Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
28 A Primeira Peça Cai
Seguindo a orientação de Piccolo, Hyoga alcançou o pátio externo da Casa de Áries como um raio. Ele ignorou o impasse entre Tenshinhan e Bian de Cavalo Marinho; seus olhos cravados na monstruosidade líquida que esmagava o lado de fora do escudo de Atena.
Posicionando-se na beira da escadaria, o Cavaleiro de Cisne uniu as mãos acima da cabeça. A temperatura ao seu redor despencou bruscamente, transformando a umidade do ar em geada.
— Pó de Diamante!
Uma nevasca de energia no zero absoluto irrompeu de seus punhos. O feixe de Cosmo branco atravessou a permeabilidade da cúpula dourada e colidiu frontalmente contra a muralha do oceano. A água, antes furiosa, começou a estalar. Em tempo real, a onda monumental estava sendo cristalizada em um glaciar suspenso.
— Destruam todo o gelo! — gritou Hyoga, a voz ecoando sobre o estrondo do congelamento.
Ele cerrou os dentes e manteve a postura, sustentando o fluxo de frio até que a cúpula inteira estivesse coberta por uma abóbada de gelo maciço.
Das laterais da escadaria, a resposta veio em forma de Ki: à direita, Kuririn ergueu o braço e arremessou um disco de energia amarela que zumbia violentamente no ar. O Kienzan cortou a base do tsunami de gelo, atravessando o vidro. À esquerda, Yamcha disparou o Sokidan; com movimentos rápidos dos dedos, ele manipulava a esfera de energia no ar e esmagando os pilares de gelo.
Aproveitando o colapso da estrutura, os Cavaleiros de Bronze e Prata entraram em ação. Liderados por Jabu, eles se espalharam pelo perímetro, usando socos e chutes na velocidade da luz para estilhaçar os blocos do tamanho de montanhas que despencavam, transformando a armadilha de Poseidon em uma inofensiva chuva de granizo sobre a Grécia.
Longe dali, no alto da Nona Casa, Seiya de Sagitário observava o clarão branco estourando no sopé da montanha.
Ele se debruçou sobre as pilastras do templo, apertando a pedra com força. Curado da maldição física, mas com a mente operando na urgência barulhenta de um garoto, ele cravou os dentes. O silêncio do seu posto era uma tortura.
— Era pra eu estar lá usando o meu Meteoro de Pégaso... — lamentou-se em voz alta, batendo o punho cerrado contra a coluna. — Eu deveria estar ajudando o Hyoga e os outros!
Percebendo que a maré de Poseidon estava sendo neutralizada, o orgulho de Bian ferveu. Ele não permitiria que um guerreiro de Bronze destruísse a obra de seu Imperador. Desviando o olhar de Tenshinhan por um milésimo de segundo, o General disparou uma lufada de ar comprimido extremamente afiada na direção da escadaria.
O impacto invisível atingiu Hyoga. O Cavaleiro de Cisne cambaleou para trás, os pés derrapando no pó de mármore. O fluxo do Pó de Diamante foi abruptamente cortado, e a água ao redor ameaçou voltar a rugir em sua forma líquida.
Mas a distração custou caro ao Marina.
A mente marcial de Tenshinhan havia terminado de mapear o inimigo. “A barreira invisível e o Sopro Divino dependem da manipulação do ar e de espaço para ganhar pressão. Em um combate puramente corpo a corpo, ele não terá distância para armar a defesa”.
— Nunca tire os olhos de mim — avisou o artista marcial, a voz ecoando grave na penumbra da casa.
Tenshinhan uniu as mãos em frente ao rosto e o seu Ki oscilou. Para o choque de Bian, os ombros do humano estalaram, e um par de braços extras irrompeu de suas costas, rasgando a túnica. Antes que o General pudesse processar a anomalia anatômica, a figura de Tenshinhan vibrou intensamente e se dividiu.
Um. Dois. Três.
Quatro Tenshinhans idênticos, cada um munido de quatro braços musculosos, cercaram o General Marina em um losango tático perfeito.
Bian recuou dois passos instintivamente, os olhos arregalados sob o elmo de Cavalo Marinho. A sua percepção cósmica estava em curto-circuito: aquilo não eram ilusões criadas por velocidade. Eram quatro corpos físicos, respirando, bloqueando rotas de fuga e pulsando com a mesma densidade esmagadora de Ki.
— Mas que diabos é você?! — exclamou Bian, incrédulo diante do que via.
— Seu adversário — responderam as quatro vozes em uníssono.
Os clones avançaram simultaneamente, esmagando o espaço físico ao redor de Bian.
Encurralado, o General ergueu as mãos e detonou o Sopro Divino em todas as direções como uma granada de ar. O furacão de Cosmo explodiu, tentando varrer os agressores do pátio. Os quatro Tenshinhans cruzaram seus múltiplos braços em forma de "X", fincando os pés no chão. Eles suportaram a tormenta divina com um esforço colossal, a pele rasgando em dezenas de pequenos cortes sob a pressão, mas não recuaram. Forçando o corpo através do vento, eles reduziram a distância a zero.
Uma chuva de dezesseis punhos desabou sobre Bian.
O General Marina, no entanto, pertencia à elite dos mares. Ele bloqueava, esquivava e contra-atacava com ferocidade impressionante, girando os braços para desviar os socos enquanto a sua Armadura de Escamas suportava os impactos diretos de Ki. O embate transformou-se em um furacão de golpes e bloqueios a curta distância, o som de carne e metal ecoando no ambiente.
Aproveitando a brecha vital criada pela investida suicida de Tenshinhan, Hyoga cravou as botas no chão novamente. Um fio de sangue escorria de sua boca, mas seus olhos ardiam com a frieza cortante da Sibéria.
“Não vou falhar com Atena... nem com a tática do Senhor Piccolo!”
Ele uniu as mãos mais uma vez, elevando o Cosmo até o limite do zero absoluto, e retomou o congelamento.
Apenas um terço da monumental muralha oceânica havia sido cristalizada quando a terra ao redor da península pareceu apodrecer.
Das sombras projetadas pelo gelo e pelas rochas, a infantaria do Submundo rastejou para a superfície. Espectros terrestres de Hades emergiram, cercando as bordas do Santuário como uma praga de insetos das trevas. A linha de defesa de Atena de repente se viu esmagada: os Cavaleiros de Prata e Bronze precisavam pulverizar os blocos de gelo que desabavam e, no mesmo fôlego, repelir as garras das Estrelas Malignas que invadiam o pátio. O sopé da montanha transformou-se num pandemônio de sangue, frio e estilhaços.
Na base da escadaria, Hyoga operava no limite do próprio corpo. O esforço contínuo de impor o zero absoluto sobre as águas de um deus fazia seus músculos tremerem, mas ele não recuava, mantendo o Cosmo elevado.
Acima dele, da Casa de Virgem, Piccolo acompanhava tudo. O Namekuseijin não moveu um músculo sequer de seu posto, mas sua mente fria lia as correntes do campo de batalha: o embate frenético de Tenshinhan, a exaustão iminente de Hyoga, a infantaria inimiga avançando e o escudo dourado de Atena, que ainda gemia sob o peso do mar que não parava de bater contra a cúpula.
Longe dali, na Nona Casa, a guerra cobrava um preço diferente de Seiya.
O Cavaleiro de Sagitário observava o caos lá embaixo com os punhos cerrados até as juntas estalarem. A fúria fervia em suas veias. O instinto gritava para que ele queimasse seu Cosmo, vestisse a armadura e mergulhasse na matança para proteger seus irmãos, mas a ordem era absoluta: ele precisava manter sua presença indetectável. A supressão forçada de sua energia era uma agonia física. Ele ofegava, tremendo de impaciência, prestes a atingir o seu limite psicológico.
Foi então que o céu da tarde do Santuário foi rasgado.
Das moradas superiores de Touro, Gêmeos e Câncer, feixes consecutivos de Ki dispararam. Sem precisarem abandonar as entradas de suas respectivas Casas, Uub, Androide 17 e Androide 18 entraram na contenção.
Eles começaram a bombardear a abóbada de gelo logo acima de suas cabeças. As rajadas de energia implodiram toneladas da maré congelada de Hyoga com facilidade, varrendo o perigo de soterramento.
Com os andares superiores cobrindo o "céu", a carga sobre a linha de frente diminuiu. Os Cavaleiros de Prata e Bronze puderam, finalmente, virar suas costas para o gelo e focar seus golpes apenas na aniquilação dos Espectros de Hades.
Os quatro clones de Tenshinhan, cada um com quatro braços, continuavam seu ataque em sincronia, forçando Bian de Cavalo Marinho a recuar centímetro por centímetro. O General Marina bloqueava e desviava a uma velocidade assombrosa, mas a humilhação de ser encurralado por um humano sem armadura começava a corroer sua mente.
— Insetos insolentes! — rugiu Bian, a voz vibrando com uma fúria divina.
Ele percebeu que, enquanto mantivesse a sua barreira defensiva de ar contígua, ficaria preso naquele moedor de carne marcial. A única saída era uma explosão de força. O Cosmo alaranjado do General Marina espiralou ao redor de seu corpo.
— Chega de truques! Desapareçam no fundo do oceano! Ventos Furacões!
Bian disparou seu golpe máximo: uma coluna de pressão oceânica massiva, um gêiser de Cosmo projetado para esmagar e arremessar o inimigo para cima.
Os quatro clones de Tenshinhan foram atingidos em cheio pela rajada ascendente. A técnica dos quatro corpos não suportou a força do impacto divino: os clones piscaram e se desfizeram, fundindo-se de volta em um único Tenshinhan, que foi arremessado dezenas de metros para o alto, em direção ao teto da Casa de Áries.
A túnica de Tenshinhan estava rasgada, e seu corpo coberto de escoriações devido à pressão do golpe. Bian ofegou, o sorriso arrogante finalmente retornando ao seu rosto enquanto olhava para cima.
— Acabou. Ninguém sobrevive à pressão das marés!
No ar, sentindo a dor rasgar seus músculos, Tenshinhan não fechou os olhos. “A barreira dele... sumiu”.
Para disparar um ataque expansivo tão massivo, Bian fora obrigado a projetar todo o ar e Cosmo para fora, abandonando o bolsão de pressão ao redor do próprio corpo. Ele havia criado exatamente o que Tenshinhan precisava: um vácuo perfeito.
Em pleno ar, desafiando a gravidade, o artista marcial uniu as mãos, os polegares e indicadores formando um triângulo exato, enquadrando a figura do General Marina no centro.
— Você abriu sua guarda — a voz de Tenshinhan desceu fria do alto do templo.
Bian arregalou os olhos, percebendo tarde demais o perigo. Ele tentou girar as mãos para reerguer a barreira de ar defensiva.
O Ki de Tenshinhan explodiu, drenando sua própria força vital para multiplicar o poder destrutivo da técnica. A luz dourada do fim de tarde foi engolida por um clarão branco e cego.
— KIKOHO!
O Kikoho engoliu Bian.
O impacto atingiu o chão da Casa de Áries com uma força que fez a montanha inteira tremer, rivalizando com os tremores causados pela água de Poseidon lá fora. O mármore centenário sob os pés do General foi pulverizado em pó, afundando em um fosso quadrado perfeito.
A Escama de Cavalo Marinho, forjada para resistir à pressão do fundo do oceano, gemeu sob o peso esmagador do Ki condensado, trincando em dezenas de pontos. O grito de Bian foi abafado pela detonação contínua.
Tenshinhan, ainda no ar, ofegava. O suor, misturado ao sangue, apostando tudo no impacto daquele único, letal e calculado disparo.
No centro do Salão do Grande Mestre, Saori manteve o Báculo Nike firme contra o chão, mas seus olhos captaram a magnitude daquele impacto.
Nas sombras espessas atrás do trono, oculto sob um véu impenetrável de controle cósmico, Kanon abriu um sorriso de lado.
Ele, que um dia vestira a Escama de Dragão Marinho e comandara o exército de Poseidon com mãos de ferro, conhecia perfeitamente a durabilidade do General que acabara de ser obliterado.
— O Cosmo de Bian de Cavalo Marinho… — murmurou Kanon. Sua voz soava áspera, mas carregada de uma satisfação sombria que apenas um ex-vilão redimido poderia nutrir. — Ser esmagado na primeira casa... por um mortal sem armadura, sem a menor fagulha de poder divino...
Um baque oco soou nas sombras.
Goku acabara de dar um tapa descontraído nas costas de Kanon, fazendo o Cavaleiro enrijecer os ombros, pego totalmente de surpresa pelo toque casual.
— Kanon, meu amigo, — disse Goku animadamente, com um sorriso largo — Tenshinhan é o homem mais forte do mundo, vencedor de torneio de arte marcial.
Encostado em uma pilastra mais ao fundo, com os braços cruzados e o semblante fechado, Vegeta soltou um ruído ríspido de desdém.
— Kakarotto, guarde o seu excesso de confiança. O inimigo ainda nem começou a lutar direito.
Kanon olhou de Goku para Vegeta, processando a estranha biologia e o comportamento daquela raça guerreira.
Lá fora, os Cavaleiros de Bronze e Prata continuavam a lutar contra a infantaria de Hades, enquanto o céu escurecia com a poeira e o gelo estilhaçado por Kuririn, Yamcha, Uub, 17 e 18.
Mas, a milhares de quilômetros da Grécia, longe do campo de batalha e do Cosmo de Atena, o verdadeiro perigo operava em silêncio.
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