Dracologia
15 P.O.V Kai
Acordar cedo e dar uma volta de skate pelo Campus, pra aproveitar o verde e o ar puro desse lugar digno de um cenário de O Hobbit é lei todo dia pra mim. Quando acordo, vejo Wild quase sempre cheio de hematomas e roupas rasgadas, o que é muito estranho. Isso acontece uma vez por mês pelo menos. Ainda não sei se ele fica menstruado, pois isso significaria a TPM dele. E as emices.
–Bom dia! — estava no long quando vi o moleque que estuda na minha sala indo pro trabalho, e ele me ignorou. Dei de ombros e segui até uma praça onde os calouros ficam durante os intervalos e estava vazia por estar muito cedo. Também estava muito, muito frio.
Vesti as luvas e me preparava para me exercitar fazendo as manobras quando vi uma menina lendo um livro bem grande, no colo. Fiquei surpreso, obviamente, nunca a tinha visto tão cedo, mas já tinha a visto antes. E antes de ir falar com ela, consegui observá-la por algum tempo e notar sua pele, olhos e feição com mais atenção. Trina, se não me falha a memória.
–Bom dia! — eu dei meu máximo para não parecer tão mala, e Wild acharia impossível.
–Bom dia! — ela levantou o rosto para poder retribuir a gentileza e fez isso acompanhado de um sorriso sincero, e fiquei contente, ela parecia uma garota legal.
–Eu pensei que fosse o único louco. Mas acho que... é a primeira vez que a vejo nessa praça a essa hora. — sentei-me de frente para ela, enquanto pedia permissão para pegar o livro e perguntar o que estava vendo.
–Nessa praça é, mas eu já vi você, você que não me via. — ela sorriu. — Acordo cedo, mas não tão cedo quanto você! — e riu com suas fileiras de dentes brancos e pequenos, ela era pequena. Tinha um cabelo curto preto e olhos azuis lineados de lápis preto e uma boca de boneca, rosada e bem desenhada. Longos cílios e bochechas cheias, e magrinha. Longos dedos e uma pele bem branca, com uma voz doce..
–Bruxa? — perguntei devolvendo o livro e sorrindo. — Sempre tive curiosidade, mas acho que não levo jeito.
–Sempre teve jeito pro skate, Kai? É seu nome, não é?
–É! Você lembrou! — e ri, ficando um pouco vermelho. — Hm, não na verdade. Caí muito até aprender.
–Você não vai querer saber dos meus micos quando eu não levava jeito pra bruxaria! — ela escondia sua risada com as mãos de porcelana. — O jeito é insistir.
–Se você conseguir me ensinar um feitiço simples, eu te ensino a andar de skate. — eu disse.
Ela levantou uma sobrancelha e mais nada.
–E te mostro uma cachoeira que não está no mapa, é a mais bonita. Já ouviu falar da Queda de Fe?
–Não! — ela sorriu e arregalou os olhos — Você sabe? Sabe onde fica a Queda de Fe? Trato feito!
Nós rimos da bobeira e acertamos de nos encontrarmos no mesmo horário todo dia e dividirmos o tempo ensinando um ao outro, e ela me pediu que descrevesse como era a tal cachoeira:
–É muito alta e parece que lá chove o tempo todo. — eu descrevia com carinho e observava suas emoções — a água passa pela copa das árvores e tem arco íris em todo o lugar, é muito bonita.
–Sabe por que parece chover? — ela perguntou como quem realizava um quiz ou uma prova muito importante.
–A água bate em uma rocha plana, e com o choque respinga alto, por isso que parece chuva. — eu disse orgulhoso. -Só não sei como a rocha não se desgasta com tanta água com a força que ela bate.
–A Queda de Fe se tornou uma cachoeira famosa por causa de uma história, Kai. Era uma harpia que se suicidou lá, seu nome era Fe.
–Faz sentido, mas por que ela se matou?
–Dizem que o ninho dela foi roubado, é uma história muito antiga, ninguém mais sabe a verdade... — e suspirou. — Mas deixa eu te contar o que me contaram. Ela era uma harpia Diomedea, era humana com as asas de um albatroz gigante. Essas aves são famosas por se lançarem na água para pescar, e fazem isso com uma velocidade incrível. E mesmo com chuva, eles fazem isso, na verdade dizem que albatrozes amam chuva. Depois de ter os ovos roubados sem nem saber quem foi, ou para onde foram, ela se jogou em queda livre em direção ao fundo da queda d'água e bateu numa rocha ao fundo. Os deuses tiveram pena dela e emergiram a rocha para que chovesse todos os dias em honra do sofrimento de Fe. E enfeitiçaram a rocha para que não houvesse erosão. Por dias as companheiras se queixaram pela rocha, e que o cenário era sempre triste e Fe e os filhotes desaparecidos mereciam uma paisagem bonita, foi quando as deusas coloriram a água de turquesa e fizeram sempre que lá tivesse Sol para ter sempre luz e cores. Daí virou um berçário, o berçário de Fe, a Queda de Fe.

–Uau. Que história. Onde aprendeu?
–Aprendi com a minha av..
Uma sombra cobriu o rosto de Trina e o cara que tinha me ignorado há 15 minutos atrás agora estava parado com uma cara de poucos amigos e olhava diretamente para Trina fingindo desconhecer minha existência.
–Bom dia. — ele disse.
Eu quis rir a ironia ou dizer alguma coisa mas sabia que ele não estava falando comigo. Ofereceu um café para ela e pediu um minuto de sua atenção, ou seja me dispensou. Disse isso sem nem olhar para a minha cara e ela sorriu, dizendo educadamente que precisava de 2 minutos. Ele nem sentou do lado dela, ele apenas falou algo bem baixo e ela fazia caras e bocas, ele virou a cara pro lado e ela saiu raivosa, mas depois voltou e eles pareciam um casal em crise, ele não foi atrás dela, mas ela logo voltou e ele baixou a cabeça. Ela parou de gesticular e parecer assustada e simplesmente o abraçou, eu decidi ir embora, não sabia o que tava rolando.
Voltei pro quarto, tomei banho, troquei de roupa e ia descer pro café quando Wild falou pra esperar por ele, então acabei comendo no quarto e falamos sobre isso:
–Como assim? Eles estão namorando? — Wild tinha a boca cheia de ovo mexido e eu pude jurar que ele também estava comendo ketchup junto, e isso pareceu bem nojento.
–Não, a Trina não me parece o tipo dele. — dei de ombros.
–Ela faz o seu tipo? — ele riu com a boca cheia, sem modos e eu decidi comer também e ignorar o fato de que nós dois falávamos de boca cheia igual a dois retardados homens das cavernas.
–Ela é legal, é bonita e é inteligente, faz meu tipo sim. Mas só se for solteira... O Jaden parecia ter feito algo de errado.. — eu chequei minhas mensagens.
–Aquele cara é todo errado, qual a surpresa? Leva ela logo pra maldita cachoeira colorida pelas fadas e pega, porra.
Eu sempre fico surpreso com a ignorância de Wild.
–Jaden fez algo muito errado, e a gente tem que saber, só assim eu posso saber se tem como eu me aproximar da Trina ou não, e se eu perguntar pra ela vai ficar muito na cara.
Wild revirou os olhos e bufou, disse que Jaden nunca falaria nada, e Trina também não.
–Mas aquele bobão colega de quarto dele sim.- completou ele mesmo.
–Harris Black? — perguntei.
–Principalmente bêbado, e eu acho que ele tem uma queda por caras, dizem que foi na festa dos veteranos com Lorenzo. Você consegue seduzi-lo. — e piscou.
Eu quis quebrar a cara do Wild mas me detive a jogar uma almofada nele e sua própria cueca suja, e disse para pegar logo o material da próxima aula pois já estava na hora, e caminhamos até o prédio e subimos as escadas de mármore. Pela primeira vez sentamos próximos um do outro e todos os calouros já estavam em sala, e o barulho de conversas paralelas enchia o ambiente universitário. Eu e Wild matamos o assunto da Trina e do Jaden, mas não esqueço dela na ponta dos pés o abraçando pelo pescoço enquanto ele coloca as duas mãos nas costas dela e até abaixa um pouco a cabeça, e como ele ficou calado quando ela falava alto com ele. Pareciam se conhecer de longa data.
Ela também estava na sala mas conversava com a sua colega de quarto, Felicia e a albina parecia menos deprê do que os outros dias e eu fiquei contente por elas duas, e ainda pensando no Jaden, que estava na última fileira e rabiscava o oito em seu caderno. Harris estava jogando Angry Birds no celular. Resolvi que seria melhor falar com Harris quando Jaden não estivesse vendo para que nem suspeitasse. Trina me olhou e sorriu, e caminhou até mim:
–Desculpa hoje lá praça, o Jaden não é muito paciente.
–É, deve ser um namorado bem explosivo. — joguei a isca.
–Namorado? — ela gargalhou com a mão na barriga enquanto cobria a boca, como sempre fazia, e pelo canto do olho, notei que Jaden deixara de rabiscar seu caderno e observava nós dois. — Ele não é meu namorado! De onde você inventou isso?
–Só imaginei pela intimidade, mas é bom saber. — e sorri coçando a nuca, nervoso.
Ela sorriu de cantinho e apontou pro professor entrando, me convidou para o almoço e se sentou com a sua amiga. Eu peguei o celular e enviei pro Wild:
nao sao namorados >
Eu não esperava uma resposta já que ele mal usa o celular por não ter redes sociais e nunca ligar para os avós, mas ele respondeu:
agora leva ela pra catarata.
Eu ri com o "catarata" e continuamos a trocar textos até o professor avisar que não ia mais tolerar.
–E então, Sr.? Pode me responder qual as principais teorias para as origens dos Dragões?
Eu respondi com sinceridade que não e pedi desculpas, logo após Falcon se prontificou e o professor ignorou e respondeu por si mesmo:
– Durante a Idade Média nunca ninguém iria querer saber sobre o origem dos dragões. Acreditava-se que eles existiam desde o início da terra. Isso mudou na virada dos tempos modernos.Durante o século 17 cientistas começaram a duvidar da existência real dos dragões, mas admitiram que as criaturas eram, pelo menos,possíveis. Como conseqüência evidências de "falsos" dragões pipocavam nos museus. Isso no mundo mortal. Me diga a teoria de Eberhard Werner Happel, Srta. Kodia?
E então ouvi a suave voz de Trina responder:
–A teoria dele para a origem dos dragões é que eles levavam suas presas, cobras, pássaros, coelhos, ovelhas. E lá em cima, nas cavernas das montanhas, as carcaças entravam em decomposição. Como era lá que estes animais residiam, também era lá que eles copulavam, e eventualmente restos de seus sêmens acabavam caindo no solo sobre as carcaças em decomposição.Mas com o tempo o sêmen de várias criaturas se misturam e, e finalmente, uma espécie de "putrefação fermentada" daria à luz a um dragão. Logicamente, esse dragão irá mostrar características de todos osanimais envolvidos: cabeça e cauda de serpente, asas de um pássaro ou morcego, orelhas de um coelho e as pernas de qualquer tipo de ser.
–Essa teoria é absurda ou é correta, classe?
Houveram gargalhadas e ficou claro que era absurda.
–Muito bem, Trina. — o professor sorriu. — A teoria de Lhwyd do "Princípio Spermatick", Sr. Black!
–Alguma coisa sobre a água conter espermas de peixes, a água evaporar e o sêmen das águias se misturar.
–Quase correto, Sr. Black. — o próprio mestre riu. — A água contém o sêmen não só de peixes. Quando se evapora esses semens não ressecam e morrem, mas são transferidos para um novo meio, o ar. Posteriormente, serão levados novamente para o chão durante aprecipitação. Devemos, portanto, não nos espantar com a ideia de que o sêmen de vários animais abunda nas proximidades do ninho de uma águia ou urubu. Porém o sêmen de um único animal não é capaz de desenvolver uma criatura completa, correta. Mas apenas misturado com outros espermatozoides que dará à luz um monstro ou dragão. O "Princípio Spermatick" foi apenas um episódio de curta duração na história da paleontologia. No entanto, ele ganhou muita popularidade entre as pessoas comuns, de modo que, por exemplo, em 1734 Zedler ainda pode atribuir a criação de dragões para esta hipótese. Absurda ou correta?
A turma concordou que era absurda com risadas mais contidas, mas Harris sorriu por estar correto.
–O etnólogo Alexander Haggerty Krappe, acredita que o mito de dragão originou se quando povos primitivos encontraram grandes esqueletos de dinossauros. Outros Teóricos acreditam que as formas de dragões ainda existem hoje na Terra. O Monstro de Loch Ness é o principal exemplo moderno de um "dragão de água" em potencial. Alguns antropólogos admitem que criaturas que cospem fogo são possíveis. Besouros Bombardier, por exemplo, cospem ácido vaporizado de seus abdomens. Quero uma pesquisa sobre esses besouros e a fórmula química biológica dos besouros e dos dragões que também cospem ácido para a próxima aula.
A aula de História nesse dia foi bem menos entediante do que nos outros e eu fico aliviado.
–Embora ocorram em muitas lendas em todo o mundo, existem grandes diferenças entre os vários monstros que foram agrupados sob o rótulo de dragão. Alguns dragões podem cuspir fogo ou serem venenosos. Eles são comumente retratados como serpentes ou répteis eclodindo de ovos e possuem corpos, tipicamente escamosos ou de penas. Dragões europeus são mais frequentemente alados, enquanto os dragões chineses semelhantes a serpentes de grande porte. Dragões pode ter um número variável de pernas: nenhuma, duas, quatro, ou mais quando se trata de literatura européia. Vamos examinar os principais tipos de dragões, com a Sra. Gargouille, já que eu estou marcado para fazer uma palestra bem agora.
Eu senti a tensão se assentar no recinto, e o ar ficar tão pesado que seria capaz de cortá-lo e engoli-lo. Eu não gostava do monstro que era La Gargouille e tenho certeza que nenhum dos outros alunos gostam, nem Falcon se atreve a levantar sua mão para responder as perguntas dela, Jaden é o único que parece menos incomodado com sua presença apesar de ter empunhado um canivete. Talvez esteja acostumado com barangas. Eu quis escrever essa piada para o Wild mas fiquei borrado de medo demais para concretizar essa piada.
O professor pediu que descêssemos e encontrássemos a Sra. Gargouille na clareira para que ela explicasse o resto da matéria dele, mas óbvio que ela utilizou para adiantar sua própria matéria sobre física e o mecanismo de voo dos dragões como sempre. Depois continuamos na clareira pois o professor de Habitat iria fazer uma trilha com a turma para vermos os Dragões do Ar, iríamos até Carauntoohil, no condado de Kerry. É o pico mais alto da Irlanda, com uma altitude de 1.038 metros acima do mar, e acamparemos lá.
–Sejam bem vindos à trilha que inicia aqui e vai até Carauntoohil, eu sou o Dr. Charliston, como vocês bem conhecem, e hoje temos uma nova aluna: Iolina Kurkova, da Ucrânia.
Eu e o resto da turma espichou os olhos e vimos uma mulher de cabelos cor de rosa, levemente bronzeada e de olhos amendoados, em nada se parecia com uma mulher ucraniana que eu tinha criado na minha mente, como seno mulheres altas brancas e super modelos. Não que ela não fosse bonita, só não era grande coisa. Todos estavam com suas mochilas de alpinismo, cordas, botas e mosquetões. Todos prontos para ir ao encontro dos Dragões do Ar.
O professor parada a cada meia hora por 5 minutos e dava um pouco da matéria, mas na verdade ele bebia água e respirava como qualquer um de nós. O pessoal tirava selfies e arfava como cães e só estávamos andando há 3 horas e não estávamos nem na metade.
–Dragões deste elemento pertence a uma família de seres draconicos cuja subespécie incluem aqueles de vento, tempestade e tempo. Às vezes, eles unem forças com os dragões de fogo e vulcões, mares e outras águas, montanhas e florestas, e caos. Assim como nenhum elemento funciona totalmente sozinho, seja em empreendimentos ou atividades mágicas, dragões elementares juntam seus grandes poderes para realizar tarefas. Às vezes, há conflito de poderes elementais, produzindo grandes perturbações atmosféricas e ambientais, mas principalmente os elementais trabalham em harmonia. O elemento Ar governa o leste. Seu regente dragão é Sairys (sair' iss), que supervisiona os dragões de brisas e ventos. Sua cor é amarelo puro, que é considerado quente e úmido. — foi a fala mais longa do professor e logo paramos mais um pouco.
–Estamos subindo pelo lado nordeste, ao longo da Hag's Glen, quanto tempo vai demorar? — perguntei a Wild.
–Hoje vamos caminhar por 6 horas, amanhã mais 4 e logo estaremos no topo. Precisa de ajuda?
Fiquei surpreso com a boa vontade, e disse que estava de boa, e ele concordou. Atrás de nós, eu sabia que Jaden não estava nem suando, ele era o mais silencioso do grupo e nem bebera sua água ainda, e alguns alunos tentavam puxar papo sendo puxa sacos. Ele apenas grunhia algo incompreensível e subia mais rápido, mas sempre preferia ficar por último, o professor o encarregou disso para estimular os outros alunos e não perder ninguém de vista. Jaden não exatamente "inspirava" os alunos. Ele dizia para ir mais rápido e xingava algo como "que merda, eu que sou fumante aguento" ou "anda logo, não quero pisar no seu calcanhar". E esse alguém era Harris. Não estava aguentando o ritmo do grupo. Na minha frente, a menina nova tinha se enturmado com Branca e Dagda, Trina estava ainda mais a frente e Falcon estava todo equipado com geringonças inacreditáveis e estava vermelho, e eu fiquei muito feliz. Mas acabei me oferecendo para levar algumas coisas desde que pudesse utilizar elas junto com ele. Ele aceitou meio desconfiado, mas claramente grato. Wild revirou os olhos mas não disse nada para depois também ter direito ao privilégio.
O professor falava sobre a vida selvagem, sobre ter o que comer entre aquelas rochas, os outros animais selvagens, a temperatura... e suas antigas classes que eram bem mais rápidas e atléticas.
O professor também estava cansado, mas estava empolgado e certamente já tinha feito isso outras vezes para ver seus preciosos dragões.
Paramos assim que o Sol se pôs pois a trilha poderia ser perigosa, condições climáticas na montanha são muito variáveis e tem havido um número de mortes, devido a muitos turistas se vestirem inapropriadamente ao tentar escalar a montanha. Montamos nossas barracas e uma fogueira, onde Falcon revelou panelinhas, macarrão instantâneo gourmet e até chocolate para derreter. Os demais tinham barrinhas de proteína desidratada, bananas e marshmallows. Mesmo depois de rimos de Falcon, ele dividiu seu chocolate com o marshmallow da galera e todo mundo comeu fundi, e contamos histórias sobre nós mesmos. Conversamos sobre viagens, histórias engraçadas e todo tipo de assunto, também fizemos o jogo do "quem nunca":
–Quem nunca entrou em coma alcoólico?
Alguns continuaram com os dedos levantados, mas muitos abaixaram.
–Quem nunca traiu?
Para meu espanto, vários abaixaram o dedo, e eu fiquei pensando internamente sobre as questões da juventude, e vi que Trina tinha abaixado o dedo. Fiquei pensando sobre isso enquanto reparava nas outras pessoas da sala, os gêmeos, a ruiva Stormborn, a Gaelia que era bem mais velha (devia ter uns 40), os caras do esporte e um homem que devia ter uns 30 anos, era militar.
–Quem nunca viajou?
E a noite seguiu assim, cada um da rodinha falava um "quem nunca" e dali surgiram perguntas indiscretas, amargas e taradas, dignas de jovens adultos entre 18 e 24 anos. Gaelia não jogou, disse que já tinha feito tudo, e nós a zoamos, ela riu e foi deitar na barraca dela. Eu fui o segundo a sair e fiquei lendo um livro sobre serial killers já que meu celular não tinha sinal.
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No dia seguinte, depois de mais 2 horas andando já podíamos ouvir os dragões. Seus rugidos e bater de asas, e o professor disse que tínhamos sorte por não ter neblina, disse que por serem selvagens, não podemos nos aproximar muito apesar de quase nunca implicarem com visitantes.
Enquanto o professor fazia seu discurso, atrás dele podíamos ver um bando de répteis alados do tamanho de elefantes, eram brancos, cinzas e prateados, de acordo com a camuflagem do local e se lançavam de costas para a imensidão. Eram mais de 100, com certeza. Admito que fiquei nervoso.
–Às vezes estes dragões têm penas que circundam os olhos e pescoço. Um exemplo é o dragão britânico chamado Henham, que foi bem documentado em 1669. Ele foi descrito como tendo cerca de nove metros de comprimento com pequenas asas e olhos bastante curiosos cercados por 'penas'. O dragão Henham fez aparições repetidas a um grande número de observadores por vários anos antes que desaparecesse por completo.Normalmente são encontrados nas altas montanhas, picos rochosos ou afloramentos robustos, como podem ver. Alguns dos mais velhos demarcam seus domínios no topo onde há neve, e tendem a ser os Alfas dos bandos, que podem ser de 100 indivíduos a milhões deles, dependendo da disponibilidade da área e de comida disponível. Na Irlanda há mais dragões do que em qualquer outro lugar do mundo.
Enquanto isso Wild sentou no chão e os outros repetiram o processo, deixando o peso das mochilas apoiar no chão. O professor pediu que observássemos os dragões e os desenhássemos para depois fazer a análise de seu habitat, características físicas e alimentação. Por que aquela cor, por que aquela dieta, por que aqueles costumes, por que de tudo.
Depois disso ficamos por mais 2 ou 3 horas, não mais que isso, e nos pusemos a descer. O resto do dia foi o suficiente para descer, e éramos todos esfomeados, com frio e sujos, de noites mal dormidas. Meus ossos pareciam congelados. Mas não posso negar que foi muito legal e uma surpresa. Queria esperar até o dia seguinte para encontrar Trina e mostrá-la que já sei um truque, o velho truque da moeda e dizer "vou levá-la hoje, depois da aula". Espero que ela goste.
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