Double face

15 Cap. 15: Decoração diferente: O quadro


Notas iniciais
"Pra ele não ter alcance acabo estendendo o quadro para trás. Sinto um choque por meu braço, caio de joelhos com meu braço sendo puxado. Raquel começa a gritar mandando eu largar o quadro dizendo algo do tipo: Ele é amaldiçoado, Aqui tem bruxaria e até O quadro está vivo."

Após uma longa caminhada, avistamos uma casa, como é antiga deduzimos que estivesse abandonada. Mas pode ser que haja energia, porque apesar de ser antiga e mal conservada, tem placas para energia solar acopladas no telhado.

Depois de recarregar a Mandy temos que achar um aeroporto, se não nunca sairemos se quer do Brasil.

− Eu estive pensando, − Começo – Eles sabem que estamos indo salva-la, não? – Todos assentem silenciosamente – Então não tem como pegar um avião.

− Na verdade, tem. – Rick olha para Helen – Você disse que é possível irmos como clandestinos. – Ele tira um papel do bolço das calças. – Aqui tem o horário dos voos, assim como você me pediu, pesquisei no meu turno. Podemos ir até aquela cabana, recarregar a Mandy, e talvez, achamos um automóvel, algo assim.

− Um carro? No meio do nada? – Pergunto – E nem sequer sei como chegamos aqui. Me expliquem, por que diabos nós viemos para a mata? Nunca sairemos de Porto Alegre.

Helen e Raquel se fitam.

− Já saímos de Porto Alegre. Devemos estar perto de Canoas.

− Como? – Pergunto atônito.

Rick põe a mão em meu ombro.

− Viemos de jipe. Tivemos que abandona-lo e seguir pelo rio. Lipe faz dias que saímos de casa.

− Fiquei tanto tempo apagado?

− Sim – Diz Mandy – Não queríamos que você soube-se.

− Por quê? E a sua bateria? Vocês mentiram…

− Eu recarreguei no jipe… A maior parte do tempo, ficamos viajando nele. Você parecia um zombie de tão fraco. Mal comia e já apagava novamente.

− Por que eu não podia saber?

Todos fizeram silencio mortal. Até que Rick abriu a boca.

− Pensamos que você ia morrer. Ninguém aguentaria tantos choques. Era para o seu coração ter parado.

Eles não sabem, claro. Não sabem que eu me curo. Não posso morrer só com isso. Acho que só cortando a cabeça ou atingindo o coração… mas será que fogo também resolve? Há uma grande possibilidade…

− Lipe! – Rick me tira do devaneio – Você não está bravo, está?

− Não, não. Eu entendo.

Todos dão aquele sorriso amarelo, e a discussão não segue mais.

Nos aproximamos da casa. Ela tem apenas um andar, não muito grande, tem formato de um L. Helen toma a dianteira e abre a porta, sim, está aberta.

Depois de algum tempo descansando acabemos ouvindo um ruído, Mandy estava recarregando no térreo comigo. Rick e Helen foram inspecionar lá fora. Raquel estava no porão, vendo o que achava. O ruído vinha de lá. Deixei Mandy sozinha e desci para ver.

− O que ouve? – Pergunto antes de vê-la. – Raquel?

− Aqui. – Vou em direção a sua voz. O Lugar é extremamente horrível, cheio de mobília antiga e teia de arranha. Bem diferente do andar de cima, que é modesto, porém confortável, mas não tão sujo quanto aqui. – Olha o que eu achei.

Pego o quadro da mão dela, levo um susto. Vejo Rick, Luli e seus pais.

− Como isso veio parar aqui? Não é muito ressente, mas não é antigo. Rick deve ter uns 15 anos… Luli uns 8. Mas eles perderam a mãe quando crianças. E ainda não se conheciam.

− Estranho não? Tem até o nome deles atrás. O nome não, os apelidos, o que é mais bizarro ainda. O dos pais foi apagado. Acho que foi de proposito. É tão estranho não?

− Será que mostramos isso pra ele? Seria errado esconder. Que tal se nós…

− Lipe! – Rick me chama atrás de mim, como ele chegou aqui? – Levo um susto e caio sobre a Raquel, o quadro voa de nossas mãos e acaba caindo em cima da vela acesa!

Rapidamente pego o quadro, acabou queimando uma parte, o pai do Rick.

− O que é isso? – Ele tenta pegar da minha mão.

Me esquivo.

− N… Nada! É só um quadro velho.

Pra ele não ter alcance acabo estendendo o quadro para trás. Sinto um choque por meu braço, caio de joelhos com meu braço sendo puxado. Raquel começa a gritar mandando eu largar o quadro dizendo algo do tipo: Ele é amaldiçoado, Aqui tem bruxaria e até O quadro está vivo.

Rick tenta abrir minha mão e tirar o quadro dela. Do nada sinto uma arrebentação dentro do meu braço, como se as veias estivessem estourando. Jorra sangue do meu braço, respingando em nós três. Finalmente consigo libertar minha mão, mas o baque é tanto que somos arremessados para trás. O quadro some em pleno vazio, não deixando vestígio nenhum.

Olho para meu braço e vejo que ele está aberto, de ponta a ponta. Muito sangue sai dele. Apesar de Raquel ficar gritando pra eu ficar consciente não consigo obedecer. A dor é tanta que perco a consciência.

Rick

Lipe ainda estava apagado, apesar de eu ter terminado de costurar seu braço há dois dias. O soro logo acabará. E precisamos seguir viajem. Lipe parece quase imortal. Não contei as meninas, mas seu braço está quase cicatrizado, e mais… a sua veia artéria arrebentou, fora a fora. Se alguém comum levasse um corte estaria morto. Mas ele ainda está vivo! Seria impossível, claro que um quadro sumir no ar também seria.

Raquel me contou que nele havia minha família. Eu, Luli, e nossos pais. Ela descreveu como eram… não me lembro da minha mãe, mas meu pai e o da Luli não são a mesma pessoa. E o mais estranho era que o quadro era recente, tiramos na cobertura do QUANT, será que o pai que eu achava ser biológico, não é meu pai?

Ouço Lipe se mexendo, ele acordou. Ele se senta normalmente, o que me deixa mais espantado ainda, como se estivesse apenas dormindo.

− O que foi? – ele pergunta por causa da minha expressão. – Eu apaguei de novo? – Ele resmunga e se joga pra trás. – vou ficar com má fama.

− Lipe, você apagou por dois dias. As meninas estão caçando. Então acho que eu posso…

− Meninas caçando? – ele me olha espantado. – tá certo que a Mandy está com elas, mas… são mulheres.

− Elas se viram melhor que a gente. Agora, enquanto elas estão fora, como você se cura? Eu sou médico cara. Sei que é impossível viver depois de a artéria estourar! E você já está sã!

− é uma longa história, − ele suspira – o que você tem que saber é que eu e a Amanda somos assim. Por isso não morremos. ninguém poderia ser congelado e continuar vivendo.

− Ok. Vou deixar essa escapar, como você não me contou antes acho que não é pra ninguém ficar sabendo. Vou ficar quieto. Mas, me explica a história do quadro, Raquel me contou, mas… quero seu relato.

− Ãh… Bem, acredito que ela disse a verdade, você, a Luli e seus pais.

− Lipe. Eu tenho um pai, Luli tem outro, naquela época eu nem sabia que ela existia. Você conhece meu pai, era ele?

− Não.

− Ele era um velho gordo e com cara de bêbado? Pode ser o pai da Luli. E como era minha mãe? Será que eles estão vivos?

Lipe murcha. Ele olha pro chão e fica brincando com os dedos.

− vou lhe dizer, sente. – Sento e presto atenção – A mulher da foto era, diferente, se parecia muito mais com vocês do que a outra.

− Que outra? – Pela cara dele, deixou escapar sem querer. – Lipe… me diz tudo. É minha família!

− Quando eu fui sequestrado, vi uma mulher, ruiva e de olhos azuis. Muito parecida com você. Mas a da foto era diferente, tinha olhos pretos, e seu cabelo estava azul. Mas vocês não são assim, quer dizer, o homem tinha olhos azuis e cabelos pretos como vocês.

− Na verdade os olhos da Luli são pretos, ela diz ser azul. De tantas lentes de contato que ela usa, acaba confundindo todo mundo que acreditam. E o que aconteceu com a mulher?

− Morreu. Mas eu tenho uma teoria. Talvez ela estivesse se passando por sua mãe. Mudaram até os nomes, porque na foto o nome deles foi rabiscado. Só ficou Luli e Rick.

Mas foi nós que demos esse apelido pra ela. Um calafrio sobe pela minha espinha.

− E se a mulher morta estivesse com lentes? Talvez ela tenha mudado a cor do cabelo?

Ele fez que não com a cabeça.

− Não, elas são diferentes. Tenho certeza. Vocês tem feições parecidas com as duas, mas uma é completamente diferente da outra.

− O Nome, você sabe?

− Já disse que pode ser falso. Sua mãe deve estar viva. Se quiser saber de alguma coisa, fale com seu pai.

− Amanda primeiro. Certo?

Lipe levanta de pé e se alonga.

− Sempre. Mas eu soube que nossa amiguinha robótica vai sair em uma missão na volta. Vão juntos investigar.

− Meninos! – Me viro para trás e vejo as três correndo em nossa direção, sorrindo feitas bobas.

Quando chegam perto, as gêmeas param para descansar, Mandy nem ofega. Então ela nos conta.

− Achemos um jeito de ir para os Estados Unidos. Chegaremos lá antes do amanhecer.

Notas finais
Próximo cap.: "− Que criatura você é? Por que nos ajudaria? E como tem um dragão? – Pergunto avido por explicações e por alguma lógica no mundo que eu pensei ser normal."