Double face
1 Cap. 1 - Frustração
Notas iniciais
AMANDA
Meu nome é Amanda. Nasci aqui mesmo onde moro... Em Porto Alegre. Aqui não é bem o centro, nosso lugarzinho se chama Paraiso. É tipo um bairro muito, muito grande. Tenho 16 anos, eu e meu pai− que é um empresário muito rico− moramos sozinhos na cobertura do nosso prédio, bom... Na verdade não exatamente sozinhos. Em outro apartamento no mesmo andar mora a sócia de meu pai, ela é legal e tem uma família muito divertida; o mais legal deles− em minha opinião− é o Luiz Felipe, que todos chamam de Lipe, ele tem 17 anos e estuda no segundo ano comigo. Ele é meu melhor amigo! Somos unha e carne.
Hoje está um dia muito agradável, tem um solzinho e faz calor. Meu pai não vai estar em casa, ele estava planejando uma viagem a São Paulo a tempo... Acho que hoje a viajem sai! Não gosto muito dele. Ele não liga pra mim, e ainda tem um passado muito sombrio; que não vale a pena ficar lembrando.
− Oi Amanda!− era Helen, a namorada de Lipe. Ela é: branca como a neve, cabelos cor de mel, olhos azuis e é muito mais magra que eu! Não que eu seja gorda... Só que ela é tipo uma... Tem corpo de modelo, sem falar que ela é mais alta que eu− também não sou tão baixa, meço 1,65, enquanto ela 1,72. Eu sei... eu sei... Não da grande diferença! Mas ELE a escolheu! Ok. Ok... assim está parecendo que eu sou uma maníaca e que não sabe narrar histórias... affs... quem precisa saber? Vocês intendendo está ok. Não? Tanto faz... estou fazendo meu papel... continuando:
−oi. −respondi.
Ela está com um vestido azul −que combina com aqueles olhos malditos. Eu já estou com uma calça jeans verde −ha! Que também combina com meus olhos cor de esmeralda − e uma baby-look branca. Meu cabelo está solto e liso− aproposito ele é dourado! −e o de Helen preso para o lado. Me desculpem falar assim... todos os detalhes logo de cara, mas, acho que assim é melhor... sem enrolação sabe?
− você tá a fim de ir ao cinema?
− quem vai? − queria me certificar de que Lipe iria também.
− eu, Lipe, Ricardo, Luli, Otávio, Raquel, Pati, Priscila, Igor, Juan e você se quiser. − ok... acho que deu pra perceber que falamos muito rápido e bem pouco... resumindo tudo: somos preguiçosos.
Eu não conhecia os quatro últimos que ela falara. Não é à toa! Eu não conheço ninguém! Ok. Talvez eu esteja exagerando um pouquinho.
− claro! Aonde agente se encontra?
− já que moramos todos no mesmo edifício... podemos se encontrar lá na sua casa!
− eu não sabia que todos eles moravam... espera aí! O que foi que você disse? Minha casa?
Helen é simpática e gente boa. Mas acho que já deu pra perceber que não gosto dela. Nem um pouco.
− é que lá é grande e bem mais aconchegante! Se é que me entende.
Quando a gente fala de “ir ao cinema” estamos querendo dizer “vamos se reunir e assistir um filme”. Eu concordei. Afinal, se não concordasse iria ficar sozinha essa tarde e pensaria no que não posso. A propósito, detesto cinemas... tem gente de mais e você não pode dar pausa para ir ao banheiro ou buscar mais comida.
Depois que ela foi embora procurei a Luli pelo colégio. Estava indo em direção a quadra, normalmente ela ficava lá tentando fazer com que Richard (um técnico musical que também é professor de educação física) a ouvisse tocar. Esse é seu maior sonho. Ser cantora!
Mas de repente fui puxada para um canto atrás da arquibancada. Quando vi era Raquel! Ela é irmã gêmea de Helen, elas são idênticas, tirando o fato de que Raquel é bem mais bronzeada. Talvez seja pelo fato de ela ser surfista.
− ficou maluca! − disse num sussurro pra ela. Porque se ela me puxou para um lugar discreto boa coisa não seria.
− quero que você me faça um favor.
− qual? − perguntei carrancuda.
Ela ergueu uma sobrancelha com cara maliciosa.
− quero separar a idiota da minha irmã daquele príncipe encantado.
Era isso mesmo que eu ouvi! Ela estava querendo o Lipe... O meu Lipe! Não dava pra acreditar... Na verdade dava. Ele é muito lindo! Certo... vocês devem estar pensando: “você não disse que vocês eram amigos?” mas, fala sério! Toda garota diz isso.
− escuta aqui Raquel, não vai dar! Ele é meu melhor amigo e...
Parei de repente. Ela estava com uma camiseta na mão. Aquela camiseta! Escorreu-me uma lágrima no rosto, eu gelei quando vi que na sua mão contraria estava uma tesoura. Não faço ideia de como conseguiu e nem como trouce aqui... ok. Eu sei que parece a: história maluca onde nada faz sentido. Mas eu garanto... coisas que não fazem o sentido são mais verdadeiras do que coisas que não fazem... ah! E muito mais fodas também.
−não! − eu gritei para ela, mas ninguém ouviu... olhei em volta e vi que só nós duas não tínhamos voltado para a sala de aula. Acho que fiquei em transe e nem percebi.
− se você não me ajudar... − ela começou a cortar o ar com a tesoura e sorriu com malicia.
Eu olhei pra ela quase chorando:
−esta bem! O que você quer que eu faça?
−hoje à noite eu te explico... As sete na sua casa?
−eu não sei, pergunta pra sua irmã. − eu percebi que ela ainda não sabia do cineminha− ninguém te informou ainda?
−informou... E pode fica tranquila, fui eu que dei a ideia do cinema na sua casa.
Fiquei confusa:
− por que você quis o cinema na minha casa? E porque a cara estranha se você já sabia?
− primeiro porque o plano de separação vai ser lá hoje. E segundo... Eu estranhei por você ter concordado. Seu pai não vai fica bolado não?
− ele saiu...
−quando o gato sai− Raquel me interrompeu− os ratos fazem a festa... ou melhor eles não fazem...
Dizendo isso ela se virou e correu em direção da sua sala.
Eu sei que deveria ter explicado o lance da camiseta. Ué! Você não vai explicar? Não... pelo menos não agora. Quero descrever a beleza de escola que eu estudo.
O nosso colégio fica no Paraiso mesmo, o único daqui. Vai de jardim a ensino médio, por isso é tão grande. Imagine um campo enorme, cercado por cerca viva, com um portão de madeira− só um− e dele sai uma estradinha de pedra que leva a uma casa enorme (meu colégio parece uma casa) com seis andares de tijolo a vista, uma casa que aparece nos filmes de terror. Atrás da escola tem uma quadra de tênis e vôlei− é a mesma− e mais atrás ainda um ginásio mais sinistro que a escola. Atrás do ginásio fica uma piscina (abandonada, porque ninguém teria coragem de entrar naquilo). Ela tem 7 metros de fundura e 100 metros quadrados, a agua é verde e marrom, e tem musgo, algas e coisas desse tipo − eca!
Perto da piscina tem uma mata. Eu não sei como é, e o que tem depois, o nosso diretor, o Sr. Rivaldo, proibiu a passagem dos alunos a partir do ginásio de esportes, eu vi a piscina porque Lipe me levou lá pra ver − ele me obrigou! − na quinta série. Acho que fui bem objetiva na descrição.
Despertei do meu transe e corri para minha sala de aula− aqui eles separam por disciplina− a minha agora é ocasionalmente junto com Luli, é minha segunda matéria preferida, português! A primeira é educação artística.
Quando estava prestes a entrar na casa-escola. A Dra. Malone, vice-diretora, me esbarrou.
−onde você estava mocinha?
−eu... é... es...estava perdida pela escola. Sou aluna nova! Sabe como é primeiro dia!
Ela caiu nessa! Como ela era distraída e odiava crianças e adolescentes não conhecia 99,9 % dos alunos.
Eu entrei na sala, todos voltaram os olhos para mim, a professora pareceu chocada− eu sempre fui pontual.
−onde você estava até agora Amanda?
− eu estava na diretoria, falando com meu pai.
Foi só dizer isso e ela e todos os olhares curiosos me deixaram em paz − tinham medo do meu pai, o Sr. Senchill.
Fui para o meu lugar, Luli correu para falar comigo. Ela tem os cabelos pretos, longos e lisos; olhos negros − na verdade são lentes. E hoje tinha mexas azuis, estava com delineador da mesma cor, usava uma saia preta curta de babados, meia calça preta também, um tomara que caia azul-marinho, botas de salto fino e tinha um sorriso de uma orelha á outra.
− o que vai ser?
Fiquei mais confusa do que já estava. Esperava que ela viesse perguntar sobre o verdadeiro motivo para eu ter me atrasado. Mar ela me fez uma pergunta sem sentido.
−como?
−que filme vai ser... você esperava o que?
−nada... E o filme eu não decidi, escolhe pra mim? − eu ainda não conseguia entrar na realidade pelo que a Raquel está fazendo. Eh... também sou muito lerda.
− tá bom! Vai ser 3D ok? E de terror, assim como você gosta.
− cai entre nós − puxei-a pra mais perto e falei mais baixo − eu não vou nem presta atenção no filme.
Ela percebeu que eu estava atordoada.
−o que aconteceu?
− eu ainda não posso falar... Espera eu me recuperar um pouco.
Depois que a aula acabou, às 2:30 da tarde, fui direto pra casa. Abri a porta: dava no hall de entrada uma “salinha” que tem as paredes de tons de cinza variados o piso é coberto por um carpete branco-amarelado, no canto direito tem uma escada curvada feita de mármore. No lado esquerdo tem uma lareira enorme com um quadro bizarro. Na parede contraria da porta tem uma janela com os vidros esculpidos− cobre a parede inteira e não abrem− de uma forma angelical, no centro da sala tem sofás de veludo vermelho, a mesa de centro é de cristal e porcelana − muito estranho... Não? − em cima tem um globo de rubi. No canto esquerdo tem uma TV de 82 polegadas presa à parede, embaixo tem uma estante de vidro com um X-box, blul-ray, home-teather, receptor e uma caixinha com vários jogos e filmes; no canto direito abaixo da escada, tem um frigobar, uma bancada com bancos redondos coloridos, micro-ondas, uma prateleira com lanches dentro, tem também uma porta que dá pra sala de jantar. Subi as escadas, tem um corredor simples com varias portas entrei na primeira porta a esquerda. Meu quarto.
A parede da porta é roxa, a do lado esquerdo tem uma vidraça que cobre toda a parede, parecida com a da sala, do lado direito tem meia parede branca com pequenos espelhos e buracos nela, atrás da parede tem meu closet com paredes rosa Pink, no closet tem uma porta que leva ao banheiro, no centro do quarto tem minha cama muito colorida, atrás da cama tem uma escada branca. E tem também computador, notebook, games, etc.
Larguei meu material, fui ao banheiro lavar o rosto, e desci para comer alguma coisa. Meu pai me esperava no fim da escada com algumas malas.
− Amanda eu vou viajar para São Paulo.
−tá legal.
Ele estreitou o olhar.
−não pense em fazer besteiras... e não traga ninguém aqui.
Assenti e lhe dei tchau. Logo que ele saiu corri para tomar um banho e trocar de roupa.
Ouvi a campainha tocar, quando abri a porta vi que era Lipe. Ele está incrivelmente lindo, seu cabelo preto está despenteado, ele tem os olhos verdes− iguais aos meus! − seus dentes são perfeitos, ele esta usando uma camisa branca que defini seus músculos− ele realmente não parece ter 17 anos − com uma calça jeans e all star preto.
−oi linda! − ele sempre me chama assim.
−oi... Entra!
Ele foi o primeiro a chegar, então, praticamente, estamos a sós. Ele se sentou no sofá de veludo e me chamou para me juntar a ele.
−você está realmente incrível hoje! − eu fiquei feliz. Tinha posto um vestido de jeans preto, com sapatilhas prateadas e prendido o cabelo com uma tiara cinza.
Ele pegou minha mão, fiquei nervosa. Ele nunca fez isso, pelo menos não desse jeito.
−sabe... − ele começou− eu acho que eu não deveria estar namorando ela.
− por que não?
−bom... É que eu só estou com ela meio que por... outro motivo... não porque gosto dela.
Fiquei chocada. Eles pareciam realmente se dar bem.
− isso vai magoa-la muito. E isso quer dizer que você mentiu pra ela.
Ele disfarçou um pouco, mas percebi que ele não tinha contado toda a história. Ele me olhou com os olhos tristes.
− olha... eu...
Ele não pode terminar porque nesse instante Helen e Raquel entraram. As duas estão de calça jeans, havaianas, a única coisa que as diferencia é a cor da regata. Helen de azul− que droga! Ela só tem essa cor? − e Raquel de roxo.
−oi amor! − disse Helen, vindo em direção a Lipe e pulando em seus braços. Ele me mandou um olhar de desculpas e soltou minha mão.
−eca! Vocês são tão... Juntos− disse Raquel fazendo cara de nojo.
− isso é inveja! − acusou Helen− só porque você não namora!
Raquel olhou para a irmã, ainda nos braços de Lipe, com cara de indiferença e me arrostou escada a cima.
− o que você quer? − indaguei sem pensar.
− o plano! − ela disse isso como se fosse obvio− quero que você faça o seguinte: quando todos estiverem concentrados no filme... Você desliga a chave de luz.
− mas por que desligar...?
Ela me interrompeu:
−me deixa falar tudo antes de perguntar. Ok? − acho que foi uma pergunta retórica− você imediatamente pede ajuda para a Helen, quando vocês forem ver o problema eu me aproximo do Lipe e você e a Helen nos pegam no flagra!
− mas e os outros?
− ficaram chocados!
Não esperou para ver se eu concordaria e desceu. Quando desci vi que todos estavam ali... Eu acho.
Luli tinha uma flor, rosa vermelha, sobre a orelha esquerda, usava um short bege, tomara que caia branco, all star Pink e seu rosto e seus cabelos estavam naturais, sem maquiagem e sem tinta. Mas seus olhos tinham lentes rosas.
Ricardo, meio irmão dela, está com os cabelos avermelhados− sempre está! Blusa de mangas compridas preta com uma caveira na frente, calça jeans escura e all star. Ele é lindo, por assim dizer.
Otávio tem cabelos castanhos penteados para o lado, hoje está usando um chapéu − estilo Bruno Mars −, camiseta branca, colete preto, calça de jeans escuro e o calçado é uma bota preta, ele é bem bonitinho também.
Tinha uma garota, deve ser a Priscila (está escrito no blusão preto dela), ela está com o blusão caído de um lado, uma saia justa e curta da mesma cor, sniker prateado. Seu cabelo é de loiro prateado, ela está com gliter rosa na boca e os olhos cinza com delineador comum.
Ao lado dela tem outra garota _ por ser a que falta só pode ser a Pati, ela tem um estilo de roqueira. Com uma regata longa cinzenta, calça rasgada, e botas. Seu cabelo é preto cheio de pontas viradas em diferentes direções, com mechar roxas, vermelhas e rosas. E ela tem um pircing no nariz.
Mais atrás tem um garoto, me lembrei... É o Juan, ele estuda comigo− que mancada me esquecer do cara. Ele é moreno, tem os cabelos compridos com dreadloks. Esta usando um calção de surfista, havaianas e uma camisa branca.
O outro cara é loiro, magro e está usando uma camisa havaiana e uma bermuda de jeans marrom. Pelo que percebi a maioria não o conhecia. Deve ser o Igor.
Ricardo foi o primeiro falar.
− Amanda! Minha linda! − ele e eu também somos muito amigos. Ele me deu um abraço e um beijo na bochecha. Eu sorri, o adoro.
− oi Ricardo!
−que filme vai ser?... Ah! Nem te apresentei a eles. − ele apontou para o grupinho estranho. Ele percebe tudo que se passa em minha mente.
− esta é Priscila− ele mostrou a garota loira. Ela me retribuiu um sorriso.
−esta é Pati − a garota virou a cara.
− este é Juan. Conhece né?
− acho que sim −respondi.
−e esse... Não conheço!
− me permite− disse Juan− eu sou Juan, primo da Priscila. − Priscila fez um sinal positivo com a cabeça.
Depois que Ricardo me apresentou para eles, nós nos sentamos e começamos a assistir Voo da morte.
Senti uma cotovelada no meu braço esquerdo, me virei, é Raquel.
− agora Amanda!
Levantei de fininho, ninguém percebeu. Fui até a caixa de força, que fica no segundo andar. Quando fui para desligar...
−o que você está fazendo?
Levei um susto daqueles, quando me virei vi Lipe ao meu lado me olhando confuso.
−eu... nada!
Tentei disfarçar, ele ainda esperava uma resposta concreta. Mas... Então me toquei. Quando sai da sala, lembro muito bem, de ter visto ele abraçado com Helen a uns dois metros longe de mim. Bem não tinha certeza se era ele... mas, quem mais seria?
−como veio parar aqui tão rápido? Achei que você estava na sala ao lado da Helen!
− eu não sentei ao lado dela! Estava mais atrás perto do Juan e da Priscila! Vim aqui em cima para ir ao banheiro e me deparei com você!
Eu pensei estar tendo alucinações. Tinha certeza de ter visto alguém agarrado a Helen, e era a Helen, pois Raquel estava o tempo todo ao meu lado.
− mas eu vi!
− estava escuro vai ver era outra pessoa.
Pensei um instante.
− e você não se importa? Afinal ela é sua...
Não consegui terminar porque outra coisa veio em minha cabeça. Como eu não percebi isso antes?
−espera ai! Nem um banheiro fica pra esse lado!
Lipe pereceu nervoso:
−eu escutei alguma coisa e vim ver! Mas e a caixa de força?
Eu não pensei em uma resposta boa o suficiente para ele engolir. Estava pensando em fingir um desmaio ou algo assim. Quando ouvi um grito vindo do andar debaixo_ o grito não era de alguém da sala. Lipe pareceu confuso, será que eu estava tendo alucinações? Ele não parecia ter ouvido nada.
Outra vez ouvi o grito. Lipe não notou.
Sai correndo para ver o que era, Lipe vinha atrás de mim me chamando. Quando estava prestes a descer a escada, as luzes se apagaram por completo. Não consegui me segurar a tempo... tropecei no parapeito, girei no ar e despenquei dois metros abaixo.
Senti uma pontada atrás da cabeça. Ouvi vozes, mas não entendia nada, minha visão está obscurecida e não me lembro de nada, a não ser que apaguei.
Quando estava me sentindo um pouco melhor me sentei e abri os olhos. Lipe estava ajoelhado ao meu lado, ele me puxou para um abraço muito apertado:
− ainda bem. Você acordou!
Eu fiquei feliz por ele me abraçar. Quando olhei em volta percebi que estava próxima a escada e estavam todos ao meu redor me olhando.
−o que aconteceu? − indaguei.
− você caiu da escada! − disse Ricardo. Percebi que Lipe tinha me soltado, Ricardo estava no outro lado. Os dois eram os mais preocupados.
Lembrei-me do que aconteceu. Mas quem será que apagou as luzes? Talvez Raquel. Olhei pra ela e fiquei encarando.
− por que está olhando assim pra mim?
− você queria que eu apagasse a luz pra isso é?
Todos se espantaram.
−a valeu − Raquel revirou os olhos − por revelar tudo! E a proposito... eu não tenho culpa se você é burra o suficiente para apagar a luz e descer correndo! Por acaso tem medo de ficar sozinha no escuro?
Percebi que ninguém sabia que Lipe estivera lá comigo.
− eu não apaguei a luz sua idiota! E eu ouvi um grito...
Ela foi até a bolsa que trouce, abriu, tirou a camiseta e uma tesoura.
−não! −gritei pra ela.
− isso é por me dedurar... − ela fez um corte − e isso por mentir e me chamar de idiota... essa blusa é tão importante pra você? Porque, então, você não... _ ela já tinha cortado o bastante... mas ainda continuava: a cortar e a dizer o quanto ela me odiava por estragar tudo.
Só pensei em uma coisa: a camiseta...
Atirei-me em cima dela e comecei a puxar seus cabelos, ela atirou a camiseta rasgada para o lado e revidou. Helen gritava desesperadamente para nós parar. Até que Lipe segurou-a, e Ricardo fez o mesmo comigo.
−por que isso agora? − perguntou Ricardo.
− ela cortou a minha camiseta! − comecei a chorar.
− Amanda... Por que você queria apagar a luz a mando da Raquel?
−Ela ameaçou a cortar a camiseta− comecei a soluçar também.
− por quê? − agora Lipe se dirigia a Raquel.
− pergunte para a Amanda! Ou melhor... faça com que ela pergunte a você!
Fiquei confusa. Olhei em volta e percebi que a maioria sabia de algo... que eu não fazia ideia!
− como assim? − dei mais uma olhada... e vi que Helen estava logo atrás do Ricardo... e não do Lipe nem de Raquel. Raquel estava com a camiseta na mão... ela estendia para mim− acho que apaguei agora e nem percebi.
− pega! Não sabia que você gostava tanto! Você nunca usou!
Eu apertei a camiseta contra meu peito e me ajoelhei no chão... Soluçando desesperada.
− Amanda é só uma camiseta! − disse Luli − compra outra! Essa parece velha e suja mesmo!
− você não entende... − as palavras quase não saiam da minha boca.
Aos poucos o pessoal ia embora. Agora só estavam eu, Ricardo, Helen, Raquel e Lipe.
Eles tentavam me animar. Eu não respondia apenas ficava num canto chorando agarrada a camiseta.
Nesse instante meu pai entrou pela porta.
−mas o que é isso?
Gelei.
Helen tomou a frente:
− ela caiu da escada Sr. Senchill, e a camiseta preferida dela sofreu um pequeno acidente.
Levantei rapidamente e fiquei o mais longe possível do meu pai.
− venha cá Amanda. − disse ele com uma voz falsamente doce.
− não! Ela está brincando. Eu estou ensaiando para uma peça da escola.
Ele veio em minha direção.
− você não ia viajar? − indaguei estremecendo a cada passo que ele dava.
− meu voo foi cancelado!
Ele chegou perto de mim e pediu a camiseta. Fiz não com a cabeça.
−me deixa ver o estrago querida! Crianças podem ir! Eu fico com a Amanda agora. −ele sorriu.
Todos estavam indo em direção a porta.
Olhei para Lipe, seus olhos se fixaram nos meus.
Então... abaixei a cara, me encolhi e esperei pela dor.
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