Notas iniciais
Temos finalmente o protesto e o tão desejado, eu espero, encontro de Natsu e Lisanna! Stay tuned"
Se cada leitor meu fizesse um comentário....eu ficaria tão feliz.....

Tinha realmente acontecido! Gray não estava sonhando de modo algum. Aquilo era real, todas aquelas sensações, todo aquele êxtase, aquele tremor, tudo! Aquela mulher era maravilhosa e ela estava ressonando nos braços dele. Não era sonho, era mais do que real, era sublime.

Repentinamente, ele sente a garota se levantar e um frio esquisito em seu peito. Uma corrente de pensamentos o assolou. E agora? Será que ela tinha gostado? Será que não? Fazia tanto tempo que ele não se lembrava como fazer, ok, ele via pornô, mas não era a mesma coisa que estar com uma mulher. Será que tinha satisfeito os anseios dela? Ouviu o chuveiro ligando e decidiu que não. Ela estava tentando apagar os resquícios dele do corpo dela. Ficou decepcionado.

Levantou-se e vestiu um shorts, pôs-se a caminhar pela casa e viu que tinha muito amor ali, apesar da extrema desorganização. Bom, se elas podiam ser desorganizadas, significava que não tinham um sargento Dreyar morando com elas e isso era motivo de comemoração. Podiam viver em paz.

As paredes eram coloridas, alegres. As cores vibrantes, um pouco desconexo sim, mas tudo tinha seu lugar. Interessante, muito interessante. Ele passeou um pouco e se deparou com um porta-retrato. Lindo, a foto era maravilhosa. Ele não estava nem sonhando em cobrar, mas tinha que ficar com alguma lembrança daquela noite memorável. Mesmo que passasse por ladrão depois.

Não entendia o quanto aquela experiência tinha mexido com ele, na verdade Gray se via com uma representação, não como um ser humano propriamente dito. O que ele vivia era um personagem, aquela rebolação toda, aquele frio que passava, aquela necessidade de se despir. Aquilo não era ele. Fazia tempo que não sabia o que era ser ele, mas percebeu que foi ele mesmo nos braços daquela mulher

Foi pequeno, fraco, temeroso, sentiu, viveu, riu, chegou a derramar algumas lágrimas. Ele foi um homem, puramente um homem, sem máscaras ou falsetes, sem empostações, representações e sem abstração.

Ele precisava ser verdadeiro em um único momento e naquela hora, em que se unia àquela desconhecida, se percebeu real.

Então, ele precisava de uma prova que aquilo e consequentemente ele eram reais, foi somente por isso que ele pegou aquele retrato e colocou em sua bolsa.

Começou a pensar se valia a pena mesmo ser esse cara despreocupado com a moral e os bons costumes e que se finalmente tinha achado alguém pra dividir isso. Em praticamente todas as falas dela, o normal e tradicional, seja lá o que isso seja, era completamente rechaçado. Isso devia ser um bom sinal, não? Deveria realmente ser um bom sinal. Ao menos, uma amiga! Gajeel disse que era bom ter amigas mulheres, pra aprender a lidar com elas e também diversificar. Poxa, a vida dele era deveras monótona, mas isso era algo normal, as coisas costumam se estabilizar, as pessoas se encontram e vão vivendo com uma coisa corrosiva chamada rotina, mas a rotina não precisa ser exatamente ruim, não?

Ele percebeu que o chuveiro desligou e foi correndo para o sofá e se cobriu com um lençol que saiu, sabe-se lá de onde.

Ouviu os passos dela e notou que ela sentou no braço do sofá, mas não tentou uma aproximação. O cheiro dela inundava suas narinas, uma mistura de mar com algodão-doce. Estranho, mas confortabilíssimo e até mesmo sensual. Adormeceu com aquele cheiro. Não se sabe por quanto tempo ele dormiu, mas teve sonhos agradáveis. Acordou com olhos azuis penetrantes o encarando e sorrindo sinceramente. Era um bom sinal, não era? Aquilo era um bom sinal.

Há tanto tempo não sabia o que era um sorriso discreto e sincero. Sempre recebia sorrisos embebidos em luxúria ou escárnio. Sem falar naquela pena que sempre aparecia nos olhos dos amigos mesmo, quando ele ensaiava uma coreografia ou ainda contava sobre um dia de trabalho que acabou mal. Ela não tinha pena dele e sabia o que ele fazia. Tinha a porra do seu cartão, tinha contratado seus serviços e tinha se doado a ele, tinha feito com que ele se sentisse real e ainda estava tratando-o como um ser humano. O que mais ele podia querer? Ele tinha que agradecê-la! Mas como era de praxe, ela quebrou o silêncio.

“Ah, Gray. Eu já tinha te visto antes e me senti atraída logo de cara. Desculpe, caso você não tenha gostado ou ainda eu tenha parecido muito atirada, só que um homem como você, ou pelo menos como eu lhe vejo, não me daria uma segunda chance. Eu só quis saber como era.”

O moreno ficou estático. Ruborizou violentamente e tentou dar uma resposta decente. Claro que o silêncio dele foi visto como um assentir de ideias e a moça já ia se levantando quando ele a segurou pelo pulso.

“Você foi a primeira mulher que disse que era atraída por mim. E que me tratou como um ser humano desde que eu estou nisso. Antes que pergunte, não. Não sou garoto de programa e eu nem penso em cobrar nada de você. Fizemos isso consensualmente e eu estou louco pra fazer outra vez.”

Gray se surpreendeu com a própria ousadia. Não era só porque tirava a roupa, que ele era um homem ousado. Aquilo era diferente, ele queria aquela mulher e falou abertamente, mas não tinha forças para puxá-la. Ainda bem que ela era infinitamente melhor do que ele nisso. Ficou feliz quando ela o estendeu pela mão e foi levando ele para o quarto dela.

A porta era azul, interessante até. O quarto tinha paredes azuis e tinha umas estrelas do mar pregadas na parede e uns bonequinhos que pareciam do Mundo Fantástico de Jack, uma coisa realmente fofa.

“Bonito o seu quarto, eu gostei desses bonequinhos.”

“Obrigada. Muito obrigada.”

E o beijou.

O que se sucedeu desse beijo, as pessoas tem alguma ideia, não? Gray só se podia considerar o homem mais sortudo do planeta terra. Não tinha outra opção.

O amor deles estava tão intenso que ele chegou a ouvir brados do hino de Magnólia, gritos bradando sobre o amor e a igualdade. “Será que um orgasmo é assim?”

Olhou profundamente naqueles olhos azuis e se sentiu desvendado, descoberto e aparentemente, ela gostava assim. Dormiram o sono dos apaixonados.

Angel Aguria estava em polvorosa. Finalmente tinha concretizado o sonho do ativismo social e foi convidada para liderar esse evento. Claro, ela tinha se precavido de todas as formas. Primeiro, ninguém é exatamente convidado para fazer uma passeata de protesto ao governo, segundo, ali tinha coisa. Só que ela precisava voltar para Magnólia e tentar rever o namorado, ex-namorado, tudo bem, mas era o homem que ela amava e que a entendia nesses arroubos revolucionários.

O protesto em Magnólia estava marcado para depois que Mirajane Strauss fizesse seu desfile, mas Angel não podia deixar aquela informação passar. Não que tivesse nada contra a modelo, nada disso. Até achou interessante como ela reagiu ao estardalhaço, mas enquanto o conselho pagava o cachê astronômico de Mirajane, tinha gente que não tinha vaga na creche. Angel fez uns estudos. Pelo menos aumentar as instalações era possível com aquele dinheiro. E iriam pagar pra uma moça dar pelos menos uns 20 passos. Era um absurdo.

O ativismo dela começou quando a irmã dela foi tomada pelo conselho porque os pais delas não tinham como criar as crianças, de acordo com o conceito deles. Yukino era a luz da vida dos pais e da própria Angel, mas o conselho determinou que ela fosse tirada dos pais. Não tinham condições. Mas quem deveria providenciar essas determinadas condições eram eles mesmos. Não era culpa dos pais que desejavam que Angel tivesse uma boa educação e trabalhavam em 3 períodos para pagar a escola mais tradicional de Magnólia. O que era culpa dos pais foi a passividade em aceitar a retirada de Yukino.

O medo permeava a vida deles e Angel nunca perdoou. A mãe cometeu suicídio um ano depois e a partir daí, Angel jurou que não permitiria que mais nenhuma família que quisesse permanecer unida fosse separada.

Yukino eventualmente voltou pra casa, mas o estrago estava feito. A garota se culpava pelo suicídio da mãe e também entrava em uma depressão profunda. Aquelas coisas acendiam ainda mais o espírito da irmã mais velha e foi assim que Angel se enveredou pelo ativismo.

Midnight era uma das coisas boas que a vida vai colocando no caminho, mas que a obsessão pelo mundo completamente perfeito e igual jogou pra longe.

Claro que ela teve desilusões, quem não tem? Mas ela as recebeu com mais amargura, viu que a perfeição não existia, mas depois, reviu a causa pela qual quer lutar e retornou.

Magnólia era um primeiro passo, sem falar naquele gostinho de vingança que estava demorando pra sentir.

Organizou tudo com uma rapidez notável e estavam prontos para mudar a vida daquela população e sem querer, a vida de pelo menos uns 4 casais.

“Mas tio, como que a gente fica sabendo desse protesto assim? Eles avisam?” Natsu perguntou com aquela calma de sempre

“Sim Natsu. Precisa pelo menos avisar as autoridades, como a coisa é toda pacífica. Também é uma questão de prevenção, entende? Porque os manifestantes também precisam se sentir protegidos.”

“Mas nas cidades maiores, a coisa explodiu, não foi? Eu não acredito que vim aqui pra isso.”

“A coisa explodiu porque esse conselho abusa da vontade do povo, seu burro. Seu avô não te ensinou nada? E você trabalha pra quem? Eu não acho que a gente apague o fogo só da casa do povo do conselho ou ainda vamos pra Crocs só pra ajudá-los. Um representante veio falar comigo e eu assegurei que protegeríamos os manifestantes. Eles estão lutando por nós e caso não se lembre Natsu, são eles quem pagam o nosso salário com os impostos, ok? Você sabe quem é a manifestante organizadora, não? Te mostrei a foto dela, fica de olho.”

“Eu entendi, tio. Eu entendi. Eu sou burro, mas eu entendo as coisas. Vamos garantir que não aconteça nada, ok?”

Depois dessa conversinha que estava mais pra sermão, Natsu e o tio subiram no caminhão dos bombeiros, o tio dirigindo e ele conferindo a área. Como era o mais jovem, essa parte ficou com ele, só que ele estava com uma sensação estranhíssima. Algo ia acontecer e não sabia se seria bom o suficiente ou se não seria ruim o suficiente. Aquela instabilidade o matava. Lutou e muito para não se deixar enveredar pelos pensamentos em Lisanna. Quanta coisa havia acontecido naqueles dias. Ele a viu, Lucy o largou, Gajeel a tinha visto, seu avô tinha morrido, Mirajane tinha ligado. Tantas coisas que ele mal conseguia assimilar. Ele não sabia o que faria caso a visse novamente com outra pessoa. Da primeira vez ele bateu no cara, mas ele era namorado de uma outra pessoa, mas e agora? O que faria? Ele tinha esse direito? De tirar as pessoas da vida dela? Claro que não, mas ela o aceitaria??? Ele tinha que tentar. Havia e muito a possibilidade da derrota, apesar do sinal e da ligação de Mirajane, mas mesmo assim. Insegurança existe e nem mesmo ele estava imune a isso.

Estava naquele devaneio quando viu uma pedra voando e ouviu um som semelhante à uma explosão. “Droga, isso está saindo de controle.” Viu a manifestante Angel ferida e olhou para onde ela estava indo, tinha um homem atrás dela, um muito suspeito. Não pensou duas vezes, ligou a mangueira! Jogou água naquele desqualificado e enquanto estava afogando o meliante, virou pra ver se ela estava bem. Não a viu, mas viu outra coisa

Lisanna, sim, sua ex conversando alegremente com um cara que parecia usar lápis de olho, maquiagem. Ele estava crente que era uma drag queen, mas o energúmeno pegou na mão dela e a levou aos lábios. Aquilo ele não ia aceitar, não antes de tê-la de volta, não tinha o que pensar. O único que beijaria os lábios dela seria ele e qualquer outra parte do corpo (POSSESSIVO O NOSSO NATSU, NÃO?)

E sim, ele pensou antes de fazer isso. Olhou o manifestante vândalo que padecia afogado ao chão com vários policiais em volta, deu um grito, falando que o companheiro dele tinha entrado no restaurante e que ele tinha que proteger os clientes.

Sim, mentiu descaradamente em nome do ciúme, mas tem alguém aqui que não faria isso?

Ligou a mangueira e mirou no casal. Nem reparou no outro que estava junto. Que se danasse! Aquela mulher era dele e pronto! Só que Natsu não sabia bem como funcionava aquela roupa em particular de Lisanna. A camisa era vermelha sim, e por sinal lindíssima, mas ela era transparente e ficou mais transparente ainda. Quando ele desligou, pôde ver os contornos dela, como ficava linda molhada e como aquele cara a estava desejando!!! Tanto quanto ele.

“Vou lá.”

“Natsu, pra que você mirou a mangueira no restaurante, seu idiota?”

“Tem algo meu ali e eu quero de volta.”

“O que?”

“Tio, o manifestante estava planejando machucar a Angel, só a protegi.”

“Sei, pense antes de fazer as coisas.”

Ele entrou e se deparou com a própria Angel olhando para o casal. Não se refreou em perguntar. Claro, ele já tinha inundado o restaurante mais luxuoso de Magnólia, o que era fazer mais uma perguntinha?

“Você conhece o esquisito?”

“Ele é o amor da minha vida. E você conhece a moça?”

“Ela é o amor da minha vida.”

“Vai buscá-la?”

“Estou indo.”

Natsu foi e se deparou com uma das imagens mais belas da sua vida. Sua ex, encharcada, com lábios vermelhos e com uma roupa fantástica. Seu coração se inundou de amor e de outras coisas, mas isso não é apropriado para o horário. Se ele soubesse o que Gray estava fazendo....

Tirou a camisa do uniforme e jogou sobre os ombros dela, a puxou dali e a foi levando para o caminhão de bombeiros. Ele não tinha dito nada ainda. Só queria pele dela encostada na sua pele. A levantou no colo, como uma noiva. Ela também não dizia nada. Parecia que estava alucinando. Ela o observava com um pouco de medo e desdém, sem falar que não acreditava que ele estava ali.

Ele a sentou no caminhão, olhou profundamente nos olhos dela e a beijou, como se não tivesse amanhã.

“Eu realmente estou com câncer no cérebro. Isso tudo é uma porra de uma ilusão.” Lisanna disse, deixando Natsu admirado, com um sorriso no rosto.

“Então, se você está doente, por que não aproveitar? Lis-chan?”

Notas finais
E o que acharam?? Gostaram desse Natsu antiético? Querem me matar? Comentem!!