Drabble 2024 - Malditas Borboletas

31 Capítulo 31: A ignorância é uma dádiva!


Notas iniciais
E terminamos... As notas é mais que o dobro do capitulo!

Paramos quando meu celular vibrou.

“Achei que, contando o quão bom seria, impediria você de sofrer. Mas talvez o sofrimento tenha vindo justamente por saber demais.”

Li aquelas palavras, sentindo como se elas fossem minhas — talvez fossem. Talvez o futuro tivesse suas próprias características modais. Ou talvez certas coisas precisem ser vividas para que possam ser entendidas.

Sorri, completamente pleno. A brisa do parque acariciava meu rosto. E então, a vi: a borboleta.

Ela pairou por alguns instantes, uma presença amodal em sua liberdade e depois, com um último bater de asas, ela partiu.

Dessa vez, eu a deixei ir.

Notas finais
Quero compartilhar com vocês o que realmente me levou a escrever essa história. Talvez a ideia central seja familiar pra muitos de nós: a vontade de saber o futuro, de antecipar as coisas, evitar dores e seguir o caminho “certo.” Mas o que acontece quando essa ânsia de controle começa a sufocar a gente? Essa história, na verdade, é sobre isso. Sobre querer saber e mudar tanto o futuro que você acaba se perdendo no presente. As mensagens que Raue recebia eram como ecos do próprio desejo de controlar o próprio destino, de entender aonde as coisas iam dar antes mesmo de ele viver cada momento e ver com os próprios olhos se realmente tudo seria ruim. E ironicamente, talvez o que mais o feriu tenha sido justamente esse saber antecipado. Se ele tivesse seguido o fluxo, talvez nunca tivesse se visto preso nesse sofrimento intenso. É aquela velha ideia: será que se não soubéssemos dos obstáculos, enfrentaríamos tudo com mais coragem? A borboleta na história é uma representação. No começo, ela parece um simples sinal, quase um presságio, algo leve. Mas a cada vez que ela aparece, a gente sente um peso maior. Ela é o lembrete de que o futuro chega com ou sem nossa permissão, e de que tentar escapar (pegar, bater) dele pode ser mais uma forma de se afundar. O conceito do “efeito borboleta” vem exatamente daí. Pequenas escolhas do Raue, uma decisão que ele toma pra evitar uma dor ou uma insegurança, acabam gerando uma cascata de outras dores. Ao querer fugir, ele abre espaço pra um labirinto de consequências que só pioram a situação. Será que se Raue não soubesse de nada disso, ele não teria simplesmente vivido esses momentos e, talvez, até se apaixonado sem tanto peso? Se a vida tivesse seguido no ritmo natural, será que ele teria processado as coisas de forma diferente, permitindo que o coração e a mente digerissem os sentimentos aos poucos? A busca por controlar acabou se tornando uma “calceta” invisível – ele carrega o peso dessa antecipação, desse desejo de saber, e com isso, se afasta do presente. E sobre as mensagens? Deixo aqui uma reflexão pessoal, pra quem gosta de teorizar sobre o que realmente estava acontecendo. Eu imaginei que quem enviava as mensagens era o próprio Raue do futuro, tentando impedir seu “eu” do presente de cair nas mesmas armadilhas emocionais que ele caiu. Afinal, o Raue do futuro já sofreu, já viveu a dor de se perder no desejo de saber e tentar manipular as coisas. E, com essas mensagens, ele queria dar uma chance pro Raue do presente viver de forma mais leve, talvez até de evitar algumas das dores que ele mesmo sentiu. Mas o que Raue nunca entendeu – nem o do presente, nem o do futuro – é que tentar impedir a dor é o que a multiplica. Não importa o quão esperto ele seja, o quão ansioso pra evitar sofrimentos, ele sempre chega ao mesmo resultado. Essa história é um lembrete pra mim – e espero que pra vocês também – de que o controle total é uma ilusão, e que os momentos mais significativos surgem justamente quando nos permitimos ser vulneráveis, soltar o controle e aceitar o que vier. O futuro chega, com ou sem nossa intervenção, e que o melhor que a gente pode fazer é abraçar o presente. Assim como o Raue, eu tentei fugir do que me aconteceu esse ano. Tentei controlar, tentar apagar, mudar as coisas, mas, gente, não tinha como. Era como se quanto mais eu tentava escapar, mais as borboletas se multiplicassem, trazendo o passado, o presente, o futuro, tudo ao mesmo tempo. E foi só quando FINALMENTE aceitei isso que as coisas começaram a se alinhar. Foi entender que, sim, algumas coisas precisam ser vividas, e que só depois de aceitá-las é que podemos finalmente respirar e seguir. Obrigado por mais um ano comigo! A maioria sendo rostos das outras drabbles que escrevi! Eu amo ler as histórias de vocês e outubro é um mês especial por conta disso! Obrigado por tudo!

 Com amor, Gabs
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!