Dprince
4 Vale congelado
—Já chegamos? — pergunta o espadachim impaciente.
—Pela milésima vez, — o mago grita furioso — nós acabamos de sair!
—Esse lugar é muito chato! Vamo parar aqui!
—Já paramos duas vezes! — a arqueira começará a ficar irritada — Vamo segui o caminho direto, sem paradas!
—Arg, que saco! — Hard continua caminhando quando sua espinha treme de frio — Uou, vocês notaram que o clima ficou frio de repente?!
—Eu notei! — Aponta Dann — Rura o que isso significa?!
—Acho melhor você olhar para frente! — a menina aponta para o norte, onde uma vila estava completamente congelada.
—Neve? No meio da floresta? — Hard comenta.
—Aquela era a vila dos comerciantes!
—Parece que chegamos tarde demais! — Rura diz em um tom triste — Vamos dar a volta...
—Calma ae, — Hard solta suas bagagens e se coloca na frente dos dois — se dermos a volta o caminho será três vezes maior! Vamos atravessar a vila!
—Você não sabe o que nos espera lá! — a arqueira previa o pior — Vamos dar a volta! É mais seguro!
—Talvez Hard esteja certo! — apontou Dann.
—Sério?! — o espadachim ficou surpreso, era a primeira vez que Dann concordava com ele.
—Não temos muito tempo! — o mago continuou — Se não formos rápido o reino inteiro pode sofrer o mesmo destino que o dessa vila.
—Não vale a pena arriscar tudo por um pouco mais de tempo!
—Eu confio em nossas habilidades! — o mago argumento — Não há nada naquela vila que nós não possamos derrotar!
—Esse é o espírito! — Hard bateu nas costas do amigo com um sorriso de orelha a orelha.
—Não faça mais isso! — Dann respondeu dando as costas e partindo.
Em seguida Hard agarrou suas bagagens e seguiu o mago.
—Que os espíritos nos ajudem... — a menina cochichou insegura.
Os três seguiram reto, a vila estava coberta na neve. Com algumas tendas soterradas e outras quase intactas.
—Que silêncio! — comentou Hard.
—Isso não é bom! — a menina cochichou.
—Olhos abertos! — o mago alertou.
Era quase meio dia, estava pelo menos uns 20°C. Mesmo assim a neve da vila não estava derretendo.
—Isso é estranho... — o mago se agachou para observar melhor a neve — alguma coisa está mantendo essa neve gelada!
—Vamos logo! — Rura estava inquieta — Estou com um mau pressentimento.
E os três seguiram reto. O silêncio e o frio criavam uma tensão no ar.
—Por que eu sinto que estou sendo vigiado? — o espadachim perguntou sem baixar a guarda.
—Estamos na metade agora, — explicou Dann — vamos aguentar só mais um pouco!
—Garotos... — Rura cochichou enquanto encarava sua frente.
— Metade ainda?! — reclamou o espadachim.
—Garotos! — ela repetiu.
—Aguenta, só mais um pouco!
—GAROTOS! — Rura gritou apontando para frente.
A metros de distância um enorme jato de neve saia do chão.
—E de lá que está vindo toda essa neve! — observou Dann.
—Vamos dar a volta! — a menina sugeriu.
—Tarde demais! — Hard apontou para a frente e lá estava parado uma criatura cabeçuda e pequena flutuando.
—Parece com o espírito verde... — o mago comentou.
—Há, esse não é... — Hard reclamou.
—Um espírito branco! — a menina continuou — em pleno verão um espírito branco!
—O que vamos fazer? — Dann parecia preocupado.
—Ele nos viu, — Rura largou suas malas e empunhou seu arco — não temos outra opção!
E o pequeno espírito começou a rodar no ar. Logo pedaços de gelo e neve começaram a subir. Com um formato humano, os monstro feitos de neve partiram para cima dos três aventureiros.
—Vamos acabar com isso de uma vez! — Hard gritava enquanto derrubava os monstro de neve.
Dann lançava seus feitiços de fogo enquanto Rura lançava suas flechas incansávelmente.
—Eu vou derrubá-lo! — gritou Hard Se aproximando do espírito,mas antes que ele tocasse a criatura o bode do inverno o jogou para trás.
—Essa cara de novo? — atrás do bode estava o Yeti.
—Hard volte para cá! — gritou o mago preocupado.
E o garoto se colocou de pé e correu para perto dos amigos.
—O que vamos fazer? — ele perguntou.
—Vamos fugir! — a menina respondeu.
—Como? Estamos cercados!
—Não tem outro jeito, — o mago temia o pior — vamos ter que enfrentá-los!
A menina engoliu um seco.
—Vamos juntos! — o mago gritou.
E os três lutaram com tudo que tinham. A batalha durou horas e foi exausta. Mas no fim tanto o yeti, o bode e o espírito acabaram derrotados caídos no chão.
—Estou morto! — Hard disse caindo na grama molhada. O combate foi tão extenso que a neve acabou derretendo.
—E-eu também não aguento mais! — o mago se apoiava no cajado.
—Temos que ir embora, se eles levantarem de novo estamos mortos!
—Certo! — Hard levanta tremendo — Vamos logo!
Os três começam a caminhar quando.
—Esperem! — a menina vira de costas — estão ouvindo!
—O quê? — perguntou o espadachim.
—Um grito, ou talvez um piar...
—Agora que você mencionou — Dann coloca a mão no queixo como se estivesse lembrando de algo — eu tenho ouvido um piar desde que saímos da floresta!
—Isso não é bom! — a menina anda em círculos nervosa.
Ela engatilha o arco e lança uma flecha em uma cabana a poucos metros.
A flecha fura a cabana e de dentro um abutre preto sai voando. Ele aterriza em cima de uma outra cabana.
—O que é isso? — perguntou o espadachim.
—Maldição! — a menina grita — é por isso que tantas criaturas estão nos seguindo!
—Rura, o que está acontecendo? — o mago pergunta preocupado.
—O abutre! — ela diz apontando para ele — conseguem ver se ele tem olhos vermelhos?
Os meninos forçam sua visão.
—Eu acho que sim! — responde o espadachim.
—Um abutre de olho de sangue, — ela continua — essas criaturas são uma praga!
—O que eles fazem? — Hard tenta se aproximar.
—Eles não atacam, eles esperam suas presas estarem mortas para se aproximarem!
—Ele está nos assistindo morrer? — o espadachim volta a perguntar.
—Mais do que isso, esses abutres são muito egocêntrico para virem nos atacar. Então eles revelam a posição de sua presa para qualquer outro caçador. Não adianta se esconder. Não adianta fugir. O abutre vai continuar revelando nossa posição para qualquer criatura!
—O quê?! — disse Dann preocupado — Temos que nos livrar dessa coisa! Do contrário estamos mortos!
—Ele não luta, se tentarmos algo ele vai fugir e voltar!
—Atire nele! — sugeriu Hard — uma flecha rápida e ele nem saberá o que o atingiu.
—Ele é rápido...
—Não custa tentar — o mago a cortou — é melhor do que nada!
—Certo! — a menina puxou uma flecha até o final de seu arco — aqui vou eu!
Ela mirou bem, focou seu alvo e soltou a flecha.
Porém o resultado não podia ser pior, a flecha passou por cima do pássaro, nem mesmo chegando perto. O pássaro entretanto temeu pelo pior é bateu vôo.
—Ele fugiu? — perguntou Hard.
—Ele Vai voltar! — Rura guardou o arco — eles sempre voltam...
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