Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
21 Dia 3 - A Formação das 12 Casas
A SAGA DO SANTUÁRIO
O vento forte invadiu o Salão do Grande Mestre quando as pesadas portas duplas foram empurradas, revelando as quatro figuras que haviam acabado de subir as escadarias sagradas em tempo recorde.
Goku, Vegeta, Uub e Trunks entraram no recinto sagrado. A presença deles preencheu o espaço imediatamente, não com a solenidade cósmica dos Cavaleiros, mas com uma energia vital pulsante, crua e avassaladora.
Athena estava no centro, ladeada por Kanon, Shiryu, Hyoga, Shun, Seiya e Ikki, que observava do canto das sombras. Todos os olhares convergiram para os recém-chegados.
Goku, sem qualquer cerimônia, caminhou até o centro, parou diante da Deusa da Sabedoria, ergueu a mão em um aceno casual e sorriu com os olhos fechados.
— Oi, eu sou o Goku! — disse ele, com sua típica jovialidade, quebrando a tensão milenar do local.
Ele puxou o garoto ao seu lado, que parecia um pouco intimidado com o brilho das armaduras douradas e a presença divina de Saori.
— E esse aqui é o Uub — apresentou Goku, dando tapinhas nas costas do rapaz. — Ele é forte pra caramba. Eu combinei com o Piccolo que ele vai ficar responsável pela Casa de Touro.
— Bem-vindo, Uub. — Diz Athena. — Estou muito grata pela sua coragem e por sua ajuda para defender a Terra.
Vegeta permaneceu de pé, um passo atrás, com os braços cruzados e a cara fechada. Goku, por costume, também permaneceu de pé. No entanto, Uub, sentindo a aura benevolente de Saori, ajoelhou-se imediatamente. Ao lado dele, Trunks fez um movimento fluido e elegante, colocando um joelho no chão e a mão sobre o peito.
— Levante-se, guerreiro — disse Saori, com voz suave. — Eu sinto que já o conheço.
Trunks ergueu o rosto, seus olhos azuis encontrando os de Athena com firmeza.
— Ouvi dizer que a Casa de Capricórnio precisa de uma espada para substituir a Excalibur. — disse Trunks, com voz respeitosa. — Eu sou o Trunks. Vim de um futuro que não existe mais para garantir que o futuro deste mundo continue existindo.
A revelação caiu como um raio no salão. Kanon deu dois passos rápidos à frente, seus olhos arregalados de choque fixos em Trunks.
— Você disse futuro?! — A voz de Kanon trovejou. — Eu posso dobrar o espaço e criar dimensões paralelas... mas o Tempo?! O Tempo é um rio intocável! Vocês têm noção do tabu que quebraram?
Hyoga de Cisne, processando a informação, adiantou-se, olhando fixamente para o recém-chegado e lembrando-se da criança que viram inconsciente pouco antes.
— Espere um momento... — disse Hyoga, com a voz séria. — Você disse "Trunks"? Por acaso você é a versão adulta daquele menino vítima da música mortal de Pandora?
Trunks assentiu brevemente, com uma expressão dolorosa.
— Eu sou o que ele se tornará se sobrevivermos a isso.
Foi então que o semblante de Athena mudou. A suavidade deu lugar a uma severidade divina. Ela bateu o báculo no chão, o som ecoando pelo salão e silenciando os murmúrios.
— Embora sua intenção seja nobre, não posso ignorar o que isso significa — advertiu Saori, olhando de Trunks para Vegeta. — O fluxo do tempo é sagrado. Manipular a história e cruzar as eras são transgressões gravíssimas às leis universais, atos que desafiam a vontade do próprio Deus Chronos. As consequências de distorcer a realidade podem ser tão devastadoras quanto a guerra que estamos lutando. Vocês brincaram com forças que não deveriam ser tocadas.
O salão ficou em silêncio diante da reprimenda da deusa. Mas o silêncio durou pouco. Vegeta descruzou os braços e deu um passo à frente, encarando a deusa nos olhos com sua habitual falta de reverência.
— Ah, é? — zombou Vegeta, com um sorriso de canto, arrogante. — E vocês preferem ser massacrados com "honra" respeitando as leis do tempo ou preferem vencer com a nossa ajuda?
A pergunta pairou no ar, pesada e irrespondível. Um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente, até que o som de passos firmes rompeu a quietude.
Ikki de Fênix saiu das sombras, caminhando devagar até sua figura ser vista por todos. Ele olhou para Saori, mas suas palavras carregavam a crueza de quem conhece a dor da perda.
— Leis divinas são bonitas no papel, mas não salvam quem amamos. — disse Ikki, sua voz fria cortando o moralismo do momento. — Se fosse o Shun no lugar daquela mulher e da criança, nem aqui eu estaria. Já estaria no inferno caçando a cabeça de Pandora, e pouco me importaria se tivesse que quebrar o tempo ou desobedecer Athena para fazer isso.
Hyoga baixou o olhar por um instante, a imagem do navio naufragado na Sibéria e de sua mãe presa eternamente no gelo invadindo sua mente. Ele cerrou os punhos e se colocou ao lado de Ikki.
— Desculpe, Athena — disse Hyoga, com sinceridade, mas firmeza. — Eu dediquei minha vida a protegê-la, mas não posso ser hipócrita. Se eu tivesse a chance de voltar... se eu tivesse acesso a esse poder para salvar minha mãe... No lugar de Vegeta, eu faria o mesmo.
Athena olhou para seus cavaleiros, vendo a humanidade transbordar em seus corações.
— Se você atravessou o tempo para nos ajudar, Trunks, então sua espada é mais do que bem-vinda. Capricórnio é sua.
GRUUUUUUUUUUUUUUUUUUONH!
Era o estômago de Goku.
O Saiyajin colocou as duas mãos na barriga, soltou uma risada sem graça e coçou a nuca, quebrando completamente a tensão dramática do momento.
— Hehe... foi mal, pessoal — disse Goku, com um sorriso inocente. — É que toda essa conversa de viagem no tempo e salvar o mundo me deixou faminto. Aquele voo lá de baixo até aqui gastou muita energia.
Ele olhou para a Deusa da Sabedoria com uma esperança genuína nos olhos.
Com as últimas travessas do banquete sendo recolhidas pelos servos, a atmosfera de leveza se dissipou tão rápido quanto havia chegado. O Salão do Grande Mestre voltou a ser um centro de guerra, silencioso e solene.
Kanon, Goku e Vegeta caminharam até o centro do recinto. Kanon, com sua expressão endurecida assumindo o comando natural da situação, não precisava da patente de Grande Mestre para que todos o ouvissem; sua postura exalava autoridade militar.
— A brincadeira acabou. — anunciou Kanon, sua voz ecoando friamente. — O inimigo nos deu uma trégua silenciosa, mas com a chegada dos reforços e a quebra da barreira do tempo, eles sabem que estamos nos movendo.
Ele olhou para cada um dos guerreiros presentes.
— A estratégia é a defesa posicional. Não vamos sair para caçá-los. Vamos forçá-los a sangrar por cada degrau que subirem. Cada representante deve descer para sua respectiva Casa imediatamente.
Os guerreiros assentiram. Kanon fez um gesto amplo com a mão.
— Defensores das Doze Casas, alinhem-se no centro!
A movimentação no Salão do Mestre foi coreografada pelo peso do destino. Sob o olhar atento de Atena, doze dos maiores guerreiros da Terra se alinharam, formando uma espinha dorsal de poder que mesclava o metal sagrado das armaduras com o ki vibrante dos lutadores de outro universo. A mistura criava uma visão jamais vista na história:
Tenshinhan assumiu a ponta, representando a casa de Áries, seguido por Uub (Touro), 17 (Gêmeos), 18 (Câncer), Ikki (Leão), Piccolo (Virgem), Shiryu (Libra), Gohan (Escorpião), Seiya (Sagitário), Trunks (Capricórnio), Hyoga (Aquário) e Shun (Peixes).
Kanon caminhou à frente da fila, parando diante de Seiya. O olhar do antigo General Marina era severo, carregado da experiência de quem já esteve dos dois lados de uma guerra.
— O segredo é a nossa maior arma agora. Seiya, mantenha seu cosmo suprimido. — disse Kanon, sua voz ressoando com autoridade. — Eles precisam pensar que o Santuário não contém reforços. Se explodir energia antes da hora, denunciaremos nossa formação.
— Sim, Kanon. — Seiya respondeu com uma firmeza inabalável, alternando o olhar entre o estrategista e a figura serena de Saori. — Eu serei uma sombra até o momento de disparar.
Goku, mantendo a seriedade, deu um passo à frente. Ele não tinha a armadura, mas sua presença era igualmente colossal.
— Enquanto estiverem defendendo as Doze Casas, Kuririn, Yamcha, Marin e Shaina estarão patrulhando os arredores com as Sementes dos Deuses — explicou Goku, apontando para o horizonte. — Se sentirem que suas forças estão no fim, um deles vai chegar até vocês. Uma semente basta para restaurar todo o seu vigor e curar qualquer ferida. Usem com sabedoria; elas são limitadas e o inimigo é numeroso.
Os doze defensores ouviram em silêncio absoluto, absorvendo a gravidade da logística de sobrevivência.
— Ikki, — Kanon se dirige ao cavaleiro de Fênix o brilho nos olhos de Kanon mostrava que ele reconhecia em Ikki um espírito semelhante ao seu. — No momento, você é o único entre os cavaleiros aqui presentes com poderes psíquicos ativos. Sua missão é guiar os aliados das casas 1 a 4. Use sua percepção para antecipar as investidas e mantenha-se alerta para que os invasores sejam eliminados logo nos primeiros degraus. Não dê a eles o luxo de entenderem o terreno.
Ikki apenas acompanha a fala do ex-general.
— Tenshinhan, Uub, 17 e 18, — Goku segue logo após Kanon — se for preciso lutarem juntos logo na primeira casa, não hesitem. A união de vocês é o que vai nos dar tempo. Precisamos segurar o inimigo o máximo possível, até que os Cavaleiros de Ouro terminem o treinamento e se juntem à batalha.
Kanon assumiu a palavra logo em seguida, gesticulando para o Cavaleiro de Dragão.
— No campo de batalha, Shiryu será a referência de vocês para movimentação e reconhecimento geográfico no Santuário. Ele conhece cada atalho e ponto cego destas montanhas. — Kanon fez uma pausa, olhando para a fileira de defensores. — E, para liderá-los taticamente, reportem-se ao Sr. Piccolo. Ele tem a palavra final nas manobras de campo.
— Fiquem atentos à Armadura de Sagitário. — alertou Kanon. — Ela possui vontade própria e sua flecha sempre aponta para a origem da maior ameaça. Se a flecha se mover, saberão exatamente de onde os exércitos de Poseidon e Hades estão vindo.
Vegeta sequer esperou Kanon terminar. Seu olhar, carregado de uma urgência tóxica, cravou-se em Gohan e Trunks como duas adagas.
— Gohan! Trunks! — o grito de Vegeta cortou o salão, seco e autoritário. — Se o pau quebrar antes da casa de Virgem, saiam dos seus postos e vão para lá.
Gohan e Trunks trocaram um olhar de reconhecimento mútuo; sentiam o peso da responsabilidade de serem filhos de seus pais, mas havia uma força renovada em estarem, novamente, dividindo a mesma trincheira, desta vez como adultos. Vegeta soltou um estalido audível com o pescoço, o olhar varrendo a fila de guerreiros com um desprezo que mal escondia sua urgência interna.
— Se algum de vocês falhar e deixar que esses vermes nojentos cheguem perto deste Templo, vão desejar que Hades os tivesse levado. — A frase saiu como um chicote, ácida e impaciente, deixando claro que sua tolerância para erros era inexistente.
— Quanto à última linha de defesa... — Kanon olhou para Goku e Vegeta. — Se eles passarem pelas doze casas, encontrarão o inferno na porta deste salão.
Ele caminhou até ficar entre os dois Saiyajins.
— Eu, Goku e Vegeta faremos a guarda pessoal de Athena. Nós somos a barreira final. Se alguém chegar até aqui, não sairá vivo.
Goku bateu os punhos, sério, mas animado.
— Pode deixar! Ninguém toca na Atena.
— Vão! — ordenou Kanon, com o tom de quem não admite um segundo de atraso. — Para suas Casas! A Guerra Santa começa agora.
A descida começou como um rastro de luz e sombras pelas escadarias de mármore. Conforme a fila se movia, os defensores passavam pelos três que restariam no topo.
Ao passar por Kanon, o ex-General interrompeu o passo do Namekuseijin com um olhar carregado de intenção. A voz de Kanon foi baixa, quase um segredo militar:
— Telepatia e telecinese são as especialidades de Mú.
Piccolo apenas assentiu, um movimento seco de cabeça que selava o entendimento silencioso entre os dois estrategistas.
Logo atrás, seguindo a ordem de descida, Gohan passou por Goku. O pai colocou a mão no ombro do filho, sentindo a tensão nos músculos do rapaz.
— Gohan, lembre-se de como vencemos Cell. — disse Goku, a voz firme, mas com um brilho de esperança. — Lutamos pela Terra, mas hoje, lutamos para trazer a Bulma e o pequeno Trunks de volta. Confio em você, meu filho.
Gohan apertou os punhos e confirmou com o olhar, sentindo o peso da responsabilidade antes de mergulhar na escadaria.
Quando Trunks se aproximou da saída, Vegeta deu um passo à frente.
— Espero que não seja um mole como o Gohan e que tenha treinado de verdade nestes últimos anos — sibilou Vegeta, a língua afiada como um açoite.
Trunks parou e encarou o pai. Diante daquela agressividade tóxica, ele apenas sorriu com uma serenidade que desarmava o ódio de Vegeta.
— O treinamento de um ano com você foi duro, pai — respondeu Trunks, a voz tranquila. — Mas não é nada comparado a ter a minha mãe como mestre.
A descida tornou-se um borrão de velocidade. Doze vultos de imenso poder cortaram o ar do Santuário, dirigindo-se aos seus postos enquanto o som metálico das armaduras e o vácuo dos deslocamentos de ar anunciavam que a paz havia acabado definitivamente.
FIM DA SAGA DO SANTUÁRIO
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