Drama Total: Floresta dos Mistérios
7 os mortos também anDam
Drama Total: Floresta dos Mistérios
Capítulo 7 — os mortos também anDam
Chris McLean estava na sala de monitoramento, com os pés sobre a mesa. Ele segurava um iced latte com um canudo torto, mexendo-o distraidamente enquanto olhava para a câmera.
CHRIS: Bem-vindos de volta ao Drama Total: Floresta dos Mistérios! No episódio anterior, nossas equipes foram testadas, fisicamente, emocionalmente e, claro, ridiculamente. — Ele gira na cadeira de escritório de forma exagerada antes de continuar. — Primeiramente, tivemos a troca de equipes! Isso agitou as coisas, deixando Minyoung finalmente mais confortável, cercada por suas novas melhores amigas, Molly e Gretchen. Elas formaram um trio inseparável em segundos, como se estivessem em uma eterna festa do pijama! — Faz uma pausa dramática, levantando o copo em um brinde irônico. — Mas nem todos tiveram um dia mágico. Tommy, ah, pobre Tommy. Separado de Willow, ignorado por sua nova equipe e atingido por flechas no desafio, ele basicamente virou o saco de pancadas oficial dos Arbustos Enigmáticos. Claro, o rapaz ainda tinha um truque na manga! No fim, ele usou a Estatueta McLean de Invencibilidade, garantindo sua permanência no jogo e chutando Gretchen para o ônibus dos perdedores. Surpresa! — Ele dá um sorriso maldoso e se inclina na cadeira, encarando a câmera. — Agora restam oito campistas. Com as alianças balançadas e o jogo se afunilando, as tensões só aumentam. Quem será eliminado hoje?
*Abertura*
O céu sobre a floresta estava escuro, coberto por nuvens finas e iluminado apenas pelo brilho fraco das estrelas. Os três remanescentes dos Arbustos Enigmáticos seguiam em silêncio pela trilha irregular até a cabine.
Molly ia à frente, chutando pedrinhas pelo caminho. Minyoung vinha logo atrás, segurando a lanterna com os braços pesados, passos lentos. Tommy fechava o grupo, o braço ainda na tipóia e o rosto tenso, desconfortável com o clima.
TOMMY: Qual é, garotas. Não é como se a Gretchen tivesse morrido ou algo assim. Vocês vão ver ela de novo em algumas semanas...
Molly parou por um segundo e lançou um olhar carregado de cansaço. Tommy deu de ombros e desviou o olhar, visivelmente arrependido de ter dito qualquer coisa.
Chegaram à porta da cabine. Minyoung entrou primeiro, soltando um suspiro baixo ao passar os olhos pela cama vazia de Gretchen. Molly ficou parada por um instante na entrada, absorvendo o local. Tommy, alheio ao clima, foi direto pra cama e apagou quase de imediato, deixando as duas na sombra.
Minyoung e Molly se encontraram no canto da cabine, sentando no chão, os joelhos quase encostando. Ficaram em silêncio por um tempo, sem saber quem deveria falar primeiro.
MINYOUNG: Ainda não parece real... parece que ela vai entrar pela porta a qualquer momento.
Molly assentiu devagar, com os olhos vermelhos.
MOLLY: Eu sei. — A voz saiu abafada. — Achei que a gente ia até o fim. Nós três. Um trio imbatível.
Minyoung tentou sorrir, mas foi breve e triste. Então puxou Molly para um abraço apertado. Ninguém disse mais nada. Ficaram ali por longos segundos.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MINYOUNG: Que desastre! Sem a Gretchen, o que vamos fazer? — Ela suspira profundamente. — Molly tá tentando ser forte, mas dá pra ver que ela tá despedaçada. E eu também. Não sei como vamos continuar sem ela, mas... temos que tentar, certo? — Ela forçou um sorriso fraco.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A manhã seguinte chegou nublada. Dentro da tenda de manutenção no meio da floresta, parecia que um furacão tinha passado. Peças soltas cobriam o chão, ferramentas espalhadas, esquemas de papel grudados em todos os cantos. No centro, McConnor trabalhava em silêncio sobre uma estrutura metálica, usando uma máscara de solda. Faíscas pulavam no ar a cada movimento do maçarico.
A porta da tenda rangeu, revelando Chris McLean. Ele entrou com calma e um sorriso.
CHRIS: Bom dia, McConnor! Que visão mais... caótica. Quase reconfortante, pra ser honesto.
McConnor levanta a máscara de soldagem, revelando um rosto suado e visivelmente exausto.
MCCONNOR: Se você veio só pra encher o saco, tô sem tempo, McLean.
CHRIS: Encher o saco? Eu? — Ele coloca a mão no peito, fingindo ofensa. — Só vim conferir como está o projeto do século. Aquele que, por acaso, eu prometi pra emissora como o grande destaque do próximo episódio.
McConnor para, largando o maçarico na mesa.
MCCONNOR: Você fez o quê?! — Seus olhos se arregalam. — Olha, houve uns... problemas. Coisas fora do meu controle, mas eu vou resolver.
CHRIS: Problemas? Ah, que novidade! — Ele se aproxima, o tom ficando mais sério. — Lembra quando você disse que queria provar que ciência supera o sobrenatural? Que você não é só um inventor amador? Pois bem, sua chance é agora.
McConnor fica em silêncio, irritado, mas escutando.
CHRIS: Só que se você falhar... bem, digamos que seria humilhante. Pra você, claro. E pra mim, que te contratei e deixei construir essa coisa. E sabe, eu detesto ser humilhado. Entende?
Chris sorri de orelha a orelha, enquanto McConnor o encara.
CHRIS: Ótimo! Quero isso funcionando em três dias, como combinado. Nada de desculpas. Agora, vou tomar meu Iced Americano. Você cuida do resto. — Ele dá uma última olhada no caos da tenda e sai assobiando.
McConnor solta um longo suspiro e volta para sua engenhoca.
MCCONNOR: “Humilhante”. Como se já não fosse humilhante o bastante trabalhar pra ele...
*CONFESSIONÁRIO ON*
MCCONNOR: Essa experiência de estagiário? É um desastre. Eu aceitei o trabalho pra expor a verdade sobre gnomos, monstros do lago e unicórnios. Mas, bom... — Ele faz uma pausa dramática. — Essas criaturas são reais. — Ele concedeu, meio a contragosto. — Não mágicas, claro. Minha teoria é que Tipikanizaw é um micro-habitat único, como um oásis biológico para essas espécies. — Ele cruza os braços, pensativo. — Vocês sabem, igual pinguins não vivem no Saara. Essas criaturas só vivem aqui. Mas sabe o que é pior? O Chris usar essas criaturas. Claramente inteligentes, talvez até mais do que os próprios participantes. E ele faz isso por entretenimento barato. Minha construção? Não é só pra me provar. É pra proteger os campistas e as criaturas dessa loucura. — Ele suspira, parecendo exausto, mas determinado. — Só espero que essa geringonça funcione… porque eu não quero ser o próximo obstáculo do Chris.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
De volta à tenda, McConnor ajusta a máscara de solda e liga o maçarico de novo.
MCCONNOR: Três dias… moleza.
Ele hesita.
MCCONNOR: Talvez.
***
A luz pálida da manhã entrava pelas frestas das tábuas mal encaixadas da cabine dos Pinheiros Questionadores. O ambiente cheirava a madeira úmida e sono acumulado. Serena se mexia no beliche de cima, revirando de um lado pro outro até escorregar da borda e cair com um baque seco no chão.
SERENA: Ai!
Ela se levantou devagar, esfregando o quadril. Então, olhou ao redor:
Nacho abraçava o travesseiro com força, como se fosse um urso de pelúcia. Cyrus dormia com seu caderno aberto no peito. Willow estava encolhida em posição fetal, e Seth roncava de boca aberta, um fio de baba escorrendo do canto da boca.
Serena encara o teto desbotado, pega seu suéter de cashmere e o veste com cuidado, tentando não encostar nas superfícies suspeitas ao redor.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SERENA: Quase duas semanas. Eu. Dormindo numa cabine de madeira, com cheiro de mofo e colchão duro. Eu achava que ia durar três horas. — Ela gesticula com ironia. — Sou feita pra travesseiros de pena de ganso, não pra beliches infestados. — Ela suspira, mais contida. — Mas… às vezes eu penso na minha mansão. Na fortuna da minha família. Em como tudo aquilo existe porque outras pessoas… bem, gente como os meus colegas aqui… foram exploradas. Sem eles, eu não teria nada. — Ela ajeita o cabelo, pensativa. — Sempre achei o prêmio irrelevante. Mas isso aqui, essa experiência… talvez valha alguma coisa. Não que eu vá virar hippie e amar a floresta, claro. Esse lugar ainda é uma pocilga!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
De volta à cabine, Serena tentou arrumar o espaço ao redor da cama. Ao ver um inseto grande no canto da parede, recuou e desistiu com um suspiro.
SERENA: Ugh.
Andando nas pontas dos pés, saiu da cabine em silêncio. A câmera a seguiu pelos degraus, enquanto lá dentro o resto do grupo seguia dormindo profundamente.
***
Na cantina, a movimentação era intensa. A comida era questionável, como sempre, e o barulho de talheres batendo ecoava.
Na mesa dos Pinheiros, Willow mastigava lentamente, distraída, os olhos presos na mesa dos Arbustos. Tommy, com a tipoia no braço, tentava comer com a mão não dominante, claramente irritado com a própria lentidão. Embora sua saúde estivesse melhor, seu humor parecia mais apagado que o normal.
Cyrus percebeu os olhares insistentes de Willow e franziu o cenho.
CYRUS: Então, Willow… que tal passarmos no lago depois do almoço? Dizem que o som da água ajuda na digestão. — Ele forçou um sorriso. O tom era casual, mas o olhar, tenso.
Willow demorou a registrar. Só então desviou o olhar de Tommy para Cyrus.
WILLOW: Foi mal, Cyrus. Não vai dar. Preciso conversar com o Tommy.
Cyrus fechou a cara.
CYRUS: Precisa? Por quê?
WILLOW: Ele tá machucado. E eu… não tenho sido uma boa amiga. Mesmo estando em outra equipe, ele ainda é importante pra mim.
CYRUS: Ele é bem grandinho pra precisar de um “desejo de melhoras”. — Cruzou os braços, a voz carregada de desdém.
Willow ergueu a sobrancelha, intrigada.
WILLOW: Não seja insensível. Ele tem sentimentos igual a todo mundo.
CYRUS: É, mas ele não se importa com os meus. — Ele murmurou, meio alto demais.
WILLOW: O que você disse?
CYRUS: Nada. Vai lá com o Tommy, se é isso que você quer fazer. — Ele se levantou abruptamente, pegando seu diário. — Acabei de lembrar que eu tenho que revisar umas anotações.
Cyrus saiu da mesa, deixando Willow confusa.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Tá, eu admito. Eu não gosto do Tommy. — Falou como se fosse grande surpresa. — Ele age como se fosse o “bad boy”, mas na verdade é só um babaca. Willow merece coisa melhor… como, sei lá, alguém que realmente valorize ela. — Ele pausa, coçando a nuca. — Não que eu esteja dizendo que seria eu. Quero dizer… podia ser. Mas quem sou eu pra julgar, né? — Ele dá um sorriso forçado, claramente emburrado.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Willow se levantou, limpou migalhas inexistentes da calça e caminhou até a mesa dos Arbustos. Tommy, ocupado tentando cortar uma panqueca com a mão errada, levantou os olhos, surpreso, quando ela parou ao lado.
WILLOW: Ei… tem um minuto?
TOMMY: Uh, claro! Quer dizer, sim. Claro que sim. — Ele ajeitou o corpo, tentando parecer despreocupado, mas o sorriso nervoso entregava tudo.
Willow apontou com a cabeça em direção à porta.
WILLOW: Vamos dar uma volta.
Os dois saíram. Algumas cabeças se viraram para observar. Comentários começaram a sussurrar dos dois lados do refeitório.
*CONFESSIONÁRIO ON*
WILLOW: Passei tanto tempo focando na minha nova equipe que talvez tenha ignorado alguém importante. Eu realmente pensei que o Tommy seria eliminado. Fiquei muito feliz que ele ainda está aqui. Mas isso me deixou reflexiva. — Ela suspira, pensativa. — Tommy sempre parecia tão... determinado a falar comigo. Agora, ele tá tão quieto. Acho que senti falta disso. De ser... prioridade pra alguém.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A luz da tarde filtrava-se entre as árvores, aquecendo o ar atrás da cantina. Tommy encostou o ombro na parede de madeira, esforçando‑se para parecer relaxado, embora a tipoia o lembrasse a cada movimento.
WILLOW: Então... como você tá? Quer dizer, de verdade.
TOMMY: Ah, sabe como é... sobrevivendo. — Ele deu de ombros, mas logo se arrependeu ao sentir a dor no ombro. — Tá, talvez não tão bem assim.
Willow cruzou os braços, parecendo genuinamente preocupada.
WILLOW: Eu me sinto péssima. Você tá todo quebrado, e eu nem tirei um tempo pra ver como você tava. Eu não sei como ia aguentar se você fosse eliminado ontem…
TOMMY: Bom, eu... meio que percebi. — Ele desviou o olhar, tentando não soar acusador. — Mas eu só queria... sei lá, que você ainda se importasse.
Willow deu um pequeno sorriso, balançando a cabeça.
WILLOW: Eu me importo, Tommy. De verdade. Só que... eu me distraí com a equipe nova, os desafios. Mas você é importante pra mim, como amigo.
TOMMY: Como amigo? — Ele hesitou, franzindo a testa. — Quer dizer, eu espero ser mais do que só isso.
Willow arregalou os olhos, claramente surpresa pela sinceridade.
WILLOW: Olha, vamos com calma, tá? Que tal a gente finalmente fazer aquele encontro prometido?
Tommy quase tropeçou em si mesmo.
TOMMY: Sério? Hoje?
WILLOW: Sim, hoje. Depois do jantar, no lago. Sem desculpas, sem enrolação.
Tommy abriu um sorriso largo, lutando para não pular de alegria.
TOMMY: Isso é incrível! Ah, e, uh... será que posso ganhar um beijo? — Ele apontou para a própria boca, claramente nervoso.
Willow piscou, surpresa, mas logo se recuperou.
WILLOW: Na bochecha?
TOMMY: Sim! Totalmente! Na bochecha!
Willow sorriu, aproximou‑se e deixou um beijo suave em sua bochecha.
WILLOW: Pronto. Nos vemos mais tarde.
Tommy acenou freneticamente enquanto ela se afastava.
*CONFESSIONÁRIO ON*
TOMMY: Isso foi... o melhor momento da minha vida! Ela disse “hoje”! E ainda me deu um beijo. Tá, foi na bochecha, mas isso já é um avanço, né? — Ele esfrega a bochecha, sorrindo como se quisesse guardar o momento pra sempre. — Quem diria que levar flechadas seria tão recompensador?
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A câmera corta para Tommy no banheiro comunitário, ajeitando o cabelo com concentração exagerada no espelho rachado.
Ele veste um moletom preto impecável com uma enorme rosa vermelha estampada no centro, acompanhado de jeans claros e sem rasgos. Obviamente mais arrumado do que seu visual habitual. Ele ponderou por um instante se usava o capuz, mas desistiu ao ver o efeito no cabelo.
De repente, a porta de uma das cabines se abre com um rangido, e Seth sai bocejando. Ele para ao notar Tommy, estreitando os olhos.
SETH: Nossa, cara, você parece que vai pra um encontro ou coisa assim.
TOMMY: É, algo do tipo. — Ele responde casualmente, mas com empolgação.
SETH: Okay…?
Ele dá de ombros e sai confuso, deixando Tommy voltar à sua preparação.
***
Após o jantar, Tommy caminha com confiança até a mesa dos Pinheiros. Ele estende o braço para Willow com um sorriso cheio de expectativa.
TOMMY: Então, está pronta, milady?
Antes que ela possa responder, Cyrus, sentado ao lado, olha para a cena como se estivesse vendo uma tragédia pessoal. Antes que as coisas possam esquentar, as portas se abrem com força, revelando Chris McLean com sua presença teatral de sempre.
CHRIS: Boa noite, campistas! Espero que tenham aproveitado o jantar, porque agora é hora do... desafio!
Tommy joga a cabeça para trás, visivelmente frustrado.
TOMMY: Tá de sacanagem...
WILLOW: Relaxa, Tommy. Só vamos ter que adiar o encontro para mais tarde. — Ela dá um sorriso reconfortante, tentando suavizar a situação.
***
No cemitério da reserva, tudo parecia saído de um desenho barato de Halloween: lápides tortas, névoa baixa, um vento incômodo na hora errada. Os campistas se agruparam, desconfiados. Chris os esperava ao lado de uma lápide enorme, com seu sorriso habitual.
CHRIS: Bem-vindos, meus queridos, ao Cemitério de Tipikanizaw! Aqui jaz o local do desafio de hoje. — E riu da própria piada.
Nacho levantou a mão.
NACHO: Bro, eu sou o único me perguntando por quê tem um cemitério numa reserva florestal?
CHRIS: Não seja ingênuo, Nacho! Os donos dessa reserva florestal, os donos daquela mansão no topo da colina, eram povo excêntrico, você não sabe? Eles queriam ser enterrados no próprio terreno! Clássico de gente rica.
SERENA: Ugh, então isso também é culpa da minha família. — Ela cruzou os braços e soprou uma mecha pra longe.
CHRIS: Mas chega de lore do local, tenho uma informação a dividir com vocês, Pinheiros! A Estatueta McLean de Invencibilidade foi usada ontem à noite, então se ainda estão procurando por ela, podem parar.
Ele piscou para Tommy, que revirou os olhos. Cyrus observou o garoto com atenção.
TOMMY: Isso mesmo. Agora, podemos apressar com o desafio? Alguns de nós tem coisas para fazer! — Ele deu um olhar sugestivo na direção de Willow.
CHRIS: Gostei do entusiasmo! — Bateu uma palma. — Para o desafio de hoje, vamos jogar um clássico de Drama Total! Um bom e velho Cervo vs. Caçadores! Como sempre, todos são cervos, mas todos também são caçadores! — Ele ri da própria explicação confusa.
Dois estagiários cansados aparecem, distribuindo armas de paintball e óculos de proteção para os campistas.
CHRIS: Basicamente, vocês vão usar armas de paintball para acertar os campistas da outra equipe. Arbustos atiram tinta laranja, Pinheiros, tinta verde. Regras simples: quem for atingido, tá fora. Claro, nossos estagiários encheram o campo de obstáculos para ajudar, ou atrapalhar. A primeira equipe completamente dizimada, perde o desafio e vai a Cerimônia de Eliminação, ainda hoje!
TOMMY: Ainda hoje?! — Grunhiu longamente. — Precisa ser piada.
CHRIS: Estou falando seríssimo! Agora, só tem mais alguma coisa…
MOLLY: Espera aí! — Interrompeu. — Isso não é justo. Nós somos só três. E eles são cinco. Vamos perder fácil!
WILLOW: Isso não é verdade. Vocês podem se esconder e espalhar mais no campo. Ter menos membros é uma vantagem.
CHRIS: Eu não sei e eu não ligo! Eu já não disse que não existe justiça em Drama Total? Agora, parem de me interromper, eu tenho que falar uma coisa importante!
Levantou o dedo indicador. E apontou para o céu.
CHRIS: Hoje é a noite da Lua Esmeralda. Só acontece uma vez a cada 83 anos. Por isso o desafio precisava ser hoje, para garantir drama.
Nacho esticou o pescoço gordo dele pra ver acima.
NACHO: Nem dá para ver a lua, mano. O céu tá todo nublado.
CHRIS: Mas confie em mim, a Lua Esmeralda ainda fará seu efeito.
CYRUS: E quais são os “efeitos” dessa tal “Lua Esmeralda”? — Seu tom era cético. — Eu nunca ouvi falar desse fenômeno.
CHRIS: Bem… eu não sei dizer totalmente! Tem uma relação causal cósmica, blá, blá, blá universal sobre reversal de decomposição localizada. Algo que o McConnor saberia explicar. Mas eu não sou ele. Ainda bem! De todo o jeito, vai ser divertido de assistir.
Os campistas trocaram olhares.
CHRIS: Mas bem, não se preocupem com isso! È hora do desafio. Valendo!
Ele tirou um apito do bolso e soprou. Os campistas se espalharam pelo cemitério. Chris sorriu e saiu de cena.
***
Os campistas rapidamente se reuniram em suas equipes para discutir estratégias.
WILLOW: Ok, gente, é simples! Dividir e conquistar. Usem os obstáculos, acertem rápido, e... evitem serem pintados. — Ela dizia enquanto olhava os hidrantes e sacos de pancada aleatórios surgindo e sumindo pelo campo.
CYRUS: Espalhar? Isso só vai nos deixar vulneráveis. Trabalhar em duplas e trios é mais lógico, para proteger o outro. — Normalmente, ele concordaria com qualquer plano da garota, mas hoje ele estava mais respondão.
WILLOW: Cyrus, não temos tempo para isso. Eles são três, podem se espalhar mais pelo campo. Vamos seguir o plano.
Enquanto isso, os Arbustos Enigmáticos travavam uma discussão igualmente tensa.
MOLLY: Ok, somos só três. Isso significa que precisamos ser... espertos, rápidos, silenciosos e—
TOMMY: Eu corro, vocês cobrem. Fácil.
MINYOUNG: Correr? Você mal consegue levantar o braço. — Ela foi honesta, mas pareceu rude demais.
TOMMY: E ainda assim sou mais rápido que vocês.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Eu amo minha equipe, mas... vamos ser honestos, nossas chances não são as melhores. E isso sendo generosa. — Ela deu um sorriso otimista. — Mas, como diz minha avó, até uma tartaruga pode vencer uma corrida... se a lebre tropeçar bastante!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Os times se espalharam. O cemitério era um labirinto de imprevistos: lápides viravam barricadas, molas catapultavam jogadores para o ar e paredes de metal surgiam em ângulos incômodos.
Serena tentava encontrar um lugar seguro para se esconder. Com passos rápidos, ela se abaixou atrás de uma lápide inclinada, ajeitando a blusa cara e tentando ignorar a poeira grudando nela.
SERENA: Meus ancestrais realmente escolheram este lugar horrendo para repousar? Que deprimente…
De repente, um disparo de tinta veio do nada e acertou seu ombro. Um laranja berrante manchou o tecido impecável.
MINYOUNG: Ah! Desculpa, Serena! — Berrou de longe. — É o desafio, sabe?
Serena encarou o ombro sujo, os olhos arregalados de indignação enquanto Chris anunciava sua eliminação pelos auto-falantes.
SERENA: Ugh, minha blusa!
*CONFESSIONÁRIO ON*
SERENA: Claro que eu seria a primeira eliminada. E para piorar, minha blusa novinha da Blanka&Clara agora está laranja! — Ela suspirou, cruzando os braços. — Mas, pensando bem, foi um livramento. Sai antes que estragassem minhas botas italianas. — Ajeitou uma mecha perfeita do cabelo.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Ela se levantou, bufando, e começou a sair do campo, tentando ignorar a sensação pegajosa da tinta. Mas, no meio do caminho, tropeçou em algo duro e caiu de joelhos.
SERENA: Ai, meu joelho! Quem deixa coisas espalhadas—
A frase engasgou na garganta.
Seus olhos fixaram-se no crânio semi-enterrado sob seus pés. Antes que pudesse recuar, dedos ossudos emergiram do solo, agarrando a base de uma lápide próxima. Uma figura cadavérica arrastou-se para a superfície, seguida por outras que rompiam a terra.
Mais e mais figuras começaram a sair das covas ao redor.
SERENA: AAHHH! ZUMBIS! ISSO É PIOR QUE A TINTA!
*CONFESSIONÁRIO ON*
SERENA: Bem… isso foi traumático! Meus parentes, mortos… quer dizer, mortos-vivos, me perseguindo. Uau, isso é estranho de se dizer…
*CONFESSIONÁRIO OFF*
No céu, as nuvens se afastaram, revelando a Lua Esmeralda cercada por faixas de luz verde que dançavam como uma aurora.
De longe, Seth comemorava. Ele tinha acabado de acertar Minyoung.
SETH: Uhul! Pew-pew!
Ele girou a arma de tinta como um cowboy, mas congelou quando viu um zumbi emergindo à sua frente.
SETH: Ah...
A câmera corta para Chris, relaxado em uma cadeira dobrável, comendo pipoca enquanto observa tudo pelos monitores.
CHRIS: Olha só, os mortos estão se levantando! Coincidência? Talvez... Ou será que eu planejei tudo isso, sabendo que a Lua Esmeralda causava ressurreição? Quem sabe? — Ele riu e apontou para a câmera. — Fiquem ligados, porque as coisas estão esquentando aqui em Drama Total: Floresta dos Mistérios!
*Intervalo*
Voltando do intervalo, Cyrus estava agachado atrás de uma lápide rachada, os óculos de proteção embaçados pelo vapor de sua respiração acelerada. A arma de paintball tremia levemente em suas mãos enquanto ele mirava Molly e Tommy, que avançavam em zigue-zague pelo campo.
CYRUS: Eles pensam que podem escapar de mim… não mesmo! — Sussurrou entre os dentes.
Ele disparou contra uma árvore próxima, tentando bloquear o caminho dos dois, mas os adversários desviaram sem hesitar. E continuaram correndo, desesperados. Cyrus inclinou a cabeça, perplexo.
CYRUS: Por que eles estão correndo desse jeito?
Ao se levantar para ajustar a mira, um arrasto de passos pesados o fez virar. Três zumbis se aproximavam, cambaleando com movimentos desarticulados, os olhos opacos brilhando sob o reflexo esverdeado da lua.
CYRUS: ZUMBIS?! DE VERDADE?!
O grito ecoou entre as lápides, misturando pânico e fascinação.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Zumbis! Sempre achei que fosse um mito, mas… são reais! E eles são mais feios e rudes que o Tommy, se você consegue imaginar! Isso é incrível e apavorante ao mesmo tempo. Tipo, eu quero estudar eles, mas também quero sair correndo e nunca mais voltar. — Ele pausa, pensativo. — Talvez umas anotações antes de fugir?
*CONFESSIONÁRIO OFF*
De volta ao desafio, Cyrus estava cercado, balançando a arma de paintball inutilmente contra as criaturas que avançavam.
CYRUS: Ok, zumbis! Eu sou só ossos. Não sou uma refeição nutritiva!
Uma mão ossuda agarrou sua camisa, e ele fechou os olhos, esperando o pior. Em vez disso, ouviu um baque alto e sentiu algo quente e gosmento escorrendo.
Quando abriu os olhos, viu Willow segurando sua arma como um bastão, com metade de um zumbi caindo a seus pés.
WILLOW: Levanta daí, Cyrus. Você tá bem?
CYRUS: Bem é relativo. Mas obrigado pela ajuda... acho.
Ela deu um sorriso rápido, voltando para a batalha enquanto Cyrus ficava parado, ainda processando o que aconteceu.
O cenário virou um caos.
Vemos Nacho atirando repetidamente em um zumbi que simplesmente não parava de avançar, até que ele chutou a criatura com força, derrubando-a em uma poça de lama. Minyoung, mesmo já eliminada, subiu em uma lápide para escapar de dois zumbis, jogando pedras na cabeça deles enquanto gritava desculpas.
MINYOUNG: Perdão! Eu não queria! Mas vocês começaram!
Tommy, por outro lado, estava claramente se divertindo, mesmo com apenas um braço funcional. Ele mirou com precisão em um zumbi que se aproximava lentamente, disparando uma bala de tinta que explodiu o crânio da criatura em um show grotesco de pedaços voando.
O problema foi que a bala de tinta continuou e atingiu Seth, que estava escondido atrás do zumbi. Logo, o rapaz estava sujo com uma mistura de tinta laranja, sangue preto pisado e pele caída dos zumbis.
CHRIS: Seth, você está eliminado! — Sua voz soou pelo sistema de comunicação.
SETH: O QUÊ?! Ele tava mirando no zumbi, não em mim!
CHRIS: Regras são regras. Você foi atingido. Fora!
Seth jogou a arma de paintball no chão, frustrado.
SETH: Isso é ridículo! Regras uma ova.
O cemitério estava uma bagunça: tinta voava por todo lado. Zumbis arrastavam os pés entre as lápides, seus gemidos roucos competindo com os gritos dos campistas. Tommy, encostado numa tumba quebrada, observava tudo com atenção. Tinha algo estranho.
Os mortos-vivos nunca saíam do perímetro do cemitério, como se alguma coisa invisível os segurasse. De repente, ele deu um tapa na própria testa, tendo uma ideia na hora.
*CONFESSIONÁRIO ON*
TOMMY: Ok, eu admito, tava me divertindo destroçando uns zumbis. Mas aí percebi que eles não saíam do cemitério, tipo uma barreira invisível. E sabe o que isso significa? Quanto mais tempo a gente ficasse aqui, mais o meu encontro com a Willow seria adiado! Então, eu fiz o que qualquer estrategista faria: priorizei o que importa. Espero que ela aprecie o gesto romântico… ou pelo menos não me mate depois.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Tommy correu até Willow, arfando ao se aproximar. A garota acabava de destroçar um crânio de zumbi.
TOMMY: Willow! Preciso falar com você!
WILLOW: Agora não, Tommy! O que você tá fazendo? — Reagiu, limpando sangue de zumbi da arma de paintball.
Sem hesitar, Tommy ergueu sua pistola de paintball e apontou para ela, os olhos brilhando de convicção.
TOMMY: Foi mal, mas você vai entender... é pelo bem maior.
Antes que ela pudesse reagir, Tommy disparou, cobrindo o peito de Willow com tinta laranja.
CHRIS: Willow, você está eliminada! — Pelos auto-falantes.
Willow olhou incrédula para a própria blusa xadrez suja.
WILLOW: O QUÊ?! Por que você fez isso?!
TOMMY: Agora você tá segura! — Ele apontou para os outros eliminados, já fora do cemitério.
Foi com dificuldade, mas Serena, Minyoung e Seth estavam afastados, sujos, mas longe do perigo.
TOMMY: Os zumbis não atacam quem tá lá fora. Além disso, você pode se preparar pro nosso encontro…
Willow grunhiu de frustração.
WILLOW: Você e esse maldito encontro! Você chegou a cogitar que talvez eu quisesse ganhar o desafio? Agora minha equipe está ferrada!
Antes que Tommy pudesse se explicar, uma bala de tinta verde explodiu em suas costas.
TOMMY: O quê?!
Willow olhou para trás dele e viu Cyrus, segurando a arma de paintball com um sorriso satisfeito.
CHRIS: Tommy, eliminado! — Sua voz ecoou.
Tommy deu de ombros, claramente não se importando.
TOMMY: Bom, agora nós dois podemos sair daqui, né?
Willow suspirou longamente, mas acabou concordando.
TOMMY: Já que perdemos mesmo… quer ir pro encontro agora? Antes da Cerimônia de Eliminação?
Willow hesitou, mas deu um pequeno sorriso.
WILLOW: Tá, vamos logo.
Tommy estendeu a mão, e os dois saíram do cemitério, deixando Cyrus para trás, incrédulo.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: O que foi aquilo?! Eu… tô tão confuso! Ugh… eu não entendo romance. — Passou as mãos pelo rosto. — Ainda assim, tem um desafio a ser vencido! E eu sou um dos últimos. Apenas eu e Nacho, contra a Molly. Ela é bem entusiasmada, então não posso subestimá-la!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Cyrus, Nacho e Molly estavam no centro do cemitério, cercados por zumbis que pareciam mais furiosos a cada segundo. A Lua Esmeralda brilhava no céu, suas luzes verdes dançando.
CYRUS: Certo, se mantivermos a calma e trabalharmos juntos, podemos...
Antes que ele terminasse, um zumbi surgiu do chão e mordeu o ombro de Nacho.
NACHO: AI! — Ele se afastou, segurando o ombro. — Cyrus! Mano! Eu fui mordido! E agora? Eu vou virar zumbi?
Cyrus tentou afastar o zumbi com a arma de paintball, mas parecia mais preocupado em responder a pergunta de Nacho.
CYRUS: Nacho, calma. Depende da mitologia. — Apontou a arma de paintball. — Se for a versão clássica, só mordida não basta.
NACHO: Só uma mordida?! Você acha que isso ajuda?
Enquanto Cyrus tentava tranquilizá-lo, Molly destruiu outro zumbi com um golpe direto na cabeça com a coronha da arma e a gosma preta respingou nela.
MOLLY: Argh! Eu sabia que não gostava de zumbis!
Ela chutou um crânio solto, que ricocheteou e derrubou outro zumbi.
Nacho se virou para enfrentar outro zumbi, mas hesitou, ainda segurando o ombro mordido.
NACHO: Ok, mas se eu virar zumbi, prometa que vai... sei lá... ainda ser meu amigo?
CYRUS: Nacho, você não vai virar zumbi.
O trio lutou em sincronia desajeitada, com Cyrus tentando ser tático, Molly destruindo os zumbis com uma fúria inesperada e Nacho tentando se manter inteiro.
No entanto, num momento, Cyrus foi derrubado no chão, dois zumbis agarrando seus braços enquanto ele tentava, inutilmente, afastá-los com a arma. Nacho ainda estava distraído com a própria mordida. Molly limpou os óculos de proteção e se aproximou.
CYRUS: Molly! Me ajude! — Então ele viu ela ajustar a mira. — Espera, o que você tá fazendo?
Cyrus entendeu.
CYRUS: Molly, por favor… tenha misericórdia!
MOLLY: Foi mal, Cyrus. É um desafio.
Ela atirou. A tinta explodiu no peito dele como um tiro dramático, e Cyrus gemeu, tombando exageradamente como se estivesse num filme.
CYRUS: Traído... pela garotinha com pulseiras coloridas!
Molly apenas virou as costas, fingindo limpar uma lágrima.
Vendo que Cyrus tinha sido eliminado, Nacho teve uma determinação revigorada. Ele saltou sobre um alçapão e molas de obstáculos, se escondendo atrás de lápides.
Nacho e Molly serpenteavam por entre as lápides, suas risadas e gritos misturando-se com os rugidos dos zumbis ao redor. Nacho deslizou por trás de uma lápide, espiando Molly, que estava encurralada contra um arbusto seco.
NACHO: Só você e eu, Molly. Tá pronta pra se render? Eu não quero atirar em você.
MOLLY: Você é fofo, Nacho, mas eu nunca me rendo!
Ela mergulhou para o lado, rolando na terra, e disparou uma bala de tinta laranja que acertou em cheio o peito de Nacho. Ele tropeçou para trás, caindo em um monte de folhas secas.
CHRIS: Molly vence! Os Arbustos Enigmáticos garantem a vitória! — A voz soou.
Nacho soltou um suspiro, limpando a tinta do rosto enquanto se levantava. Ele olhou para Molly, que estava coberta de lama e com um sorriso vitorioso.
NACHO: Bom tiro. Você mereceu.
MOLLY: Ah, obrigada, Nacho. E desculpa... só um pouquinho. — Ela piscou e deu um sorriso travesso.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Eu venci! Parece que eu não sou tão inútil assim, hein? — Ela abriu um sorriso metálico. — Bem, parte da vitória foi o fato de que zumbis são são esquisitos! Ugh, eu nunca gostei deles! É bem mais fácil destruí-los do que outras criaturas, para falar a verdade. — Deu de ombros.
— — —
NACHO: Então, perdemos. Mas mais importante: E eu não virei zumbi! Mas sério, eu fiquei pensando: e se eu realmente virasse um zumbi? Seria tão ruim assim? Quero dizer, eu poderia finalmente assustar minha priminha Jesusita em vez dela me assustar! Mas aí percebi: zumbis não podem comer tacos. Isso seria o fim pra mim!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Os zumbis começaram a recuar, voltando lentamente para suas tumbas como se obedecessem a algum comando invisível. Um por um, desapareceram sob a terra.
De longe, Chris observava com um sorriso satisfeito, tomando seu café gelado como se estivesse assistindo a um reality qualquer no sofá de casa. Ele pegou o radinho.
CHRIS: Campistas, me encontrem na entrada do cemitério. Agora!
Mais afastados do campo, Willow e Tommy ainda estavam sentados na grama. A luz verde da lua os cobria com um brilho opaco enquanto conversavam. Tommy gesticulava, animado com o que quer que estivesse contando, e Willow ouvia com um sorriso discreto. A voz de Chris quebrou o clima. Os dois suspiraram, frustrados.
TOMMY: Ugh. Cerimônia de Eliminação. Ótimo. — Ele tentou soar compreensivo. — Mas… foi um bom encontro?
Willow inclinou a cabeça, pensativa. Em silêncio, ela se aproximou e deu um beijo leve na bochecha dele.
WILLOW: Não foi ruim.
Tommy congelou, os olhos arregalados. Um sorriso enorme surgiu logo em seguida.
TOMMY: Sério? Isso foi... Quero dizer, ótimo! Sabia que não seria ruim, mas... você entendeu.
Willow riu baixinho e levantou-se.
WILLOW: Relaxa. Vamos só aproveitar enquanto dá.
A câmera se afastou, acompanhando os dois caminhando de volta para o grupo.
***
Os campistas se reuniram na entrada do cemitério. Chris apareceu com a energia de sempre.
CHRIS: Como eu disse antes, sem tempo a perder! A Cerimônia de Eliminação acontece hoje. Pinheiros, vocês sabem o que fazer.
Ele pulou no carrinho de golfe. Um estagiário ligou o motor e os dois sumiram na floresta.
O grupo começou a caminhar pelo bosque escuro rumo ao Altar dos Antigos Sacrifícios. Willow trocou um último olhar com Tommy antes de seguir, e Cyrus revirou os olhos com tanta força que quase caiu. Serena, quieta, acompanhava de cabeça baixa.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SERENA: Ok, vamos lá. Eu tomei uma decisão. Não foi fácil... quer dizer, foi, mas ainda é uma decisão grande. — Ela ajeitou uma mecha de cabelo loiro que caiu no rosto. — Eu vou pedir pra ser eliminada. Não, eu não tô desistindo, porque teria que pagar um milhão e eu já passei por essa situação no primeiro dia. Mas pedir votos contra mim? Isso não é proibido. Eu... preciso voltar pra casa. Tenho que enfrentar meu pai e tudo o que a minha família representa. Eu já consegui tudo o que precisava aqui. — Ela suspira, mas logo sorri, de forma breve e contida. — Além disso, esses quatro? Qualquer um deles merece ganhar o milhão, mais que eu.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Enquanto andavam, Serena encostou no ombro de Seth.
SERENA: Ei, posso falar com você?
Willow, Nacho e Cyrus olharam para trás. Serena fez um gesto com a mão.
SERENA: Podem ir em frente. A gente alcança vocês.
Com um aceno de ombros, o trio seguiu em frente. Serena esperou até estarem distantes.
SERENA: Eu vou sair hoje.
Seth ergueu uma sobrancelha, claramente surpreso.
SETH: O quê? Você tá brincando?
SERENA: Não. Sempre disse que só ia embora quando eu quisesse. E agora eu quero.
Ela respirou fundo e continuou.
SERENA: Eu odiava todos vocês no começo. Achava que era melhor. Mas aprendi muito aqui, com cada um de vocês. Agora, preciso usar isso pra fazer algo maior. Minha família tem muito a responder, especialmente meu pai. E, Seth... você pode não ser perfeito, mas eu acho que qualquer um que restou nesse jogo merece o prêmio. Inclusive você.
Por um momento, Seth pareceu tocado.
SETH: Isso é tão... uau. Mas valeu, eu acho. Vou sentir sua falta. Além do dinheiro que você me dava, é claro. — Ele sorriu de lado, tentando aliviar a tensão.
Serena riu, sacudindo a cabeça.
SERENA: Você não foi um assistente ruim.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SETH: Olha, vou ser sincero. No começo, eu achava que a Serena era só uma patricinha rica. Toda cheia de si, sabe? Só o dinheiro dela me importava. Mas, com o tempo... não sei, ela mostrou que tem mais camadas. Vai ser… diferente sem ela. É meio estranho dizer isso em voz alta, né?
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Serena e Seth alcançaram o grupo, sentados num tronco, aguardando em silêncio. Serena respirou fundo e se juntou a eles. O clima seguiu estranho e pacífico, sem jogos de olhares ou provocações. A câmera cortou para o Altar, onde Chris McLean os aguardava com o sorriso habitual.
Os Pinheiros trocaram olhares. Serena manteve a postura, como quem já sabia o desfecho.
Chris caminhou até cada um, entregando uma pinha. Cyrus, Willow e Nacho receberam sem surpresa. Por último, foi a vez de Seth, ele pegou a pinha e trocou um rápido olhar com Serena, que respondeu com um leve sorriso.
CHRIS: E agora… Serena. Parece que seu tempo na floresta chegou ao fim.
Serena avançou um passo, firme.
SERENA: Era isso que eu queria. Obrigada, Chris.
Chris arqueou uma sobrancelha, curioso.
CHRIS: Não é todo dia que alguém agradece pela eliminação. Agora pegue o busão!
Ele apontou para o caminho escuro onde o Ônibus dos Perdedores aguardava, motor ligado.
Antes de partir, Serena hesitou, então abraçou Seth com força.
SETH: Uh… valeu? Eu acho… — Falou, claramente desconfortável.
Em seguida, distribuiu abraços mais naturais aos outros três.
SERENA: Prometo, Willow, vou lutar por justiça. Não foi conversa fiada.
WILLOW: Boa sorte, Serena. — Ela ajeitou o chapéu, com um aceno amigável.
Serena assentiu e seguiu até o ônibus, iluminado apenas pela luz esverdeada da lua. Parou à frente do veículo, observando cada um dos campistas remanescentes: Nacho ajeitando o ombro machucado; Willow, ainda com o sorriso encorajador; Seth fingindo indiferença; e Cyrus, distraído, ajustando a roupa.
Ela deu um riso baixo e subiu no ônibus. O veículo arrancou, levantando uma nuvem de poeira e deixando um silêncio reflexivo no ar. O apresentador virou para a câmera.
CHRIS: E assim, Serena deixa o jogo. Será que ela vai encontrar redenção fora da floresta? E mais importante: quem será o próximo a sair de cena? Descubram tudo isso e mais na próxima edição de Drama Total: Floresta dos Mistérios!
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