Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco

22 Dia 3 - O Plano em Prática


A SAGA DO SANTUÁRIO

O vento forte da tarde balançava os cabelos dos três guerreiros que observavam o horizonte na varanda do Templo do Mestre. Era uma reunião de titãs: Goku, com seu dogi laranja surrado; Vegeta, de braços cruzados e olhar impaciente; e Kanon, vestindo suas roupas civis, mas emanando a autoridade de um general espartano.

Kanon quebrou o silêncio, seus olhos fixos nas escadarias abaixo, onde ainda podia sentir o rastro de energia deixado por Gohan.

— Eu admito, Goku... — começou Kanon. — Eu entrei naquela Sala do Tempo esperando ter que carregar o seu filho nas costas. Mas o garoto é um prodígio. O treinamento que ele teve ao longo da vida, refinado pela minha orientação, o transformou em uma arma viva. Eu mal posso esperar para ver do que os dois "sangue-puro" são capazes quando a guerra começar.

Goku riu, coçando a nuca.

— Hehe, o Gohan me surpreende até hoje!

Vegeta bufou, olhando de soslaio para Goku, mas logo voltou sua atenção para o ex-General Marina.

— O poder do Gohan é irrelevante agora. Eu quero saber quem está do nosso lado. — Vegeta diz com seu humor habitual. — Se vamos dividir o campo de batalha, eu preciso saber o que seus cavaleiros podem fazer.

Kanon encostou-se no parapeito de pedra, cruzando os braços. Sua expressão mudou. O tom de voz tornou-se solene, quase reverente, carregado de uma grandeza que fez até Vegeta prestar atenção.

— Você pergunta sobre "poderes", Vegeta. Mas o que os Cavaleiros de Ouro possuem é autoridade sobre as leis do universo. Eles são a elite suprema, os doze sóis que protegem Athena. Cada um deles é capaz de realizar milagres que desafiam a lógica.

Kanon ergueu a mão, fechando os dedos conforme citava os nomes com imponência:

— Mú de Áries. Ele não é apenas um psicocinético. Ele é a muralha intransponível. Ele dobra a luz e o espaço à sua vontade. Sua Muralha de Cristal devolve qualquer ataque com a mesma intensidade. Além disso, ele conserta as nossas armaduras de ouro. Não é à toa que fica na primeira casa. Ninguém passa por Mú.

— Aldebaran de Touro. A força física em seu estado mais puro e devastador. Ele não precisa de truques. Seu saque é tão veloz que rompe a barreira do som antes que você veja o movimento.

— Saga de Gêmeos, meu irmão... — Os olhos de Kanon brilharam com uma mistura de orgulho e temor. — Ele é a encarnação do poder destrutivo. Ele pode retirar os cinco sentidos de um inimigo apenas com o cosmo. Sua Explosão Galáctica não é um nome figurativo; ele tem o poder de esmagar estrelas e rasgar a galáxia com as próprias mãos. E pode manipular qualquer pessoa com o Satã Imperial.

— Máscara da Morte de Câncer. O senhor do além-vida. Ele transita entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos como quem caminha em um jardim. Ele ataca diretamente a alma, condenando o inimigo a um sofrimento eterno no Yomotsu.

— Aiolia de Leão. — Kanon sorriu. — A ferocidade encarnada. Ele possui as presas do Leão Dourado. Seus punhos se movem na velocidade da luz, disparando milhões de golpes por segundo. Ele é o relâmpago que aniquila o mal antes que ele possa piscar. É o irmão de Aiolos, de Sagitário.

— Shaka de Virgem — A voz de Kanon baixou, tornando-se grave. — é homem mais próximo de Deus. Ele priva a si mesmo da visão para acumular um cosmo infinito. Ele controla a verdade do universo. Ele pode remover não apenas os sentidos, mas a própria realidade do oponente. Enfrentá-lo é enfrentar o próprio Buda.

Goku e Vegeta se espantam com os poderes dos cavaleiros à medida que Kanon explica.

— Milo de Escorpião. Ele não precisa destruir seu corpo inteiro; ele precisa apenas de um dedo. Suas agulhas escarlates atingem o sistema nervoso central, causando dor e loucura, até o golpe final, Antares, que é a sentença de morte irrevogável.

— Shura de Capricórnio, o cavaleiro mais leal à Athena, e tem o corpo como uma arma divina. Seus braços e pernas abrigam a alma da espada sagrada Excalibur. Ele corta dimensões, armaduras e energias.

— Camus de Aquário, o mago do gelo e da água. Ele domina o Zero Absoluto, a temperatura onde toda a vida e movimento cessam. Ele para os átomos. Ele pode trancar um deus em um esquife de gelo que nem mesmo outros cavaleiros de ouro podem quebrar. Ele é o mestre do Hyoga.

— E Afrodite de Peixes. Ele usa rosas, sim, mas elas são instrumentos de aniquilação. Elas devoram armaduras, envenenam o ar e perfuram o coração. Ele é o assassino mais sofisticado entre os doze.

— Peraí... Afrodite é um homem? — Goku ficou confuso.

Vegeta só balançou a cabeça, desistindo de tecer qualquer comentário.

— Quando vocês chegaram, devem ter visto uma luz brilhando sobre a casa 9. — Ele aponta em direção à casa. — Aiolos de Sagitário já deixou esse mundo, mas seu cosmo se fundiu com a armadura. É o protetor de Athena. A sua flecha está sempre apontando para onde está o perigo e seu chamado retumba em todas as armaduras. Os cavaleiros que estão no templo já sabem que os ares mudaram aqui na Grécia graças a ele.

Kanon olhou nos olhos de Vegeta, finalizando com gravidade:

— Eles dominam o Sétimo Sentido, a essência do Cosmo. Eles se movem na velocidade da luz. Eles não são apenas aliados, Vegeta. Eles são a força mais destrutiva e nobre que este planeta já produziu. Subestimá-los seria o último erro da sua vida.

Vegeta manteve o olhar fixo em Kanon por um longo momento, absorvendo a magnitude daquelas descrições. Um sorriso de canto, carregado de respeito e antecipação, surgiu no rosto do Príncipe dos Saiyajins.

— Parece que, pela primeira vez, não estarei cercado de incompetentes. — Vegeta descruzou os braços.

Sem dizer nem uma palavra, virou as costas e saiu do salão principal para conhecer o perímetro e o ambiente de batalha.

Goku e Kanon permaneciam lado a lado, o vento do topo do Santuário agitando o dogi laranja e a capa invisível de autoridade do ex-General. Kanon mantinha os olhos fixos na linha do horizonte, onde o azul do Mar Egeu encontrava o céu carregado.

— Diga-me honestamente, Goku... — começou Kanon, a voz grave e cortante. — Seus guerreiros serão capazes de segurar as Doze Casas até que os Cavaleiros de Ouro se posicionem?

Goku fechou levemente o semblante, uma rara expressão de seriedade cruzando seu rosto enquanto observava as escadarias abaixo.

— Nós não temos esses poderes psíquicos complicados de vocês — admitiu Goku, sem qualquer traço de vergonha. — Mas garanto que vamos dar um trabalho danado para quem tentar subir. A Dezoito e o Dezessete são androides... eles têm energia infinita.

Kanon virou-se bruscamente, a sobrancelha erguida em uma mistura de descrença e choque.

— Energia... infinita? Isso é impossível pelas leis do Cosmo.

— Para eles, não é — Goku deu um sorriso de canto. — E tem o Uub. Ele é a reencarnação de um demônio chamado Majin Buu, que chegou a destruir a Terra na nossa última grande batalha. Ele é um rapaz de coração bom, mas o poder dele é assustador.

Kanon olhou rapidamente para trás. Saori permanecia imóvel, sua silhueta parecendo pequena diante da magnitude da guerra que se aproximava, mas seu Cosmo ainda vibrava com uma preocupação maternal.

— O Piccolo se fundiu com o antigo Kami-Sama da Terra — explicou Goku, voltando ao seu tom explicativo. — A mente dele agora é uma fortaleza. Ele é quem tem a maior resistência contra truques mentais entre todos nós. As seis primeiras casas não vão cair fácil, Kanon. Nós vamos ganhar o tempo que vocês precisam.

— E quanto ao guerreiro que veio do futuro? — Kanon estreitou os olhos.

Goku coçou a nuca, soltando um riso sem graça.

— Olha, eu sei que a dona Atena ficou brava com a bagunça cronológica, mas se o Trunks não tivesse aparecido anos atrás para nos avisar, o Dezessete e a Dezoito seriam nossos inimigos e todos nós estaríamos mortos. Ele é a razão de estarmos aqui hoje.

Kanon respirou fundo, absorvendo a complexidade daquela aliança.

— Entendo que Atena tenha aceitado isso dadas as circunstâncias, mas mexer no tempo é um crime gravíssimo perante o Olimpo. Se sobrevivermos, haverá consequências para ela. Ninguém desafia as leis de Cronos impunemente.

— Bom... vamos ver se você continua pensando assim depois de ver o Trunks em ação — Goku deu um tapinha amigável no ombro de Kanon, que quase cambaleou com a força bruta do Saiyajin. — Qualquer coisa, você se resolve com o Vegeta. Foi ele quem trouxe o rapaz, afinal.

Nas 12 Casas

Tenshinhan, Uub, 17, 18 e Ikki estavam reunidos na casa 1 após a longa descida. Tenshinhan recolheu-se num canto em estado meditativo enquanto os outros quatro permaneciam em pé discutindo a estratégia.

— Me diz uma coisa, Fênix, — 17, encostado na parede — esta batalha será longa, não é verdade?

Ikki não respondeu.

— Os dourados morreram no inferno todos juntos e ainda assim não tinham passado pelos deuses do Sono e da Morte, não é verdade? — Continou 17.

Os cabelos rebeldes de Ikki se moveram com o vento.

— Se vocês buscam uma garantia de que sairão vivos deste solo, a resposta é curta: não existe — disse Ikki, seus olhos frios fixos no horizonte da Grécia. — Se a dúvida for maior que a vontade de lutar, falem agora. Prefiro enfrentar um exército de deuses sozinho do que ter alguém hesitando ao meu lado quando o inferno subir estas escadas.

18 deu de ombros.

— Se eles precisaram das esferas do dragão para voltarem à vida, não devem ser tão fortes assim.

Ikki soltou um riso curto, mas não havia diversão em seu rosto. Ele se virou para a 18, e por um instante, o brilho de seu Cosmo pareceu aquecer o mármore frio da Casa de Áries.

— Você confunde falta de força com excesso de propósito, mulher — disse Ikki, a voz saindo como o estalar de brasas. — Eles não morreram porque foram subjugados. Eles entregaram suas vidas para destruir uma barreira que nenhum deus poderia atravessar. Para um Cavaleiro de Ouro, a morte não é um erro de cálculo... é o último golpe.

17, que observava os arredores, soltou um assobio baixo.

— Propósito não para hemorragias, Fênix — retrucou o 17, com um olhar cínico. — Mas entendo o que quer dizer. Vocês são sentimentais demais. Isso gasta energia à toa.

Tenshinhan, ainda em seu canto, abriu os olhos. O terceiro olho em sua testa brilhou levemente, captando algo que os radares dos Androides ainda não haviam processado: uma distorção fina no tecido da realidade ao pé da montanha.

— Parem com a discussão — interrompeu Tenshinhan, a voz profunda e estável. — O ar mudou.

Uub, que até então permanecia em silêncio absoluto, deu um passo à frente. O jovem discípulo de Goku sentiu um calafrio que não vinha do vento.

— Tem algo vindo... — sussurrou Uub, cerrando os punhos. — Não é um Ki grande, mas é... ruim. Parece que a própria terra está apodrecendo lá embaixo.

Ikki fechou os olhos por um segundo, sintonizando seu Cosmo com a entrada do Santuário.

— São eles — declarou o Fênix. — O silêncio de Hades acabou. 17, 18... espero que a energia infinita de vocês seja tão real quanto a arrogância. Porque o que está subindo essas escadas não tem alma para vocês socarem.

Tenshinhan deu um passo à frente, parando no limite entre a luz das tochas do templo e a penumbra lá fora. Seus punhos se cerraram, e uma aura branca e sutil começou a crepitar ao redor de seu corpo, cortando o ar pesado.

— A quietude está chegando ao fim.


Enquanto o silêncio físico reinava, uma "conversa" carregada de eletricidade cortava o plano espiritual. Milo de Escorpião disparava seu Cosmo diretamente contra a consciência de Piccolo, que permanecia imóvel na Casa de Virgem. A voz mental de Milo não era um sussurro; era uma ferroada nítida, vibrando com o orgulho ferido de quem vê um estranho ocupando um templo sagrado.

Escute bem, Namekuseijin. Não pense que a benevolência de Atena apaga o fato de você ser um intruso — a provocação de Milo ardia com um desdém quase físico. — A sua sorte é que as leis do Santuário me proíbem de travar duelos pessoais aqui dentro. Se não fosse por isso, eu juro que já teria arrancado essa sua capa e te mandado de volta para o seu planeta, seu louva-a-deus de jardim.

Na Casa de Virgem, Piccolo não moveu um músculo. Seus braços continuavam cruzados, e a única coisa que denunciava sua vida era o farfalhar da capa branca contra as colunas de mármore. Ele não se deu ao trabalho de franzir a testa; sua resposta fluiu como uma torrente de gelo, sufocando o fogo do Escorpião.

Economize o seu fôlego e o seu ego, Milo. Eu não vim aqui para medir o tamanho da sua importância — a voz de Piccolo ecoou com uma autoridade que fez a mente do Cavaleiro de Ouro vibrar. — A defesa está montada. Os perímetros estão fechados. Se o seu orgulho está ferido, trate de curá-lo sozinho.

Piccolo fez uma pausa tática, sentindo as assinaturas de Ki esmagadoras no topo da montanha, e concluiu com um golpe final para silenciar a discussão:

Se a sua preocupação é a vida de Saori, fique tranquilo. A guarda pessoal de Atena, neste momento, é formada por Goku, Kanon e Vegeta. Se algum deus tiver a audácia de passar por nós, ele terá que lidar com os três. Agora, cale a boca e mantenha o seu Cosmo focado no que importa.

O Namekuseijin soltou um suspiro pesado pelo nariz, desconectando a frequência mental com um estalo seco.

— Esse Escorpião tem o ferrão afiado, mas não tem modos... — murmurou Piccolo, abrindo os olhos.

Parado à entrada do templo, Shiryu deixou escapar um riso contido.

— Milo é impetuoso, Senhor Piccolo, mas é um dos homens mais leais que já vestiram o ouro.

— Aparentemente, a lealdade dele não deixa espaço para a educação — retrucou o Namekuseijin, descendo o degrau para se juntar ao novo Cavaleiro de Libra.

Shiryu olhou para o horizonte grego, onde o sol começava a desenhar sombras longas entre as colunas.

— O que vocês fizeram por nós... — começou Shiryu, com a voz embargada pela maturidade de quem sobreviveu a guerras impossíveis. — Acho que nunca teremos como agradecer. Seiya, os Cavaleiros de Ouro, Kanon... Vocês trouxeram o Santuário de volta do abismo.

Piccolo manteve o olhar fixo na escadaria abaixo, onde a neblina da tarde começava a subir.

— Não perca tempo com gratidão, Shiryu. Agradeça vencendo essa guerra e mandando esses deuses de volta para o buraco de onde saíram.

Piccolo mal terminou a frase e sua cabeça girou bruscamente em direção ao mar Egeu. Suas antenas estremeceram levemente e seus olhos se estreitaram em fendas perigosas. Ele sentiu uma pressão gélida e úmida subindo as encostas, algo que não era apenas Ki, mas uma intenção assassina que cheirava a sal e morte.

Ele olhou para Shiryu, e não precisou dizer uma palavra.

— Sim, Senhor Piccolo — antecipou-se o Cavaleiro de Libra, fechando o punho e sentindo o Cosmo de sua armadura ressoar com o perigo. — O nosso tempo de trégua acabou. O inimigo finalmente se movimentou.


— ... Não, essa foi a segunda vez que o meu pai morreu — corrigiu Gohan, deixando escapar uma risada leve que ecoou pelo Templo de Escorpião.

Seiya, visivelmente confuso, franziu o cenho enquanto tentava processar a lógica daquele universo.

— Espera aí, Gohan... Como alguém morre duas vezes e continua dando risada disso? — perguntou o Pégaso, coçando a cabeça com o mesmo jeito juvenil de anos atrás.

Gohan soltou uma gargalhada genuína. Olhando para Seiya, ele percebeu que, ao contrário de Shiryu ou dos outros, Seiya parecia imune ao peso dos anos. Ele carregava a armadura de um herói lendário, mas mantinha o espírito de um garoto que se recusa a aceitar a amargura do mundo.

O silêncio retornou entre os dois, mas não era desconfortável. Era a pausa de dois guerreiros que começaram cedo demais.

— O legado do seu pai... — Seiya olhou para as próprias mãos, calejadas por mil batalhas. — Não é um fardo pesado demais para se carregar desde criança? Digo, você nunca teve paz.

Gohan olhou para o teto do templo, onde a constelação de Escorpião parecia vigiá-los.

— No começo, eu via tudo como uma brincadeira perigosa — respondeu Gohan com uma serenidade que Seiya não esperava. — Mas com o tempo, eu entendi. Eu não escolhi ter esse sangue, nem esse poder. Ele simplesmente está aqui. É a minha ferramenta para proteger quem eu amo.

— E você nunca pensou em pedir para essas esferas mágicas para ser... bem, uma pessoa normal? — perguntou Seiya, curioso.

Gohan abriu a boca para responder, mas as palavras morreram em sua garganta. No mesmo milissegundo, a temperatura na Casa de Escorpião pareceu cair drasticamente. Seiya e Gohan se entreolharam, a descontração sumindo instantaneamente de seus rostos.

— Esse Cosmo... — Seiya levantou-se num salto, a aura azul de Pégaso oscilando ao seu redor. — É um rastro de malícia que eu já senti antes. No Submundo.

Os dois correram para a borda do templo, olhando para o abismo de escadarias que levava à Casa de Áries, lá embaixo. O tempo de conversa havia acabado.


— Se eu não estivesse vendo você, Trunks, eu poderia jurar que era o Mú quem estava falando. — comentou Hyoga, com um meio-sorriso. — A voz de vocês é idêntica! Por um momento, achei que fosse outro milagre daquelas esferas.

O som das vozes de Shun e Hyoga ecoava pelas colunas de mármore da Casa de Capricórnio. Após traçarem a estratégia de defesa, a curiosidade sobre o futuro inevitavelmente surgiu.

— Diga uma coisa... você também pode ficar loiro? — perguntou Shun, com uma ponta de hesitação. — O seu pai... a pressão que ele emanava parecia a de um monstro quando o vimos pela primeira vez.

Hyoga balançou a cabeça, ainda tentando processar a árvore genealógica.

— Ele é seu pai, mas você é o garoto que também é o adulto... que está aqui, mas também está lá em cima. — O Cisne se embolou na própria lógica, suspirando. — É difícil entender como o tempo funciona para vocês.

Trunks olhou para os dois e, mantendo seu Ki oculto para não alertar os inimigos lá embaixo, permitiu que a energia fluísse. Em um estalo de luz, seus cabelos se elevaram em um dourado vibrante e seus olhos tornaram-se verdes como o mar.

Hyoga e Shun recuaram um passo, abismados com a mudança física súbita.

— Sim, ele é o meu pai — respondeu Trunks, sua voz agora carregando a vibração do Super Saiyajin. — Esse é o nosso legado.

— Sua personalidade... ela muda? Você ainda é você mesmo? — perguntou Shun, fascinado pela aura dourada que não queimava como o Cosmo.

— Sim, eu sou eu mesmo. Só que mais forte e focado — respondeu Trunks, retornando à sua forma base e deixando a luz apagar.

Ele olhou em direção ao Salão do Mestre, no topo da montanha, e depois voltou-se para os Cavaleiros de Bronze com uma expressão sombria.

— Tem alguma chance de sermos penalizados por termos cruzado o tempo? — perguntou ele, finalmente dando voz ao medo que Vegeta escondia com orgulho. — Atena parecia... severa.

— Isso nunca aconteceu antes na história do Santuário — respondeu Hyoga, seriamente. — E nós nunca vimos Atena repreender ninguém com aquela autoridade. O tempo é um território dos deuses, Trunks. Cruzá-lo é um pecado grave.

Shun deu um passo à frente, e o som metálico de sua armadura ressoou na Casa de Capricórnio.

— E não vamos parar até ajudá-los a caçar Pandora e acabar com aquela maldição.

No mesmo instante, a Corrente de Andrômeda no braço de Shun começou a se agitar, emitindo um som agudo e rítmico. Ela se esticou, rígida como uma lança, apontando exatamente na mesma direção em que a luz da Flecha de Sagitário brilhava na casa logo abaixo.

Hyoga de Cisne sentiu o ar ao seu redor esfriar, seus olhos fixos no horizonte de escadarias que levava à base da montanha.

— O tempo de conversa acabou — declarou Hyoga, a voz gélida e cortante. — O inimigo finalmente bateu à nossa porta.

FIM DA SAGA DO SANTUÁRIO