Doze Verões
5 2004
Notas iniciais
Mais um ano se passou e eu estava novamente fazendo minhas malas para na manhã seguinte embarcar para Chigaco, que sinceramente é o único lugar que eu desejo estar nesse momento. É incrível como os únicos dois homens da minha vida conseguem fazer um pequeno período de férias se tornarem os melhores dias da minha vida, chega até me tirar o fôlego a intensidade com que eu os amo.
— Queria que você ficasse comigo, pelo menos nessas férias – Disse Isobel encarando-me pelo espelho.
— Mãe eu sei que você e John estão vivendo um momento difícil, mas não posso perder minhas férias com meu pai por isso! Você tem que entender que o eu amo e também quero estar ao lado dele; assim como estive o ano todo do seu! – Justifico.
Embora Isobel e eu tenhamos nossas diferenças; eu me importo com ela, principalmente agora que John anda fazendo a vida dela um inferno. Sei que não há nada que eu possa fazer, mas se houvesse eu faria sem hesitar um minuto, assim como faria por Alaric.
Às vezes pensar em Alaric e mamãe ao mesmo tempo é doloroso, pois ainda tenho na memória momentos deles juntos e isso me custa a aceitar a dolorosa realidade, rasgando-me o peito e fazendo-me querer chorar.
Damon...
Se meus pais não tivessem separado-se eu nunca o teria. Só de pensar nisso meu peito se contorce em extrema dor e meu coração é esmagado de tal forma que chego a perder o ar. Não, Alaric e Isobel fizeram o certo, por mais egoísta que isso soe, fico feliz com a separação de meus pais.
— Mamãe vai sentir muita sua falta o.k? – Diz ela fazendo biquinho e correndo para me abraçar – Nesse período acho que tentarei resolver as coisas com John, talvez o que ele precise é só de um tempo pra nós dois.
— Ótimo, faça isso! – Respondi com ironia.
E como sempre ela apenas ignora mais um de meus protestos contra John. Talvez ela nem os perceba, entretanto, nunca desistiria da oportunidade de mostrar a ela o que realmente sinto por ele. Ódio.
— Não vai levar o Tedd? Você sempre leva esse ursinho pra casa do seu pai! – Ela aponta para a prateleira com o ursinho marrom.
— Ah claro! Tenho 16 anos e vou querer levar um ursinho de pelúcia comigo!
— O.k, O.k, entendi mocinha! – Ri ela – Bom, vou te deixar fazer as malas em paz, boa noite meu amor – Anuncia ela com um sorriso fraternal no rosto e dando-me um beijo na testa para logo sair do quarto.
Jhon provavelmente está chegando, mas isso não é problema meu, nada disso que se refere a essa casa é problema meu, agora só me resta terminar de fazer as malas e pensar em coisas que Damon e eu poderemos passar juntos.
Quando termino as malas , vejo a pior catástrofe do dia.
— MARLEY LARGA ISSO! — Gritei completamente apavorada — MINHA BLUSA NÃO É BRINQUEDO PRA VOCÊ MORDER!
Mas ele continua, como se soubesse que a blusa era importante para mim. Era a blusa que Damon me enviara em meu aniversário junto com uma foto dele e dedicatória (Damon sempre será Damon).
— Vamos Marley! — Insisti — Largue a blusa, quando chegarmos na casa de Alaric você poderá comer tudo que quiser!
Ele então solta a blusa e começa a latir ao mesmo momento do som do nome de Alaric, pulando e correndo feliz de segundos em segundos. Enquanto ele sai correndo para meu armário cheirar o paletó de meu pai que mantenho escondido por lá; corro até a blusa para ver se ela ainda está inteira. Infelizmente não está e o pensamento de ter que roubar uma das camisas de Damon me invade.Seria de fato algo muito melhor que um presente dele, pois teria seu cheiro.
A forma como minha loucura vem se propagando me pega desprevenida e em segundos começo a rir. Sinceramente? preciso de Damon.
Às vezes aeromoças tendem a ser super simpáticas, outras vezes, nem tanto. Dessa vez eu não tinha pego uma do time das simpáticas, a que me atendeu olhava-me com desprezo e logo que trouxe-me comida foi embora. Horas depois, quando estávamos quase pousando pisei em seu pé com toda a força que pude, apenas para sentir-me vingada, ela sibilou um Ai que me deixou completamente extasiada.
—FILHAAAA! – Gritou Alaric no saguão — Elena! — Diz ele acenando e correndo até mim.
— Oi papai – Disse a ele com ternura o abraçando – Senti sua falta, você não imagina como.
— Céus como você está diferente! — Admira-se ele apontando para mim – Uma linda moça! – Sorri ele orgulhoso – Não faz jus as fotos do facebook!
Abracei ele mais um vez então, sentindo seu cheiro penetrando-me e sentindo-me em casa outra vez. Era a melhor sensação que eu tivera em todo ano. Ele então solta-me e pega algumas de minhas malas, caminhando comigo para fora do aeroporto.
— E Damon pai? — Perguntei assim que olhei para seu carro e não o vi.
— Bem, eu não sei — Disse ele despreocupado — Faz muito tempo que não converso com Lívia, acho que viajou, talvez tenha levado ele junto.
— Ah claro — Respondi fingindo estar despreocupada.
Sinto algo diferente em meu peito no exato momento, pois ver Damon era a coisa que mais ansiei o ano todo e logo agora, quando estava tão perto, via todas as esperanças indo embora e deixando lugar apenas para a tristeza.
Apenas quando entrei cabisbaixa no carro foi que senti dois braços fortes rodeando-me e apertando-me com força, com uma risada musical e completamente amistosa.
— Que saudade Lena! — Gritou ele. — Você não tem noção de como senti falta de cabelos com cheiro de morango na minha vida!
Rimos juntos e nos separamos para olharmos alguns segundos um nos olhos do outro.
Olhos azuis escuros, sorriso torto e jaqueta de couro. Sim, Damon estava realmente ali.
— Senti tanto sua falta! — Falei jogando-me em seus braços de novo – Queria ter ido para seu aniversário, mas John não deixou, desculpe – Suspirei em seu pescoço.
— Não tem problema, podemos fingir que amanhã é meu aniversário e comemorar de novo — Sorriu ele tentando consolar-me.
— Sim!!! — Sorri pulando no banco e chutando seus pés — A gente tem tanto tempo para fazer tantas coisas! Tenho muito que te contar e mostrar! Apesar de sempre fazer isso, mas você sabe, Facebook não é a mesma coisa que te ver pessoalmente, assim como você me mandar uma foto sua de presente não é a mesma coisa que te ver.
— Ahhh, mas eu mandei uma blusa — Retorquiu ele fazendo biquinho.
Ri de sua brincadeira e então aconcheguei-me ao banco ao ver Alaric entrar no carro e colocar Marley no banco do passageiro.
— Vocês dois! — Gritei ultrajada percebendo a farsa — Vocês me fizeram acreditar que eu passaria minhas férias sozinha! Como eu odeio vocês!! — Suspirei distribuindo tapas entre os ombros expostos de Alaric.
— O que quer dizer com sozinha? — Sibilou em fingimento ele — E não conto, não? O.K, O.K, um dia você ainda sentirá muita falta do seu velho e sabe o que eu vou fazer quando você me ligar e falar isso? Vou mandar você ir com Damon já que ele é a única pessoa que você vinha nas férias ver!
— Ah papai, não faz assim – Gargalhei – Você sabe que eu te amo e você sempre será meu garanhão – Ele riu em resposta e aceitou o beijo que lhe dei quando inclinei-me.
— Mas não pode, não agora, tenho planos magníficos contra ela amigão – Sussurrava Damon – Iremos fazer todos, você vai adorar!
Alaric e eu viramos lentamente em direção ao banco do carona em que surpreendentemente, Damon havia se instalado ao lado de Marley, acariciando-o de forma malévola e suspeita.
— Ah – Suspirou ele rindo envergonhado – Vai para o banco de trás vai Marley, Elena quer ficar um pouco com você.
O encarei por alguns segundos, mas ele nada disse e sendo assim Alaric deu partida no carro. Alguns minutos depois perguntei onde estava Lívia, mas Damon simplesmente deu de ombros e disse que ela estava em casa, pelo que parece ela estaria fazendo bolo de boas vindas para mim.
— Da pra acreditar tio Rick? Eu fico um ano todo fora e é pra Elena que minha mãe fará bolo! — Disse ele indignado — Sinceramente, acho que até o Marley está melhor que eu!
— DAMON TIRA ESSE PÉ DA MINHA CARA!
— NÃO ATÉ VOCÊ ACEITAR MINHA IDEIA! SE VOCÊ NÃO ACEITAR É PORQUE ESTÁ COM MEDO DE PERDER LENA! – Gritou ele tentando me convencer.
— Eu não vou apostar com você se você cozinha mal! — Gargalhei — Eu sei que cozinha! Eu não quero tirar 10 dólares de você, sou uma pessoa boa de mais para isso...
— Mas e se eu cozinhar bem? — Retrucou — Eu cozinho super bem! Você vai ver! ANDA, ACEITA LOGO LENA!!!!
— Dá pra parar os dois aí atrás? Se eu bater o carro por causa de vocês e morrer arrasto todo mundo comigo! – Disse Alaric soltando uma das mãos do volante e beliscando-me.
—Ai! Está vendo! É por isso que Marley morde suas coisas! Você tortura a dona dele ainda vem pedir paz! Bem feito! — Berrei em seu ouvido.
Ele apenas suspirou nervoso, alegando estar arrependido de ter deixado Damon voltar para o banco de trás e acelerando para chegarmos mais rápido.
— Pronto crianças chegaram, agora vocês podem se matar a vontade sem prejudicar ninguém – Disse Lívia abrindo a porta do carro para sairmos.
Sorri alegre para ela, sentindo um carinho enorme ao vê-la na calçada de braços abertos, infelizmente essa alegria passou ao ter Damon passando por cima de mim como um cavalo e indo pegar Marley no banco da frente.
—CARAMBA DAMON! Tem outra porta do outro lado, você podia ter saído por ela, não precisava me esmagar!
— A minha porta estava do lado da rua, a porta do lado da rua é sempre perigosa! – Alega ele – Vem Marley desce do carro e vá em direção a uma casa novinha pra você arruinar – Damon então deixa Marley sair, sendo que o mesmo vai correndo em direção a porta atropelando meu pai e consegue entrar primeiro na casa.
— Você vai fazer aquela sua comida? Embora eu ache inútil eu aceito sua aposta! – Disse para Damon estendendo minha mão.
— Claro! – Sorri ele – Vamos lá minha ajudante e convidada!
Espera. Ajudante? Prevejo bombas vindo por aí, entretanto recuso-me a pensar no desastre que será e tento me convencer que essa será uma ótima experiência.
Sem chances.
—ELENA MEXE O MOLHO! E APROVEITA PARA COLOCAR A ÁGUA PRA FERVER! – Grita Damon do outro lado da cozinha – AH!!! PEGA O MACARRÃO TAMBÉM! E PICA A CEBOLINHA! ELENA LAVA OS TOMA...
—DAMON ASSIM NÃO DÁ! EU NÃO TENHO UM MILHÃO DE DUPLICATAS PRA FAZER TUDO QUE VOCÊ MANDA! Meu Deus! Quem está cozinhando sou eu, já que você só me manda fazer as coisas e não faz nada! – Grito de volta.
Ele faz cara de indignado então, como se eu estivesse falando alguma mentira e responde furioso:
— Eu sou um chef Elena, meu trabalho é mandar! Agora vai ver aquele molho, porque se queimar e você estragar minha comida por causa dele você vai me conhecer de verdade! – Bradou.
Seu olhar travesso e malicioso poderia deixar qualquer uma de calcinha molhada e infelizmente sinto-me qualificada nesse qualquer uma, pois a forma como meu coração acelerou não foi algo completamente justificável.
—O.k, O.k, vou ver o molho e depois pico os tomates! – Respondi abalada.
Mexi o molho delicadamente e logo depois peguei a faca para cortar os tomates, mas por algum motivo do desastre quase cortei meu dedo, algo que Damon reparou e o fez gozar de mim.
— Ah Leninha, deixe que eu te ensino antes que você se mate com essa faca! – Responde ele chegando por trás e passando seus braços por minha cintura.
Seu corpo encostou levemente no meu, causando um choque instantâneo fazendo-o se afastar por um momento e respirar fundo.
Tudo bem com você Dam? — Indaguei virando-me para ele.
— Claro Lena — Respondeu ele chocado virando-se de costas — Eu preciso de um minuto apenas.
Ele suspirou e saiu da cozinha murmurando algo que não pude compreender, com as mãos ainda tremendo tentei cortar o tomate novamente, mas ainda continuava um completo desastre. Senti mãos rodeando-me novamente então, dessa vez um pouco mais controladas e calculistas, sem qualquer espontaneidade mas ainda assim com afeto e boa vontade.
Eu sei que deveria prestar atenção em suas aulas de como cortar um tomate, porém, ao invés disso eu só conseguia concentrar-me em seu corpo (e que corpo) atrás de mim, causando-me uma estranha sensação de segurança e amor.
— ELENA? Meu deus, você ouviu alguma coisa que eu disse? – Damon disse, fazendo-me ficar vermelha como um pimentão – Ah claro que não ouviu! Com certeza deve estar pensando em algum menino que conheceu durante o ano e esquece completamente que eu existo! – Acusa ele
— Vai colocar o macarrão na água Damon – Digo fria saindo de perto dele.
— Então eu estou certo não? — Fuzilou ele em fúria vindo atrás de mim e puxando-me pelo braço — Você se apaixonou por alguém em sua outra vida.
— Claro que não Dam, você sabe que se isso acontecesse você seria o primeiro a saber — Respondi acariciando seu rosto.
Ele então parece relaxar e respira fundo, tocando minha mão inseguro e logo então se afastando com uma gargalhada feliz, vou então para a pia encostando na mesma e o admirando cozinhar. Eu deveria admitir que ele fica muito sexy dessa forma, entretanto, isso é um pensamento absurdo e que eu jamais deveria aceitar. Mesmo sabendo que a comida não ficaria boa eu a comeria sem hesitar, apenas para ver ele feliz achando que cozinha bem.
— Prontinho! Comida na mesa, MÃE VEM COMER! – Grita Damon para Lívia, que ao entrar trás consigo Alaric.
Todos se sentam a mesa pra comer e após nos servir; Damon faz o mesmo.
— Hummm... Meu bem isso está mesmo uma delícia! – Fala Livia assim que prova uma garfada do macarrão a lá “chefe Damon”.
— Acho que alguém perdeu o desafio! – Sussurra Dam em meu ouvido.
—Como se eu não tivesse feito 60% da comida! — Retruquei dando-lhe um tapa em seu braço.
— Mas todos os temperos e combinações ficaram por minha conta, então eu ganhei docinho – Ele piscou de forma sexy para mim, fazendo-me morder os lábios.
— Aff! Eu te dou os 10 dólares!– Rendi-me – Feliz agora?
— Muito Lena, muito! — Diz ele acariciando meu joelho por baixo da mesa
Logo que terminamos de comer decidimos assistir Vingadores, Damon é viciado em super heróis, o que eu acho estranho, pois ele se parece fielmente com um, não entendo porque ele iria querer mais inspirações.
Em um piscar de olhos ele me convence a assistir outros filmes do mesmo gênero e sem que eu perceba o dia vira noite e tenho que ir embora. Despeço-me de Damon e Liv e ando junto a Alaric, que assim que abre a porta de casa sobe imediatamente pro seu quarto dizendo que se Marley comeu alguma coisa dele irá pagar caro.
Decido ficar um pouco no sofá de olhos fechados, tentando decidir o que fazer, não era tão tarde, entretanto eu estava exausta e precisava de minha cama. Após alguns minutos subo para meu quarto e sinto um aconchego no peito ao vê-lo da mesma forma. Sem hesitar corro para minha cama e após sentir seu cheiro de sempre, ali mesmo adormeço.
Senti em algum momento alguma coisa em minha testa, levemente se intensificando, agradável até, que me faz abrir os olhos lentamente e voltar a fechá-los por conta da claridade absurdamente forte. Abri então bem devagar os olhos e esperei um certo tempo até me acostumar com a luz. Senti então o peso novamente em minha testa e fiz um pouco mais de força para tentar reconhecer de onde ele vinha, logo após descubro que é a mão de Lívia.
— Bom dia Elena – Sussurrou ela fraterna fazendo com que parte de mim se agitasse por perceber que apenas ela poderia ter a voz matinal mais doce da terra.
— Bom dia – Sussurrei de volta sorrindo-lhe – O que faz aqui tão cedo?
— Desculpe se te acordei, mas realmente preciso falar com você e aproveitei que Damon não está por perto – Apelou ela no mesmo instante – Pedi para Alaric se podia te acordar e conversar sobre esse assunto com você e ele concordou...
—Ah tudo bem – Respondi enquanto sentava-me e afagava sua mão esperando que ela entendesse o gesto como um consentimento – O que está havendo?
— Enquanto Damon estava na casa do pai dele... Eu recebi um telefonema de Giuseppe e... Bem, como posso dizer? — Suspirou ela constrangida enquanto olhava para baixo — Ele pegou Damon fumando maconha escondido no quarto e eu... Eu...
Suas palavras morreram assim como a alegria que tinha nascido em mim por tê-la por perto, pois ele não havia me contado, não havia nem sequer feito menção de que iria me contar ou até mesmo demonstrado que havia algo escondido nele. Senti-me uma péssima pessoa por não ter notado isso em seu olhar, por não ter notado que havia algo, que lá dentro; algo estava errado.
— Eu já tentei conversar com Damon ontem depois que você e Ric foram embora, mas ele não disse muita coisa, apenas me pediu desculpas e saiu, não quis me contar mais nada... Sabe Elena, eu confio no meu filho, sei que ele não é um viciado ou coisa do tipo, mas por algum motivo ele fez isso e eu o conheço, sei que ele não vai contar nada pra mim, mas com você pode ser diferente, ele me disse que não te contou, mas sabe, você é amiga dele e se você pudesse...não sei talvez...
— Conversar com ele? – Completei – Quer que eu converse com Damon?
—Isso Elena! – Apressou-se ela esperançosamente – Eu preciso mesmo ir, Damon foi a padaria, provável que logo, logo estará aqui, você pode ir encontrar com ele e conversar com ele no caminho... Por favor, fale com ele...
— Falarei v Confirmei deixando que a ela saísse de meu quarto.
Após alguns segundos inertes em minha cama despertei-me completamente e corri mudar de roupas, não fazia a mínima ideia de que padaria Lívia estava falando, mas eu sempre o acharia.
— Filha eu falei pra você deixar aquele cachorro longe do meu quarto! – Gritou Alaric entrando em meu quarto — AH CÉUS! Se vista Elena! — Ele tapa os olhos no mesmo instante e espera até que eu anuncie que minha blusa já está totalmente colocada para então poder olhar para mim.
Lhe dou um breve aviso de que irei encontrar Damon e ele consente, alegando apenas a forma como foi deixado para o cão pulguento e que nunca mais terá sua filha de volta. Talvez eu tenha demorado uns cinco minutos para fazê-lo se sentir melhor e ver que Marley era um cão excelente, mas isso me rendeu dez dólares, então tecnicamente não foi um tempo muito perdido.
Ao sair de casa avistei Damon vindo ao longe no final da extensa rua e comecei a caminhar o mais rápido que podia contra a leve brisa gelada que batia sobre minha face, porém isso não foi o suficiente, a necessidade de senti-lo tomou-me conta e sem pestanejar comecei a correr para seu corpo.
— Que bela forma de dizer bom dia Lena! – Sorriu ele me abraçando. Sua sacola de pães bateram em minha perna e arranharam-me, fazendo com que eu me sinta infantil por ter gostado da sensação de pães quentes contra minha pel. O humor logo desaparece quando olho em seus olhos e lembro das palavras de Lívia, arrasando-me e cortando-me — Hey, o que foi? –Pergunta ele logo percebendo tal mudança.
— Tenho que falar com você — Murmurei afastando-me.
— Por que será que eu sinto que isso não é boa coisa? — Brincou logo se sentindo tolo ao perceber que não seria realmente legal nosso assunto — Tudo bem, vamos pelo menos até minha casa para eu deixar esses pãe.
E assim que ele cumpre o que disse nós dois deixamos sua casa e nos dirigimos para o quintal, onde ele aponta para a grama e espera até que eu me sente para fazer o mesmo, assim que ele o faz disparo sem o mínimo de entendimento de situação:
—Porque fumou maconha Damon?
— Minha mãe te contou – Sibilou ele desferindo um soco na grama — Ela não devia ter te dito isso...
— Só quero o porque Dam, não estou julgando — Supliquei ajoelhando-me e tocando seu rosto.
Ele então olhou para mim, com seus olhos ardentemente suplicantes e suspirou dolorido sabendo que nós dois necessitávamos da mesma resposta, por fim, em algum momento entre a confusão de olhares que minha consciência se perdeu ele respondeu em apenas uma lufada o que poderia ter esmagado-me.
—Alguns amigos me disseram que mascarava qualquer dor, que fazia a felicidade voltar por um tempo e quando eu me vejo olhando para a vida que tenho com meu pai sinto que felicidade é tudo que me falta.
— Eu entendo Dam, mas não precisa ser assim – Sussurrei tentando tocar sua bochecha – Eu posso ajudar, a maconha não, você tem a mim, por favor me deixe entrar...
— Eu deixo Lena – Replicou ele – Você sabe que sempre deixo, mas é que é difícil, é uma sensação boa e eu gostei... Mas não quero perder ninguém, não quero me perder...
— Eu sei que não e é por isso que você tem que ficar aqui do meu lado, sendo só meu – Expliquei acariciando seu queixo que encontrava-se trancado de dor — Apenas segure minha mão o.k? Você não vai precisar de droga nenhuma para ser feliz, eu estarei aqui, prometo, mas preciso que você me prometa também que não fará mais isso, pra isso dar certo precisamos de confiança mútua está bem?
"Quero que fale comigo, seja por telefone, e-mail, carta, sinal de fumaça, não sei! Só fale comigo porque eu vou te ajudar e eu juro que se não te ajudar você pode me levar pra acariciar um leão faminto ou ser meu leão faminto" Murmurei em uma tentativa de fazê-lo rir . Ele ri fracamente e grasna um "Raww" em minha direção em que mostra suas garrinhas e me puxa para mais perto "Você é forte Damon só não sabe disso ainda"
— Eu vou tentar Lena – Sorriu ele com sinceridade
— Ótimo! – Exclamei o empurrando levemente – A partir de hoje eu sou oficialmente sua droga!
— Minha droga preferida, a única que vou desejar provar todos os dias. – Confessa ele assentindo e aproximando-se.
Sua respiração suspende-se e transforma-se em uma leve baforada de menta sobre meus lábios, que se intensificam com sua constante aproximação, seu toque indo em ponto máximo e subindo por minhas costas sob minha singela blusa de seda. A salvação está tão perto que eu não posso parar de desejá-la, mas tudo depende dele, ele deveria saber que eu estava completamente entregue, entretanto, no mesmo instante ele se afasta e me empurra, deixando-me cair de propósito e subindo por cima de mim.
— Acho bom a gente parar – Anuncia ele rindo – Você não tem idade o suficiente para me dar sermões e agir como uma mulher fatal no mesmo dia.
— Está dizendo que sou o que? Um animal quando estou normal? — Desferi lhe estapeando para que saísse de cima de mim, o que ele faz no mesmo instante enquanto suspirava.
— Não... Só estou dizendo que às vezes você torna tudo difícil demais para mim e não quero ter que decifrar tudo agora, isso pode esperar um tempo – Responde ele com o olhar vago em direção ao chão.
— Você sabe que não entendi o que realmente quer dizer não é? — Perguntei gargalhando.
— Sei – Riu ele de volta – Mas um dia, se eu souber aceitar realmente, você entenderá – Responde ele puxando-me para seu peito e acariciando meus cabelos.
— Por que precisaria aceitar algo que não quer? – Indaguei confusa.
— Porque eu tenho medo do que poderia acontecer se eu realmente aceitasse — Resumiu ele.
Decidi por hora não fazer mais perguntas, Damon encarava as vezes sérias crises filosóficas e mesmo tentando esconder isso de mim, elas acabavam com ele, assim como as minhas acabavam comigo, afinal; de certo modo nós nunca poderíamos falar disso com nossos país e ter essa dor acalentada, eles já tinham problemas de mais e seria egoísmo levar mais outros a eles...
As semanas se passaram e Damon e eu finalmente conseguimos atingir o tão esperado nível de conexão que eu sentia falta. Sentia ele cada vez mais fundo em mim, cada vez mais inteiro, completando-me e fazendo-me sentir que é possível sim ter apenas um corpo mas uma segunda alma.
Nossos pais não entenderiam o que é ter que guardar os acontecimentos mais legais na escola e contá-los para um estranho que você conheceu com doze anos e ter que aguardar um ano inteiro para podê-lo vê-lo, abraçar, sentir o cheiro do reconforto e então lhe despejar toneladas de reclamações sobre as pessoas de seu colégio e seus imbecis dramas infantis e era por isso que nossa amizade era especial. Ele estava sempre lá, todos os dias, a cada novo dia que amanhecia a primeira coisa que eu fazia era abrir a janela de meu quarto e vê-lo lá, sentado em meu quintal, encarando a janela esperando que eu acordasse para então sorrir e esperar que eu me trocasse para me levar para o mundo mais magnífico que eu já tinha visto: o seu.
Sua forma de pensar me intrigava, pois era incrivelmente inteligente, assim como sua intensa capacidade de dominar um assunto sem nenhum esforço. Por vezes eu tinha inveja de sua inteligência e completa estabilidade para lidar com seus problemas, mas então logo vinha o orgulho que eu tanto sentia quando olhava profundamente em seus olhos. Eu estava completamente intoxicada e penetrada por Damon Salvatore.
Certo dia, quando estava exaustamente jogada no sofá às duas da tarde, Damon entra pela janela da sala e simplesmente grita um estrondoso "OOOOOOI" que faz-me gritar de susto e alegria por vê-lo.
— Será que sempre teremos nossos cumprimentos em relação de amor e ódio? – Gritei jogando-lhe uma almofada na cabeça – Eu não aguento mais levar sustos Damon! É O MILÉSIMO DA SEMANA!!!!
Ele apenas ri e devolve a almofada para o sofá, sorrindo então cafajeste e pedindo para poder falar para que veio.
— Pode falar futuro praticante do Parkur — Respondi irônica em seu ouvido em uma tentativa de mencionar sua entrada pela janela.
— Lembra aquele cinema que abriu a duas semanas atrás? – Perguntou retóricamente – Estava aqui pensando e achei que você ia gostar de ir assistir um filme comigo!
— Assistir o filme sim, com você não, já que você sempre faz piadinhas nas piores horas, principalmente na hora de comentar o sangue falso! — Debochei – Mas aceito, porque faz eras que não como pipoca caramelada e em quase todos os cinemas tem!
Ele então murmurou para que eu me trocasse e assim que o fiz ele me arrastou porta afora, apenas rindo entusiasmado.
— Sua mãe não vai levar a gente? – Perguntei confusa ao chegar na calçada e não ver Lívia – Se quiser posso pedir pro meu pai levar, ele...
— Que isso Lena! O cinema é aqui perto, nem precisa! — Corta ele no mesmo instante – Vamos andando.
— Eu deveria te matar Dam! Porra, eu nunca andei tanto na minha vida como andei hoje! – Gritei exasperada quando finalmente chegamos ao cinema, que nem pipoca caramelada tinha!
— Você deveria é me agradecer, isso sim – Replicou Damon – caminhada ajuda a deixar a bunda durinha e gostosa! – E então, sem nem hesitar o mesmo passa por mim e dá um tapa em minha bunda.
— Que ousadia – Sibilei ultrajada dando-lhe um soco no ombro — Só por isso eu escolho o filme!
— Nem pensar! Você vai escolher aqueles filmes de menininhas retardadas! – Diz ele tentando descruzar meu braço firmemente cruzado e pisar em meu pé.
— Diário de uma paixão não é um filme de menininhas retardadas! – Defendi — O problema aqui é que você é um retardado!
Como ele ousa chamar meu filme daquele jeito? Ele simplesmente não tinha ideia de onde estava se metendo, eu era Elena Gilbert e veria sim meus filmes românticos.
— Deixa eu te explicar porque esses filmes sempre são os melhores! Primeiramente o roteirista...
— Tudo bem, tudo bem – Interrompe ele apavorado – Eu assisto o filme que quiser, mas no próximo verão você vai ver!
Sorri vitoriosa e passei meu braço por sua cintura, deixando então que ele me arrastasse até a sala de cinema.
Em dado momento antes do filme começar ele saiu da sala sem nenhum aviso, voltando cinco minutos depois com um balde de doces e outro de pipoca e até mesmo alguns cachorros quentes e sucos em uma pequena caixa que ele equilibrava sobre os dois baldes.
— Tudo isso Dam? Nós não vamos dar conta — Disse a ele espantada levantando para ajudá-lo a arrumar as coisas em nossos assentos.
— Isso é para mim Lena, deixa de ser boba – Gargalhou ele – No máximo te dou um cachorro quente e um suco pra você ficar feliz – Suspirou deixando-se cair na poltrona.
Após uma longa discussão ele foi convencido de que teria que dividir tudo se quisesse se reproduzir futuramente e só assim pudemos nos acomodar e passar os minutos finais de espera pelo filme conversando civilizadamente.
Quando as luzes finalmente se apagaram nossos dedos instintivamente se entrelaçaram, lançando por qualquer direção choques instintivamente intensos, quentes e desesperados, os senti irem da ponta de meus dedos até o ponto principal de minha intimidade, chegando então em minha garganta, quase fazendo-me ofegar. Minha pulsação estava acelerada e eu sentia uma vontade incontrolável de subir em seu colo e o beijar intensamente até poder tirar toda a sua roupa e vê-lo tirar a minha. O filme continha uma música de abertura insana, que lentamente arrastava-se por compassos molhados, fazendo meu corpo tremer violentamente.
A personagem principal do filme estava fazendo amor com seu parceiro, sussurrando-lhe juras de amor eterno e sentindo vibrações completamente intensas e eletrizantes, seu parceiro gemendo baixinho em seu ouvindo e pedindo que ela gritasse seu nome. Apertei ainda mais forte a mão de Damon ao mesmo tempo em que ele apertou a minha, em ponto extremamente fulminante, sentindo seus dedos por meu rosto enquanto seu corpo se virava para mim, ele encarou-me profundamente e ofegou baixinho, tocando levemente minha barriga.
BOOM.
A mocinha então acordou de seu sonho com o estrondo da caixa que foi jogada por seu pai em seu quarto e permitiu-se então levantar para poder acompanha-lo em seu trabalho, Damon se afastou imediatamente e me mandou prestar atenção ao filme. Por algum motivo ele estava desconfortável com a situação e remexeu-se na cadeira, afundando completamente e logo então virando-se um pouco para a direita, quase de costas para mim. Após alguns momentos eu não suportei nosso pequena distância e o puxei para mais perto, recostando-me em seu ombro, ele apenas me abraçou apertado e respirou fundo, cruzando as pernas forte e tencionado-as. Por vezes ele respirava fundo e forçava ainda mais suas pernas cruzadas e fazia com que eu me afastasse um pouco, mas respondia que estava apenas com dor de cabeça quando eu perguntava o que estava havendo.
— Volto em um instante Lena — Disse ele apressado após alguns minutos e logo então saiu correndo porta afora.
Definitivamente ele estava estranho, mas depois de dez minutos ele estava de volta e surpreendentemente mais calmo e relaxado, até mesmo feliz, então presumi que ele devia ter pedido algum remédio a alguém ou bebido alguma água com açúcar. Ao se sentar ao meu lado quando voltou ele sorriu constrangido e sussurrou-me que estava melhor e logo após ver meu sorriso sincero ele puxou-me para si e murmurou sobre minha cabeça:
— Melhor...
Em certos momentos eu atrevia-me a fechar os olhos e a delirar em seu cheiro, pois de certa forma aquela sala escura e fechada fazia parecer com que o mundo lá fora fosse algo que estivesse estacionado em frente ao cinema, que estava esperando, apenas dando esse momento a nós dois e me deixando aproveitar tudo da forma que quisesse, apesar de tudo. E foi isso mesmo que fiz, aproveitei cada segundo para extasiar-me com a presença de Damon, sentir seu cheiro e vê-lo gravando-se em mim ao mesmo tempo do desenrolar do filme
O final se aproximava e eu previa que minhas lágrimas logo chegariam e acredito que Damon também, pois ele me apertou mais contra si e voltou a segurar minha mão, dessa vez de modo muito menos íntimo e mais afetuoso.
Como foi esperado; eu me derramei em lágrimas, que Damon soube secar uma por uma, com um sorriso terno e gentil. O filme tinha acabado e não havia uma pessoa sequer no cinema sem ter chorado, menos Damon, que manteve-se firme do começo ao fim. Aquilo poderia ser um gesto frio, entretanto, acabei adorando e apreciando, ele era forte.
— Por um momento pensei que ia precisar pegar um barco pra sair daqui! – Comentou ele enquanto esperava eu me levantar da cadeira.
— Foi um filme lindo! Pare com isso! – Retorqui fingindo estar brava – Ai eu devo estar com os olhos vermelhos e a cara super inchada agora – Ri enquanto secava meus olhos ainda molhados.
— Não, está a princesinha de sempre, continua linda – Assegurou Damon dando-me um beijo na testa e fazendo com que eu sentisse bem.
Logo depois fui arrastada para a saída do cinema e o ajudei a comer os 2 cachorros-quentes que ele havia comprado.
— Ainda bem que nós temos um longo caminho até chegar em casa – Disse a ele – Já pensou a gente chegar em cinco minutos? Provavelmente o jantar não caberia.
Ele riu de meu comentário e concordou, fazendo piadinha de que minha boca estava suja de molho e a limpando com a manga da blusa.
— Espero que tenha gostado de ter ficado comigo nessas férias — Disse ele – Pois eu gostei muito.
— Eu sempre gosto – Respondi – Acredito que nós estamos destinados a ter sempre as melhores férias, aceite isso Dam – Disse esbarrando propositalmente em seu ombro e arqueando as sobrancelhas.
— É talvez – Riu ele – Mas você não facilita as coisas, sempre rouba minha comida, isso não é legal Lena!
— Se eu fosse sempre legal eu não seria a Elena verdadeira com você – Digo parando a beira do meio fio enquanto ele descia até o nível da rua para ficar um centímetro mais baixo que eu – Não quero que você conheça a Elena de mentiras que todos conhecem, você despertou o real, então, logicamente, merece tê-lo sempre.
— É uma boa lógica – Sorriu ele colocando uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha – Espero que dure para sempre.
— Vai durar – Garanti colocando meus braços ao redor de seus ombros – Enquanto houver verões eu sempre te amarei Dam...
— Por toda a eternidade então – Sorriu ele feliz subindo até o meio fio e envolvendo minha cintura – Espero que tenha sua licença de vampira reservada Elena.
— Pra você eu sempre terei – Gargalhei desvencilhando-me e aceitando seus passos lentos que me levariam até nossas casas.
Afinal, nós sempre terminaríamos ali, onde nossos verões eternamente limitados começaram...
Essas foram definitivamente as férias mais rápidas de minha vida, Damon e eu não nos desgrudamos um segundo sequer e vivemos momentos maravilhosos e inesquecíveis eu poderia dizer, principalmente no cinema, que insistimos em ir uma cinco vezes seguidas apenas para comprar cachorros-quentes e poder contar às pessoas que iriam ver o mesmo filme que nós o que acontecia no final.
Terminei de colocar a mala no carro, dessa vez sem estar acompanhada por Damon, que ficaria por mais um dia já que seu voo fora cancelado.
— Vou morrer de saudades de você filha e acho que até mesmo desse cachorro maldito! Essas férias passaram rápido demais – Suspirou Alaric me abraçando de lado.
— Pai, você vai ter muito tempo pra se despedir no aeroporto, acredite – Falei em uma falha tentativa de impedir seu choro já existente.
— Eu sei – Suspirou ele – Mas é difícil saber que quando eu voltar pra casa você não vai estar aqui, apesar de ser pouco o tempo que passamos juntos, eu me acostumo sempre muito rápido com a sua presença e dói saber que eu não posso prorrogá-la...
— É horrível viver sem você pai! – Exclamei deixando tudo fluir e as lágrimas presas depois de tantos anos, caírem – Sempre sinto saudades, mas você sempre vai me ter por perto, mesmo que eu esteja longe geograficamente. Eu te amo, mais do que qualquer dia de sol ou respiração que eu possa valorizar.
— Eu também Elena – Sorri ele aceitando meu beijo na bochecha e se desvencilhando de mim.
— Até o próximo verão Lena! – Escutei a voz de Lívia dizer atrás de mim.
Andei em sua direção e lhe abracei profundamente magoada por não poder vê-la mais e nem sentir seu carinho por mais tempo. Apesar de não termos conversado muito nesse verão, ela ainda era a mesma pessoa, uma mulher que no fundo também era uma menina e que estava sempre ali sendo amiga e companheira.
— Vou sentir saudades querida! – Sussurra ela em meu ouvido — Não se esqueça de me mandar notícias e muitas fotos, mesmo não estando por perto gosto de ver como se torna uma linda mulher a cada dia que se passa.
— Elena, vamos, temos que ir! Marley já está ficando impaciente aqui no carro! – Gritou Alaric buzinando algumas vezes.
— Desculpe – Peço a Lívia – Tenho mesmo que ir...
— Tudo bem querida – Sorri ela – Tenha um bom ano, qualquer coisa você sabe que sempre terá um lugar para fugir caso queira o.k?
Assenti sentindo um enorme aperto em meu peito. Minha garganta se fechando completamente enquanto meu estomago se retorcia em agonia. Damon não está ali, gostaria muito de me despedir dele mas pelo jeito ele não saiu do quarto, ele havia dito pra mim ontem e como já se era sabido; o que ele dizia era o que ele fazia. Ele não quisera sair do quarto para se despedir esse verão, mas não dissera o porque, talvez seja porque nós formamos laços muito fortes e seja difícil demais pra ele me ver ir antes dele, em seu lugar provavelmente eu sentiria a mesma coisa se a sensação de sofreguidão não se igualasse a isso.
Dei o ultimo tchau a Lívia e então abri a porta carro, com um suspiro que partiu-me o peito; olhei para o alto, para a janela do quarto de Damon e lá estava ele, parado olhando para mim. Acenei com a mão direita em despedida, mas ele apenas se limitou a um sorriso torto, um sorriso do que trouxe-me uma coisa que eu precisava sentir para poder ir embora, paz.
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