Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
6 A Estratégia
A SAGA DOS DEUSES
O Mestre Kame, que até aquele momento estava calado, apoiado em seu cajado e observando as imagens das Doze Casas vazias, pigarreou alto, chamando a atenção de todos. O velho mestre de artes marciais não tinha o poder de um Saiyajin, mas seus séculos de experiência lhe davam uma visão que escapava aos mais jovens.
— Escutem bem, rapazes — começou Kame, seu tom sério, sem nenhum traço da habitual jovialidade pervertida. — O que a 18 disse sobre números é verdade, mas o buraco é mais embaixo. Vocês estão acostumados a enfrentar gente que quer destruir o mundo na base da força bruta, como Freeza, Cell ou Majin Buu. Nesses casos, basta bater mais forte que o outro.
Ele apontou o cajado para a projeção de Shiryu.
— Mas esses tais deuses e espectros... eles jogam sujo. Música que desliga o cérebro, fios invisíveis, ataques diretos à alma. Nós somos artistas marciais. Sabemos dar socos, chutes e soltar o Kamehameha. Contra magia antiga e maldições espirituais, nós somos alvos fáceis. Se entrarmos nessas "Casas" sem saber lidar com o místico, vamos cair antes de ver a cara do inimigo.
Um silêncio preocupado se instalou. Kame tinha razão. A força física de nada adiantava se a alma fosse arrancada do corpo.
— O Mestre Kame está certo — concordou Piccolo. — Precisamos de quem entenda desse tipo de guerra. Precisamos dos especialistas que protegiam esses templos.
Foi então que os olhos de Goku se iluminaram, como se uma lâmpada tivesse acendido sobre sua cabeça. Ele bateu a mão fechada na palma da outra aberta.
— Espera aí! — exclamou Goku, com um sorriso repentino. — Se o problema é que as Casas estão vazias e os tais Cavaleiros de Ouro morreram... por que a gente não traz eles de volta?
Antes que alguém pudesse lembrá-lo de que as Esferas da Terra haviam acabado de ser transformadas em pedra, Goku se virou rapidamente para o Namekuseijin, antecipando o problema.
— Eu não estou falando das esferas daqui! — continuou Goku, empolgado. — Piccolo! As Esferas de Namekusei!
Todos olharam para Goku, surpresos com a rapidez do raciocínio.
— O Dendê é o Deus da Terra agora, mas o povo dele está vivendo em Nova Namekusei — continuou Goku. — As esferas de lá são muito mais poderosas nesse sentido. O Porunga pode ressuscitar várias pessoas de uma vez só, não pode?
Piccolo arregalou os olhos levemente, assentindo.
— É verdade. O Porunga foi atualizado por Moori. Ele não tem a limitação de reviver apenas uma pessoa por desejo, e o tempo de recarga é muito menor.
Goku virou-se para a projeção de Atena e do Kaioshin.
— Supremo Senhor Kaioshin! O senhor consegue localizar Nova Namekusei e me levar até lá com o teletransporte kai-kai? Se a gente conseguir as esferas de lá, podemos trazer esses doze Cavaleiros de Ouro de volta à vida agora mesmo!
Em Asgard, a esperança reacendeu nos olhos de Shiryu e Hyoga com uma intensidade quase dolorosa.
— Ressuscitar... os doze? — gaguejou Hyoga. — Trazer de volta Saga, Shaka, Aiolia... todos eles?
— É a nossa melhor chance — disse Goku, determinado. — Se eles conhecem o Santuário e sabem lutar contra esses deuses, precisamos deles no time. O que me dizem?
- Com todo o respeito, — se manifestou o incrédulo Siegfried — isso me parece absurdo, além de impossível.
Goku coçou a nuca e sorriu de um jeito sem jeito, aquele seu hábito característico quando precisava explicar o inexplicável para quem não era do seu mundo.
— Hehe, eu entendo a sua dúvida, Siegfried. Parece bom demais para ser verdade, né? — começou Goku, sua voz projetada mentalmente assumindo um tom didático, mas simples. — No nosso universo, as Esferas do Dragão são artefatos mágicos criados pelos Namekuseijins, um povo pacífico que também tem poderes místicos, como o Piccolo aqui. São sete esferas alaranjadas com estrelas dentro. Quando reunimos todas as sete e dizemos a senha, um Deus Dragão eterno aparece e nos concede desejos.
Goku ergueu dois dedos para ilustrar a diferença.
— As esferas da Terra invocam o Shenlong. Elas são ótimas, mas têm limitações e, o pior de tudo, acabaram de ser usadas pelos inimigos para trazer esses deuses de volta. Quando um desejo é feito, elas viram pedra por um ano. Então, as da Terra estão fora de jogo.
A expressão de Goku ficou mais animada ao falar da solução.
— Mas as esferas originais, de Namekusei, são diferentes. Elas são bem maiores, do tamanho de bolas de basquete! O dragão de lá se chama Porunga. Ele é muito mais... "musculoso" nesse sentido.
— Musculoso? — repetiu Hyoga, confuso com a terminologia.
— É, no sentido de poder mágico! — corrigiu Goku rapidamente. — Antigamente ele tinha limitações, mas o novo Patriarca de Namekusei deu uma melhorada nele. O Porunga é especialista em trazer muita gente de volta à vida de uma vez só, desde que não tenham morrido de velhice.
Goku levantou três dedos, enfatizando o ponto crucial.
— E tem a melhor parte: ele realiza três desejos. Três! Isso quer dizer que podemos usar um pedido para trazer os Cavaleiros de Ouro e ainda sobram dois para qualquer outra estratégia ou emergência que a gente precise.
Goku olhou nos olhos de Siegfried através da projeção, ficando sério para responder à questão do "preço".
— E não se preocupe, Siegfried. Não é como a magia de Hades ou pactos sombrios. Não custa a alma de ninguém, e não traz as pessoas de volta como zumbis ou escravos. É uma magia de luz, feita para preservar a vida e dar uma segunda chance quando algo injusto acontece. Os seus doze amigos vão voltar exatamente como eram antes de morrerem. Inteiros e prontos para a briga.
Foi então que Shun, que até o presente momento apenas ouvia a conversa em silêncio de sua posição no Santuário, manifestou-se pela conexão mental. Sua voz, geralmente calma, carregava uma urgência trêmula:
— Se são três pedidos... também podemos pedir para curar o Seiya?
A promessa de Goku de que curar Seiya seria "moleza" ecoou na mente dos Cavaleiros de Bronze como uma benção divina, mais poderosa do que qualquer oração que tivessem feito nos últimos meses.
Em Asgard, a postura rígida de Hyoga desmoronou por um segundo. Um sorriso de alívio genuíno, algo raro para o Cisne, iluminou seu rosto.
— Ouviram isso? — Hyoga olhou para Shiryu, com os olhos marejados. — O Seiya... ele vai voltar! A maldição de Hades não é nada para esse dragão de Namekusei!
Shiryu fechou os olhos e suspirou profundamente, sentindo um peso colossal sair de seus ombros.
— Sim, meu amigo. A cadeira de rodas, a catatonia... tudo isso vai acabar. Seiya lutará ao nosso lado novamente.
Do outro lado da conexão, no Santuário, Shun chorava abertamente, um choro silencioso de pura gratidão, sussurrando o nome do amigo. Apenas Ikki, fiel à sua natureza de lobo solitário, manteve-se em silêncio absoluto. Ele não comemorou, mas o seu cosmo, antes agitado pela tensão, estabilizou-se — era a sua forma de demonstrar alívio.
No entanto, passado o choque da esperança, outra sensação tomou conta do Palácio Valhalla. Siegfried de Dubhe, que observara tudo com a dignidade de um Guerreiro Deus, quebrou o silêncio, ainda atônito com o que acabara de presenciar.
— Eu já vi a fúria de Odin e a determinação dos Cavaleiros de Atena... — começou Siegfried, olhando para o espaço vazio onde a presença mental de Goku estivera segundos antes. — Mas esses guerreiros... o que são eles?
Ele se virou para Shiryu e Hyoga, buscando lógica.
— Aquele homem, Vegeta. Quando ele se transformou... não foi apenas um aumento de poder. A biologia dele mudou. O cabelo cresceu, o rosto se tornou primitivo, e a energia que emanava dele... não era um cosmo refinado. Era destruição pura e condensada. Eu senti como se o próprio Ragnarok estivesse contido dentro de um único corpo humano.
— É assustador — concordou Hyoga, balançando a cabeça. — Nós lutamos queimando o cosmo, elevando nossos sentidos. Mas eles... eles parecem ser reatores nucleares vivos. E aquele teletransporte do Goku?
Hyoga gesticulou para o nada.
— O Grande Patriarca de Namekusei está a galáxias de distância. Viajar até lá levaria milênios, mesmo na velocidade da luz. Goku foi até lá como se estivesse atravessando uma porta.
Shiryu cruzou os braços, analisando a situação com sua sabedoria habitual.
— Força bruta capaz de rivalizar com deuses, velocidade que ignora a distância e, agora, esferas mágicas capazes de reverter a morte e curar maldições divinas sem cobrar um preço de sangue... — Shiryu olhou seriamente para Siegfried e Hyoga. — Nós passamos a vida acreditando que os milagres vinham apenas do sacrifício e da vontade de Atena. Mas esses guerreiros... para eles, o milagre é uma ferramenta de trabalho.
Siegfried assentiu, um respeito profundo surgindo em seu olhar.
— Se esses são os nossos aliados, talvez... apenas talvez... Hades e Poseidon tenham cometido o maior erro de suas existências imortais ao ameaçar este planeta.
Kuririn escuta a conversa em Asgard.
— Vocês não viram nada... – Ele diz, orgulhoso – A 18 e o irmão dela, 17, tem energia infinita. Tenshinhan já ganhou o torneio de artes marciais, sendo o homem mais forte do mundo. – Ele ia apontando para cada um. – Piccolo é capaz de se regenerar fisicamente. O Gohan aqui, além de um gênio, tem o ki mais poderoso de todos nós.
A animação tomou conta de Asgard, exceto para Ikki, Atena e os senhores Kaioh, que permaneciam sérios.
— E o mais legal de tudo: Goku e Vegeta são capazes de se fundir, assim como os filhos deles, Goten e Trunks.
Vegeta desencostou-se da pilastra onde estava de braços cruzados. O brilho de orgulho nos olhos de Siegfried e dos Cavaleiros de Bronze não o impressionava. Pelo contrário, a ingenuidade tática deles o incomodava. Ele não estava ali para ser admirado; estava ali para garantir que a ameaça fosse erradicada.
— Parem com essa bajulação inútil — a voz de Vegeta cortou a conversa, grave e autoritária, mas sem o veneno de antigamente. Ele caminhou até o centro do grupo, olhando para a projeção de Atena e dos outros. — Não comemorem a vitória antes da batalha começar. Kakarotto vai trazer seus amigos de volta, ótimo. Mas isso não muda a matemática que aquela androide apontou.
Vegeta ergueu o dedo indicador.
— Continuamos em minoria esmagadora. Seus "Cavaleiros de Ouro" morreram lutando contra um único exército, o de Hades, certo? Agora temos dois exércitos atacando ao mesmo tempo. Se eles voltarem apenas com a mesma força que tinham quando morreram, seremos engolidos.
Ele olhou para o Mestre Kame e depois para Piccolo.
— O velho ali tem razão. Não estamos lidando com trogloditas que trocam socos, mas com deuses e feiticeiros. Por isso, força física não vai bastar.
Vegeta apontou para a porta do templo central atrás dele.
— Aqui neste templo existe uma dimensão separada. Nós a chamamos de Sala do Tempo. Um ano lá dentro equivale a apenas um dia aqui fora. A gravidade e as condições são extremas, perfeitas para quebrar limites.
— Um ano em um dia? — repetiu Shiryu, surpreso com a distorção temporal.
— Assim que seus amigos ressuscitarem, não percam tempo com abraços. Eles vão entrar na Sala, de dois em dois. Mas escutem bem: não são duplas formadas por amizade.
Vegeta estreitou os olhos, focado na natureza do inimigo.
— Aqueles que têm as habilidades mentais e espirituais mais fortes devem entrar primeiro ou treinar juntos para elevar esse poder ao absoluto. Se o inimigo ataca a mente e a alma, precisamos que a elite mística de vocês saia daquela sala capaz de esmagar qualquer feitiçaria desses deuses. Entenderam?
No Santuário, Ikki de Fênix ouviu a estratégia de Vegeta com um sorriso de canto. Ele, que sempre desprezou a dependência de grupos, reconhecia a lógica fria e eficiente do Saiyajin.
— Se a prioridade é o poder místico e dimensional para conter as magias dos deuses, a ordem de entrada na Sala deve ser Shaka e Mu, Saga e Máscara da Morte, Camus e Milo, Shura e Aiolia, Dohko e Aldebaran, Afrodite e Aiolos. — a voz de Ikki invadiu a mente de todos, áspera e direta.
Ikki fez uma pausa, seu tom desafiador.
— Essa é a formação. Os místicos primeiro para criar as defesas, a força bruta depois para finalizar. Alguma objeção, Vegeta?
"O garoto é rápido", pensou Vegeta.
Em Nova Namekusei, a resposta de Moori foi imediata e solene. O Grande Patriarca fez um gesto sutil com a mão enrugada, e os guerreiros da vila entenderam o comando instantaneamente.
— Tragam-nas — ordenou Moori. — O destino da Terra e do universo clama por nós.
Sete guerreiros Namekuseijins aproximaram-se rapidamente, cada um carregando com esforço uma esfera alaranjada gigantesca, do tamanho de um tronco humano. Com reverência, eles as depositaram no chão, formando um círculo perfeito ao redor de Goku e do trono de pedra.
Goku olhou admirado, sentindo a pulsação rítmica que emanava dos objetos.
— Nossa, tinha me esquecido do quanto elas mesmo enormes! Muito maiores do que as da Terra. O poder que sai delas é incrível, parece que têm vida própria.
Moori levantou-se lentamente de seu trono, apoiando-se no cajado. A gravidade do momento refletia-se em seu rosto antigo.
— Afaste-se um pouco, Son Goku — pediu Moori, sua voz ganhando uma ressonância mística. — O Deus dos Sonhos precisa de espaço para despertar.
O Patriarca ergueu os braços para os céus de Nova Namekusei. O vento parou. Os pássaros se calaram. Então, em uma língua gutural e antiga, a senha sagrada foi proferida:
— Takkaraputo pop porunga pupirittoparo!
No mesmo instante, o dia virou noite.
Uma escuridão súbita e absoluta engoliu o planeta, transformando o céu verde-esmeralda em um breu profundo, iluminado apenas pelos relâmpagos que começaram a rasgar a atmosfera. As sete esferas começaram a brilhar intensamente, um dourado cegante que pulsava em uníssono, até dispararem uma coluna de luz titânica em direção ao firmamento.
A terra tremeu violentamente. Do meio da luz, uma forma colossal começou a se materializar.
— Uau... — Goku protegeu o rosto da ventania, os cabelos agitando-se freneticamente. — O Ki dele é monstruoso!
Porunga possuía um torso humanoide gigantesco, braços poderosos, espinhos negros nas costas e uma cauda grossa. Sua cabeça, adornada com chifres, roçava as nuvens mais altas do planeta.
O Dragão baixou seus olhos vermelhos brilhantes, encarando as pequenas figuras no solo. Sua voz trovejou, não apenas ouvida pelos ouvidos, mas sentida nos ossos de todos os presentes:
— EU SOU PORUNGA... AQUELE QUE TUDO PODE CONCEDER. — A voz ecoou como um trovão divino. — DIGA OS SEUS DESEJOS. EU REALIZAREI TRÊS, QUAISQUER QUE SEJAM ELES.
A voz de Atena ecoou na mente de Goku, límpida e carregada de uma emoção contida, atravessando galáxias através da conexão do Kaioshin.
— Goku — disse Saori. — O meu primeiro pedido é este: Eu desejo que as almas dos doze Cavaleiros de Ouro, os guardiões supremos do meu Santuário que pereceram na Guerra Santa e no Muro das Lamentações, sejam trazidas de volta à vida, com seus corpos restaurados em sua plenitude.
Goku assentiu, sério. Ele se virou para o Grande Patriarca Moori.
— Moori, você ouviu? O primeiro desejo é ressuscitar os doze amigos dourados da Atena que morreram.
O Patriarca assentiu solenemente e voltou-se para a imensa criatura que pairava sobre eles. Em sua língua nativa, gutural e antiga, ele traduziu o pedido:
— Takkaraputo pop unmei no senshi-tachi wo yomigaerase tamae!
Os olhos vermelhos de Porunga brilharam intensamente, iluminando a escuridão artificial de Nova Namekusei.
— ESSE DESEJO É PERFEITAMENTE POSSÍVEL! — trovejou o Dragão. — AS ALMAS DESSES GUERREIROS SÃO BRILHANTES, É FÁCIL ENCONTRÁ-LAS NO MUNDO DOS MORTOS.
A luz envolveu o dragão, e na Terra, na Plataforma Celeste, uma expectativa sufocante tomou conta de todos. Shiryu e Hyoga mal ousavam respirar.
De repente, o brilho nos olhos de Porunga oscilou. O Dragão franziu o cenho monstruoso e interrompeu o processo. O silêncio que se seguiu foi aterrorizante.
— HÁ UM PROBLEMA — retumbou Porunga, sua voz fazendo o chão tremer. — EU NÃO POSSO CUMPRIR ESTE DESEJO NA SUA TOTALIDADE.
— O quê?! — exclamou Goku. — Por que não? Você disse que era fácil!
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