Doze Verões
1 2000
Notas iniciais
Durante doze anos meus pais viveram um casamento perfeito, mas depois que meu pai descobriu que Isobel o traía com John, tudo desmoronou. Meu pai se mudou para Chicago e minha mãe para Nova York.
Depois de vários meses lutando pela minha guarda, Isobel conseguiu afastar Alaric de minha vida, a única oportunidade que tinha de vê-lo, era nas férias, onde, por ordem de um juiz, eu deveria passar todo o verão junto a meu pai até que minha maioridade se completasse.
Era para lá que eu estava indo agora, meu vôo já havia sido anunciado e depois de muita choradeira de Isobel e muita falsidade de John, consegui embarcar.
Durante o que se pareceram horas caí em sono profundo, sendo acordada pela aeromoça que me indicou a plataforma e o portão de desembarque.
Sorri para ela e sai correndo do avião, pegando minhas malas e correndo para os braços de meu pai.
— Papai, que saudade–Murmurei.
— Eu também princesa, senti muito sua falta –Disse me apertando.
Por alguns instantes deixei-me ser abraçada por ele, logo o soltando e o encarando, ele agachou-se para ficar na minha altura e então deu um beijo em minha testa.
—Quer ir ao Mc lanche feliz?–Perguntou carinhoso –Soube que o brinde é um celular que espirra água.
—Pai, já tenho doze anos. Brindes não me interessam mais – Gemi.
—Eu sei, mas não tenho comida pronta em casa –Murmurou – Então?Quer ir?
— Claro! Mas vou querer um lanche grande!
**********
Alaric mantinha meu celular no alto sorrindo para mim e murmurando um “baixinha”.
— Me devolva! –Gritei.
— Não, eu sou mau e enquanto não conseguir minha vingança não descansarei –Disse arregalando os olhos – Minha camisa ainda está suja de maionese.
Tentei pular para tomar o brinquedo de sua mão, mas ele o colocou em seu bolso e me jogou no sofá para me encher de cosquinhas.
— Para, por favor!!! – Gritei enquanto gargalhava descontroladamente – Para, minha barriga está doendo! Pai, para!!!
Após minha pausa para tomar fôlego e chutar sua canela Alaric sorriu amoroso e pegou o brinquedo em seu bolso para me oferecer.
— Vá fazer alguma coisa, tenho alguns telefonemas para dar.
Tomei o celular de sua mão e corri para fora, me sentando no pequeno degrau da varanda e encarando sua tela.
Depois de alguns minutos, resolvi andar pelo jardim e foi nessa péssima ocasião que pisei em meu cadarço e tropecei no gramado, caindo em cima de um formigueiro e sendo mordida por várias formigas ao mesmo tempo.
Comecei a me debater compulsivamente e a pular, tentando afastar as formigas e de algum modo deu certo, mas meus braços e pernas estavam todos marcados, cheios de vergões vermelho escuro, fazendo parecer pior do que na realidade era.
—O que aconteceu com você? – Perguntou um menino do outro lado do baixo cercado.
— Cai em cima do formigueiro – Expliquei me aproximando.
Ele gargalhou alto, se levantando do chão e vindo até mim.
— Sou Damon – Apresentou-se.
— Elena.
Ele sorriu radiante, mostrando suas covinhas e seus dentes incrivelmente brancos.
— Você mora aqui? – Perguntou apoiando suas mãos no muro.
— Não, vim passar as férias de verão com meu pai...
— Eu também vim passar minhas férias de verão aqui, só que com a minha mãe – Deu de ombros. Assenti para ele e encarei seus olhos, me lembrando da primeira vez que vi o oceano – Hey, quer fazer alguma coisa?
— Quero – Assenti sorrindo – Mas o que?
—Não sei… Eu não estou com muita energia, estou morrendo de sono, mas não posso dormir para não desregular meu sono. Que tal só conversar? A gente pode achar desenhos nas nuvens se deitarmos no seu gramado...
Sorri para ele e confirmei, vendo-o pular o pequeno muro e parar em minha frente.
— O que aconteceu com sua mãe?– Perguntou.
— Ela e meu pai se separam – Sorri – E você?
— O mesmo que você. Só que minha guarda ficou com meu pai – Disse colocando as mãos nos bolsos – Agora todo verão sou obrigado a vir pra cá.
— Eu queria morar aqui. Sabe, o marido atual da minha mãe é um saco, na frente dela finge que gosta de mim, mas quando ela não está perto faz questão de me ignorar.
— Ainda bem que minha mãe não arranjou outro, eu não ia tolerar – Riu.
Por alguns momentos ri com ele e assim que comecei a caminhar para me deitar na grama pude ver que ele me seguia.
— Elena? Onde você está filha? – Gritou Alaric em algum lugar dentro de casa.
— Aqui pai – Gritei de volta.
Alguns instantes depois Alaric apareceu no jardim olhando para nós dois com um sorriso satisfeito.
—Vejo que conheceu Damon – Falou – Olá Damon.
— Oi tio Ric – Respondeu animado.
— É ele é legal. Estávamos conversando –Respondi a Alaric.
—Sim, eu sei, já conversei com Damon, mas agora entre, você precisa se arrumar, vamos sair.
— Tudo bem – Anui – Tchau Damo. Deixa pra próxima nossa conversa e as nuvens.
*******
Durante todo o tempo que passei em Chicago Damon ficou do meu lado, conversando e fazendo várias piadinhas, me mostrando lugares e me levando para passear.
Minhas férias já estavam se esgotando, as dele também para falar a verdade, mas nenhum de nós queria que acabasse, em seus olhos eu podia ver que ele sentia o mesmo que eu e que se sentia bem comigo, assim como eu, quando estava perto dele.
No último dia de nossas férias fomos até a praça da cidade para aproveitarmos os últimos momentos juntos.
— Você vai voltar ano que vem, não vai? – Perguntou ele.
— Claro – Respondi a ele como se fosse óbvio.
Ele suspirou contente e pegou minha mão para caminhar ao meu lado.
— Você precisa me passar o seu número, para que eu posso te ligar e mandar mensagens, nós somos amigos agora, não é?
— Somos sim – Respondi – Me dê o seu celular que vou salvar nele.
Após salvar meu número lhe dei um forte abraço e pedi com toda a sinceridade do mundo para que ele não me esquecesse.
— Nunca –Respondeu ele me apertando ao seu redor.
Após isso arrastei ele para os balanços para que ele me empurrasse o mais alto que pudesse alcançar. É claro que ele conseguiu me fazer balançar super alto e isso só me fez adorá-lo ainda mais!
— Sua vez – Anunciei pulando do balanço e dando lugar a ele.
— Duvido você conseguir – Riu ele fincando seus pés no chão.
— Qual é Damon – Suspirei pela milésima vez depois de tentar balançá-lo – Tira esses pés do chão!
— NÃO! – Riu ele – Eu sou muito forte, você não pode me vencer!
— Ah é? – Perguntei frustrada – Ok! Toma isso então!
Sem esperar sua reação fechei a mão direita em punho e bati com toda a força que tinha em sua cabeça. Assim que ele gritou e me olhou abismado sai correndo prevendo que ele iria se vingar. Rapidamente ele me alcançou e me jogou na caixa de areia da praça.
— Vou sujar seu cabelo todinho – Riu ele jogando areia em cima de mim.
Ao puxá-lo junto a mim deixei que toda a areia de meu cabelo caísse em seus olhos, encaixando-me em cima de seu corpo e apertando suas bochechas.
— Menina você é uma praga, sai de cima de mim – Falou ele tentando me empurrar.
— Infelizmente essa praguinha já vai embora Damon – Disse uma voz atrás de mim.
Sem nem ter tempo de notar quem era fui tirada de cima de Damon e jogada para o alto. Gargalhei feliz ao notar que era Alaric.
— Vamos querida, se despeça de Damon, você precisa de um banho antes de irmos para o aeroporto.
Saindo do colo de Alaric fui até Damon, que ja se encontrava de pé se limpando.
— Tchau Damon – Murmurei o abraçando – Não esquece do que me prometeu.
— Vou te ligar sempre que puder – Disse ele – E mandar mensagens também.
— Vou esperar …
— Vê se cresce um pouco, você é muito baixinha, okw – Gargalhou ele
— Você é que é alto demais!– Guinchei –Não há nada de errado com minha altura.
— É sim filha, vamos admitir que você não acompanha a média de altura pela idade que tem – Intrometeu-se Alaric.
— E tente engordar um pouco – Aconselhou Damon – Porque se vir um vento forte você levanta vôo.
— Vou bater em você Damon – Ameacei.
— Não teria coragem – Desafiou.
Ele me olhou com seu sorriso fofo e seus olhos brilhantes, me derretendo toda e então ele soube, que eu havia perdido e que eu não teria coragem de lhe dar um tapa sequer.
— Tchau Damon – Despediu-se Alaric.
—Tchau Ric.
Aproximei-me de Damon e o abracei, fechando os olhos quando o mesmo beijou minha testa.
— Bom ano pra você – Sussurrei.
— Para você também – Disse ele carinhoso.
Ele apertou suas mãos em meus braços e sorriu.
— Como eu disse, parece que seus ossos vão quebrar –Brincou.
— Só não te bato... –Ameacei.
— Porque não vive mais sem mim –Completou.
— Convencido.
— Sempre fui.
Dei-lhe um breve aceno e entrei no carro, vendo a silhueta de Damon diminuir cada vez mais até sumir de minha visão e do espelho retrovisor.
Agora que conhecia Damon, um ano longe dele seria uma grande batalha...
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