Doze Verões
7 2005 Parte 2
Notas iniciais
– Então, o que acha? – Perguntei esperançosa a Lívia.
— Que vocês são doidos, isso sim – Riu ela sem acreditar – E muito criativos.
— Mas isso é algo bom, não é? – Retorqui sentindo a ansiedade ir a ponto máximo em minha cabeça.
— É – Riu ela negando com a cabeça – É só... Surreal.
Sem me conter ri feliz enquanto pulava e batia palminhas. Passado tal momento de euforia me virei para encarar um Damon também descrente sentado no sofá a minha frente.
— Você é maluca, Lena – Disse ele balançando a cabeça.
— Mas podemos fazer, você não acha? – Indaguei indo até ele e me ajoelhando para ficar a altura do seu rosto.
— Céus, é claro que sim! – Respondeu ele sorrindo abertamente.
— Isso! – Comemorei me levantando e sendo tomada nos braços por ele – Nós vamos conseguir, você vai ver...
— Ok, ok jovenzinhos – Interrompeu Lívia se levantando também – Primeiro Alaric precisa explicar como isso de investir em ações e comprar moedas estrangeiras funciona, não vou deixar isso tudo na mão de vocês não, vou monitorar tudo.
— Eu também – Falou Alaric – Vocês ainda são menores de idade, lembrem-se.
— Nós sabemos pai – Revirei os olhos me apoiando no ombro esquerdo de Damon – Quando começamos?
— Agora mesmo – Sorriu ele – Vou explicar como funciona, mas boa parte disso tudo vocês vão entender quando começarmos a por a mão na massa.
Sem nenhuma enrolação a mais Alaric sentou-se no sofá junto com Lívia e pôs-se a explicar minuciosamente como funcionavam os investimentos em ações de empresas e marcas. Após isso ainda esclareceu dúvidas tanto dela, quanto de Damon sobre a compra de moedas estrangeiras para investir nessas ações.
— Acho que os pequenos detalhes, como qual moedas vamos comprar e cotações eles podem dar conta Lívia – Disse Ric assim que terminou – Nós podemos nos dedicar a parte das ações em si, procurar o mercado certo, as empresas certas a se investir... Acho que damos conta disso tudo.
— Você viveu disso por quanto tempo? – Questionou Lívia encostando-se mais no sofá – Parece tão seguro com tudo isso, me parece entender bastante do assunto.
— Vivi disso por uns dois anos após me separar de Isobel, me endividei muito me mudando para cá, por causa da casa, pensões para Elena e honorários do meu divórcio – Explicou Alaric – Um trabalho comum em uma empresa demoraria a me pagar o que eu precisava para quitar tudo, então arrisquei tudo nisso. Por sorte deu certo.
— Então quer dizer que pode não dar certo? Ser uma perda de tempo? – Pressionou Lívia com desconfiança.
Sem sequer se dar conta, Damon segurou fortemente minha mão, como se isso ajudasse a influenciar o pensamento de sua mãe e fazê-la colocar fé na aposta ousada que iríamos fazer. Respirei fundo e retribui o aperto enquanto esperava a resposta de meu pai.
— É arriscado, podemos perder todo o dinheiro que investirmos – Admitiu ele – Tudo depende do mercado em que nós apostarmos, por isso sugeri que essa parte ficasse conosco, temos que estudar bem qual mercado de ações está rendendo mais.
Lívia mordeu os lábios em dúvida enquanto processava as palavras de Alaric, deixando Damon e eu cada vez mais tensos a espera de suas próximas falas. Ela então virou seu olhar para o filho, que a encarava ansiosamente e em menos de um segundo relaxou o corpo como se tivesse tomado uma decisão.
— Está bem – Disse ela – Vamos tentar.
Definitivamente aquele foi um dos momentos mais aliviantes de minha vida. A mão de Damon relaxou sobre a minha e minhas costas destencionaram-se imediatamente. Sem mais aguentar fortes emoções me sentei no sofá e deixei que outros detalhes levianos passassem a ser acertados entre os três.
A conversa oficialmente durou a manhã toda e foi estendida ainda mais quando Ric e eu decidimos ficar para o almoço após o convite de Lívia.
Assim que Alaric foi junto com Lívia para a cozinha, virei-me para Damon e o encarei com expectativa.
— Você é incrível – Sorriu ele me abraçando enquanto se ajeitava no sofá – Nunca imaginaria isso tudo, nem sei o que dizer!
— É só ser meu escravo para o resto da vida, simples – Sorri.
— Bruxa! – Respondeu ele enquanto fingia indignação – Prefiro morrer virgem do que ser seu escravo.
— Então quer dizer que você é virgem? – Perguntei mudando de posição no sofá para encará-lo melhor – Olha só as coisas que eu descubro...
— Eei! Esse assunto não! – Protestou ele corando.
— Agora eu quero saber – Sorri divertida – Qual é, a gente se conhece a tanto tempo... Você não deveria ter vergonha de falar sobre isso comigo, eu te vi vomitando todo seu estômago, não é pior do que isso.
Sem jeito e sem saída ele riu concordando e colocou-se a falar:
— Não sou mais virgem – Murmurou – Foram duas garotas, é meio estranho dizer isso para você sabe...
— Não tem problema – Murmurei fraquinho – Só vou bater em você se não tiver usado camisinha.
— Sim, eu usei – Riu ele balançando a cabeça – Aconteceu umas três vezes. A primeira garota foi logo depois das férias do ano passado, eu até comentei com você que estava com uma garota lembra? Você estava saindo com aquele loiro azedo, qual era o nome dele mesmo?
— Matt – Ri solta – Eu me lembro que você não gostava do jeito dele.
— É, isso aí – Sorriu Damon – Aconteceu duas vezes com ela, depois disso terminamos. E teve outra garota, em algum lugar do ano, não me lembro quando, foi em uma festa, nós fomos para um lugar mais escuro e aconteceu. Só isso – Concluiu ele respirando aliviado.
— Humm, me parece legal – Sorri afetada – Pelo menos você não tem nenhum filho.
— Não que eu saiba – Riu ele me acompanhando. – E você Lena? Já transou com alguém? – Perguntou Damon se aproximando para me encarar com grandes olhos curiosos.
— Não – Respondi envergonhada abaixando a cabeça. Por que diabos eu me sentia tão exposta falando isso para ele? – Os lances que eu tive com os caras que te falei não eram tão duradouros e intensos assim... Nada que valesse a pena.
— Nossa – Sorriu ele – Que... Bom. Que bom não é? – Riu Damon esfregando sua mão na calça – Muito bom...
— É, acho que sim. Não sei – Respondi confusa.
— Vem aqui – Chamou Damon sorrindo enormemente.
Sem entender o contexto de suas palavras me inclinei para ele e deixei-me aconchegar em seus braços, que anteriormente estavam tensos.
— O que acha de trazermos Marley para o almoço também? – Sugeriu Damon após longos minutos.
— Seria legal – Disse brincando com uma mecha de meu cabelo – Ele nunca comeu a comida de sua mãe, não é? Vai ficar doidinho.
— Vai mesmo – Riu Damon – Quando eles vierem nos chamar eu vou na sua casa pegar ele, tenho certeza que Ric não vai adorar.
Sem poder concordar mais, ri e assenti para ele por alguns segundos, não estava com a menor intenção de deixar que ele saísse de sua posição para fazer outra coisa que não fosse ficar comigo. E assim ficamos por no mínimo uns quarenta minutos até Lívia aparecer para nos chamar.
— Vou lá pegar ele – Anunciou Damon.
Assentindo me dirigi para a cozinha e observei Alaric e Lívia colocando pratos a mesa.
— Onde está Damon? – Perguntou Ric.
— Ele já vem – Respondi evitando seu olhar – Foi pegar um negócio.
Sem desconfiar de nada Alaric assentiu e colocou-se a comer. Não se passou nem um minuto até que as patas de Marley batendo contra o piso pudessem ser ouvidas. O breve momento de associação do som com o indivíduo que o fazia foi suficiente para Ric fazer uma careta e se virar em direção ao monstrinho que entrava pela cozinha.
Completamente feliz Marley saltitou em volta da mesa e subiu em uma das cadeiras, dando um latido de boas vindas a todos e abanando seu rabo entusiasticamente.
Alaric estava no ponto alto de sua indignação, tanto que não falou uma palavra sequer, apenas olhou maldosamente para Damon enquanto ele sentava-se a mesa também e fez sinal com a mão dando a entender que mais tarde cortaria seu pescoço por ter trazido nosso cachorro.
— Ele é parte da família – Sorri tentando amenizar.
— E ele nunca comeu a comida daqui – Acrescentou Damon em apoio.
— Não tem problema – Interveio Lívia tentando amenizar a situação – Marley é sempre bem-vindo!
— É, tenho certeza que é – Respondeu Alaric mal-humorado enfiando uma garfada de comida na boca.
Apesar do momentâneo mal humor, Alaric não deixou que a presença de Marley afetasse nosso almoço e tudo correu bem já que todos fomos generosos e compartilhamos pedaços de carne e sobremesa com ele.
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No fim de semana Damon e eu nos reunimos no quintal de minha casa para decidirmos quais moedas escolheríamos entre as que estávamos estudando desde o começo da semana.
— O que acha do Iene? – Sugeriu ele – A economia japonesa é estável e promissora, desvalorizada a moeda não fica, pelo menos não a longo prazo.
— Acho que essa é a questão, apesar de estável ela não tem períodos de grande alta na economia, seria o mesmo que trocar um dólar por um dólar – Respondi enquanto lhe mostrava minha pesquisa no google – Olha esse site, ele trabalha com a cotação da moeda online, não me parece grande coisa essa cotação.
— Vou dar uma olhada nas instruções de Alaric – Falou Damon enquanto revirava um caderninho. Após alguns minutos lendo e relendo as recomendações de Alaric ele declarou por fim: – É, tem razão, não cairia bem.
— O que acha da libra esterlina? – Sugeri apontando para o notebook em meu colo.
— Parece boa –Respondeu jogando minha sugestão no google de seu notebook – Mas pelo que estou vendo não é um mercado muito grande, nas instruções do seu pai está dizendo para avaliar o tamanho do mercado primeiro, depois o valor de troca.
— É, você está certo – Suspirei saindo da página de cotação da libra esterlina – Tem mais alguma sugestão?
— Não, vamos continuar olhando, começamos não tem nem uma hora – Comentou Damon – Vamos achar algo bom o suficiente.
Era incrível a forma como o tempo passava rápido quando eu estava ao lado de Damon e não menos incrível foi quando ele olhou para meu computador e comemorou ao ver a moeda que eu estava estudando.
— O euro é perfeito! – Sorriu – Além de ser seguro por causa da União Europeia tem um ótimo valor, se comprarmos ele em um dia que o valor está baixo e esperarmos alguns meses até a cotação subir, podemos vender e conseguir até o quadruplo disso em dólares!
Sem saber o que dizer sorri escancaradamente para Damon e o abracei como se tudo na vida fosse ficar bem após isso. O dia estava ganho, Damon e eu havíamos cumprido nossa primeira missão.
— Agora só falta a parte de Lívia e Alaric – Falei – E a grana.
— É, a grana – Suspirou Damon preocupado.
— Relaxe por enquanto, ok? Uma coisa de cada vez – Frisei passando o braço ao redor de sua cintura.
Sem ter o que responder Damon assentiu e encostou seu queiro em meu ombro. Por hora, tudo corria bem.
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Alaric e Lívia passaram dias pesquisando investimentos seguros e não obtiveram nenhum sucesso, meu emocional ficava cada vez mais desgastado com tudo isso, eu podia sentir Damon indo embora aos poucos e isso me apavorava completamente. Meu cérebro parava de funcionar quando eu pensava em perde-lo.
Ao contrário de mim Damon se mantinha forte e com esperança, parecia que quem estava passando por dificuldades era eu e não ele pelo modo como ele se portava e tudo isso só me fazia querê-lo cada vez mais perto.
Entretanto ele não era tão bom assim em esconder sua tensão, seus suspiros pesados indicavam o quão frustrado ele estava e o alívio duradouro que ele sentia quando me abraçava me deixava preocupada.
— Essa mulher aí... Ela já entrou com a papelada na justiça? – Perguntei certo dia quando estávamos deitados na grama de seu quintal.
— Já – Suspirou ele – Faz uns dias, ia te contar uma hora, só que não quero te deixar mais nervosa do que já está...
— Ei – Intervi me apoiando em meus cotovelos para encará-lo – Assim como você está aqui para mim eu estou para você, não tem essa de me poupar, entendeu?
Sem ter o que responder ele assentiu e sentou-se para se aproximar mais, fazendo o mesmo que ele deixei que nossas mãos se esbarrassem e pude sentir uma ligeira brisa leve brotar entre nós dois.
Damon respirou fundo se aproximando e me encarou profundamente, sem ter o que dizer apenas retribui seu olhar e deixei meu corpo arquear para mais perto dele. Sua mão esquerda levantou brevemente para tocar meu rosto, mas logo caiu em desistência. Ele também sentia aquela tensão, com toda certeza.
Sabendo que não deveria forçar nada, mas ansiando por algum contato me aproximei ainda mais e o abracei fortemente, sentindo meu corpo estralar de tanto prazer. Ele apertou tanto minha cintura que pude sentir dores, mas depois disso seu corpo relaxou sobre o meu permitindo que seu queixo se encaixasse na curvatura de meu ombro.
— Sabe o que nós precisamos fazer? – Indagou ele em certo momento – Espairecer, fazer algo para tirar tudo isso da nossa cabeça, o que acha?
— Tudo bem – Ri me afastando de seu abraço – O que você propõe?
— O que acha de explorar a mata atrás de nossas casas? Deve render um dia legal ter alguma aventura por lá – Disse Damon com sua típica cara de sonhador – Podemos ir hoje mesmo, depois do almoço.
— Ok – Respondi – Vou arrumar uma mochila com tudo que a gente precisa, repelente, água, comida e tudo mais. Vou fazer isso agora mesmo – Disse levantando-me tamanha minha empolgação – Vamos levar Marley? Se formos preciso separar algumas coisinhas para ele também daí.
— Claro que vamos – Exclamou Damon como se fosse obvio – Ele é nosso bebê, ia ficar super magoado se não o levássemos.
— Tudo bem, agora levanta daí e vem me ajudar a arrumar tudo – Mandei – Você pode almoçar em casa, tenho certeza que sua mãe não vai se importar.
Após Damon avisar sua mãe que iria almoçar e passar a tarde comigo arrumamos nossas mochilas e avisamos Alaric que ele teria um dia de folga sem Marley. Obviamente ele louvou a Deus nesse momento e fez um dos melhores almoços que já tivemos.
Antes das 13 já estávamos pulando a pequena cerca dos fundos de minha casa e ajudando Marley a não se estrepar nela. Feito isso seguimos mata a dentro após passarmos o repelente.
Marley ia a frente latindo sem parar para os pequenos animais que encontrava e como sempre se mostrava mais empolgado que Damon e eu juntos.
— Ah meu Deus segure ele Damon – Gritei quando o vi correr atrás de um esquilo – Ele vai comer o esquilo!!!
— Marley! – Gritou Damon mergulhando no ar para agarrá-lo – Volte aqui seu pestinha!
Damon ficou estatelado no chão após a inútil tentativa de agarrar Marley, o que significava que a missão era minha. Sem esperar incentivos sai correndo atrás de meu cachorro ouvindo Damon atrás de mim. Marley corria como um doido floresta a dentro sem ao menos se importar com a direção, caso Damon não soubesse o caminho de volta com certeza estaríamos perdidos.
O esquilo então encontrou-se encurralado por Marley e não teve outra alternativa a não ser ataca-lo e aquele foi o momento mais assustador de minha vida, pois o esquilo soltou uma espécie de grito que chamou toda sua família que era muito, mas muito grande mesmo.
Em menos de um segundo uma ninhada de esquilos pulava em cima de Marley para morde-lo. Apesar de encrenqueiro Marley era esperto, correndo em círculos ele sacudia-se fortemente e latia por ajuda. Sem hesitar fui em sua direção e o ajudei a tirar os esquilos de suas costas, mas isso só os irritava ainda mais e os jogavam em minha direção.
Em algum momento disso Damon surgiu ao fundo da floresta e expressou um horroroso espanto ao encontrar Marley e eu correndo em círculos para afugentar os esquilos.
— Meu Deus! – Gritou ele correndo em nossa direção – Você precisa bater forte os pés e agir como se fosse mais forte que eles para assustá-los, vamos Lena, faça igual a mim.
Eu amava Damon, mas tudo que senti no momento em que ele começou a pular e a gritar como um macaco foi descrença. Entretanto sua tática estava funcionado, os esquilos que estavam em cima de Marley estavam recuando, sem questionar o método me pus a gritar e a bater com força os pés no chão, tamanha foi a minha surpresa quando os esquilos se afugentaram que não pude formular uma frase por alguns segundos.
— O que foi isso? – Perguntei caindo em gargalhadas junto com Damon – Como você sabia disso?
— Aulas de biologia Lena! – Riu ele – Você não sabia disso? Nossa... Isso foi épico!
Aproveitando o conforto de sua presença deixei-me gargalhar por mais algum tempo enquanto Marley distribuía lambeijos em Damon para agradecê-lo.
— Você sabe onde estamos? – Inquiri recebendo uma resposta negativa de Damon – Precisamos achar alguma trilha, lembro que havia uma que dava em nossas casas, vamos procura-la, que dará tudo certo.
— Ah, qual é? – Forçou Damon fingindo indignação – Vamos explorar, estamos aqui só há meia hora, nem fizemos nada quase. Depois nos preocupamos com isso.
— Você está maluco é? Eu não vou ficar perdida numa floresta e fingir que está tudo bem! – Gritei.
— Lena – Tentou Damon passando os braços em meu ombro – Confie em mim, vamos... Mais tarde fazemos isso... Por favor...
Sem conseguir resistir a sua proximidade deixei-me levar por suas palavras e aceitei sua proposta. Com mais meia hora de caminhada paramos para comer e dar água para Marley, nossa manta era grossa então não havia nenhum mato nos espetando. Ao fundo podíamos ouvir a água do rio correr e isso nos fez combinarmos um dia para irmos nadar.
— Parece ter algo lá na frente – Apontou Damon após avaliar o local onde estávamos – Consegue ver? – Indagou antes de me ver assentir – Está bem descampado, com toda certeza tem algo lá.
Após terminar de comer Damon e eu espantamos as folhas secas de nossa manta e guardamos tudo antes de partirmos. A floresta estava linda em seus tons de marrom e laranja da estação, a folhagem seca esparramada sobre o chão deixava tudo mais lindo e as grandes árvores ao nosso redor ostentando grandes folhas vermelhas e laranjas me faziam ver o quão lindo era meu lar.
— Uma casa na árvore! – Exclamou Damon parando imediatamente.
Há alguns metros havia uma grande árvore sustentando uma casa na árvore que parecia cair aos pedaços. Movida por uma curiosidade súbita avancei sem esperar Damon e desajeitadamente comecei a escalar os grossos troncos que a sustentavam. Alguns segundos depois Damon estava atrás de mim e me ajudava a subir.
— Isso é lindo – Suspirei encantada ao me colocar de pé dentro da pequena casa – Não tem teto, mas é lindo – Ri.
Assentindo em concordância Damon passou seus olhos com curiosidade pela nossa descoberta.
— Olha, dá para ver nossas casas daqui – Apontou ele. Seguindo seu olhar pude avistar não só nossas casas, mas também a trilha que levava até elas e o riacho logo a direita – Incrível!
— Acho que Marley também quer ver – Ri olhando para baixo e encontrando o grande cãozinho tentando escalar a árvore.
— Eu vou ajuda-lo a subir, você fica aqui, vai explorando o lugar – Falou Damon já descendo.
Completamente encantada pus-me a revirar o local. Não havia muito por ali, apenas umas prateleiras comidas por cupins e três cadeiras velhas. O telhado aparentava ter sido depredado por anos de fortes tempestades e ventanias e dava uma ampla vista para o céu, a melhor parte de tudo aquilo.
Damon chegou com Marley no colo em menos de um minuto e deu de ombros quando perguntei se não havia sido difícil para ele trazê-lo.
— Esse lugar está um lixo, ninguém vem aqui há anos – Comentei estendendo nossa manta no chão – Provavelmente não tem dono.
— Agora é nosso – Disse Damon deitando em meu colo – Vamos vir para cá toda vez que tivermos algo especial para dividir, ok?
Sorri assentindo para ele e me pus a acariciar seus cabelos, definitivamente havíamos encontrado nosso lugar.
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