Dos Tons Pastel Ao Vermelho
18 Capítulo 18
"Bom dia." Rachel desejou, baixinho, depois de abrir os olhos e ver Finn deitado a seu lado, a observá-la.
"Bom dia, bebê." Ele respondeu, acariciando sua face suavemente com os nós dos dedos e sorrindo. "Eu já te disse o quanto eu gosto das manhãs em que eu posso acordar e ter o seu rosto como a primeira imagem do meu dia?"
"Gosta, é?" Ela também sorriu e se aproximou mais dele, colocando uma das pernas entre as suas e roubando-lhe dois beijos breves. "Gosta ainda mais disso do que das nossas noites quentes no quarto secreto?" Questionou, colocando as mãos dentro da camiseta dele e alisando seu abdômen.
"Não dá pra escolher! A coisa de que eu mais gosto é poder ter tudo isso em uma só garota. Na minha garota!" Foi a vez dele de tocar os lábios dela com os seus rapidamente, enquanto acariciava seu bumbum por sob a camisola de malha com estampa de borboletas que dava a ela um ar romântico e jovial, sem deixar de ter um quê de sensualidade. "Até porque você mesma demonstrou que essas coisas não tem mais limites tão bem demarcados, ao chegar daquele jeito aqui ontem." Riu e ela não pode deixar de fazer o mesmo, sabendo que ele tinha razão.
Nos últimos finais de semana, Finn dormira com Rachel na cama dela e os dois tinham-se sentido bastante confortáveis na companhia um do outro, tanto ao adormecer quando ao despertar. As demais atividades haviam seguido seu curso normal, com muitas saídas a dois ou com amigos nas noites de sexta-feira e sábado, e domingos normalmente desfrutados dentro do quarto secreto, que continuava ganhando aparatos e mantinha certo grau de importância na relação dos dois.
Contudo, como Finn afirmara, o que tinha peso não era o lugar e sim as brincadeiras, que esquentavam o namoro dos dois, agora que eram utilizadas na medida certa. O cômodo era só o lugar onde as fantasias estavam acessíveis, mas uma fronteira tinha sido ultrapassada quando a morena usara espartilho com cinta-liga e meias sete oitavos vermelhos embaixo da roupa, revelando o conjunto a ele ao chegarem ao quarto dela, depois de um jantar romântico.
Um muro ainda mais alto igualmente caíra, na noite anterior, quando ela decidira fazer-lhe uma surpresa, depois de saber que ele não iria ao pub com o primo, como era costume às quartas, e fora dormir na casa dele. Não fosse suficiente sair do seu próprio território e aceitar permanecer no dele, ela chegara usando um sobretudo preto com botas de vinil em rosa bebê, que o fizeram franzir a testa, confuso, para que ela então se livrasse do casaco e revelasse um vestido curto e decotado, na mesma cor e no mesmo material.
"Aquela roupa era bem legal, aliás. Tinha todo aquele lance do látex, grudado no seu corpo, da bota super alta... aquela coisa escancaradamente sexy das suas fantasias. Mas, por outro lado, tinha uma coisa... doce na cor. Você parecia uma boneca... uma Barbie baixinha talvez." Arriscou.
"Barbie, Finn?" Riu. "A Barbie é loura!"
"Não, senhora. Só se era quando você brincava de boneca! Tem Barbie loura, morena, negra."
"E você agora entende tudo de boneca?" Debochou.
"Eu tenho alguns amigos que tem filhas pequenas, ok?" Contestou.
"Eu compro uma roupa toda sexy, pensando que vou agradar, e ainda tenho que ouvir isso!" Reclamou.
"Ei! A Barbie é a maior gata! Você tava deliciosa!" Afirmou, enfatizando a última palavra e abraçando a namorada, que se rendeu ao carinho. "Você não viu como me deixou?" Perguntou, referindo-se ao fato de ter ficado excitado super rápido e transado com ela sem sequer despi-la. Lembrando a cena, começou a ficar tentado a repetir a dose e beijou o pescoço dela, enquanto espalmava sua barriga lisinha.
"Você podia voltar a morar comigo, agora que não iria ficar no quarto de hóspedes, hum?" Convidou, fazendo com que ele deixasse seu pescoço para encará-la.
"Não sei, bebê. Talvez seja cedo." Respondeu, sério. "Você tá falando isso porque tá pensando nessa parte de nós dois podendo transar toda hora, trocando carinhos antes de dormir e de manhã cedo... só que, se eu me mudasse, agora pra dormir no seu quarto, seria como se a gente tivesse casado e eu não sei se você tá mesmo pronta pra isso. A gente nem conhece as famílias um do outro, amor." Ponderou.
"É verdade. Talvez seja melhor esperar." Desanimou, mas teve que concordar. A ideia de um casamento ainda era assustadora demais para ela, que também tinha dúvidas sobre ser justo viver com alguém a quem não tinha certeza se queria contar detalhes sobre seu passado.
"Que tal se a gente viajasse?" Ele questionou, animado. "A gente podia pegar a estrada, numa sexta-feira à noite, ir pra um hotel nas montanhas ou na praia, e voltar na segunda pela manhã."
"Eu tenho uma ideia melhor!" Informou. "Eu tenho uma casa perto de Edinboro, junto de um lago. É um lugar lindo e super tranquilo. Eu posso avisar ao caseiro que estamos indo, pra ele abastecer a geladeira e a despensa, e nós podemos ir no helicóptero da empresa amanhã de manhã e voltar segunda."
"Eu não quero faltar ao trabalho, só porque sou seu namorado, Rach." Disse, desconfortável. "A gente pode ir sexta à noite."
"Eu não gosto de voar de helicóptero à noite, bebê. E não vai matar se você tirar folga um dia, pelo amor de Deus! Você também tem que se soltar mais, ser menos certinho, viu? Foi você mesmo quem disse que seus relatórios estão adiantados." Lembrou.
Naquele dia, Finn trabalhou para manter suas tarefas adiantadas e, no dia seguinte, por volta das nove, o casal foi levado pelo piloto do helicóptero da companhia até um local próximo à casa de Rachel no campo, onde o caseiro os encontrou, entregando a ela um CRV prateado. O lugar era lindo, a temperatura estava amena e o imóvel que ela possuía não era uma mansão luxuosa, como ele imaginara, mas algo como um chalé grande, simples e confortável. A viagem prometia ser maravilhosa, a julgar pela atmosfera, mas pouco antes da hora do almoço algo bem desagradável aconteceu.
"Você quer fazer steak ou frango frito?" Ela perguntou, observando as opções dentro da geladeira.
"Tem batata, bacon e cheddar, pra eu fazer acompanhamento pro steak?" Questionou de volta, sentado em um dos bancos próximos à bancada que ficava no centro da cozinha.
"Tem, sim. E tem molho barbecue. Vai ficar... Finn, eu não to me senti-" Falou com a voz fraca, não concluindo a frase e caindo na frente da geladeira, já fechada.
Finn deu um salto do banco e agachou ao lado dela, vendo seus olhos fechados, seus lábios arroxeados, seu corpo estendido no chão, sem reação ao toque dele. O coração do jovem parecia estar na garganta, lutando para sair pela boca, de tão forte que batia. Ele não conseguia raciocinar direito, vendo a mulher com quem queria construir um futuro daquele jeito. É claro que podia não ser nada demais, mas o pavor só permitia que ele vislumbrasse o pior, ainda mais com o histórico de perdas que ele tinha na vida.
"Rachel? Rachel?" Ele chamou, desesperado, mas ela não acordava por nada nesse mundo. Então, em um gesto instintivo, ele a pegou no colo e a carregou até a parte externa da casa, onde tinham deixado o carro, colocando-a no banco de trás.
Como estavam sozinhos, não teve a quem perguntar para onde deveria levá-la e, além de ter que dirigir rezando para que os dois chegassem até um hospital em segurança, teve que parar algumas vezes, depois de seguir as placas até a cidade, para perguntar onde encontraria um pronto socorro. Foram minutos intermináveis de medo para Finn, até que Rachel se movimentasse na parte traseira do carro, perguntando o que tinha acontecido e para onde eles estavam indo, sem contudo se levantar.
"Fica calma. A gente já tá chegando ao hospital... eu acho."
"Eu to bem, Finn. Só me sinto um pouco fraca. Talvez nem seja caso de ir pro hospital."
"É o médico quem vai julgar se você está bem, meu amor. Você desmaiou!"
Ela não discutiu com ele, sem forças até para isso, se formos bem realistas. Na porta da clínica, foi logo colocada em uma maca e levada para algum lugar em que ele não podia vê-la, enquanto a ele foi solicitado o preenchimento de uma ficha. Ele não tinha todas as informações necessárias sobre ela, mas forneceu as que tinha e prometeu que ela daria as demais, ao se recuperar, o que não demorou a acontecer. Não foi mais do que uma hora depois que ela foi liberada, após tomar soro na veia, sendo orientada a repousar por algumas horas e se alimentar bem.
"Eu nem percebi que tinha ficado tantas horas sem me alimentar. Só me dei conta quando o Dr. Doug me perguntou." Comentou, referindo-se ao fato de não ter comido nada desde o almoço do dia anterior, ansiosa e envolvida com os preparativos para sua primeira viagem com Finn. "Não foi a toa que eu vi tudo embaçado de repente."
"Você me assustou muito, caindo daquele jeito no meio da cozinha, de uma hora pra outra." Afirmou, abrindo a porta do carro para ela, e depois dando a volta e ocupando o banco do motorista.
"Você dirigiu... e vai me levar de volta, hum?" Falou algo que era óbvio, mas que, ao mesmo tempo, não podia ser deixado de lado. Mesmo depois de estar namorando a garota há um bom tempo, o rapaz continuara não dirigindo com ela no carro, até aquele momento.
"Eu nunca dirigi com você no carro justamente por ter medo de causar algum mal a você, Rach. Hoje eu tive que dirigir pra tentar garantir que NÃO acontecesse nada com você. E agora você também não tá cem por cento pra dirigir."
"Eu te assustei mesmo, não foi?" Indagou, sentindo-se culpada por sua displicência.
"Rachel..." Disse, ajeitando-se no banco para olhá-la melhor e tomar as mãos dela nas suas. "Rachel, eu te AMO! Fiquei eu pânico, ao ver você desacordada e não saber o que estava acontecendo! Eu teria dirigido um ônibus... um caminhão, se fosse a única maneira de não perder você." Assegurou.
"Eu tenho muita sorte de ter você, bebê." Ela disse, com um sorriso comovido em seu rosto, e acariciando o dele com as pontas dos dedos. "Não só por ter cuidado de mim hoje, mas por tudo. Obrigada." Completou, segurando o rosto dele entre as mãos e beijando-o apaixonadamente.
Naquele dia, por mais que Rachel tenha falado, um milhão de vezes, que já estava bem e que queria curtir a viagem, Finn fez com que ela repousasse e cozinhou comidas leves para ela. Tudo o que fizeram foi ver televisão juntos até tarde e se amar, antes de dormir, contrariando os desejos da morena de levar o namorado para passear pela pequena cidade, conhecida por abrigar uma universidade, e visitar um dos poucos bares locais, onde havia dardos, bilhar e show de música country.
No sábado, então, ela quis recuperar o tempo perdido, saindo pouco depois do nascer do sol. Após tomar um banho demorado e acordar Finn, com algum esforço, tomou um café da manhã reforçado, para não correr o risco de passar mal novamente. Vestiu all star, calça jeans e camiseta branca, e pegou um casaco de couro preto, orientando o namorado para que vestisse algo parecido e também levasse um casaco, apesar de ter sido questionada por ele, visto que não estava frio.
"Você vai entender já, já, o porquê do casaco." Ela afirmou, abrindo uma porta na área de serviço e entrando na garagem interna da casa, seguida por ele. "Me ajuda?" Pediu, indicando uma lona pesada que cobria um objeto e ela queria retirar.
"Uau!" Ele ficou realmente surpreso ao ver que o que estava escondido ali era uma Harley-Davidson maravilhosa.
"Quer pilotar?" Ela brincou, recebendo uma gargalhada gostosa em resposta. "Toma." Entregou a ele um dos dois capacetes que estavam pendurados na moto e colocou o outro, subindo no veículo, seguida por ele, que se encaixou atrás dela. "Você gosta de velocidade, né, bebê?" Provocou.
"Vai com calma, Rach. Você já me assustou o bastante ontem." Pediu e foi a vez dela de rir. Porém, no fundo, ela o levou a sério e manteve uma velocidade segura, enquanto seguiam pela Rota 6, conhecida como uma das estradas mais pitorescas dos Estados Unidos.
Rachel estava buscando uma das partes da estrada onde houvesse um mirante, para que pudessem parar e admirar a linda vista. Finn, por sua vez, parecia bem distraído com o corpo dela colado no seu, e nem se deu conta do perigo que estava criando ao deslizar as mãos para dentro da camiseta dela, tocando seus seios. A ousadia repentina a fez escolher uma parte mais larga do acostamento e parar de uma vez, desistindo do mirante.
"Você pirou, Finn?" Aumentou o tom de voz, batendo no braço dele algumas vezes, depois de saírem da moto e tirarem os capacetes. "Eu podia ter perdido o controle e a gente podia ter se acidentado. Nem parece o mesmo cara que tem medo de dirigir comigo no carro!"
"Eu não achei que seria perigoso te provocar." Deu de ombros. "Não você, que tá acostumada com situações radicais... adrenalina. Não achei que pudesse perder o controle e muito menos que fosse ficar com medo disso, depois dos riscos muito maiores que você já correu."
"Antes, eu não tinha razão pra viver, bebê. Talvez eu não tivesse medo, não porque sou corajosa, mas porque não ligava pra o que pudesse acontecer comigo. Agora, é diferente! Eu me sinto viva de verdade e QUERO viver!"
"E o que mudou?" Perguntou, segurando-a pela cintura, mesmo que já soubesse do que ela estava falando.
"Você sabe o que mudou." Riu, acanhada como não costumava ficar.
"Talvez eu queira ouvir de você, Rach." Afirmou, sério.
"Eu tenho você, agora, bebê... o nosso amor."
"Amor?" Ele pediu a confirmação, dando seu sorriso de lado que fazia o coração dela se aquecer ainda mais.
"Amor, sim. Eu te amo, Finn Hudson." Confessou, olhando nos olhos dele, mas logo se soltou de suas mãos, abrindo os braços e repetindo a declaração a plenos pulmões. "EU TE AMO! EU TE AMO! EU TE AMOOOO!" Virou-se de novo para ele e colocou os braços em volta de seu pescoço. "Eu te amo muito... mas agora, me beija, por favor, antes que eu caia na real e me envergonhe da cena que eu fiz aqui." Riu, assim como ele, que, por fim, fez o que ela pedira.
Rachel já sabia há algum tempo que amava Hudson, mas até o dia anterior não tinha certeza se deveria. Ganhara coragem para admitir seus sentimentos, ao encarar como uma grande prova de amor que ele tivesse dado o maior passo na superação de seu trauma, ao vê-la precisando de sua ajuda.
Talvez a barreira mais difícil de todas estivesse ultrapassada e, uma vez assumido o amor, fosse só questão de tempo para que Rachel aceitasse formar uma família com Finn, como ele desejava.
Era assim, pelo menos, que o jovem contador chefe da Filadélfia gostava de pensar...
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