Doze Verões
6 2005 Parte 1
Notas iniciais
As vezes sinto-me flutuando por um mar aberto, sentindo a correnteza levar-me e arrastar-me, não sabia eu para que rio, mas esperava que fosse o que levava para o caminho dele, assim como o avião que há horas aprisionava-me e encurtava a distância entre nós.
Alaric estava esperando, estava tudo certo, estava tudo O.K. Eu estava indo para casa ficar segura.
Era apenas um ano de distância, mas pareciam séculos, apertava-me o peito saber o quão longe ele e sua jaqueta de couro estavam, o quanto sua respiração e sua momentânea confusão não estava presente. A contínua sensação de sufoco perdurava por todos os meses de sua ausência que corria pelos espaços contínuos e sempre vazios de minha extensão, sentindo o frio e abrindo portas para a frigidez.
Era libertador sair de um avião e enxergá-los longe, sorrindo, os dois, de braços abertos, gritando meu nome e rindo, pulando e me amando. Deixei que minhas malas caíssem no chão, respirando profundamente e abrindo o maior sorriso de toda a minha vida. Correndo loucamente pude perceber o quanto os amava, estava em mim, em todas as partes de meu corpo, fazendo com que algo se libertasse, felicidade.
Marley corria junto comigo, latindo sem parar pois de alguma forma havia aberto sua gaiola, ele também estava feliz, todos estavam, as pessoas olhavam para nós como se fossemos um par de loucos, assim como eles, mas eu não me importava, era tudo real, vivo e colorido, o sofrimento acabara e não havia nada mais incrível que aquilo.
Pulei no colo de Damon e o apertei com todas as minhas forças, puxando Alaric para perto quando Damon segurou-me as pernas e as prendeu em sua cintura beijando meu pescoço enquanto Marley subia em cima das pernas dele.
— Não consigo acreditar que é real – Sussurrei para eles – Eu estou aqui! E amo tanto vocês!
— Senti tanto sua falta – Suspirou Damon me apertando ainda mais com as mãos espalmadas em minhas costas – Foi um ano difícil, eu deveria ter vindo mais cedo só pra te esperar...
— Eu estou aqui – Sussurrei baixinho em seu ouvido para que Alaric não ouvisse. – Você está tão bonito pai! Eu estou tão feliz em te ver!!!
— É claro que está – Respondeu ele convencido se afastando de mim e de Damon – Eu sou a pessoa mais incrível da sua vida!
Rimos juntos após ele dar um piscadinha e ir pegar minha mala, chamando Marley e conversando alto com todas as pessoas que olhavam para nós:
“Sabe como é, saudade... Minha filha e o amigo idiota, estávamos morrendo de saudade”
— Olá – Disse Damon sorrindo ao olhar-me nos olhos – Você está bem firme aqui – Prosseguiu ele apertando-me um pouco e me balançando para cima e para baixo em seu colo.
Sorri abertamente para ele e olhei para baixo; vendo nossos corpos unicamente unidos e toquei seu rosto.
— Estou em casa – Afirmei tombando meu rosto em sua testa – Será eterno...
— Enquanto durar – Completou ele – Espero que seja por muito tempo pois ainda não aprendi a me despedir de você.
— Será eterno eu já disse! – Gargalhei jogando-me para trás e o incitando a rir também – Deixe de ser burro!
— Ei, não sou burro, sou diferente – Brincou ele – Tem que saber apreciar.
— Vou tentar Salvatore, vou tentar...
— Ei gente! Por que ainda estão assim? – Indagou um Alaric confuso chegando perto com duas malas e um Marley revolto.
— Ah, é que Elena apostou comigo que eu não aguento ela por mais de cinco minutos, só estou provando que ela está errada – Mentiu Damon.
— Sei... – Respondeu Ric desconfiando – Se é uma aposta então acho que você não se importaria de levar ela no colo, carregar essa bolsa e correr até o carro não é? Sabe como é, só pra provar que ela está errada.
— Não, claro que não – Engoliu em seco Dam – Faço isso numa boa e ela cozinhará para mim pelo resto do verão não é Elena?
Olhei para Damon completamente pasma com a extensão de sua mentira, claro que iria sobrar para mim, mas eu não imaginava de forma alguma que seria dessa, além do mais, o verão passado já tinha limitado todas as nossas experiências na cozinha e eu não estava nem um pouco afim de servir Damon o resto do verão.
— É sim – Sorri fraco forçando sinais com a garganta – Eu vou ganhar mesmo...
Alaric olhou divertido para nós e então entregou uma das mochilas mais pesadas que eu havia trazido a Damon e sem a menor piedade estampada na cara disse:
— Podem ir, quero só ver.
Olhei assustada para Damon, sabendo que ele não conseguiria, mas mesmo assim ele assentiu para mim e se virou para no instante seguinte começar a correr. Ao mesmo compasso comecei a gargalhar, pois o colar que o mesmo usava fazia cócegas em meu pescoço.
— Pra que academia? Eu tenho Elena Gilbert – Ofegou ele quando chegávamos a porta do aeroporto – Só espero que ele traga minhas malas...
— Mais rápido Dam! Mais rápido!!! – Gritei em seu ouvido – Estou adorando ver seus cabelos se bagunçando todos.
— Ah, você acha isso engraçado é? Irei fazer você carregar essa bolsa na boca se não parar! – Rugiu ele rindo.
Gargalhei ainda mais alto, lançando-me para trás e olhando na direção de papai e Marley, que corriam cada vez mais rápido em nossa direção, rindo também, fazendo o tempo correr junto a nós, suspirando e gritando de alegria, era isso, a liberdade, infiltrando por nossas vidas, de forma incrivelmente magnífica.
— Marley!!! – Gritei quando percebi que ele derrubaria Alaric. Infelizmente ele levou o chamado muito a sério e logo quando Damon havia subido no gramado para cortar caminho até o carro ele pulou em cima de nós com toda sua força e baba.
Damon caiu por cima de mim, derrubando minha bolsa a seus pés e se embolando ao meu cabelo juntamente com Marley. Meu riso descontrolado atenuava a forte dor nas costas que crescia nesse exato momento, lambidas eram distribuídas entre mim e Damon quando um Alaric feliz pulou em cima de nós.
— Espero que não se importem com meu peso, pois ele não está grande – Alegou ele alegremente nos forçando ainda mais para o chão – Eu tenho feito academia.
— Minhas costas estão doendo – Choraminguei apertando Damon.
— Vai passar – Sussurrou ele de volta empurrando Alaric para trás, que começou a rir e logo saiu correndo para o carro junto a um Marley feliz. – Nós vamos no carro de minha mãe o.k? Nós combinamos de colocar todas as malas no carro do seu pai já que o dele é maior...
— Tudo bem – Sorri.
Ele ajudou-me a levantar e caminhou lentamente ao meu lado até o carro de Lívia, que abriu um enorme sorriso ao nos ver.
— Desculpe não ter esperado junto com eles lá dentro – Pediu ela assim que Damon e eu nos acomodamos – É que meus saltos estão acabando com meus pés, andei o dia todo procurando coisas para o quarto de Damon.
— Ela resolveu reformar meu quarto sem falar pra mim – Suspirou Damon virando-se para trás e me encarando – Explica para ela como eu odeio ser o último a saber das coisas Lena!
— Bem, tecnicamente eu sou a última a saber, não você, então deve estar tudo bem – Retruquei calando-o por uns instantes.
Ele ponderou se valia a pena discutir, porém desistiu ao ouvir Alaric buzinando atrás de nós, Lívia acelerou o carro e sem mais uma palavra partimos para casa.
— Hoje terá um baile Elena – Falou Lívia ao sairmos do carro – Eu estava falando com Alaric sobre isso ontem, acho que seria legal vocês irem, eu ajudei a prefeita organizar tudo então posso conseguir mais três convites, é moleza.
— Vai ser incrível! – Gritei entusiasmada pulando na grama macia.
— Qual é Lena, baile é coisa de babacas – Disse Damon indignado – Sem falar que a comida é horrível!
— Ah Damon! O que custa? Bailes são legais... Tem música, pessoas legais e a gente pode furar todos os balões no final da festa!
— Boa sorte em convencer esse ai – Gargalhou Lívia – Você sabe como ele é teimoso.
Damon sorriu irônico e ajudou Alaric a tirar todas as malas do carro, enquanto isso corri para casa para tirar a coleira de Marley para que ela não se prendesse em algum lugar e ele saísse arrastando mesas, cadeiras e tudo mais pela casa. Infelizmente quando cheguei ele já tinha acabado com as cadeiras da cozinha e subia a escada com uma enroscada na coleira.
— Vem aqui Marley! – Chamei quando ele começou a latir para que eu tirasse a cadeira de seu encalço – Eu tiro a coleira!
Ele então sentou no alto da escada e olhou-me sério, vez ou outra olhando para a cadeira e então para o lado, na direção dos quartos.
— Eu te dou um daqueles pacotinhos de ração que você gosta... E ainda faço massagem... – Sorri.
No mesmo momento ele desceu as escadas correndo, fazendo com que a cadeira batesse contra o corrimão e deslocasse algumas vigas. Antes que algo mais acontecesse desenrosquei a cadeira da coleira e tirei a mesma para guardar, Marley latiu feliz e foi até o armário onde Alaric guardava sua ração e os pacotinhos especiais, peguei um e coloquei em sua vasilha já colocada no canto da cozinha e o deixei lá comendo enquanto ia guardar a coleira na lavanderia.
— Mas você já comeu? – Perguntei surpresa ao voltar a cozinha e ver a vazia completamente limpa como se não tivesse sido usada – É um bom garoto! Meu garotinho lindo!
Abaixei-me até sua altura e após alguns segundos o acariciando sentei-me no chão, ele subiu por entre minhas pernas e ali se esticou, mostrando suas costas como se dissesse “Estou pronto para minha massagem, escrava”, comecei a massagear suas costas levemente e ao receber seu sinal de aprovação com o focinho apliquei um pouco mais de força.
— Sabe, apesar de todas as bagunças e todas as confusões, você é o melhor cachorro do mundo – Disse para ele arrastando meus dedos até seu pescoço – E você está tão gordinho, é tão fofo! Amanhã nós temos que passear com Damon, vou colocar a coleira em você, mas no fundo nós dois sabemos que quem precisa de coleira é ele.
Ri sozinha enquanto ele dava um latido de aprovação e desci a massagem novamente para suas costas. Ele tombou a cabeça para o lado e andou um pouquinho para frente para se virar de frente para mim, que logo pude saber o que ele queria. Empurrei minhas pernas para frente e deixei que ele se acomodasse para que logo então eu pudesse fazer carinho em sua barriga.
— Você acha que Damon vai querer ir ao baile? – Indaguei olhando em seus olhos. – Eu queria muito que ele fosse, mas duvido muito que ele vá aceitar.
Marley resmungou ressentido e olhou para a porta, remexendo-se incomodado. Ele então levantou, cansado de ficar parado e foi andando lentamente até a porta, esperando que eu levantasse também e fosse até ele, assim que o fiz ele saiu em passos mais apressados e foi para o quintal, onde encontramos com Alaric, que trazia minhas malas e gritava um tchau para Lívia.
Passei por ele mostrando a língua enquanto ele ficava vesgo e segui Marley, que correu para o gramado. Damon estava lá, sentado olhando a rua, arrancando algumas folhas da grama e as jogando para frente, ao perceber Marley chegando ele virou seu rosto para nós e estendeu sua mão pro terrorzinho.
Marley a lambeu e então a segurou entre os dentes, sem realmente morder e grunhiu para mim, fui até eles e me agachei ao lado dele. Marley então levou a mão de Damon até mim e balançou um pouco a cabeça enquanto Damon olhava encabulado para ele.
Sorri sem entender e acariciei a cabeça dele para conforta-lo, entretanto, não era isso que ele queria e para mostrar o que realmente era, ele foi recuando para trás e soltando a mão de Damon, para que a minha caísse em cima dela. Assim que ela o fez, Damon segurou minha mão fortemente, olhando profundo em meus olhos e se aproximando.
— Estamos grudados – Gargalhou olhando para nossas mãos – A baba do Marley é realmente forte.
Gargalhei junto a ele e o encarei ainda mais intensa, ficando de joelhos e me aproximando. Ele se ajeitou de modo que eu pudesse abaixar um pouco, mas que nossa posição não mudasse tanto. Nossas mãos continuaram lá, onde Marley as tinha colocado, paradas no ar, grudadas e babadas, mas, ainda assim, unidas.
Ele sorriu olhando para nossas mãos de novo e apertou a minha um pouco mais forte, eu sentia vontade de dizer algo, mas eu não sabia o que, eu sentia que ele também, porém o silêncio bastava, o silêncio sempre bastava para nós dois. Por hora.
— Então... – Comecei cautelosa – Nós vamos ao baile?
— Você quer mesmo ir? – Perguntou ele olhando-me franco.
— Sim – Sorri apertando ainda mais sua mão, assim como ele fazia.
— Então nós vamos – Sorriu ele fraco. Ele soltou minha mão por uma fração de segundo e após tirar a baba de Marley dela, me puxou para seu lado, abraçando-me – Eu não tenho terno, então não espere que eu vá estar um príncipe.
— Isso não importa para mim – Sussurrei sôfrega aconchegando-me em seu peito – Será perfeito.
Ele assentiu e olhou para frente, com o maxilar um pouco travado, mas então relaxou e apenas observou o tempo correr com o vento que rodeava as leves folhas que ele havia jogado para frente e que agora estavam na rua.
Após algum tempo quieta, resolvi que era hora de entrar, ele apenas assentiu e deixou que eu entrasse, dizendo que estaria me esperando de noite, sorri radiante para ele ao passar pela porta e esperei que ele se levantasse e atravessasse o quintal para ir para casa, só então fechei a porta e deixei que meu coração viesse até a garganta.
Alaric que estava descendo as escadas alegremente parou e me olhou com meio sorriso no rosto.
— Às vezes eu esqueço como é bom descer as escadas e te ver na sala, ou o contrário – Disse vindo até mim – Não ligue para as coisas sentimentais que estou falando, é que estou na crise de meia idade e já não consigo aceitar certas coisas – Riu.
Ri também e me dirigi até ele para o abraçar, ele me apertou com força, como alguém que sabe que é inevitável a perda, mas que não está preparado. Respirei fundo tentando não chorar, mas foi impossível e logo que pisquei as lágrimas saíram junto a soluços escandalosos.
— Está tudo bem – Dizia ele esfregando a mão por minhas costas até que eu pudesse parar de chorar, assim que fiz ele continuou a falar em tom mais controlado e normal – Vamos conversar um pouco está bem? Suas malas estão lá em cima e o baile é só mais tarde, podemos conversar como velhas fofoqueiras.
Ri levemente e o acompanhei até o sofá, soluçando um pouco enquanto tentava me controlar, ele me ofereceu um lenço descartável da mesinha e esperou que eu secasse os vestígios de lágrimas.
— Quer água? – Perguntou. Neguei e então esperei que ele continuasse olhando em seus olhos. – Como está sua mãe?
— Está bem – Respondi, logo me arrependendo – Eu acho – Sorri desviando um pouco o olhar – Nós ficamos muito tempo juntas, passeamos e vamos ao cinema, as vezes ao shopping...
Ele assentiu sem emoções e me encarou tentando me avaliar, mas não tirou muito de meus olhos e então prosseguiu como se estivéssemos falando de batatas.
— E a escola? Como está?
— Estou bem, tenho dificuldade em física e matemática, mas de resto tudo bem – Assenti lembrando de um leve e maravilhoso detalhe – Às vezes quando não entendo algo Damon me explica pela web cam.
Alaric riu e abaixou um pouco a cabeça, estendendo a mão e tomando a minha.
— Eca – Falou ele soltando minha mão – Está cheia de baba! Pelo amor de Deus Elena! Vá lavar essas mãos e depois conversamos!
Gargalhei dele e então me levantei, olhando nele por uns segundos e percebendo que ele me encarava com amor.
— Eu sei que a distância nos impede de ter uma relação normal, mas aos poucos nós vamos conseguir O.K? – Disse ele – Todo dia, pouco a pouco, nós vamos conversar e melhorar tudo, você vai ver.
— Não precisa – Respondi – Nós somos bons do jeito que somos, te amo por isso, porque apesar de tudo você é um bom pai e faz o que pode.
Seus olhos marejaram e ele assentiu algumas vezes, deixando então que eu subisse a escada e fizesse algo produtivo. Por algum motivo eu não consegui terminar de subir toda a escada e a meio caminho para meu quarto eu parei. Dei meia volta e corri levemente voltando para meu pai e o abracei com toda a força, desejando que ele sentisse todo meu amor, estava ali, passando por mim e por ele. Ele me abraçou de volta e então me soltou quando eu pedi. Lentamente subi para meu quarto, sentindo o alívio de poder finalmente dizer, não com palavras, mas como eu verdadeiramente queria demonstrar, que eu o amava.
Meus olhos estavam esfumados, preto, marrom e dourado, meu vestido azul esvoaçava pelo espelho, lábios vermelhos puxavam algo que eu não sabia definir em mim, os cílios longos levando ao cabelo firmemente preso, que se descamava em alguns cachos pelas minhas costas. Sorri feliz com o resultado, descendo os olhos para meus saltos e sentindo-me orgulhosa com seus poucos centímetros. Coloquei minha pulseira de prata e o colar de cristal, cujo único pingente era um único e facetado coração, que subia envolto pela detalhada corrente por meu pescoço, passei um gloss incolor em meus lábios e encarei-me novamente no grande espelho. O.K, estava tudo O.K.
— Toc toc – Disse meu pai batendo na porta aberta – Vim avisar que Damon não pode ir ao baile, está tudo o.k pra você?
O encarei sem entender, pois eu sabia que Damon iria, ele havia dito e ele não voltava atrás no que dizia, então a única explicação lógica era que meu pai ainda não sabia de sua decisão.
— Você está linda a propósito – Sorriu andando até mim e ajeitando sua camisa.
— Ele vai sim pai – Expliquei rindo – Ele mudou de ideia.
Alaric riu por um tempo constrangido e após passar a mão por seus cabelos modelados com gel, disse:
— Ele está mal Elena, Lívia disse que ele não parou de vomitar desde que jantou, ela acredita que tenha sido o curry que ele se empanturrou junto com a comida – Riu novamente.
O olhei desolada e apenas assenti, sentando ao seu lado, sem saber o que pensar, como agir e o que fazer.
— Lívia como organizadora vai ter que ir ao baile, então nós vamos acompanha-la já que ela não pode ir sozinha – Prosseguiu – Tudo bem?
— Não pai – Neguei balançando a cabeça – Damon está doente eu vou ficar e dar uma olhada nele, vai que ele piora.
— Olha Elena – Começou ele desconfortável – Não sei como dizer isso, pois eu entendo essa amizade profunda entre vocês dois, mas não vou deixar você passar a noite no quarto de Damon.
— Pai! – Gritei ultrajada levantando da cama – Ele é meu amigo e o que acha que nós vamos fazer? Nos beijar enquanto ele vomita na minha boca? – Ele se assustou por um momento e então fez cara de nojo, levando em consideração o que eu havia dito – Damon e eu sempre fomos amigos, não posso deixar ele sozinho num estado desses.
— Tudo bem, ok – Retrucou ele cruzando os braços zangado – Mas vou ligar de hora em hora para conferir e se eu escutar vozes ofegantes a coisa vai ficar muito séria.
— Entendi – Gargalhei o abraçando – Não vai acontecer nada, relaxe!
Ele assentiu outra vez e se levantou, olhando-se no espelho e sussurrando baixinho:
— Quem é o gatão? Você é o gatão!
Gargalhei alto e o empurrei para a porta confirmando sua afirmação e lhe desejando um bom baile ao lado de Lívia, ele disse que não precisava de sorte pois era um gatão e apenas deslizou pelo corrimão da escada.
— MAS QUEM FOI QUE FEZ ISSO NO MEU CORRIMÃO? – Gritou ele após um estrondoso barulho de madeira se estatelando no chão – Seu cão possuído – Rosnou para Marley – Não tenho tempo agora, mas conversaremos sobre isso depois Marley!
Apaguei as luzes de meu quarto e desci as escadas apressada, indo até a porta da sala e saindo por ela antes que Marley me seguisse, assim que a fechei a tranquei, pois Marley já havia aprendido abrir a porta sozinho.
Atravessei o quintal e fui em direção a casa de Damon, de onde Lívia havia acabado de sair e sorrira para mim deixando a porta aberta, agradeci ela com um sorriso e entrei trancando a porta atrás de mim. Subi as escadas sem fazer barulho, desejando pegar Damon sorrateiramente e fui até a porta de seu quarto que estava aberta.
Deslizei meus pés para dentro e joguei minha perna direita na frente da esquerda sorrindo e parando com a mão no batente, ele olhou surpreso em minha direção por alguns instantes e então sorriu amplo, sentando-se na cama no mesmo instante e lançando seu corpo em minha direção.
— O que faz aqui? – Perguntou rodeando seus braços por minha cintura e colocando seu nariz em meu pescoço – Que cheiro bom...
— Vim cuidar de você – Respondi deixando que seus braços me apertassem ainda mais e me levassem até sua nova cama.
— Com essa roupa? – Riu fraco – Está parecendo mais alguém que vai ao baile e só passou pra mostrar o que eu vou perder – Jogou ele deitando-nos na cama, ajeitando-me em cima de seu peito e colocando meus cotovelos apoiados ao lado de sua cabeça enquanto suas mãos deslizavam para minha cintura.
— Eu ia, de não vou mais – Disse a ele.
Ele sorriu satisfeito e se inclinou para frente para cheirar meu pescoço mais uma vez, ronronando ao sentir o cheiro esperado e então voltando sua cabeça ao travesseiro.
— Gostou da minha cama nova? É de casal, agora você pode dormir aqui – Provocou me jogando para o lado e apoiando seu braço a meu lado para tombar sua cabeça em sua mão.
— Engraçadinho – Disse dando um tapa em seu ombro e fazendo-o voltar com tudo na cama – Me desculpe Dam, eu realmente não sabia que você estava fraco assim...
Ele assentiu e acariciou meu rosto, fechando os olhos em vertigem por um instante e então se recuperando.
— Você está mesmo muito bonita – Falou subindo a mão esquerda pela beirada de meu corpo, que deitado de lado inclinava-se em sua direção – Estou tentado.
— Obrigada Dam – Sorri corando ao abaixar a cabeça.
Ele tocou meu queixo e levantou meu rosto, aproximando-se e respirando contra meu nariz.
— De nada... – Sussurrou com os lábios cálidos.
Molhei meus lábios sentindo o ar escapar de meus pulmões e o encarei mais firmemente, o fazendo olhar para minha boca e então descer ainda mais seu olhar, indo para meus seios, minha barriga e minhas coxas, totalmente descobertas pelo vestido, que quase não tampava minha intimidade.
Ele respirou trêmulo e se aproximou, cobrindo-se com a coberta e abraçando meu corpo da cintura para cima.
— Pode pegar um copo de água para mim Lena? E algo para comer? Eu estou com fome...
— Claro – Sorri me afastando.
Minha intimidade pulsava, fortemente, quase entregando para ele a forma como eu o desejava, eu sentia uma louca vontade de derramar-me sobre seu corpo e beija-lo, arrancando suas roupas e deslizar por seu membro, escutando-o gemer e falar meu nome.
Sacudi a cabeça tentando me livrar dos pensamentos, enquanto Damon grunhiu se remexendo desconfortavelmente por baixo das cobertas. Passei por cima dele para ir a cozinha, mas seus braços me prenderam em uma fração de segundos por sobre seu corpo, senti seu membro ereto em baixo de mim, mesmo por cima da coberta e remexi-me em busca de algum contato direto. Seus olhos escureceram e tornaram-se de um azul completamente denso e negro, fervilhando em minha direção enquanto sua mão esquerda apertava com força minha cintura.
Poderia durar por horas, pois eu o queria, intensamente, estava ali, apenas eu e ele, nada mais, o vazio em volta, com a doce sensação de liberdade, mas então, rápido demais, ele fechou os olhos e respirou fundo se controlando, seus braços afrouxaram o aperto e senti seu membro abaixar um pouco, não totalmente, mas ainda assim, sendo contido.
Tomei controle de meu corpo imaginando um balde de água fria descendo por minha pele e assim que senti que havia funcionado me lancei porta a fora, chegando na cozinha ofegante.
Eu não queria nem pensar no que havia acontecido no quarto há pouco, então me foquei em procurar algo nos armários para ele, pegando um copo de miojo instantâneo e fervendo um pouco de água para que ele cozinhasse depois de seus seis minutos. Assim que ele cozinhou arranquei o restante do lacre e peguei uma colher, um garfo e um guardanapo, junto com um copo de suco de laranja que havia na geladeira e voltei ao quarto de Damon, tentando não derrubar nada no caminho.
Ao chegar pude reparar na real mudança de seu quarto, além da cama de casal que agora ficava do lado da porta, encostada na parede, havia um guarda roupa maior, prateleiras brancas fixadas nas paredes com fotos e livros e uma televisão enorme ao lado da janela fixada na parede, sem falar de fotos espalhadas pela escrivaninha antiga e algumas recordações de sua infância. Sorri ao avistar seu anel de família ao lado do cordão que ele usara hoje mais cedo e fui até ele, que assistia a um programa qualquer com risadas de fundo.
— Fiz miojo – Anunciei quando ele me olhou descrente – Achei melhor, pois você está fraco e seu estômago pode não aceitar comida de verdade por um tempo, o suco é apenas para você não ficar com sede depois.
Ele sorriu orgulhoso e agitou seu braço esquerdo me chamando para perto de si. Ao chegar perto da cama ele se afastou para o lado me dando espaço para que eu pudesse deitar ao seu lado e foi isso que fiz, entreguei o copo de miojo e o de suco e entrei embaixo do edredom ao seu lado.
— Eu não vou conseguir comer tudo, vai ter que me ajudar – Riu entregando o copo de miojo de volta.
— O.k – Assenti lhe entregando a colher e com o garfo enrolando um pouco de miojo para colocar em sua boca.
— Isso é tão bom que eu poderia viver para sempre disso – Afirmou enquanto mastigava – Você é a melhor Lena.
— Eu sei – Gargalhei colocando um punhado de miojo em minha boca e encostando em seu ombro. Ele tomou o garfo de minha mão e ofereceu seu suco, que segurei enquanto ele pegava mais um pouco de macarrão do copo.
— Você gosta desse programa? – Perguntou depois de engolir – Se quiser pode mudar, eu não estou gostando muito mesmo.
— Por mim está tudo bem, eu também não estou prestando a atenção... – Respondi – Na verdade, eu nem sei o que você está vendo.
Ele deu-me o copo de miojo e pegou o controle ao seu lado, abaixando o volume da televisão um pouco e olhando em meus olhos com um sorriso.
— Bem melhor, só para dizer que nós não estamos prestando a atenção – Riu diabólico ao me ver consentir – Agora me passa esse miojo e bebe o suco porque até agora não vi você beber dele.
Dei-lhe o copo de miojo e tomei um pouco do suco, colocando o copo logo em seguida no chão, para voltar a olhar para ele comer e me dar algumas garfadas de miojo. Assim que ele terminou de comer e de tentar me alimentar, o fiz beber todo o caldo do miojo e o suco também, alegando que era para seu próprio bem, ele fez cara de raivoso e magoado, porém, tomou os dois sem reclamar.
— Agora vem aqui – Disse colocando os copos e talheres no chão e me puxando para seu peito – Vou aumentar o volume e você, como uma boa menina vai assistir junto comigo.
— Aceito só se você prometer não dormir – Desafiei com as sobrancelhas arqueadas.
— Tudo bem, mas no final você vai ver que quem vai dormir é você – Retrucou nos abaixando ainda mais na cama e colocando seu braço embaixo de minha cabeça.
Ele se virou de lado, olhando para mim, que fiz a mesma coisa que ele, repousando sobre o músculo inferior de seu braço esquerdo. Com seu sorriso ele levantou lentamente o braço direito e começou a acariciar meu rosto, indo suavemente com a ponta de seu indicador para meus olhos fechados, descendo por meu nariz e parando em minha boca por alguns segundos, para então descer para meu pescoço e escorregar por minha nuca, subindo então para meu cabelo e ali repousando em uma leve carícia, doce e leve, em um vai e vem lento.
Aos poucos minhas pernas relaxaram e se embolaram nas suas, com meu braço esquerdo rodeando seu corpo e minha mão direita pousando em seu peito, bem em seu coração. Sua respiração lenta soprava por meu rosto, ditando compassos que meu coração assumia inteiramente, compassos esse que escreviam seu nome em minha alma, eu sabia o que era e o que seria, pois ali estava tudo certo, eu seria sempre a Elena de Damon, mesmo longe, pois ele havia despertado uma versão nova e melhorada de Elena Gilbert.
Deixei que tudo se deslocasse e não me importei em deixar ele ganhar seu desafio, pois eu agora estava dormindo nos braços de Damon Salvatore, meu Damon Salvatore.
Damon me empurrou com força, jogando-me brutalmente para o lado, abri os olhos meio grogue e em um piscar o segui quarto a fora enquanto ele corria até o banheiro, assim que ele chegou em seu destino o mesmo se jogou sobre o vaso e desatou a vomitar violentamente. Fui até seu lado e me abaixei tocando suas costas, ele oscilou em minha direção e ainda ajoelhado continuou a vomitar. Toquei seu rosto levemente, tirando de seus olhos os cabelos que lhe caíam a frente, os puxando para trás e acariciando seu pescoço devagar, aos poucos ele foi parando de se contorcer e em fraqueza caiu por conta de ter jogado tudo que havia comido para fora, ele voltou-se para trás, completamente exausto e deixou que eu o puxasse para meu colo, o abracei da forma que pude e deixei ele respirar entrecortadamente sobre mim até se sentir melhor.
— Consegue se levantar? – Perguntei o puxando para cima, ele assentiu e dispensou meu corpo de perto, indo até o armário e pegando sua escova.
— Preciso de um minuto – Murmurou encarando-me pelo espelho.
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Assenti minimamente e sai do banheiro, encostando a porta atrás de mim e voltando para seu quarto. Parei em frente ao seu espelho e encarei meus olhos minimamente inchados, minha maquiagem ainda intacta e surpreendentemente meus saltos em meus pés, olhei para a cama de Damon verificando se ela não estava suja ou com marcas de sapatos, ao ver que não, voltei-me para o espelho e fechei os olhos sentindo minha visão relaxar.
Abri abruptamente meus olhos com o barulho de Damon escancarando a porta do quarto, ele estava agora sem camisa e andava em minha direção encarando-me pelo espelho, sua expressão completamente indecifrável.
Ele tocou meus cotovelos e escorregou a palma de sua mão até chegar nas minhas, levantando minha mão direita e colando seu corpo ao meu, suspirando em minha nuca e rodando meu corpo em uma fração de segundo em torno de si. Seus pés forçaram-me para trás e então puxaram meu corpo para frente, voltando então ao pressionar seu quadril contra o meu e ritmando nossos passos. Nós valsávamos pelo quarto, minha pele soltando fragmentos de meu perfume, instigando ele a continuar, explorando então meus quadris, empurrando e puxando nossos corpos pelo quarto enquanto nossos rostos sorriam, em certo ponto ele começou a gargalhar, alegre, girando meu corpo pelo quarto ao me suspender no ar.
— Você é mágica – Sorriu encostando minhas costas em seu abdome – Será ainda mais um dia... – Sussurrou passando os lábios por meu pescoço.
— O que quer dizer com isso? – Indaguei sem fôlego.
— Você ainda vai descobrir, mas não agora – Respondeu voltando meu corpo para poder me encarar.
Ele nos levou até perto do rádio e desligou a televisão com um de seus controles e ligou a música em volume máximo.
Seja simples e apenas me deite na cama, mas não deixe que isso se perca, pois as estrelas estão lá fora e eu quero poder dançar sobre seu corpo, pensei.
Sua mão deslizou por meu braço e fechou-se em minhas mãos as prensando, empurrando ela para frente enquanto seu braço direito me levantava e então me girando lentamente pelo quarto. Sorri grandiosa e aconcheguei-me ao seu corpo, já estava na hora de ir embora, pois a voz de Alaric era ouvida pela janela, mas ele não se importou, me derramou em seus braços para trás e esperou a música parar suavemente, deixando meu corpo relaxar e descendo seu nariz até meu busto, respirando profundamente e ao puxar-me para ficar ereta, pousou seu rosto em minha face, sussurrando um “Obrigada” quando me desvencilhei dele e lhe disse tchau.
Desci correndo as escadas e fui encontrar Alaric radiante, ele me esperava na calçada ao lado de Lívia e me abraçou contente ao ver que eu não tinha uma aparência pós sexo ou pós beijo.
— Como está tudo querida? – Perguntou Lívia.
— Damo acabou de vomitar – Contei sorrindo agraciada para ela – Fiz miojo mais cedo, mas acredito que ele precise comer alguma outra coisa agora para a fraqueza passar...
— Eu e Alaric compramos remédio a caminho em uma farmácia vinte e quatro horas, sempre dei a ele quando era pequeno e funcionou muito bem, até amanhã de tarde Damon estará novinho para a gente – Sorriu ela feliz agitando uma sacolinha com uma caixinha mediana.
— Isso é bom – Assenti abraçando meu pai – Até amanhã Liv.
— Até querida, boa noite Ric – Despediu-se ela em seu esvoaçante vestido vermelho.
— Espero que tenha dançado com ela, pois ela estava uma gata pai! – Sussurrei enquanto nos afastávamos.
— E eu sou bobo? – Riu Alaric – Comi bastante também, acho que preciso de um antiácido.
Gargalhei feliz e lhe ofereci um dos antiácidos que tinha na bolsa de emergências assim que chegamos em casa, ele o pegou e dividiu com Marley, que surpreendentemente não havia estragado nada nesse tempo todo, que bebeu feliz uma tigelinha de antiácido de guaraná e latiu e se lambeu ao sentir as bolhas de efervescência em sua boca.
Quando meu celular tocou não eram nem duas da manhã, mas eu sabia que era importante, pelo fato de Damon ter me mandado uma mensagem horas antes dizendo que caso ele ligasse para mim de madrugada eu deveria atender, pois não era uma brincadeira.
— Damon? – Pedi desesperada assim que atendi – Está tudo bem?
— Vem aqui Lena – Gemeu ele – Preciso de você, por favor – Choramingou.
— Estou indo – Respondi calçando meus chinelos.
Desliguei o celular de modo desajeitado e corri para a porta torcendo para que Alaric estivesse já no quinto sono, felizmente ele estava, então passar por Marley desmaiado de cansaço na sala não foi um problema.
Já no gramado corri o mais rápido que pude e bati na porta. Não obtendo resposta a empurrei para ver se estava aberta e felizmente ela estava, Damon era esperto. Corri escadas acima depois de fechar a porta com cuidado e deixei que seu cheiro invadisse meu olfato ao chegar no segundo andar. Eu podia ouvir ele gemendo baixinho de seu quarto, então apenas deixei que meus pés me levassem até ele mais rápido que o normal e meu cérebro ordenasse a minhas mãos para se espalmarem sobre a porta.
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No mesmo instante ele olhou em meus olhos e se jogou para frente na cama com os braços abertos. Desesperada corri até ele empurrando a porta para trás e o peguei no mesmo momento em que ele respirava profundamente o cheiro de meus cabelos.
— Preciso tanto de você, quero tanto Elena... – Sussurrou ele ansiando.
Olhei em seus olhos, vendo turbilhões de dor e desejo, se contorcendo e jogando fúria e necessidade em meu corpo, fazendo com que meu corpo se jogasse contra o seu e o beijasse, independente se ele poderia vomitar em mim ou se ele não desejava, era o que eu queria, era o que importava, era épico.
Suas mãos puxaram minha cintura e grudaram as cobertas em minhas pernas em nosso turbilhão de cobertas e euforia, arrastando-me para o sim que eu queria negar.
— Sua mãe Damon – Sussurrei – Quer que eu chame ela?
— Ela foi chamada no serviço, ouve um incêndio no prédio, ela teve que ir, esqueça tudo, olhe a nossa volta, eu sei que é idiota te chamar numa hora dessas, mas não consegui parar de pensar no que aconteceu mais cedo… Você aqui, nós dois… Nós.
— Oh Damon – Sussurrei arrastando meu lábio superior por sua face cálida – Tão doce, não quero segurar...
— Eu não quero também, precisamos fazer juntos, você sente também...
— Sim – Murmurei – Por favor me beije.
Ele assim fez, deslizando seus lábios por meu pescoço, deixando seu suor escorrer por meu queixo e subindo até meus lábios, fazendo nevar em pleno verão, em fúria, desespero e ânsia. Explodia e era ali, era real e eu podia gritar, porque estava voltando, estava liberto de novo. O fogo estava ardente e orgulhoso.
— Elena Gilbert – Riu ele se afastando e segurando meu pescoço ao me olhar com olhos profundamente escuros e cobiçosos – Você... É… Incrível.
Como em um festival de flores que é arrasado por um enorme vendaval, seus lábios então se fecharam em um sorriso desfigurado, com a ventania levando tudo e destruindo mares que acomodavam terras, assim como Damon que levantou em menos de um segundo e vomitou no chão de seu quarto.
Senti minha intimidade latejar em desapontamento, mas essa não era uma boa hora para pensar em passar minhas mãos por seu corpo, especialmente quando o mesmo estava cheio de vômito.
Damon levantou e então sem olhar para mim saiu do quarto, voltando logo depois com um rodo e um balde de agua, que ele despejou no chão e então puxou junto com o vômito para fora, onde tratou de limpar com um pano e secar.
— Damon? – Chamei. No mesmo instante ele apareceu na porta, com olhos curiosos mas com o maxilar trincado e as mãos fechadas em punho – O que foi?
— Vai embora Elena – Pediu ele – Agora. Nos falamos outro dia.
— Outro dia? – Indaguei levantando-me – Por que não amanhã? Outro dia soa tão ruim... O que foi?
— Só vá Elena – Suplicou ele furioso fechando os olhos – Eu não posso ficar aqui com você.
— Por quê? Por que não? Damon!
Seus olhos então faiscaram em fúria para mim, envoltos por mistério e ódio, como se eu não fosse mais uma pessoa da qual ele queria em sua vida.
— Vá embora – Sibilou.
— NÃO! – Repliquei dando um passo à frente. No mesmo instante ele deu um passo para trás e me encarou ainda mais enraivecido.
— EU ESTOU MANDANDO ELENA! – Urrou ele furioso jogando o vaso de seu criado mudo em meus pés.
— VOCÊ NÃO MANDA EM MIM! – Gritei andando ainda mais para perto dele – Deixa de ser idiota Dam, você me quer aqui, sempre quis.
— Isso NÃO É VERDADE! – Descontrolou-se ele finalmente vindo um passo à frente.
— Não? Então porque seu corpo está tremendo para chegar tão perto? – Desafiei empinando o nariz. Ele encarou-me ainda mais raivoso e sua mão direita se lançou para seu criado mudo novamente, derrubando dessa vez seu abajur.
Cacos espalharam-se pelo chão e esvoaçaram sobre o piso, envoltos em fúria desvairada, estremecendo sob meus pés e queimando o peitoral desnudo de Damon.
Olhei para os contornos de seu corpo, finalmente reparando em seu abdome, que impressionantemente não era definido, mas aparentava ser mais forte que uma pedra de gelo, descendo para suas pernas fortes, que serviam de apoio para mãos grandes apertadas em punhos, revelando músculos em potencial em seus braços. Desejei estar entre eles, apertando e devorando-o, mas ele estava sendo tão incrivelmente estúpido que o pensamento esvaziou-se de minha cabeça no mesmo instante em que ele pediu novamente para que eu saísse.
— Eu não vou falar outra vez – Ameaçou – Eu estou mandando você sair Elena.
— E eu já disse que você não manda em mim – Frisei dando mais um passo à frente, ficando a quase um metro de distância talvez – Se quer que eu saia vai ter que vir fazer algo para me mover.
— Não duvide... Se eu pegar você eu...
— VOCÊ VAI FAZER O QUE? – Gritei interrompendo-o ainda em desafio – Você não tem coragem para nada Damon! Nem sabe o que quer.
Ele respirou fundo e me encarou raivoso novamente, desabando em uma tempestade que finalmente arrebentava e veio em minha direção com os braços levantados, no último instante eles se abaixaram e suas mãos prenderam minha nuca ao mesmo tempo que sua boca forçava entrada em mim, deixando meu corpo se jogar para cima e prender minhas pernas na extremidade de sua cintura.
Mordi seu lábio com força sentindo o gosto de creme dental dele, furiosa por ter demorado tanto, ele me olhou com ódio e respirou fundo pela boca, logo depois se surpreendendo com minha mão batendo furiosa em sua face, marcando-lhe e então puxando-o para mim, sem me importar com a dor ou prazer, pois ele tinha que me beijar, ele era meu. Pelo menos agora.
— Eu vou embora – Falou ele respirando sem fôlego.
— Não vá – Sussurrei tocando sua bochecha – Fique.
— Não estou falando de agora Lena – Riu ele – Minha mãe talvez vai se mudar, ela está a caminho de outra cidade para procurar imóveis, o negócio do incêndio era uma desculpa.
O encarei sem saber o que dizer e tudo que pude pensar era em sua boca, que sem mais segundos inclinei-me para devorar vorazmente. Ele retribuiu na mesma intensidade, apertando seu corpo contra o meu, jogando tudo ainda mais para perto, friccionando minhas costas na parede, sedento de desejo, fazendo com que seu membro explodisse dentro de sua calça, chegando até meu corpo em total indagação de prazer.
— Você não vai se mudar – Afirmei – Eu não vou deixar.
— Meu lugar será sempre dentro de você, mas o que eu posso fazer? – Falou ele sôfrego, me encarando com olhos brilhantes de medo – Eu não tenho o controle disso – Continuou ele olhando para baixo, para nossos corpos entrelaçados – Muito menos disso – Apontou para tudo a nossa volta.
— Você tem a mim, nós reagimos um ao outro, pode ter saída – Refutei tentando fazê-lo parar – Pare com isso – Pedi segurando seu rosto – Olhe para mim. Está tudo aqui, preste atenção no que está acontecendo agora. Eu sou a continuação de seu corpo Damon, o.k?
Ele assentiu e seu desejo brilhou em seus olhos, que escorregaram para minha boca e em um nanosegundo se fecharam para que seus cálidos e quentes lábios tocassem os meus. Deixei que minhas lágrimas, únicas e solitárias escorressem até sua boca, que ainda pressionava a minha em um demorado selinho. Sentindo o gosto salgado, molhando e ferventando, mas logo secando, pois o calor subia, aumentando ainda mais o fogo.
— Damon – Supliquei em um grito surdo, abafado por sua língua, que rodopiou por sobre meus lábios e se instalou em meu interior, tocando o céu de minha boca e então se entrosando em batalha ganha com minha língua. Jogando ventos e serenatas por cima de tudo.
Havia o vento entrando pela janela, havia suas mãos em meu corpo, minhas pernas em sua cintura, mas o que importava realmente era tudo aquilo, que mais tarde seria resolvido pelo “nós”.
Ele me levou até sua cama e deixou que nossos corpos caíssem por cima de suas costas, ao me abraçar e tocar meus dedos por cima de toda a névoa de medo que nos cobria.
— Desde quando você sabe disso? – Perguntei acomodando-me a seu peito – Faz muito tempo?
— Fiquei sabendo ontem – Suspirou – Fiquei com medo de contar pra você, pois quando eu contasse eu estaria aceitando que nós vamos sair daqui e eu não quero aceitar.
— Você não está aceitando e não deve – Falei levantando minha cabeça até ficar a sua altura – Nós vamos dar um jeito, eu só não sei como.
— Apesar dessa casa ser minha somente nas férias, ela é meu lar, mais do que qualquer outro lugar. Não sei o que vou fazer sem ver você pelo menos nesse tempo. Um ano sem você me tocando e me olhando já é de mais, não vou suportar saber que vou ter que viver uma vida sem saber quando vou poder te tocar novamente... Sem ter a certeza de quanto tempo eu vou precisar esperar – Disse.
— Nós só precisamos pensar, deve haver uma forma, eu sei que sim – Garanti.
Ele assentiu e olhou pro teto, deixando que minhas palavras entrassem em sua cabeça e lhe dissessem a verdade, nós iriamos sim lutar. Quando senti que ele estava mais calmo, lhe pedi baixinho com delicadeza:
— Certo, me conte o por que de você e sua mãe terem que se mudar tão repentinamente.
— Meu pai passou a casa para uma de suas putas sem querer – Riu ele descrente em ódio contido – Ele estava bêbado e assinou algum tipo de procuração, não sei bem, mas pelo que eu entendi o lance era que a casa estava no nome dele, mas quando ele e minha mãe se divorciaram ele deu a casa a ela já que ficou com o dinheiro, entretanto com a briga pela minha guarda eles devem ter esquecido de passar a casa para o nome dela e esqueceram muito bem, pois até agora ninguém se lembrava disso.
— E como essa mulher sabia disso? Se nem mesmo seu pai sabia, como ela poderia saber?
— Ele estava pegando sua advogada de dia e comendo putas de noite – Grunhiu ele – Provavelmente ela deve ter descoberto sobre as putas e quis se vingar.
— Ou ela pode ter se aproximado dele justamente por isso – Sugeri. Ele me olhou em concordância e então me puxou para si para abraçar-me – Se ele já assinou a procuração então ela já deve estar pedindo a casa ou algo assim, quais são os planos dela?
— Parece que quer vender, não sei direito, mas morar aqui eu sei que ela não quer.
— Não quer mesmo, até porque se eu encontrar com ela por aqui eu infernizo ela até ela ir embora – Disse furiosa.
Ele riu ao ponto de se contorcer por alguns segundos e então sussurrou um “Eu sei que sim” e continuou:
— Tenho que pensar nisso, mas não parece haver saída.
— Mas tem, nós temos que ficar unidos, já estamos esclarecidos da situação, a parte na verdade, mas é o que vale, agora nós precisamos pensar com clareza antes de agir.
Ele assentiu e olhou para a frente, absorto em suas próprias convicções e essências deixando-me em um mundo de admiração, da qual seu rosto era minha única meta.
Em algum momento seus olhos foram perdendo o foco e seu rosto caiu, entrando em sono profundo, assim como seu corpo, que assim, ao lado do meu, repousava. Desvencilhei-me de seu abraço e me levantei, indo até o corredor e parando para ponderar sobre onde ficava a lavanderia. Depois de muito olhar, a achei e dali sai com uma vassoura, indo até seu quarto e limpando nossa pequena bagunça de cacos e expressões.
Quando os cacos estavam em um pequeno monte prontos para serem engolidos pela pá meu corpo parou, olhando para o céu, que gloriosamente se abria sobre sua janela, incrivelmente grande e escuro, com diamantes piscando ao longe, abrindo meu coração e lapidando coisas dentro do mesmo. Em um piscar meu rosto se voltou para Damon, que dormia com o braço ainda fechado em arco, como se eu ainda estivesse presa em seu corpo.
De certa forma eu estava, mas não fisicamente, então, ele teria de esperar mais alguma quantidade de tempo, da qual eu não sabia e nem tinha certeza, que iria chegar ou acontecer.
Sorri fraco com tal pensamento e juntando nossos cacos, tão pequenos cacos, dirigi-me para a lavanderia e no lixo os joguei, com o coração brando, pronta para me curar e criar coragem, de algum lugar que eu ainda não tinha achado, para lutar, por algo que nem eu mesma sabia, grande ou pequeno, mas relativamente doloroso, que iria afastar ou enlaçar nossas mãos, por uma longa extensão do espaço contínuo de tempo.
Ao fechar a porta da casa de Damon e olhar para o bairro a minha frente eu me senti plena, como se houvesse encontrado meu lugar, eu sabia que teria de lutar para consegui-lo, mas o fato de eu saber o que eu realmente desejava me deixava feliz, pois estava tudo ali, eu só precisava lutar.
As horas então se passaram, com minha cabeça sob o travesseiro, mas o coração batendo longe, tanto em meu sono, tão cansado, quanto no peito de Damon, tão atormentado pelo medo.
Ao acordar a primeira coisa que olhei foi para meu porta-joias, lá havia a pulseira mais linda que eu já vira na vida, o único presente do qual eu jamais tive coragem de usar por saber que era valiosa demais, não pelo seu valor monetário, mas sim pela sua essência, que era a mais bela de todas: era transparente, assim como seus cristais originais, que juntos formavam e pendiam entre si um mediano coração vermelho, que descia como passos leves em um dia de sol.
Ao levantar a pulseira em minha mão, pude perceber pelo reflexo da janela meu cabelo todo desgrenhado e o brilho, tão grande, dos cristais se debruçando sobre meu rosto, limpidamente puro.
Em um estalo eu soube o que fazer, havia esperança e salvação e a luta podia sim ser vencida, a forma era torta e difícil, mas o resultado seria tão bom quanto em qualquer outro plano.
Fui então correndo para baixo, passando pela cozinha, onde surpreendentemente Alaric e Marley ainda não estavam para tomarem café, aproveitando a deixa parti para a casa de Damon, com o coração leve como o de uma criança sem preocupações, ao chegar na mesma bati na porta ao mesmo tempo em que tocava a campainha. Eu sabia que a porta estava aberta, mas eu precisava que ele acordasse então esperei alguns longos segundos até tirar o dedo da campainha. Um minuto depois Damon abria a porta com a cara amassada e o cabelo todo bagunçado, com sua calça pendendo em sua cintura.
— Bom dia – Sorri. Ele sorriu de volta, como se houvesse acreditado que seria mesmo um bom dia e me fez pensar repentinamente como seria acordar ao seu lado, vendo seu rosto, por segundos confusos de sono então se abrirem e me reconhecerem, junto com seus cabelos bagunçados, que então cairiam sobre meus olhos enquanto ele se aconchegasse mais a mim para se espreguiçar e então retribuir meu bom dia.
— Bom dia Lena – Respondeu fazendo uma leve mesura.
— Eu já sei o que nós podemos fazer para tudo continuar como está – Comecei, sendo surpreendida com seus olhos ligeiramente aguçados enquanto digeriam minhas palavras.
— Entre então – Pediu em seguida – Como se eu não fosse falar para você entrar se também não tivesse uma solução.
Gargalhei minimamente e junto a ele sentei-me no sofá, com Damon a minha frente me encarando curioso.
— Lembra aquela herança pequena que você herdou de sua tia quando ela morreu? – Indaguei logo recebendo uma confirmação com um aceno – E aquelas coisas suas que você vendeu no MySpace para comprar um carro de cart na pista do shopping?
— Eu lembro de tudo isso, mas não entendo o que isso vai fazer para nos ajudar, eu nem comprei o carro – Falou – Meu pai me deu até uma quantia razoável para inteirar, mas não foi o suficiente até eu conseguir juntar o que faltava, o carro já tinha sido comprado.
— Sim, mas aquele carro valia quanto? Uns 50 mil?
Ele assentiu balançando a mão direita como se dissesse “Mais ou menos isso”. Sorri incentivada por sua expressão de curiosidade e continuei:
— Você tem muitos objetos de colecionador de sagas antigas, que devem valer bastante também, sem contar das suas mesadas que você deixa acumular porque não gasta nem a metade... Isso dá uma boa quantia – Insinuei olhando de soslaio para seus olhos.
— O que? – Perguntou ele surpreso – Está pensando em comprar a casa? É impossível! Mesmo que eu junte todo o dinheiro que puder não vai ser suficiente, vai dar no máximo uns cinquenta mil, cinquenta e cinco!
— Me deixe terminar – Briguei o encarando da mesma forma que ele havia me encarado – Quando eu nasci, meus pais fizeram uma poupança, que chamaram de “Faculdade da Elena”, todo mês eles depositavam uma quantia lá, fora o dinheiro que eu ganhava de parentes e o que sobrava de quando eu comprava doces... Seus pais provavelmente devem ter feito uma para você, não precisa ser algo que eles chamaram de reserva para faculdade, mas eles podem ter feito como uma garantia do seu futuro mais distante quem sabe...
— Mas e se eles não tiverem feito? – Perguntou Dam – Seu plano acaba, pois está baseado nisso.
— Não, tecnicamente – Argumentei ajeitando-me no sofá – Nós podemos recorrer a parte dois do meu plano, só que mais cedo, já que a parte um não iria existir. Quando meus pais se separaram minha mãe arrancou tudo dele, casa, dinheiro e tudo mais, ficando com tudo (o advogado dela era ótimo! Céus!), Alaric não tinha casa, só seu emprego, então ele investiu em um fundo da bolsa de valores, foi arriscado, mas ele entende dessas coisas e soube usar o pouco de dinheiro muito bem. Eu não sei realmente se ele usou o dinheiro realmente muito bem, mas se ele não tivesse se dado bem nessa como ele teria comprado nossa casa nesse bairro, suportado a decisão do juiz ao dar um valor alto de pensão para mim e até para minha mãe?! Nós podemos tentar Damon, vale a pena.
— Eu preciso de tempo Lena, isso – Falou ele prendendo a mão nos cabelos macios com força – me parece muito arriscado e se não der certo não vai mais restar alternativas.
— Eu sei que é arriscado Dam, mas você tem a mim e bem, eu não vou pra Yale mesmo, posso muito bem ir para uma faculdade pública, as faculdades do país sempre foram muito boas.
— Não pense em me dar seu dinheiro – Apontou se levantando – Meu pai tem montes dele e até hoje isso nunca resolveu os problemas de minha mãe, sua faculdade é sua, nós vamos arriscar Lena, mas você me dar seu dinheiro ou até mesmo pedir a ajuda de meu pai está fora de opção.
— O.k Dam, tudo bem – Assenti me aproximando de seu corpo – Vai dar tudo certo.
Ele assentiu acalmando-se e curvou sua cabeça em meu pescoço, abraçando-me forte.
— Estou cansado, quer subir? – Disse ele assim que se sentiu mais calmo – Preciso realmente de um bom descanso.
— Que horas são? – Perguntei me sentindo fora de horário.
Ele olhou para trás, em direção a cozinha, com suas mãos ainda em minha cintura e após conferir murmurou olhando meus lábios:
— Seis horas, o sol nasceu há pouco...
Sorri envergonhada e aproximei meu rosto do seu, encarando seus olhos intensos, mas tendo consciência de seus lábios secos, que pediam para minha boca molhá-los e derramar-se sobre eles.
Ele respirou fundo e se levantou estendendo a mão para mim, neguei com a cabeça e lhe dei uma desculpa qualquer, completamente atordoada, saindo pela porta e soprando-lhe um beijo.
Em casa tudo estava silencioso, com o brilho da manhã ainda entrando pelos cantos que a noite havia escurecido. O cheiro de pão e de luz brilhava por todos os cômodos, com o que especial que apenas as manhãs tem.
Sorri sentindo que eu não conseguiria dormir, como Damon estaria fazendo nesse exato momento e fui então para a cozinha, me aventurando pelos armários e pelas bocas do fogão para preparar o café da manhã de Alaric e Marley.
Uma hora depois gritos vieram da escada, junto com latidos impacientes, que logo chegaram a cozinha, que estava completamente limpa e que tinha sobre si uma mesa posta, com pães assados com manteiga, geleias, croissants requentados, leite, frios e vários tipos de coberturas e recheios para os waffles.
— Senhor – Surpreendeu-se – Eu tenho que rezar mais vezes antes de acordar.
Gargalhei, logo então perguntando a ele:
— E por que você rezou logo hoje?
— Esse cachorro não deixa ninguém dormir depois da sete! – Respondeu – Se ele não late é o estômago roncando mais alto do que os roncos normais de quando ele dorme. Pra ajudar ele quer ficar no meu quarto o tempo todo, então eu tenho que dormir com a porta aberta pra ele não me acordar no meio da noite arranhando a porta!
— Vem aqui bebê – chamei estalando os dedos para Marley– Eu fiz cobertura de creme pros seus waffles! Você quer?
Ele latiu em felicidade e colocou suas patas sobre a mesa enquanto Alaric e eu nos sentávamos.
— Ele não pode comer waffles! – Protestou Alaric – Ele é só um cachorro que não toma banho! Deve comer ração!
Marley latiu ruidosamente bravo em sua direção e se virou na direção de minhas mãos, que estavam colocando o creme e então enrolando o waffles a sua volta, em um imenso enroladinho.
— Eu acho que ele descorda – Ri colocando o waffles em sua boca e sorrindo ao vê-lo ir sentar-se no chão ao lado da mesa para comer seu café – Contra Marley você não tem chance.
Alaric resmungou algo incompreensível e então se voltou a comer, atacando as panquecas e os croissants e após muito custo reconhecendo que eu era a melhor do mundo (irônico como Damon quando ficava bravo).
— Pai, gostaria de conversar com você sobre algo que anda incomodando Damon há dias – Comei atraindo sua atenção. Ele assentiu e acenou para que eu continuasse e assim eu descrevi sua situação e suas aflições – Você acha que pode ajudá-lo?
— Posso tentar, mas já vou avisando que não será fácil – Respondeu – Ele deve falar primeiro com Lívia, não vou ajudar em nada sem saber que ela aprova a ideia do filho.
— É justo – Ponderei aliviada ao mesmo tempo que sentia a felicidade extrema me atravessar – Então nós vamos ajudar a ele caso ela aceite! Isso soa tão bom! Obrigada pai.
Ele sorriu e riu consigo mesmo sobre algo que estava pensando e então me olhou com carinho, como se eu houvesse feito algo bom e grande ao mesmo tempo.
— Eu ainda nem fiz nada – Justifiquei levantando as mãos.
— Ainda não, mas vai, na hora certa eu vou estar lá vendo.
Ri em uma tentativa de fingir que havia entendido, mas ele viu que eu não havia assimilado nada e gargalhou ainda mais, dando um pedaço de waffles para Marley.
— Não dê muitos pedaços a ele – Falei enquanto pegava um croissant já frio – Ele já comeu um waffle todo, vai passar mal e eu não vou limpar vômito de ninguém.
— Deixe de ser chata Lena – Retrucou – Eu que sou o adulto e você que reclama.
O olhei com cara zangada e então me permiti tomar café da manhã com a certeza de que não iria perder Damon.
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