Doze Passos Para Esconder Um Amor
9 Não conte como se sente pro seu amigo tagarela
Notas iniciais
*
Bem, sem mais delongas, boa leitura!!
Estava um dia realmente bonito, como há muito ela não via. Pássaros cantavam, o Sol brilhava, majestoso, inundando a existência de beleza e significado, as flores desabrochavam... Era uma perfeita manhã de primavera, novembro, fim de ano.
Bem que Elesis gostaria de correr por aí e se divertir. Sua semana de folga havia acabado, mas ela continuava de cama por causa da perna ferida e, mesmo tendo insistido em cumprir com seus deveres de um jeito ou de outro, a comandante a proibira terminantemente de forçar aquele tornozelo.
Não que a ruiva não temesse uma fratura. Quer dizer, ela nunca tinha tido o azar de quebrar alguma coisa, mas os relatos dos outros eram o suficiente para fazer com que sentisse um calafrio na espinha. Sabia que não seria uma experiência agradável, na verdade provavelmente um tanto quanto traumatizante, mas ela odiava se sentir inútil, lá, olhando para o teto, pensando na vida.
Graças à bondade dos céus, Arme concordara em lhe emprestar alguns de seus romances após uma confissão comprometedora por parte da ruiva sobre surrupiá-los do quarto da maga às vezes. Ela não parecera muito feliz no começo, mas não se importou em deixá-la lê-los, ocupando-se em largas tardes a discutir as estórias com a líder da Caçada.
Elesis não parecia muito do tipo que gastaria um dia para falar de um romance, aliás, nem sequer uma hora. Mas as aparências enganam, era só essa atividade que ainda a mantinha na cama naquele momento. Arme era uma ótima companheira de discussão, fosse porque era muito sensível, fosse porque também se tratava de uma garota apaixonada, a ruiva não sabia dizer. Não importava: eram amigas.
Não fora só a maga que ocupara seu quarto durante a semana em que estava de cama. Amy também tratara de arrumar variados motivos para entrar e sair daquele cômodo várias vezes ao dia, preocupada em ajudar a líder da Caçada como modo de desculpar-se por tê-la pressionado quando estavam na loja de equipamentos.
Naquele lindo dia ensolarado, lá estava a ruiva, enclausurada em sua cama com colcha vermelha, encostada no dossel de madeira enquanto ouvia Arme dizendo sua opinião sobre o romance que havia lido naquela semana.
- E então tem aquela cena que o cara entra no quarto... — começou Arme, olhando sonhadora para a capa da obra. — Você se lembra?
- Aquela em que ela estava nervosa por causa do rei? — perguntou a ruiva, os orbes carmim brilhando. — Sim, eu lembro! Aquela cena é muito boa. Mudou a estória inteira! E as palavras que ele usou... Não consigo entender como ela não se toca que ele gosta dela, tá tão na cara!
- Né? — a maga deu uma risada. — É assim mesmo, todas as heroínas sempre são ingênuas, elas nunca percebem nada. Mas essa estória, em especial, é muito interessante... — levantou o livro para a ruiva. — Você não acha essa personagem principal parecida com você?
- Só porque ela tem olhos e cabelos vermelhos? — Elesis levantou uma sobrancelha, pegando o objeto e analisando também a jovem na capa, uma menina ruiva de armadura. — Existem muitas pessoas assim por aí.
- Não, não sei... O modo como ela abandona tudo para encontrar o pai, as dificuldades que ela passa... Tudo me lembra de você...
Antes que a garota de cabelos arroxeados pudesse terminar o que dizia, a porta do quarto foi aberta, e uma Amy saltitante entrou logo seguida de Lire, que carregava consigo um prato o qual exalava um maravilhoso cheiro de biscoitos de chocolate.
- Trouxemos um lanchinho — informou a dançarina, sentando-se na ponta da cama. A elfa, logo atrás, colocou a louça sobre o colo da ruiva, para que todas tivessem alcance ao doce.
- Oh, obrigada, Lire — Elesis fez questão de esticar os dedos gulosos e apanhar o primeiro biscoito. — Não aguento mais ficar nesse quarto, mas até que seus doces tornam as coisas um pouco melhores.
- Calma, só passou uma semana, ainda faltam duas — a loira riu da pressa da amiga em se recuperar. — De qualquer jeito, o que estavam fazendo? — focalizou em uma das mãos da ruiva um livro. — Discutindo leitura outra vez? Qual é o livro dessa vez?
- Destemida — respondeu a líder da Caçada, pouco se importando de estar de boca cheia. Quando Arme reclamou da falta de educação, ela apenas riu. — Desculpem, não vou fazer de novo.
- Não conheço esse livro — resmungou Amy, pegando-o da ruiva e dando uma boa olhada na capa. — Parece bastante com você. Ela também tem queda por albinos?
Elesis engasgou com o biscoito que colocara na boca em seguida ao primeiro, seus olhos injetados e vermelhos encarando a dançarina conforme tossia. A rosada deixou que um sorriso divertido se espalhasse por seu rosto.
- Pare de fazer perguntas para mim — a líder da Caçada olhou para qualquer canto, evitando os orbes inquisidores da dançarina. — Por que não pergunta pra Arme dela e do Ronan? Vocês nem a deixaram contar a história do beijo da última vez...
- Nossa, finalmente alguém além de mim se interessa pela minha vida romântica — a maga rodou os olhos.
- Não é verdade! — reclamou Amy, dando uma risada maliciosa logo em seguida. — Tenho certeza de que o Ronan se importa também...
- Hey — Arme riu um pouco, pega de surpresa pela resposta espertinha.
Por dentro, a ruiva suspirou aliviada de que fora capaz de mudar o assunto. Estaria salva, pelo menos temporariamente. E realmente, por um lado, queria saber a história que Arme ia contar no bar.
-Então, diga, diga — incentivou a elfa, animada.
Realmente, guerreiras ou não, garotas sempre são garotas...
- Então — começou a maga, animada. — Era de noite, e estava chovendo, e eu e Ronan estávamos...
*
- E então ele disse aquilo, e... — incentivou Amy, os olhos castanhos brilhando de curiosidade.
- Acho melhor parar por aqui — Arme corou, olhando para a colcha vermelha que segurava entre os dedos.
- Como assim parar nessa cena! — protestou a ruiva, batendo a mão no prato de biscoitos, agora vazio. — Você não pode parar agora, a parte comprometedora ainda nem começou!
- Comprometedora? — a maga levantou o olhar para a líder da Caçada, as bochechas coradas. — Como assim? Nós não somos como você e Lass, não rolou nada entre a gente.
- Eu e Lass? — Elesis calou-se, também corada, e desviou os orbes carmim para qualquer canto do quarto. — Do que está falando?
- Bem lembrado, Arme — a dançarina deu uma risada, ainda animada. — Nos diga, então, Elesis, o que está acontecendo?
- O que está acontecendo o quê? — a rosada arrancou o prato das mãos da ruiva, que desviou para ela um olhar surpreso.
- Quando estávamos no bar, você disse que já tinha se apaixonado, mas não falou por quem — insistiu Amy, recebendo acenos de concordância por parte da maga e da arqueira. — Vamos lá, diga.
- Eu... Disse? — a líder arregalou ainda mais os olhos, se é que isso era possível. Quando as três assentiram, sentiu um calafrio tomar sua espinha.
Bem, já havia admitido aqueles sentimentos para si mesma há muito tempo. Só que era diferente: a partir do momento em que os revelava para outra pessoa, eles pareciam mais e mais reais, e não apenas algo que podia manter em seu coração. Ela sabia que as amigas fariam de tudo para juntá-los e as esperanças falsas que tinha já doeriam o bastante sem aquelas que seriam capazes de dá-la.
Mas por outro lado, não podia simplesmente negar tudo. Além do mais, eram suas amigas: por mais quanto tempo ia conseguir manter aquilo para si mesma sem se machucar? Não era como se já não tivesse entrado em situações comprometedoras o bastante por si só, e tinha altas suspeitas de que, àquela altura, o albino já sabia de tudo que se passava em seu coração.
De que adiantaria tentar manter-se fechada por mais e mais tempo?
- Eu... Eu o amo... – sussurrou, apreensiva, evitando o olhar delas.
- Oh, meu Deus! – exclamou Arme. – Ela disse... É a primeira vez que você diz?
- É... – era estranho como ela conseguia gaguejar com palavras de apenas uma letra.
Sentia-se tão vermelha quanto seus cabelos rubros. E o sorriso malicioso que via no rosto de Amy pela visão periférica a dizia que com certeza estava.
- Ótimo, era tudo o que eu precisava ouvir – a dançarina levantou-se, chamando a atenção da líder da Caçada. – Vamos sair, meninas. Vou chamar Lass para vir aqui.
Os orbes carmim se arregalaram conforme as acompanhava com o olhar enquanto elas saíam rapidamente, não a dando nem sequer um segundo para protestar.
A ruiva sabia que elas pretendiam algo do tipo. Só não tinha imaginado que seria tão rápido que começariam a agir.
Então, bem, se você não quer que ele descubra, que os outros deem a ele todas as pistas necessárias para que saiba de seus sentimentos – incluindo, em alguns casos, jogar o cara descaradamente por cima de você – não conte como se sente para seu amigo tagarela. Porque ele com certeza vai tentar fazer alguma coisa, sonhe que ele será bonzinho, mas só sonhe.
Começou a pensar mil possibilidades do que poderia acontecer a seguir. Fazia cerca de dois meses que ele não entrava naquele quarto, mas tê-lo lá novamente só a lembraria do quanto haviam estado próximos, do quão perto haviam chegado um do outro quando ele caíra sobre ela naquela mesma cama.
Recordou-se que na época também estava lendo um romance. Tratou de colocar o que estava sobre sua cama numa gaveta do criado-mudo antes que o ninja aparecesse. Evitaria problemas do tipo novamente.
Pensar que haviam estado tão próximos naquele mesmo colchão em que se sentava agora, sem possibilidade de fuga devido à perna ferida, só a fazia lembrar-se do que achava que teria sido um beijo entre os dois na enfermaria, se Arme não tivesse interrompido.
Ela nunca esqueceria aquilo...
Seus pensamentos foram repentinamente interrompidos pela porta que se abriu. Entrando vagaroso, o ninja se fez presente.
A ruiva travou estática, e o observou conforme ele encostava a porta novamente, virando-se e a encarando de volta. Estava corado, para a surpresa da ruiva.
Ela já o vira vermelho antes, mas não como naquele momento. Era incrível como o tom de rubro parecia cair bem com sua pele. A jovem esqueceu-se por alguns instantes de em que tipo de situação eles estavam até que ele se aproximou e a tomou nos braços, fazendo-a soltar uma exclamação de surpresa.
Elesis fechou os olhos, nervosa, como sempre ficava quando se aproximavam um do outro. Mal notou que ele a levava a algum lugar até que ele a pôs sentada na banheira de seu toalete. Então abriu os olhos, alarmada, quando sentiu os dedos masculinhos na barra de sua camisa.
- Lass – o nome saiu entre gaguejos por seus lábios, e notou que ele não levantou a cabeça. A ruiva podia ver suas bochechas: estavam inegavelmente vermelhas, mais ainda do que antes, o que a fez sentir-se mais ansiosa também. – O que estamos fazendo?
- Como assim o que estamos fazendo? – ela nunca o tinha ouvido gaguejar antes e, para sua total descrença, ele olhou para seu tapete vermelho de dinossauro frente a pia, evitando os orbes dela. Estava lindo, incomparável, e totalmente rosado. Ela sentia como se fosse se apaixonar por ele de novo naquele ritmo. – Você não pediu pra que te ajudasse no banho porque não consegue se acomodar direito?
- Eu... Eu o quê? — Elesis fez uma nota mental para matar Amy eventualmente. – Eu não pedi isso! – exclamou, alarmada, afastando as mãos dele de suas roupas. – Não pedi.
- Mas então... – Eles cometeram o erro de cruzar os olhares.
Lass se perdeu nos orbes dela, a cena da enfermaria voltando a sua mente em milésimos de segundo. Ela se deixou levar pelos oceanos dele, sem fôlego. Os dois estavam mais carmim do que tomates, tão nervosos e atrativos, ansiosos e inexperientes.
Ele sabia o que sentia, e realmente queria fazer algo sobre isso. Mas provavelmente não era a hora ainda, por mais que desejasse beijá-la, sabia que seria errado, que se arrependeria depois, porque não havia aceitado ainda aquele sentimento, mesmo que ele não fosse simplesmente desaparecer só porque queria que o fizesse.
Lass não podia aceitar que se apaixonara, algo que jurara a vida toda que não faria, mais por sua crença de que não merecia um final feliz do que pela falta de sentimentos. Talvez ele fosse capaz de se acostumar com aquele sentimento, mas isso exigiria mais algum tempo, e não era exatamente naquele momento que o teria.
Foi necessário todo o autocontrole do mundo para que fechasse os olhos e pressionasse os lábios na testa de Elesis ao invés de em sua boca. Ela parou de respirar, surpresa, e ele apreciou a maciez de sua pele, o atrativo aroma que possuía, o calor, tudo. Ele sonharia com aquilo, podia imaginar.
Lentamente se afastou, tomando-a nos braços novamente e colocando-a na cama onde a encontrara. A ruiva manteve-se muda, fosse pelo nervosismo ou pela confusão, e assistiu ansiosamente como ele se virava e saía do quarto sem dizer mais nada.
Estavam chegando a um ponto em que não poderiam mais fingir que eram cegos. E isso os assustava.
Elesis lentamente levantou a mão, os dedos pousando trêmulos sobre o local onde ainda podia sentir o calor dos lábios dele. Estava feliz, mas acima de tudo, confusa.
Só podia torcer para que tudo aquilo acabasse logo.
Notas finais
Vou ser sincera, estava com crises emo quando fui fazer esse capítulo da metade pro final, e por isso o Lass á muito... Emo também xD Mais que o normal kkkkkkk
Isso e o fato de que se eles ficarem juntos no nono capítulo eu fico sem conteúdo pros outros 4 xD Me aguardem e sejam pacientes, prometo tentar fazer valer à pena!
Sobre a capa da fanfic, foi só um rabisco que fiz quando estava entediada, nda muito interessante xD Se alguém tiver sugestão de capa legal, fiquem a vontade pra falar!!
E... Destemida, o livro que elas leram na fanfic, é uma alusão a uma fanfic que estou preparando aqui, de mesmo nome xD Eu fiz propaganda de fic dentro de fic, eu sou estranha, eu sei kkkkkkk Ignorem se quiserem kkkkkkkkkk
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Enfim, obrigada a todos que leram, comentaram e me acompanharam até o momento! Está quase acabando, pessoal, tenham paciência e não fiquem tristes como eu com o fim da fanfic xD
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Beijitinhoooooooooooooooos!!
PS: Bem-vindos, leitores novos! Vocês são todos uns lindos!!!
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