Dragon Ball UD

8 A historia de Tapion! A lembrança de Son Goku


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Após a vitória em Sadala, nossos heróis seguiram viagem para o Universo 11, onde a próxima Super Esfera do Dragão os aguardava! Mas logo descobriram que aquele universo estava mergulhado no caos desde a morte de Vermoud…


No caminho, conheceram Kahseral, Cocotte e o veloz Dyspo, da lendária Tropa do Orgulho! Reconhecendo a coragem de Uub e dos demais, eles foram nomeados membros honorários da tropa!


Mas uma ameaça ancestral havia despertado… o terrível Hirudegarn, um demônio do Makai que, há milênios, fora selado dentro do corpo de um jovem guerreiro konatsujin: Tapion! Agora, libertado pelo poder sombrio de um mago, Hirudegarn ameaça não apenas Konatsu, mas todo o sistema solar!


Enquanto Goten permanecia protegendo a nave, Uub salvava Tapion em meio à destruição, e Pan aprendia com Cocotte uma nova técnica: a cura através do ki! Piccolo, por sua vez, revelou a única forma de conter o monstro… o lendário Mafuba, a mesma técnica que um dia selou Piccolo Daimaoh!


E enquanto Goku, no universo sete, investigava com Jaco as origens do misterioso Dr. Myuu, no Universo 11 a sombra de Hirudegarn estava para se erguer novamente!



Goten estava sozinho na nave quando decidiu apertar o botão de contato.


Segundos depois, Whis surgiu na cabine, envolto por sua aura divina. O olhar do anjo era calmo, quase amistoso, mas ainda carregava aquela neutralidade impecável.


— Senhor Whis, a esfera está logo ali. — disse Goten, apontando para a Super Esfera que orbitava o planeta.


— Muito bem. — Whis assentiu com um leve sorriso. — Com esta, já são duas. Estão indo muito bem. Nesse ritmo, podem terminar antes do prazo de um ano.


— Obrigado, senhor Whis. — respondeu Goten, com um certo orgulho. — E… como estão as coisas na Terra?


— Tudo normal, até onde sei. — respondeu o anjo. — Son Goku saiu em uma missão prioritária que passei para ele.


— Que missão é essa? — Goten inclinou a cabeça, curioso. — Pode me contar?


— Freeza está em contato com um cientista chamado Dr. Myuu. — explicou Whis, mantendo o tom sério. — Ele está desenvolvendo uma arma capaz de aniquilar vocês… e talvez até nós. Por isso, pedi que seu pai lidasse com isso antes que seja tarde.


— Entendo… — Goten respirou fundo. — Bom, conhecendo meu pai, ele vai dar um jeito, como sempre. — Sorriu, mas logo relaxou o tom. — Depois, dá um recado pro pessoal. Diz que eu mandei um abraço… e que estou tomando jeito.


Whis levantou uma sobrancelha, e um leve brilho de malícia passou por seu olhar.


— Claro… quer que eu diga também que isso tem a ver com uma certa saiyajin? — perguntou, com um sorrisinho discreto.


— Saiyajin— o quê?! — Goten arregalou os olhos, corando de imediato. — N-não! Não fala nada disso! Vão entender tudo errado! Eu… — ele coçou a nuca, nervoso.


— Brincadeira. — disse Whis, voltando ao tom neutro. — Direi apenas que você está se comportando bem… e que estão progredindo de forma excepcional. Cuide-se, Goten.


O anjo se virou e desapareceu em um feixe de luz divina, levando a Super Esfera consigo.


Goten ficou sozinho na cabine, ainda quente no rosto.


— Nossa… essa foi por pouco. — murmurou, deixando-se cair na poltrona. — Se minha mãe soubesse… e se o Trunks descobrisse… ia me zoar até o fim da vida. Cadê o pessoal que não volta mais.


No QG da tropa do orgulho, Kahseral ponderava se usariam a tecnica que Piccolo havia mencionado mais cedo, o Mafuba.


Havia um dilema pesado sobre os ombros do comandante. E ele teria de decidir.


E enquanto não fazia. Pan meditava ao lado de Piccolo. Uub trocava socos e chutes no ar, treinando como se estivesse em uma luta com um inimigo.


Cocotte não estava lá. Havia saído para patrulhar a cidade. E Dyspo cochilava em um dos bancos.


Tapion se encontrava deitado em uma maca. O rapaz ainda estava desacordado, mas estava estável.


— Senhor Kahseral, o senhor disse que o monstro habita dentro dele, certo? — Uub se aproximou dele, terminando seu treino.


— Sim.


— E também contaram que o deus desse universo selou o monstro dentro dele. Mas quem o selou na tal caixa?


— Um sacerdote do povo Konatsu. — Kahseral falou.


— Entendo. Deve ser complicado saber que existe algo dentro de si, algo ruim. — Uub no fundo se identificava, afinal, ainda se lembrava do momento em que Goku, seu mestre, lhe contou que ele era a reencarnação do Majin Buu mal.


— Eu não quero selar um inocente, eu estaria privado ele da liberdade, da vida. E isso não seria o caminho de um herói, mas ao mesmo tempo não posso deixá-lo livre, pois o Hirudegarn pode escapulir de dentro dele a qualquer momento. Eu estou com um dilema e tanto aqui.


— Eu acredito que possamos derrotar o tal Hirudegarn. — Uub falou. — Se deixamos ele sair do corpo do Tapion, podemos acabar com essa fera.


— Você não sabe o que diz. Hirudegarn veio do Makai, um lugar perverso e cheio de seres malignos. Não teríamos chances contra ele, talvez Toppo com o Hakai ou o poder esmagador de Jiren.


— Eu tive uma ideia, enquanto escutava a conversa de vocês. É arriscado, mas pode funcionar. — Piccolo saiu da meditação, se colocou de pé. — Antes, eu peço que escute meu plano com atenção.


— Certo, pode falar.


— Primeiro de tudo, vamos libertar o Hirudegarn. — Piccolo falou, direto. — E quando a fera estiver livre, fora do corpo deste infeliz. Eu irei selar ele com o Mafuba, assim ele poderá viver livre e a fera estará selada eternamente. Só precisamos do recipiente e de um selo.


— Seu plano é arriscado... — Kahseral sussurrou.


— Pode ser, mas garanto que é o melhor cenário que temos aqui no momento.


— Se fizermos isso, então preparassem para uma batalha de vida ou morte. Ele completo está em um nível completamente diferente.


— A gente da conta. — Uub apontou para si mesmo.


— Um selo comum não irá funcionar. Deixem que eu explico a história deste jovem a vocês uma vez mais.


A muito tempo atrás, muito tempo mesmo. O planeta Konatsu era habitado pelos Konatsuseijins, uma raça pacífica e extremamente religiosa, idolatravam seus santos e o grande Vermoud.


Mas um mago maligno acabou fazendo um pacto com o diabo chamado Mechikabura, que libertou esse demônio neste planeta.


Uma guerra se iniciou neste planeta. O Herói Tapion e seu irmão mais novo Minotia, que serviam ao sumo sacerdote do templo, confeccionaram armas sagradas na tentativa de parar esta fera terrível.


Mas as armas que eles montavam não funcionavam e na época não existia a tropa do orgulho. Sozinhos, eles clamaram por ajuda e Vermoud os respondeu.


Na época ele ainda levava o cargo que tinha como brincadeira, mas quando viu o nível de desespero dos civis, ele mudou sua postura.


Vermoud poderia ter acabado com aquele demônio usando o Hakai, mas ele preferiu outra forma, temendo que o poder pudesse atingir o planeta.


Com a ajuda de Vermoud, Tapion e seu irmão Minotia criaram duas ocarinas que limitavam o poder do demônio.


Mas além disso, o sumo sacerdote com a ajuda do kaioshin do universo 11, o senhor Khai, ele montou uma espada sagrada que podia feria o demônio.


Quando Hirudergarn surgiu novamente, Tapion e seu irmão Minotia tocaram suas ocarinas ao mesmo tempo, enquanto o diabo causava destruição por toda a cidade.


O sumo sacerdote, empunhando a espada, avançou, e lutou bravamente, sendo ferido mortalmente, mas no fim ele cortou Hirudergarn ao meio.


Vermoud nesse momento, usando suas habilidades divinas selou cada parte do monstro em um dos irmãos.


Após isso, Tapion e Minotia se despediram do sumo sacerdote que morreu, os irmãos foram selados e enviados para partes distantes do universo.


Infelizmente para os Konatsuseijin a extinção foi impossível de reverter. Os poucos que sobreviveram, não conseguiram salvar a espécie, sumindo eventualmente algumas centenas de anos depois.


Kahseral olhou para o herói abatido e prosseguiu com a história:


O mago acabou vivo, ele de alguma forma achou a caixa em que o jovem Minotia estava selado. Este mago enganou e assassinou o jovem, tomando parte de Hirudergarn para si.


Ele então vasculhou o resto do universo onze em busca de Tapion, o achando pouco tempo atrás. Mas o selo de Tapion era mais poderoso, por conter a maior parte do poder da fera.


Assim o mago teve de usar a nossa tecnologia para conseguir romper a caixa. E quando ele confrontou Tapion, dizendo que havia matado o irmão dele, Tapion vingou Minotia, matando o terrivel mago.


Porém, agora ele tem dentro de si ambas as partes de Hirudegarn. Que agora unido, tem força o suficiente para tentar forçar uma saída.


Explicou Kahseral a história do jovem herói deitado diante deles.


Pan ficou calada por alguns instantes. Ela não sabia o que dizer ou pensar de uma história daquelas.


Piccolo apenas seguiu meditando.


Já Uub realmente se identificou com o jovem guerreiro, eles tinham de fato muito em comum.


Uub ainda se lembrava daquela conversa com seu mestre, em meio a um treino simples, no pôr do sol, quando os dois descansavam sobre uma pedra.


— Eu sou… a reencarnação de um ser maligno? — o jovem murmurou, olhos arregalados, como se a revelação tivesse aberto um abismo dentro dele.


Goku, sentado com os braços cruzados sobre os joelhos, olhou para o horizonte com um sorriso calmo.


— Do Majin Buu do mal. Sim. Mas você não precisa carregar esse peso. Você reencarnou. E agora… é uma boa pessoa.


A resposta parecia simples demais para algo tão enorme. Uub baixou os olhos, confuso.


— Mas isso é mesmo possível? Reencarnar e mudar a essência?


— Claro que é. — Goku falou sem hesitar, como quem já havia visto o impossível tantas vezes que aquilo se tornava natural. — Quando alguém morre, pode ir para o Paraíso ou para o Inferno. Mas alguns… recebem uma segunda chance, e reencarnam. Você é um deles.


O silêncio caiu entre eles por alguns instantes, quebrado apenas pelo vento. Até que Goku retomou:


— Eu acho que isso também já aconteceu com inimigos meus.


— Como assim? — Uub ergueu a cabeça.


— Veja… eu tinha um irmão mais velho chamado Raditz. Foi a primeira grande luta da minha vida como adulto. Nós dois morremos juntos, naquele mesmo dia. Eu fui treinar com o Senhor Kaioh, mas Raditz… foi para o inferno. Talvez, em algum momento, ele tenha se arrependido. E quando isso aconteceu… — Goku fechou os olhos por um instante. — A alma pode reencarnar. E se isso aconteceu, não há como trazê-lo de volta a vida, porque já nasceu em outro lugar, entende?


Uub ficou em silêncio, absorvendo aquelas palavras.


— Acha que isso pode ter acontecido com seus pais também?


Goku respirou fundo. Um sorriso leve, mas melancólico, surgiu em seu rosto.


— Não sei… Nunca os conheci de verdade. Eu só tenho uma lembrança deles… o dia em que me colocaram numa pequena nave e me mandaram embora do planeta Vegeta. — Os olhos de Goku pareciam distantes, mergulhados em uma memória antiga. — Se não fosse por isso, eu não estaria aqui. Então… sou grato a eles.


— Eu também sou. — Uub sorriu, sincero. — Assim eu pude conhecer você, mestre.


Goku o olhou com ternura e assentiu.


— E eu vivi coisas incríveis aqui. Este planeta, a Terra… virou meu lar. E eu o protegerei até o fim de minha vida.


A voz dele ganhou força, mas não arrogância. Era como a chama de uma vela que queimava firme.


— Para que você, Pan, e todos os que vierem depois de nós… também possam viver suas próprias aventuras. Esse é o meu papel hoje, guiar vocês.


E enquanto dizia isso, flashes da memória passaram pela mente de Goku, como lanternas acendendo no escuro:


Um garoto de rabo de macaco correndo pelas montanhas, carregando o Bastão Mágico em uma mão e na outra um enorme peixe.


A jovem Bulma com seu radar do dragão, ranzinza e determinada a achar as esferas para ter um namorado.


Yamcha, no deserto, tentando roubar eles, mas acabando virando amigo no final de tudo.


O velho Mestre Kame, rindo com sua tartaruga ao lado e usando um colar com a esfera do dragão.


A pequena Chi-Chi, empunhando seu elmo, fazendo Goku prometer se casar com ela quando fossem adultos. O que aconteceu de fato anos depois.


Tenshinhan e Chaos, rivais que se tornaram companheiros depois de todas as idas e vindas.


Piccolo, que já fora inimigo mortal no passado, agora parte da família.


E até mesmo Vegeta, que surgiu como uma ameaça imensa, mas aos poucos foi mudando, se casando com Bulma, amolecendo seu coração e acabando se tornando um “terráqueo” no fim de tudo.


E claro, ele nunca esqueceria dos embates de vida ou morte que teve. Com o perigoso Piccolo Daimaoh; com o tirano Freeza em Namekusei; contra o perigoso androide Cell; contra o perigo Majin Buu; a batalha contra Moro. Ele nunca esqueceria aqueles seres.


Cada memória era como um quadro gravado a fogo em sua alma.


— Eu vivi aventuras que viraram o universo do avesso. — Goku suspirou, mas sem pesar. — Mas o ciclo não termina comigo. Agora é a vez de vocês, a nova geração.


Uub cerrou os punhos, sentindo o coração inflamar de determinação.


— Eu também irei viver grandes aventuras. Pode deixar, mestre!


Goku riu alto, com aquela inocência que nunca perdera, mesmo sendo o maior guerreiro do universo.


— É isso aí, Uub! Mal posso esperar pra ver até onde você vai.


O pôr do sol tingia o céu de dourado, como se o próprio universo estivesse abençoando aquela passagem de legado entre mestre e discípulo.


Após se recordar, Uub notou que Tapion parecia estar despertando, logo tudo isso estaria resolvido, bastava esperar mais um pouco.