Ninguém esperava uma pergunta tão óbvia. Claro que era a coisa mais comum a pessoa querer saber o que aquelas pessoas estavam fazendo na porta da casa delas, mas por algum motivo ignorado, aquela pergunta foi recebida como um tapa na cara do quarteto, ok, do trio, já que Laxus estava inutilizado.

Ficaram naquele estupor por alguns segundos longos demais quando a mesma pessoa que abriu a porta disse:

“Entrem, sintam-se em casa.”

Natsu foi o primeiro a se manifestar silenciosamente entrando na casa, já que percebeu que Lisanna não parecia bem. Sua cabeça começou a rodar incessantemente por isso, já que achava que tinha feito algo de errado no meio do caminho, o que provavelmente estava correto. Foi caminhando em direção à platinada quando escuta um barulho de algo se quebrando.

Vira-se e percebe que todos estão olhando para uma mulher de cabelos azuis que estava segurando algo na mão, ou melhor, estava segurando uma panela que jazia no chão estilhaçada. Pelo aroma no ar, as garotas estavam comendo chocolate e chocolate tinha sabor de consolo. Algo ali estava errado. Muito errado.

Como ainda estavam parados feito baratas tontas depois de serem envenenadas, a mesma moça que abriu a porta foi até Gajeel e perguntou se ele estava bem e o que estavam fazendo ali. E como tinham achado o apartamento delas.

Natsu achou o amigo deveras incomodado por aquela indagação, mas ouviu o mesmo responder: “Ah, o Salamander tinha um papelzinho dizendo onde a moça platinada morava. Daí viemos junto. Na verdade, viemos mesmo por causa do Laxus, achamos que ele está meio doente.”

Claro que ninguém ali tinha que saber que ele era o Salamander, embora a informação tenha parecido satisfatória e o silêncio não permaneceu por muito tempo já que a amada de Laxus tinha se manifestado.

“Doente? Como assim doente? O que aconteceu?”

Gray parecia que estava com um tique nervoso e se adiantou pra responder: “Bom, ele está muito gentil. E achamos que ele está com saudades de você. Senhorita Alberona.”

Cana olhou para Gray como se estivesse vendo um fantasma, o que deixou Natsu muito preocupado. Ele não conseguia deixar de pensar que se aquela mulher os rejeitasse ali, os expulsasse, eles não teriam mais outra oportunidade de acertar a vida deles, por mais bagunçada que estivesse.

“Ok, por que isso? E como vocês me conhecem e por que ele está com essa cara?” Cana questionou.

Agora aquilo tinha ido longe demais. Como assim, como a conheciam? Ela tinha acabado de sair da casa deles, aparentemente depois de uma noite de amor memorável e eles não eram sequer lembrados? Ele era o ex namorado da Lisanna, Gray tinha acabado de sair daquele apartamento e se não estava enganado, Gajeel estava com Laxus no malfadado karaokê. Como ela não lembrava deles? Será que eram tão insignificantes assim? Ok, a guria menor sabia o nome de todos eles, então ela deveria estar tão transtornada quando Laxus, o que poderia ser benéfico para todos eles.

“A gente acha que é amor.” Natsu se adiantou. “ E como ele não é o único sofrendo disso, cá viemos nós ajudar nosso amigo a se resolver. Então, senhorita Alberona, pode nos ajudar?”

Aquela era a melhor alternativa, apelar para a empatia da suposta matriarca do local que parecia um retrato autêntico da teoria do caos. Havia uma bagunça organizada e Natsu não conseguia parar de passar os olhos por todos os cantos daquele cômodo onde estavam.

Via a mulher de cabelos azuis com o olhar estático para Gray, a mulher pequena bem próxima a Gajeel, Lisanna com aqueles olhos vermelhos e inchados que o estavam perturbando, a mesma mulher de cabelos violetas que ele viu no shopping e que disse que ele tinha chances, todos pareciam muito tensos. Mais minutos de silêncio foram sentidos e repentinamente um celular começa a tocar.

Por mais que o toque fosse sério, a mensagem da música poderia ser até subliminar, o que faz com que Natsu vá em direção de sua platinada e peça para conversar com ela. A mulher enxuga os olhos, se levanta e segura a mão dele, um calor que nunca deveria ter abandonado e fecha os olhos enquanto ela o conduz para um quarto.

Lisanna e Natsu se encontravam fechados no quarto dela, distantes um do outro, o que deixava o ruivo completamente confuso. Mas ele não sabia o turbilhão de emoções no coração da garota, que se via mulher-menina-broto de feijão. Uma confusão sem limites. Ela respirou e conseguiu ser ouvida por ele, que a olhava como se fosse um extraterrestre, porque ela parecia hiperventilar. Mais confusa ainda. E surpreendendo até mesmo a si próprio, o homem começa a falar...

“Lis...temos que acertar algumas coisas. Tudo bem pra você assim?”

A garota só assentia.”

“Por que você está com os olhos vermelhos? Estava chorando?”

Assentiu silenciosamente.

“Eu fiz algo errado Lis? Você está chorando, eu não sei o que fazer eu quero você feliz e eu estou falando como se não existisse vírgulas e nem pontos finais.”

“Não fez nada Natsu. Eu só queria saber o que acontece entre nós, entende? Teve todo esse drama da minha parte. As minhas amigas sabem o quanto eu te amo e o quanto eu sofri e como isso me moldou. Depois nos encontramos e foram aquelas duas semanas e meia de amor resumidas em menos de 4 horas. Meu coração não está acostumado com tanta indefinição. Porque era tudo definido. Eu tinha você, eu era sua namorada, depois não era mais. E eu sei que esse sentimento parece muito precoce da minha parte, mesmo depois de eu ter dito que não era pra gente apressar nada, sabe? Eu não sei o que pensar, nem se eu devo pensar. Me desculpe.”

“Liz, por que a gente não pode viver um dia de cada vez? Porque eu não quero te perder, não quero fazer você sofrer, mas se tivermos toda essa expectativa, não vai dar certo, porque eu sou o melhor do mundo em ferrar com tudo o que é importante pra mim. E eu não quero perder isso. Eu estou confuso, muito confuso em como proceder, mas não com meus sentimentos. Eu te amo, e não amo pouco. Amo muito, mais do que eu deveria até, pra não te sufocar e eu não sei lidar comigo te amando. Entende?!”

“Você me ama mesmo. Me parece bem certo disso Natsu. Então, vem aqui. Fica aqui comigo agora. Pode ser?”

Natsu sentou-se ao lado de sua musa e depois disso não viu mais nada.

No outro aposento, Gray e Juvia estavam se entreolhando muito constrangidos. Nem parecia o mesmo casal que testou todas as posições do Kama Sutra no dia anterior.

“Ah, oi Juvia. Tudo bem? Como passou a noite?” Gray perguntou constrangido.

Juvia, que não tinha entendido, disse que tinha passado a noite muito bem porque ele estava com ela.

“Juvia, o que você espera de mim? O que você acha que podemos fazer em relação ao que fizemos ontem à noite?”

“Eu realmente só esperaria uma repetição. Mas não tenho aspirações românticas, eu acho. Porque eu tinha uma ideia de você. Tinha essa impressão, sabe? Essa cisma que eu te conhecia porque eu lhe observava. Mas existem muitos detalhes que passam desapercebidos e eu queria ter a oportunidade de conhecer estes detalhes, mas assim, se não puder, eu não vou morrer. Eu acho. Não se preocupe, eu não espero nada relacionado a namoro, casamento e afins. Eu sei bem qual é o meu lugar na fila do pão. Gray-san.”

“Como?”

“Olha, eu não sei o que esperar, o que fazer, então pra que fazer e esperar alguma coisa? Vamos vivendo a vida que segue. Eu matei a minha curiosidade e muito bem matada...eu acho que não precisamos viver com expectativas. Não nos conhecemos. Eu fiz contato com você e te contratei pra um serviço e talvez isso faça com que você pense que o meu interesse não era genuíno. Conversamos sobre amenidades e não sobre o que nos ligou. Talvez isso faça você repensar ou não. Eu não espero nada. Por que você não senta aqui e a gente continua aquele uno de onde paramos?!”

Gray não conseguiu articular nada para rebater o que ela disse e sentou-se à frente para continuar o jogo.

Gajeel e Levy estavam em um quarto que parecia uma biblioteca, fato que não passou despercebido pelo moço.

“Você dorme em uma biblioteca?”

“Praticamente.”

“É o que inspira você a escrever?”

“As crônicas? Também. Me ajudam no estilo de escrita, novas palavras, sim. Me ajudam sim. Me inspiram sim. Mas viver me inspira a escrever melhor, ou mais. Eu acho.”

“Eu acho o seu trabalho fantástico. Sou mesmo seu fã. Eu guardo as suas crônicas faz tempo. Corto todas e guardo em uma pasta pra reler. Eu sempre quis te escrever alguma coisa, sabe? Mas não imaginava você tão acessível assim. Tão próxima, tão fácil de tocar.” E estende a mão para tocar o cabelo dela.

Levy não consegue pensar em nada pra responder a frase dele, mas o afagar é muito bem-vindo. E ela sorri. Percebe que está com o maxilar doendo de tanto sorrir e vê uma mão muito parecida com a dela ir em direção ao rosto dele e os lábios se unirem em um beijo apaixonado.

Na sala...temos o nosso casal principal. E eles estão calados demais pra quem está a ponto de mudar a própria vida e dos demais.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.