Down
11 Capítulo 11 Dias Ruins
Notas iniciais
Vamos a mais um capítulo?
Apoiei minhas mãos no espelho. Era somente isso e o orgulho que me mantinham de pé. Estava destruída por dentro e por fora. Agora as lágrimas já estavam descontroladas e eu não conseguia impedir nenhuma de cair. Era espontâneo. Levantei a cabeça e olhei para o espelho e vi uma imagem refletida. Minha imagem era deplorável. Já estava com os olhos vermelhos e inchados. As lágrimas chegavam a molhar meus cabelos e o meu nariz estava rosado.
Foi só então que percebi que não estava sozinha. Outras duas imagens olhavam – me com espanto. Estavam lado a lado, com as mãos erguidas.Virei — me para olhá – los melhor.
Nick e Greg estavam me olhando espantados e falaram ao mesmo tempo:
_ Cath! – e correram em minha direção, apertando – me em um abraço caloroso que eu não tinha há muito tempo.
– Mas, enfim – disse Greg, — posso saber o porquê de a senhorita estar chorando?
Abaixei o rosto lembrando – me do que me fez chegar ao banheiro. Todos sabiam o motivo. Mas mesmo assim, não quis arriscar.- — Toda a minha vida – disse num sussurro – está tudo desmoronando. Sinto – me sozinha, perdida. Dói muito, sabe? – disse apertando o peito com a mão.
Não era mentira. Doía muito. Uma ferida que nunca iria cicatrizar – se. O meu coração apertou ao lembrar de Gil.
– Você não sabe mentir, não é? Sentimos muito pelo incidente com Riley. – disse Nick aproximando – se e afagando meus cabelos.
– Lamentamos muito, Cath – disse Greg abaixando – se e encarando meus olhos marejados – Soubemos o que ela escreveu sobre sua liderança em seu relatório de demissão.
A verdade é que tive alguns problemas no comando da equipe depois que Gil se foi. Tinha dificuldades em delegar tarefas, uma vez que não gostava de dar ordens a ninguém. Sempre os deixei livres em suas responsabilidades,apenas me dando ao trabalho de conferir seus relatórios ao final de cada investigação. Algumas vezes, preferia eu mesma fazer o trabalho para evitar chateações. Mas sempre achei que estivesse tudo bem, nunca desconfiei que o desligamento de Riley da equipe tivesse sido motivado por mim, até minha discussão com Ecklie naquela manhã...
Alguém da equipe havia deixado vazar para a imprensa informações sobre um caso quando Conrad entrou na sala com um jornal em mãos e o jogou sobre a mesa enquanto esbravejava:
– Espero sinceramente que esteja se referindo a Richard Wilkes.
_ Não estava. – disse Ray.
A matéria dizia: “Fanático Confessa!”
– Onde eles conseguiram isso? – indaguei enquanto lia a matéria.
_ Não sei, me diga você – disse Ecklie.
_Eu não sei. – respondi ríspida.
_É seu trabalho saber, Catherine. Ninguém devia falar com a mídia sobre uma investigação, ainda mais, uma desse perfil.
– Calma ai, Ecklie. Sei que não foi ela – Nick interveio na conversa.
– Eu posso me defender – disse descontando nele a minha raiva.
Ecklie: — “É falta de disciplina, Catherine. Controle seu pessoal. Começo a achar que Riley estava certa sobre você.
– O que isso quer dizer? – disse surpresa.
– Não leu a entrevista de saída dela? Coloquei na sua mesa.
– O quê ela disse?
– Apenas leia – ele me disse saindo da sala.
Me dirigi imediatamente a meu escritório e procurei a tal entrevista entre montanhas de papeis acumulados em minha mesa.
Aliás, minha mesa atualmente estava muito parecida com a de Grissom.
Achei o arquivo e li. Coloquei meus óculos não acreditando no que lia: “Liderança ineficaz. Não há união no time, falta de comunicação...”
Fui interrompida por Hodges com uma maçã em suas mãos.
– Tem 10% da indicação diária de vitamina C. Se não tem saúde, não tem nada. – ele disse enquanto me encarava com olhos culpados.
– Hodges, para quem você contou? – indaguei.
– Ninguém da mídia, mas eu disse algo a Tom O´Neill. Mas por alto e implicitamente em confidência. Gostaria de ressaltar que não fui explicitamente proibido de discutir o caso com a comunidade policial. Um aviso do meu superior ajudaria, não que esteja te culpando...
Joguei a maçã de volta, mas meu desejo era acertar sua cabeça com ela:
– Nunca mais faça algo estúpido assim.
– Obrigado! – ele disse se retirando em seguida.
Peguei o relatório e reli a avaliação de Riley sobre mim, até que não agüentei e corri para o vestiário para desabar sem platéia.
– Bom, agora está feito. Preciso mudar esse quadro – disse levantando o rosto. – Vamos voltar para o caso.
Os dois sorriram e saímos. As lágrimas secaram em meu rosto a caminho da sala de evidências.
Algum dias depois...
O outono dera lugar ao inverno. Em alguns dias seria Natal e por todo lado via- se pessoas alegres e sorridentes tomadas pela atmosfera. Banquetes planejados, presentes comprados, árvores montadas. A ansiedade era tamanha que quase dava para sentir no ar. Menos para mim...
Como todo Natal, estava me sentindo deprimida: era a época que a saudade de Gil apertava e doía de forma batente. Gostava do Natal, mas nem me lembrava de como comemorar depois de tanto tempo enferrujada. Lindsey não viria para casa para as comemorações, mais uma vez. Iria para New York na casa de amigos da faculdade. Lily estava em outro cruzeiro pelo Alaska com suas amigas de sempre. Continuava a ver Vartann, agora meu namorado, ou quase marido, já que praticamente se mudou para minha casa.
No início, discordei que passássemos tanto tempo juntos, temia as brigas, mas ele como sempre me venceu pelo cansaço.
E agora era Natal e me vi obrigada a ouvir conversas animadas entre os amigos sobre as festas de fim de ano: o que comprar, o que comer, onde passar, com quem... Já estava me sentindo cansada de tanta falação e tanto entusiasmo e pela primeira vez estava realmente irritada e evitando todos.
– Gente, precisamos ver como vamos à festa Pré – Reveillon do LVPD esse ano. Com que roupa e... – falou Wendy. Estávamos na sala de descanso fazendo um lanche.
A festa pré Reveillon era uma festa realizada pelo LVPD no penúltimo dia do ano para todos os funcionários. O hotel Bellagio era a locação e sua badalação era extrema.
– Então nos vamos ao pré réveillon? – perguntou Hodges olhando para mim.
Nick assentiu.
– Bom saber. Pensei que ficaríamos trancados aqui com a cara enterrada nos tubos com a “dama de ferro”.
– Hodges... – alertou Greg, mas ele ignorou e continuou a me encarar de forma marota.
– O quê? É verdade! A nossa “chefinha” virou uma “Dama de Ferro” desde que nos tornamos o laboratório criminal número um do país em seu comando.
– Chega,Hodges! – gritei, atraindo os olhares das pessoas. Ele tinha um sorrisinho sacana no rosto que só me irritou mais. Baixei a voz e continuei – Chega! Qual é o seu problema? Por que você vive me atormentando? Lançando indiretas o tempo todo...
– Eu não tenho problema nenhum, chefinha. A pergunta foi feita para a pessoa errada. Qual é o seu problema?
– O meu problema? Vocês são o meu problema! – tentei puxar as palavras de volta para minha boca, mas elas já tinham escapado. O arrependimento se abateu sobre mim.
– O que, Catherine? – perguntou Lou, parecendo magoado. Nick e Greg olhavam para mim com olhos arregalados e Hodges continuava a sorrir indiferente.
– Não! Pessoal, Lou, não foi... não foi isso que eu quis dizer! Por favor, acreditem, vocês não são o meu problema. Sinto muito, sinto mesmo! – as palavras saíam em alta velocidade e ia tropeçando nelas. Parei para respirar e baixei os olhos para o chão, sentindo -me mais envergonhada do que nunca.- Desculpem – me, por favor. Não foi isso o que eu quis dizer, juro. Vocês nunca serão um problema, na verdade, vocês são a solução de todos os meus problemas. Esse laboratório só se tornou o número um do país porque tenho uma grande equipe.
Away From The Sun (3 Doors Down)
It's down to this
I've got to make this life make sense
Can anyone tell what I've done
I miss the life
I miss the colours of the world
Can anyone tell where I am
Cause now again I've found myself so far down
Away from the sun that shines into the darkest place
I'm so far down away from the sun again
Away from the sun again
I'm over this
I'm tired of livin' in the dark
Can anyone see me down here
The feeling's gone
There's nothing left to lift me up
Back into the world I know
And now again I've found myself so far down
Away from the sun that shines into the darkest place
I'm so far down away from the sun
That shines to light the way for me to find my way back into the armsThat care about the ones like me
I'm so far down away from the sun again
It's down to this
I've got to make this life make sense
And now I can't tell what I've done
And now again I've found myself so far down
Away from the sun that shines to light the way for me
And now again I've found myself so far down
Away from the sun that shines into the darkest place
I'm so far down away from the sun
That shines to light the way for me to find my way back into the arms
That care about the ones like me
I'm so far down away from the sun again
Longe do sol (3 Doors Down)
Chegou a esse ponto
Eu tenho que fazer essa vida fazer sentido
Alguém pode dizer o que eu fiz?
Sinto falta da vida
Sinto falta das cores do mundo
Alguém pode dizer onde eu estou?
Porque agora eu me encontro de novo tão pra baixo
Longe do sol que brilha nos lugares mais escuros
Estou tão pra baixo, longe do sol novamente
Longe do sol novamente
Eu superei isso
Eu cansei de viver no escuro
Alguém pode me ver aqui embaixo?
O sentimento se foi
Não sobrou nada pra me levantar
De volta ao mundo que eu conheço
E agora eu me encontro de novo tão pra baixo
Longe do sol que brilha nos lugares mais escuros
Estou tão pra baixo, longe do sol
Que brilha pra iluminar o caminho para eu encontrar o meu caminho de volta aos braços
Que se importam com aqueles como eu
Estou tão pra baixo, longe do sol novamente
Chegou a esse ponto
Eu tenho que fazer essa vida fazer sentido
E agora eu não posso dizer o que fiz
E agora eu me encontro de novo tão pra baixo,
Longe do sol que brilha nos lugares mais escuros
E agora eu me encontro de novo tão pra baixo
Longe do sol que ilumina os lugares mais escuros
Estou tão pra baixo, longe do sol
Que brilha pra iluminar o caminho para eu encontrar o meu caminho de volta aos braços
Que se importam com aqueles como eu
Estou tão pra baixo, longe do sol novamente
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