esgotado. Passou as mão no rosto, se recompondo.
–Parece que passou um furacão no seu cabelo. — observou.
–Gentil como sempre não é, Draco? — Respondi, azeda. A chuva sempre deixou meu cabelo um tanto... diferente.
–Enfim... O que vamos fazer com aquilo.. lá fora? — Perguntou.
–Temos que chamar o ministério. Eles vão dar um jeito em tudo. Mas, por enquanto, vamos deixar as crianças na casa da Gina.
–Eu não sou uma criança, já tenho dez! — Louis protestou.
–Ok, vamos deixar o rapaz E a criança na casa de Gina. — Revirei os olhos. Louis se encheu de orgulho.
Terminamos de tomar os cafés, e aparatamos.
Assim que tocamos a campainha, uma tropa de aurores atendeu. Ficaram parados em frente à porta, pedindo identificações.
–Sou Hermione, vim ver a Gina.. — Mal terminei de falar, e ouvi uma bagunça lá dentro.
–É a Hermione? — Distingui a voz de Gina. — Saiam... Saiam da frente seus brutos! É minha amiga!
Gina apareceu com dificuldade no meio dos aurores, respirou fundo, e começou a falar:
–Hermione.. Eu sinto muito por tudo que eu falei, eu sei que eu estava errada, é só que eu estava em desespero, você sabe, aliás, ainda estou, e mandaram esses brutamontes aqui pra casa, está um estresse só, mas se você quiser entrar.. Harry vai adorar te ver, ele disse que você ia sumir por um tempo, não disse onde, mas agora que está de volta e...
Gina finalmente parou de falar, quando viu o pacotinho que eu carregava em meus braços.
–Não pode ser... — Ela ficou boquiaberta.
–Conseguimos, Ginny. — Sorri.
Ela me olhou. Depois olhou pra Draco. Depois novamente para o bebê.
Eu o entreguei. Ela o pegou delicadamente nos braços, e sem palavras, começou a chorar.
–C-como vocês...
–Precisamos conversar. — disse.
–E-entrem. — Gina atravessou os aurores, que agora tinham aberto caminho para nós, completamente surpresos.
Nos sentamos na mesa da cozinha.
–Harry está.. Está no banho. Como sempre, ele vai ser o último a saber... — Gina sorriu, pela primeira vez desde que eu tinha saído daquela casa.
Ela continuava a segurar James em seus braços, e acho que não o soltaria por um bom tempo.
Eu olhei para Draco, sentado ao meu lado. Ele segurou minha mão, e então, eu comecei a contar tudo.
Quando terminamos, Gina olhou sorrindo para Louis.
–Você pode ficar por um tempo. — Ela se voltou a James. — É claro. Vocês.. Vocês salvaram o meu bebê. Não tem nenhum modo de eu agradecer a isso.
–Que ótimo. Agora nós temos que voltar, para resolver as.. coisas. Gina, acredite. Tudo acabou. — Sorri para minha amiga enquanto me levantava da mesa.
Antes de saírmos ela me abraçou. E então fez algo que eu nunca imaginaria: ela sorriu pra Draco. Um sorriso verdadeiro, do tipo agradecido. Isso me deixou feliz, talvez porque eu finalmente não tivesse que aguentar brigas entre esses dois.
Quando chegamos à calçada, paramos. Draco ainda segurava minha mão, desde aquela hora.
–Eu ainda não sei como consegui... — Sussurrei. Começara a nevar suavemente, e eu estava começando a sentir frio.
–Ei, você é da Grifinória. Coragem no sangue, lembra-se? — Draco sorriu e me deu seu casaco.
–Você acreditou que eu conseguiria desde o início?
–Eu sempre acreditei em você. Desde o momento que eu te conheci, sabia que tinha que ser corajosa, pra andar com o tal Harry Potter, o cara que só atraía encrencas. Eu sou exatamente o contrário. Desde sempre, só tenho fugido dos meus problemas.
–Bem, você é corajoso o suficiente pra admitir isso. — ri.
Ele me abraçou e fomos caminhando pela rua.
–Você sabe, agora finalmente podemos continuar com nossas vidas. — Ele disse.
–Mas vai ser tão simples a partir de agora. Até tedioso. — Sorri.
–Eu não vou deixar que seja, pode acreditar nisso. Nosso relacionamento vai ter muitos altos e baixos, pois você ainda vai me chutar muitas vezes.
–E porque isso?
–Granger, eu sou Draco Malfoy. Você sabe que eu não presto. — Ele riu. — Mas vai ter uma hora em que você vai aprender a conviver com isso. Afinal, eu sou irresistível, e você não viveria sem mim.
–Ah é? Quer testar? — Desafiei. Ele riu novamente.
–Não falei? Altos e baixos.
Continuamos andando. Os carros passavam, e as casas decoradas com luzes piscantes iluminavam aquela noite fria.
–E agora, somos o quê? — Perguntei.
–Precisamos definir? Só sei que eu estou completamente apaixonado por você, e a cada minuto que não te vejo, fico relembrando nossos momentos juntos. — Ele deu de ombros. — Deve ser o que os outros chamam de amor.
Senti algumas borboletas no estômago. Naquele momento, não pude deixar de sorrir.
–É, deve ser.
–Bem, se é, eu quero dizer. — Ele parou de andar, e se virou de frente pra mim. — Eu te amo, Hermione Granger.
–Eu também te amo, Draco Malfoy. — Sorri.
Ele me beijou.
E foi como se fosse a primeira vez.
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