Dragon
5 Capítulo 5# A Vila
Notas iniciais
P.o.V. Matt:
Matt estava deitado em sua cama improvisada observando o céu noturno. A lua crescente aparecia timidamente em meio ao manto escuro pontilhado de pequenas estrelas reluzentes. Lyra remexia em uma espécie de "mochila" que eles haviam feito com uma blusa que antes pertencera a Albert Hartman.
Haviam decidido ir com Tommas, já que se continuassem morando no que restara da casa acabariam morrendo de fome ou com alguma doença. Passaram a tarde juntando tudo o que tinham e arrumando um jeito de enfiar tudo na pequena mochila. Quando terminaram já estava escurecendo, então fizeram uma janta rápida comendo algumas frutinhas silvestres que haviam pegado no caminho de volta da floresta, e repetiram rapidamente os planos para o dia seguinte. Iriam acordar cedo, comer alguma coisa, pegar a "mochila" com seus poucos pertences e se dirigir à clareira onde Lyra havia conhecido Tom. O garoto os levaria para a vila onde morava, e os apresentaria para o "líder" para que ele pudesse decidir o que fazer com os gêmeos.
Matt suspirou e fechou os olhos. A vida dele havia virado de cabeça para baixo em apenas três dias. Em um momento estava vivendo alegremente a sua vida com os pais e a irmã e no outro seus pais morreram em um incêndio que destruiu a casa quase toda e ele e Lyra descobrem que sua mãe era uma dragayna e que eles provavelmente também são. O garoto sentiu os olhos se encherem de lágrimas com a lembrança dos pais. Secou as lagrimas com a mão, irritado com sua fraqueza. Ele deveria estar apoiando a sua irmã e a ajudando, não se lamentando o tempo todo como se fosse apenas um completo inútil. Balançou levemente a cabeça como que para se livrar do pensamento e se virou para o outro lado na tentativa de adormecer.
P.o.V. Lyra:
Lyra conferiu pela última vez a mochila improvisada. Estava tudo ali: as roupas, alguns talheres — incluindo facas para o caso de precisarem se defender- dinheiro e o que restara de comida. O arco que pertencera ao pai dos gêmeos não caberia na sacola, então havia ficado decidido que um dos dois levaria o arco e o outro a "mochila". A garota observou a arrumação por alguns segundos e então se levantou e se dirigiu à sua cama ao lado da de seu irmão. Deitou-se e fechou os olhos, o dia seguinte seria longo.
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–Lyra! Lyra, acorda!
A garota abriu os olhos sonolenta e se deparou com o rosto de seu irmão. Sentou-se e bocejou longa e preguiçosamente, enquanto Matt se afastava e juntava frutinhas para o café da manhã em uma tigela. Depois de comerem, pegaram as coisas e, olhando pela última vez para o lugar onde sempre haviam vivido, partiram em direção à floresta.
Caminharam por cerca de uma hora, até por fim adentrarem a conhecida clareira. Tom ainda não havia chegado então resolveram sentar para esperar. O menino não demorou de chegar, e logo o pequeno grupo saiu em direção ao coração da floresta.
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Em pouco mais de uma hora, o trio alcançou a base de uma elevação. Já era quase meio dia, mas Tommas garantiu que já estavam perto. Depois de um curto descanso, os três começaram a subir o morro, o suor escorrendo pelas têmporas e as pernas cansadas, com o sol quente os castigando. Depois de um tempo, começaram a avistar várias cavernas espalhadas por toda a extensão da colina. Quando alcançaram a primeira, Tom avisou que chegariam em quinze minutos.
Foi dito e certo: em pouco tempo eles entraram em uma caverna particularmente grande, pontilhada por inúmeras casinhas de pedra. Em meio a todas as casas, havia uma construção maior, que se assemelhava levemente com um castelo. Tommas os levou para uma casa pouco maior que as outras, que ficava mais ao fundo da caverna. Várias pessoas estavam andando pelas ruas, e os gêmeos puderem identificar algumas lojas de diversas coisas — roupas, comida, objetos caseiros, e chegaram a ver uma com vários objetos coloridos de forma ligeiramente oval em uma vitrine.
A casa tinha uma porta grande de madeira, adornada por vários e minúsculos desenhos dourados. Uma pequena e discreta campainha se mostrava ao lado dela, e Tom a tocou fazendo soar o barulho de um sino mais para dentro da casa. Dentro de alguns segundos eles ouviram passos e a porta foi aberta revelando um homem que aparentava ter por volta de quarenta anos. Ele era alto e magro, e sua face tinha algumas rugas de expressão. Seus cabelos eram curtos e castanhos, com vários fios brancos espalhados, e seus olhos eram azuis e expressivos. O homem os observou por alguns instantes e então fez um gesto indicando que entrassem.
A sala em que estavam tinha um sofá bege, duas poltronas iguais e uma mesinha com elegantes pernas de madeira e o tampo de vidro. O chão era coberto por azulejos brancos tão limpos que pareciam brilhar, e em uma das paredes estava uma estante com alguns livros e objetos de porcelana. Na outra parede uma janela permitia que a luz entrasse no aposento. O homem os guiou até as poltronas, e os quatro sentaram em frente a mesa.
–Vocês são os órfãos Lyra e Matt, certo? -O homem perguntou encarando os dois, que assentiram.
–Tom me falou de vocês. Sinto muito pelos seus pais. Vocês não sabiam que eram dragaynes?
–Não. -Respondeu a garota brevemente. O homem os observou, e então, como se tivesse se lembrado de algo, perguntou:
–Vocês já almoçaram? Deve ter sobrado do almoço, vou preparar algo para vocês comerem. -Dizendo isso, levantou-se e virou para uma porta, mas então voltou e acrescentou:
–Esqueci de me apresentar. Sou Robert Harrison, líder do clã da montanha. -Deu um pequeno sorriso e foi para a cozinha.
O silêncio pairou na sala, sendo quebrado apenas pelo som abafado de Robert mexendo em algo na cozinha, e pelos sons vindos da rua. Nenhum dos três se adiantou para falar algo, e logo o sr. Harrison voltou trazendo uma panela fumegante de cosido, pratos e talheres, que depositou na mesinha. O trio comeu silenciosamente e depois que terminaram o homem recolheu os pratos e a panela e voltou para a cozinha.
Quando ele voltou, nem os gêmeos nem Tom havia se manifestado. Quebrando o silêncio, Robert começou:
–Bom, agora que vocês já comeram, seria bom que soubéssemos o que fazer com vocês. Seria bom descobrir se vocês são ou não dragaynes, e fazer o Teste do Dragão. Depois de resolver isso, Tom pode deixar vocês no Centro de Treinamento.
–Centro de Treinamento? -Perguntou Matt curioso.
–É onde vocês aprenderão a controlar seus poderes... E seus dragões.
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