Dramione - Acorrentados

39 Epílogo: 10 Anos Depois.


Notas iniciais
Estava eu olhando as peripécias dessa fanfic que escrevi com os meus 14 anos (tenho 29 agora), e fiquei muito feliz com o fato de ela ainda fazer sucesso entre leitores. É gratificante e assustador ao mesmo tempo. Eu não tinha o mesmo repertório de leitura e de vida que tenho hoje, fazendo com que algumas coisas fossem um pouco vergonhosas de reler. Mas tudo bem, é uma prova da minha vida e sentimentos com aquela idade. Por isso eu resolvi revisitar Draco e Hermione nesse pequeno epílogo, mostrando um pouco da vida deles e um pouco da minha escrita atual (Não que eu tenha evoluído grandes coisas), então espero que vocês possam gostar e apreciar, assim como eu quando escrevi. Boa leitura!

Draco estava sentado na poltrona da sala enquanto via Hermione pendurar meias na lareira. Seria o décimo Natal deles como uma família. Seus pais viriam do Nepal daqui uns dias, para passar um tempo com os netos.


Scorpius e Alya, os gêmeos que estavam quase com 10 anos e o pequeno Ôrion, que tinha 5 anos e estava ainda se acostumando com a ideia de que não seria mais o caçula. O presente de Narcisa e Lucius seria a notícia de sua quarta neta, Allegra. Hermione já estava grávida de 4 meses e estava tão radiante quanto esteve nas outras gravidez.


Hermione terminou de colocar as meias na lareira e suspirou.


-O que foi querida? — Malfoy disse.


-Sinto falta dela — O olhar de sua esposa estava direcionado para a foto emoldurada com delicadeza e elegância, que havia em cima da lareira. Era a foto da tia Bella.


-Eu sei amor, eu também. — Ele estendeu a mão e a chamou — Venha aqui.


Hermione andou até o seu esposo e se acomodou em seu colo. Ele o abraçou com delicadeza.


Fazia quase dois anos que Bellatrix tinha falecido. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu, um dia ela foi visitá-los e estava tudo bem. Ela estava muito emocionada e dizia coisas absurdas sobre uma viagem longa e que sentiria saudades. Eles não levaram a sério, mas a encheram de carinho e a fizeram rir como sempre. Principalmente os pequenos, ela amava os sobrinhos-neto. Depois da sua visita, no outro dia, a árvore genealógica dos Black acusava ela como morta. Nunca encontraram seu corpo, mas acharam uma linda carta de despedida dizendo que ela sentia saudades do marido. Hermione e Scorpius foram os que mais sofreram. Scorpius era muito apegado a Bella, e como criança demorou a aceitar a perda.


Voltando ao presente, antes que Hermione e Draco se afundassem, em melancolia pela lembrança, Allegra se mexeu. Hermione arquejou de surpresa.


-Draco! Sua filha se mexeu! — Ela disse sorrindo. Colocou a mão do marido em sua barriga para que ele pudesse sentir — Meu Merlin, se meu de novo.


-É a sua terceira gestação, mas você fica empolgada com tudo como se fosse a primeira vez — Ele observou, com um sorrisinho condescendente. Mas não havia tirado a mão da barriga da sua esposa, aproveitando o momento.


-Posso sentir você irradiando contentamento, Malfoy. — Ela revirou os olhos com graça e ele deu de ombros, ignorando a observação sensata.


Mesmo que fizessem anos e anos que não dividiam os sentimentos intensos através de uma corrente, ambos ainda podiam sentir um ao outro de forma sutil. Estavam tão visceralmente intricados um ao outro, que sua sintonia e percepção do outro só se refinava com o passar dos anos. Da gravidez de Ôrion, até os enjoos matinais Draco sentiu. O que foi uma experiência engraçada para todos, menos para o próprio Malfoy.


-Mamãe, papai — Ouviram a voz, seguida de passos apressados — Quando a dinha vai chegar?


Alya entrou no campo de visão dos dois, segurando a mão de Ôrion. Alya e Ôrion pareciam mais gêmeos que ela e Scorpius. Os dois tinham os cabelos platinados dos Malfoys, e os olhos castanhos dos Lafayettes. Scorpius, por outro lado, tinha os cabelos castanhos e olhos azuis escuros.


-Luna e Blás vão chegar daqui uma hora. — A mãe respondeu. — Vocês precisam se comportar, os gêmeos Zabini ainda não estão no nível de peraltice de vocês.


Draco riu. Ele e Blás apostavam, às vezes, nas travessuras das crianças e Draco sempre ganhava. Gustav e Klimt Zabini, tinham 7 anos e ainda eram muito paparicados pelos pais para desenvolver ossos maliciosos como os pestinhas Malfoy. Não que a família Malfoy não fosse extremamente amorosa e atenciosa, mas ter um pai como Draco e ter crescido ao lado de tia Bella, formavam caráter mais fortes do que Hermione podia contornar.


-Gustav ainda me deve duas cartas, que ele perdeu da última vez — Scorpius anunciou, entrando no recinto.


-Não cobre dele — Ralhou Hermione — Você tem um monte de cartas desse jogo horripilante. — Draco gargalhou mais alto — Pare de rir Draco! E você Scorpius, sei que anda trocando cartas com Tiago, você não precisa de mais.


Tiago Potter, o filho mais velho de Harry e Gina, era o melhor amigo de Scorpius. Gina havia se aproximado bem mais de Hermione e Luna, depois da fase adulta. A ruiva havia amadurecido muito e ficou mais do que contente em fazer parte desse círculo de amizade. Harry ainda era um pouco reticente, principalmente porque depois de uns anos voltou a ser amigo de Ronald Weasley, quando este casou com uma trouxa e foi viver uma vida comum. Mas os outros nunca o perdoaram.


Ôrion correu para os braços da mãe quando notou que as mãos dos pais ainda estavam na barriga da castanha.


-Ela está se mexendo — Ele perguntou com uma ruga entre os olhos, curioso e um pouco chateado.


-Não faça essa cara. — Draco disse — Sua irmã está crescendo, logo você vai ser um irmão mais velho.


-Papai, não quero ser irmão mais velho — Ele fez um bico — Irmãos mais velhos são chatos, Scorpius nunca me deixa brincar com ele de cartas.


-Eu proíbo você de brincar com cartas Ôrion Black Lafayette Malfoy! — Hermione ralhou. Ela nem sabia do que se tratava o jogo, mas tinha visto figuras de criaturas horripilantes e era o suficiente para ela não querer que seu caçula se interessasse por aquilo.


-Ôrion — Draco começou ignorando a sentença da esposa — Sérgio um irmão mais velho, quer dizer que você tem que amar a sua irmãzinha e proteger ela, como seus irmãos fazem com você. Scorpius pode ser um encrenqueiro às vezes, mas ele sempre está lá pra você, certo?


Scorpius corou, enquanto Alya ria. Ôrion se virou para o seu irmão mais velho, avaliando a situação daquele ponto de vista. Então assentiu.


A família, que não era mais tão pequena, começou a conversar e rir juntos, até que o barulho inconfundível de pessoas descendo pela chaminé os alertou para a sala ao lado.


A família Zabini emergiu na sala, usando pó de flu, pois os gêmeos ainda eram muito pequenos para aparatar.


-Vocês chegaram! — Hermione gritou, se aproximando de Luna.


-Mione, eu acho que você deveria se afastar… — Antes que qualquer um previsse, Luna vomitou aos pés de Hermione.


-QUE NOJO! — As crianças disseram em uníssono, correndo o mais longe possível dali.


Blás sorriu, achando tudo engraçado, enquanto se aproximava da esposa.


-Que belo jeito de contar aos seus amigos que está grávida em Luninha — Ele disse pra sua loira, enquanto sacava a varinha pra limpar a bagunça.


-Ah meu Merlin! Isso é sério? — Hermione lançou-se para abraçar a amiga — Finalmente ficamos grávidas juntas!


-Parabéns Blás- Draco se aproximou do amigo para um abraço.


Enquanto os amigos conversavam das novidades, as crianças já estavam espalhadas pela casa, brincando e conspirando com novas traquinagens.


Na hora do jantar reuniram os filhos ao redor da mesa. Era ainda antevéspera do Natal. Estavam comemorando com os Zabinis, antes da família viajar para Tailândia para passar o Natal. Hermione nunca questionava os países diferentes que eles gostavam de visitar, pois sabia que além de esposa e mãe, Luna gostava de conhecer as mais diversas criaturas mágicas ao redor do mundo. Isso era algo que Gustav e Klimt tinham puxado de sua mãe, para desespero e desamparo de Blás.


-Gina não vem? — Perguntou Luna a certa altura — Queria me despedir.


Hermione fez uma careta antes de responder.


-Os Potters estão no mundo dos trouxas. Aparentemente a mulher do Weasley está tendo uma gravidez complicada e eles foram ajudar.


Draco gostaria de fazer uma observação mordaz, mas em nome do período natalino e em respeito aos seus filhos, deixou quieto. Afinal as coisas já tinham passado e seu rancor diminuído.


O jantar se passou entre risos e conversas amenas depois disso. As crianças já eram grandinhas o suficiente para não se sujaram, mas ainda imaturas para fazerem bagunça. Hermione e Luna olhavam consternadas para suas crias, que nesses momentos pareciam ter crescido com lobos, enquanto os homens riam e sentiam orgulho de si mesmos.


Depois da sobremesa os diabretes em forma de crianças, foram brincar na sala de brinquedos dos Malfoy, com um elfo supervisionando, e os adultos foram para sala de estar tomar um vinho e chá.


-Não acredito que 10 anos tenha se passado desde o nosso casamento — Disse Hermione nostálgica — Parece que foi rápido, ao mesmo tempo que não.


-Sei o que quer dizer — Luna acrescentou — De toda forma foi a década mais mágica de todas para mim.


-Para nós todos — Zabini completou. — Vocês ainda fazem aquilo? Visitar Hogwarts para homenagear Salazar e Rowena?


Draco e Hermione tinham adquirido o hábito de homenagear os dois patronos de Hogwarts, pois por causa deles e do seu amor grandioso e secreto, é que eles podiam viver aquela vida feliz. Além disso, se sentiam muito abençoados todos os dias, como se o espírito daqueles dois ainda os protegessem.


-Vamos às vezes, quase todo ano pelo menos. Logo os dois mais velhos vão para Hogwarts, então vai ser a vez deles de dar continuidade. — Draco disse, tomando um gole de seu vinho.


-Scorpius e Alya são estranhamente fascinados com a ideia de que o nascimento deles foi uma intervenção mágica — Hermione disse revirando os olhos, mesmo que de certa forma eles estavam certos.


-Falando em Hogwarts, qual vocês acham que vai ser a casa dos seus filhos? — Luna disse animada — Eu temo que os gêmeos sejam Lufanos, Blás não se conforma, mas eu meio que já me resignei.


-Não toque nesse assunto, por favor — Draco resmungou — Eu ainda não aceito que possivelmente Scorpius seja Corvino. Pelo menos Alya, eu tenho certeza, vai para Sonserina.


Hermione riu da careta do marido. Apesar de Scorpius parecer encrenqueiro, ele era muito inteligente e disciplinado. Enquanto Alya, que parecia mais doce, era maliciosa e orgulhosa. Ôrion ainda era muito novo para ter uma personalidade formada, que só se firmava aos 7 anos, mas ele seria Grifinório ou Lufano, para desespero de Draco.


As crianças pareciam saber que estavam sendo assunto de seus pais, parando suas brincadeiras, resolveram começar uma conversa profunda e infantil sobre quem teria os pais mais legais.


Naquela mansão antiga e cheia de história, hoje se encontravam as duas famílias mais amáveis e calorosas do mundo bruxo. Além de famosas. Os Malfoys tinham o nome mais influente do mundo mágico britânico, a história de amor de Draco e Hermione, inspiraram muitas outras ao redor do mundo. Uma década havia se passado, para a incredulidade dos incrédulos, e o amor deles seguia firme e forte. Nunca houve escândalos de traições, brigas feias, ou qualquer coisa negativa sobre eles. O amor fomentado na juventude através de desafios e imaturidade, se tornou o amor mais forte e inquebrável de todos. Corrente de feitiço não os ligavam mais, havia sido substituído por uma ligação transcendental e dourada, uma ligação emocional que era mais forte que qualquer feitiço do mundo.


Amor.


O amor que transcorria entre eles durante todo esse tempo, era algo sem explicação. A conexão mental, o laço de afeto, o mútuo carinho e companheirismo, eram coisas de livro e cinema. Estava escrito nas estrelas e no destino um do outro desde que nasceram. Os frutos dessa união eram abençoados com a felicidade e saúde desde o ventre. As amizades que fizeram e mantiveram pelo caminho, eram pontos de brilho na tapeçaria de suas vidas. Mesmo momentos em que pareciam tristes e solenes, como a morte e a distância de entes queridos, eram encobertos de doçura. Eles nunca mais se sentiriam abandonados, pois tinham um ao outro.


O amor pode tudo conquistar, essa era a verdade da vida de Draco e Hermione Malfoy. E nenhuma família jamais foi mais feliz do que eles.


Notas finais
Esse é mesmo o fim. Malfeito, feito. Nox.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!