Double face
25 Cap. 24: Quem sou eu?
Notas iniciais
Mandy
Fiquei um tanto magoada. E um pouco surpresa. O pai de Luli e Rick é o meu criador? Não sei que sentimento é esse que estou sentindo. Nem sei se sou capaz de sentir alguma coisa. Pois sou apenas um robô, certo? Um androide muito bonito, inteligente, é verdade… mas não deixa de ser uma maquina.
Helen estava sentada ao meu lado. Ela ficava girando o anel do dedo. Enquanto olhava para o nada.
Tae Yang, que descobri ser o nome do meu criador, estava conversando com seus filhos enquanto mostrava o bunker para eles. Helen não me deixou ir junto. Disse que devemos dar um pouco de privacidade.
Luli ficou espantada inicialmente. Mas agora parecia feliz. Ou até aliviada. Rick estava matando a saudade. Ele conversava com o pai como se já o conhecesse.
Como Tae Yang prendeu Amanda e Raquel numa jaula – separadas é claro –, não precisávamos ficar vigiando.
A cabeça de Lipe repousava sobre a mesa de metal. Pedi se não seria melhor por num refrigerador, mas ele disse que isso só iria danificar o cérebro. Me senti muito inferior depois dessa. Afinal, pelo visto, não sou a mais inteligente.
Passada uma meia hora. Tae Yang começa a fazer seu trabalho. Luli e Helen ficam perto das jaulas. Tentando entender as meninas. Tae Yang nos convida para vê-lo trabalhando.
Ele coloca a cabeça de Lipe numa espécie de caixa, com vários cabos conectados.
− Então Ricardo… No que você se especializou?
− Fiz medicina. Trabalho como clinico geral… legalmente.
Tae Yang dá risada. Rick parecia ser tão certinho… ele faz algo ilegal agora?
− Mas você não é muito novo para ter terminado já a faculdade?
− Sim pai… mas, digamos que eu seja um super gênio e tenha conseguido entrar na faculdade com 15 anos.
− Serio?
− Sim… Minha mãe, a de criação, disse que isso é anormal.
Os dois riem juntos. Depois de um tempo Luli retorna.
− Pai? – Ela começa hesitante, nosso pai olha pra ela atencioso – E a nossa mãe verdadeira? Ainda não intendi direito essa história.
Rick da uma encarada feia para Helen. Por sinal ela deve ter incentivado Luli a pedir isso. Mas Tae Yang não se incomoda.
− você não chegou a conhecê-la. É uma história horrível… gostaria de contar para todos vocês se não se importam… E até queria pedir um favor. Se puderem… espere Lipe acordar.
− quer dizer que tem volta? – Rick perguntou esperançoso. E ele vai ser como era antes?
− Claro. As mesmas lembranças, o mesmo modo de agir… tudo.
− Mas e a alma dele? – Pergunta Luli.
− Muitas pessoas acham que… o que conecta a alma e o corpo é o coração… Sinto muito destruir o que vocês acreditavam… Mas o verdadeiro lugar é o cérebro. Mandy fez bem em trazer a cabeça aqui. O coração… é apenas um órgão… essencial para nossa sobrevivência, mas um órgão qualquer. A alma permanece no nosso cérebro por um bom tempo. Eu diria 24 horas. Dependendo do tempo que a pessoa teve de vida. O cérebro fica revivendo as lembranças… como se fossem flashbacks.
− Então esse lance do coração… não existe?
− O coração que você desenha para representar amor… é igual ao seu órgão?
Luli faz que não com a cabeça.
− é porque são coisas completamente diferentes. Um bombeia o sangue. O outro é um símbolo. Certa vez conversei com um anjo e…
− Um anjo? – Rick pergunta fascinado.
− Sim… se existe deuses porque não pode haver anjos? E respondendo a próxima pergunta… que não foi feita… Anjos são nossas almas… elas vão para algum lugar, o limbo talvez, mas logo após morrerem ou um pouco antes de reencarnarem… ficam vagando pela terra. Eles conseguem ver tudo sobre cada pessoa. O nível de maldade… de inteligência… e o coração. Ele me contou que é tipo barrinhas de vida de um jogo. Localizam-se logo em cima da nossa cabeça.
− Então – Luli começa – Quer dizer que tem tipo um coraçãozinho e uma barrinha que indica o amor?
− Na verdade… o coração não indica exatamente o amor. É uma coisa diferente… desconhecida. A pessoa pode ser burra, incapaz de amar, e mesmo assim ter aquela barrinha cheia. Essa barrinha também não indica quão bondosa a pessoa é. Ela indica a capacidade de entender… decifrar… de acreditar… que cada um tem. É confundida com o amor. Mas o amor é uma coisa que fica oculta. Que nos liga apenas a uma pessoa.
− Isso é muito interessante… − Admito admirada.
Tae se levanta.
− Lipe está pronto! Só falta ajeitar o visual.
Ele abre uma porta. Antes de falarmos qualquer coisa. Foi tão rápido assim? De lá sai um cara. Com uma expressão confusa.
− Que diabos esta acontecendo aqui? – Lipe pergunta.
− Rápido assim? – Rick pergunta
− Já tinha um corpo preparado. Deem vivas que não era feminino.
Amanda se empertiga na jaula.
− Lipe? Lipe é você?
Lipe olha pra ela com expressão neutra.
− Quem é ela? – Pergunta
Na hora me bate uma onda de pânico. Rick parece sentir o mesmo.
− Lipe você não se lembra da gente? – Pergunta ele.
− Claro que eu lembro seu idiota! A Mandy – Ele aponta pra mim. – A Luli – e vai apontando certo. – Raquel, Helen… − Ele chega em Tae Yang – Você eu não sei quem é… e nem aquela garota da jaula.
− Isso e comum. O cérebro apagou completamente as lembranças dela por ser a assassina dele. Geralmente surte grande efeito quando a decepção em relação à pessoa é grande.
Amanda arregala os olhos. Por incrível que pareça, ela começa a chorar.
− Ele vai recuperar a memória algum dia né? – Pergunta Luli com maior cara de pena.
− Sinto muito, mas… não. As chances são mínimas. E então Lipe… vai querer a mesma aparência?
− Claro… mais bonito que eu, não existe.
Com certeza o Lipe voltou.
− agora posso pedir o favor? – Tae Yang espalma as mãos.
− Claro. – respondemos em coro. Manos Lipe… que ainda está perdido.
− após terminarmos aqui… eu preciso que você salve sua mãe. – Tae olha para Rick. – Implantei um chip para localiza-la. Tenho as coordenadas… mas não posso sair daqui.
− Nossa mãe está viva? – Pergunta Luli com os olhos arregalados.
− Sim… mas não é a mulher que você conheceu. Eu só posso sair daqui quando a deusa morrer.
− Nyx? – Lipe pergunta
− Sim… o poder dela que está mantendo esse jogo absurdo… Mas eu queria pedir cuidado. Ela não está mais jogando… é a favorita da deusa. Mas alguns de vocês estão. Inclusive eu.
− Corremos o risco de ficar assim? – Rick pergunta apontando para Amanda e Raquel.
− Sim… Mas varia de acordo com a pessoa. Raramente a pessoa não vai enlouquecer. Elas estão assim porque viram o destino que quem morrer vai ter… você esta fora de perigo Rick… Também não esta mais jogando…
− E que garantia temos que há alguma maneira de ficar sã? – pergunta Helen.
− Por que eu estou sã. E já vi.
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