Dos Tons Pastel Ao Vermelho
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Um beijo, meninas!
E também obrigada a todas as outras pessoas que lêem minhas fics... vocês não sabem o quanto isso é importante pra mim!
Finn estava enchendo seu copo novamente com água e gelo, quando Rachel entrou na cozinha de seu apartamento. Pega de surpresa com a presença dele no cômodo, sua primeira reação foi pensar em aproveitar que ele estava de costas para a porta e voltar a seu quarto imediatamente, sem fazer o que tinha ido fazer ali, a fim de evitar uma interação não planejada entre os dois. No entanto, não foi possível agir a tempo, pois ele, percebendo algum movimento atrás de si, virou-se, flagrando-a de pé próxima à entrada.
"Oi." Ele disse, abrindo um sorriso enorme, espontâneo.
"Oi, Finn." Ela respondeu, séria, tentando se mostrar inabalável, mas sentindo o corpo tremer todo por dentro. Ele usava somente a calça social com a qual tinha ido trabalhar naquele dia, sem sapatos ou camisa, e, por mais que ela já o tivesse visto com ainda menos do que isso, o corpo dele atraía os olhos dela como um relógio usado em sessões de hipnose, e a visão daqueles músculos desenhados a deixava desconcertada.
A verdade é que ELE a deixava desconcertada como nenhum outro homem jamais deixara, descontrolada como ela jamais poderia admitir a alguém. Desde o dia em que tinham sido apresentados, na empresa, ela não conseguira tirá-lo de sua cabeça um só instante, pensando nele não como chefe de contabilidade do grupo, mas como um homem por quem queria ser tocada, arrebatada, intimamente explorada.
Era verdade que ele tinha o perfil de um submisso, como ela havia afirmado a ele, com os óculos de grau, as roupas sérias, a timidez e a gagueira nervosa. Porém não era verdade que ela tinha enjoado dos submissos que o clube oferecia. Ela estava muito contente com o último candidato que havia se apresentado, e os dois ainda não tinham esgotado todos os jogos possíveis, não tinham explorado grande parte do que havia para explorar. Teriam se divertido muito juntos, se ela não estivesse atraída, pela primeira vez, por alguém de fora do círculo, e de um jeito tão poderoso que ela não conseguiu negar e acabou concebendo o único plano que ela via como um jeito possível de se relacionar com ele.
"Eu... t-tava com sede... muito calor." Ele falou, em parte se explicando, por perceber que ela não esperava encontrá-lo em sua cozinha, mas também em parte puxando assunto e tentando quebrar o clima tenso. "Eu espe-pero que não se importe." Disse, fazendo um gesto em direção ao copo em sua mão.
"É claro que não, Finn. Por favor! Você não é um prisioneiro no meu quarto de hóspedes, que não pode vir à cozinha buscar um copo d'água." Falou, ainda séria, mas arrancou uma risadinha tímida dele e acabou não conseguindo evitar a aparição de um pequeno sorriso no próprio rosto. "Você pode ficar à vontade... eu vou só pegar algumas frutas."
"Você tá com fome? Eu p-poderia preparar alguma coisa... eu sou um ó-ótimo cozinheiro. E... eu to-to aqui pra te s-servir, não é?" Ele tentou brincar com a situação, mas falhou em esconder o nervosismo ao empurrar os óculos para cima com o indicador.
"Você não tá aqui pra me servir dessa maneira, Finn. Um submisso não é um empregado." Respondeu, mexendo na geladeira. "Para isso, eu tenho um ótimo chef de cozinha."
"Mas... eu... eu teria muito p-prazer em fazer alguma coisa. Eu faço uma ótima panqueca de creme com frutas vermelhas." Assegurou, vendo que ela tinha tirado da geladeira uma travessa com morangos, amoras, framboesas e mirtilos.
"Tá tudo bem, Finn. É sério! Não precisa. É tarde e só umas frutas já tá muito bom."
"Ok, então..." Ele encolheu os ombros. "Mas... será que você se importaria se eu fizesse pra mim? Eu também to com bastante fome... eu só não tava querendo mexer em nada e tal..." Pediu, sem jeito.
"Tudo bem." Os modos todos tímidos dele quebraram a guarda da garota e ela riu. "Tudo bem... pode mexer em tudo e procurar as coisas de que for precisar. E não precisa arrumar nada depois, não... a equipe da Brittany cuida disso." Afirmou, confiando no trabalho impecável de sua fiel governanta.
Rachel encheu um pequeno pote com algumas frutas e sentou-se de frente para o balcão da cozinha, tentando dizer a si mesma que não havia problema algum em passar um tempo junto de seu submisso sem estar em uma situação sexual e muito bem planejada, e que só estava permanecendo ali por não ter o hábito de comer em seu quarto. No fundo, no entanto, sabia que uma parte de si queria prolongar o tempo passado na presença dele, mesmo tendo a certeza de que esse tipo de convívio podia deixá-la vulnerável, que ela estava brincando com fogo.
Ela o ouviu tagarelar sem parar, primeiro nervosamente e depois simplesmente porque era a atitude natural a se tomar quando não se está sozinho, mas a outra pessoa não fala mais do que alguns monossílabos. Ele descreveu a receita que prepararia, enquanto começava a separar os ingredientes e os artefatos que iria utilizar, e depois começou a falar de outras receitas e de como tinha aprendido tudo com sua avó, com quem aprendeu também a usar o preparo de pratos como uma espécie de terapia, em momentos difíceis, apesar de, na verdade, a experimentação culinária ter virado um hobby para ele, que ocupava grande parte de seu tempo fora do trabalho, não só os ruins.
"Ela sempre gostou de e-ensinar pra mim e pro Rory. Ela dizia que era pra gente sa-saber se virar, mas, na verdade, não era só-só isso. Se fosse só pra gente se virar, a ge-gente teria aprendido co-coisas simples só... e ela ensinou todo tipo de comida... doces, tu-tudo pra gente." Ele disse a uma Rachel surpreendentemente atenta, enquanto começava a colocar parte da massa na frigideira, para fazer a primeira panqueca. "Era ma-mais pra passar um tempo com os netos. Eu sempre fui o ma-mais interessado de nós dois... o Rory n-nem gostava muito. Mas hoje em dia ela só pa-passa uma receita nova quando estamos nós dois lá na casa dela. Acho que é um je-jeito de me fazer arrastar ele comigo." Ele riu.
"Você e o Rory são muito próximos?" Ela se pegou perguntando, sem pensar antes, e se arrependeu, logo em seguida. O que ela estava fazendo? Ele era o submisso dela e não alguém com quem ela estava começando uma relação! A intimidade deles tinha que ser física, e somente física, e ela não precisava, e nem podia, saber mais do que as informações que já tinha conseguido arrancar do primo dele. Isso poderia fazer com que ela se apegasse, o que, por sua vez, poderia deixá-la fora do controle.
"Muito. Nós somos primos, mas f-fomos criados como ir-irmãos. Nós dois perdemos nossos pais muito cedo... ele v-veio da Irlanda sozinho pra ficar com a no-nossa vó, quando perdeu os dele... eu meio que me acostumei a cu-cuidar dele, sabe?" Ela apenas balançou a cabeça afirmativamente, enquanto ele recheava duas panquecas. Tinha decidido fazer apenas duas e guardar o restante da massa, afinal iria comer sozinho.
Os dois ficaram em silêncio enquanto ele terminou o trabalho. Ela comeu as últimas frutas de sua vasilha, depois de ter enrolado bastante, saboreando tudo bem mais devagar do que seria comum. Estranhamente, não era um silêncio desconfortável e nenhum dos dois estava se sentindo estranho ou incomodado por ser observado pelo outro, enquanto um se dedicava a comer e o outro a terminar de preparar seu lanche. Eles até arriscavam trocar um ou outro sorriso, de vez em quando, estabelecendo uma comunicação silenciosa e totalmente nova.
"Você t-tem certeza que não quer?" Ele provocou, com um sorrisinho de lado, colocando um pedaço da panqueca, que parecia deliciosa, na boca. "Huuuuum..." Murmurou, ao engolir, e pegou mais um pedaço com o garfo, oferecendo a ela, com um olhar questionador.
"Tá bom... tá bom." Ela se rendeu, rindo. "Mas só um pedaço, porque eu já me enchi de morangos!" Afirmou, abrindo a boca e aceitando ser alimentada por ele.
A panqueca estava maravilhosa e ela fechou os olhos, apreciando o sabor, se deixando levar pelo prazer proporcionado ao seu paladar. No entanto, foi invadida pela realidade da situação que estava deixando acontecer ali, quando abriu os olhos novamente e viu o cozinheiro da preciosidade, semi nu e lindo como um Deus grego, e olhando para ela de um jeito que não era como o de nenhum de seus submissos. Havia desejo no olhar dele, mas também havia afeto, e o coração dela disparou de um jeito gostoso, mas tão gostoso que dava até medo!
"Eu... vou indo, Finn. Eu to com sono, já comi bem, e tenho um dia cheio amanhã." Ela declarou, levantando-se, pronta para fugir. "Pode ficar à vontade... comer com calma e... boa noite. Você tinha razão sobre as panquecas... são muito boas!" Acrescentou, em um discurso nervoso, apressado, que não passou despercebido por ele.
"Ra... Srta. Berry, es-espera." Ele pediu, quando ela já estava quase saindo, e ela se virou na direção dele.
"Algum problema, Finn?" Perguntou, tentando mostrar-se senhora da situação, mas ofegante.
"Não." Ele respondeu e respirou fundo, se aproximando dela com apenas dois ou três passos. "Eu... é... s-só queria t-te dizer que você tá li-linda assim." Falou observando a roupa de dormir que ela usava e seu rosto completamente limpo.
Ela tinha trocado a sensual camisola branca que usara mais cedo por uma outra de malha, com estampa delicada de flores em azul e rosa. Tomara um banho, para se livrar da maquiagem e do cheiro de Finn em seu corpo, não porque o cheiro do suor dele a incomodasse ou lhe causasse qualquer repulsa, mas porque, ao contrário, a fazia querer estar perto dele, ter mais dele, e cada vez mais. Mudara a camisola não somente porque ela exalava Finn Hudson, como também porque não se tratava de uma camisola para dormir, e sim de uma roupa de sedução. Para dormir, preferia o conforto do algodão, a simplicidade quase infantil das estampas coloridas.
Finn percebeu a beleza daquela "nova" Rachel assim que a viu. Ela não era nem a mulher adequada às convenções que ele conhecera em seu local de trabalho, escondida atrás de tonalidades sem vida, nem a predadora selvagem que o atacara em um quarto preparado para o abate, armada de roupas, maquiagem e atitude exageradas. Ela era só uma garota de corpo lindo, rosto exótico, olhos penetrantes e movimentos sensuais, que adquiria uma aura atraente de mistério, por mudar tanto toda hora, e parecer de repente tão frágil aos olhos dele, tão tensa sem as suas máscaras.
"Você tá linda!" Repetiu sem hesitar, e nem mesmo gaguejar, sentindo-se de repente forte e calmo, diante da aparente fraqueza e nervosismo dela. Deslizou uma das mãos pelo pescoço dela, enquanto falava, perto do ouvido da morena.
"Para com isso, Finn." Ela pediu, sem jeito.
"Eu não consigo." Disse, se aproximando ainda mais e arrastando a ponta do nariz atrás da orelha dela, enquanto deslizava a mão pelo ombro. "Não consigo tirar as minhas m-mãos de você." Ofegou.
"Não... eu... to falando de você dizendo que eu to linda." Fechou os olhos, se entregando ao toque dele, e passando os dedos por suas costas fortes, devagar. "Eu não to acostumada que me digam isso... ainda mais quando eu to assim..."
"Natural? Mais vo-você mesma?" Ele não esperou que ela respondesse, levantando o queixo dela com a mão desocupada e encarando-a. "LINDA! Linda demais."
Finn se inclinou na direção dela, aproximando suas bocas, mas Rachel foi mais rápida que ele. Colocou as mãos com delicadeza em seus lábios e balançou a cabeça negativamente. Não poder beijar a mulher com quem ele cada dia estava mais envolvido, a garota por quem ele temia estar se apaixonando, frustrou o rapaz, mas ele decidiu deixar esse sentimento de lado e investir naquilo que ele podia. Ela não havia protestado em relação aos toques dele ou à proximidade dos dois, então ele continuou cobrindo o corpo dela com suas grandes mãos.
Ele segurou os cabelos dela, inclinando seu pescoço e explorando-o com lábios e língua ágeis, habilidosos, deliciosos. Apertou o corpo contra o dela, que retribuía gemendo baixo e enterrando as unhas na pele dele. Como a diferença de altura dificultava o contato, ele a pegou no colo e sentou-a sobre uma mesa que havia no canto da cozinha, ficando entre suas pernas e continuando o assalto ao pescoço e ao colo dela, enquanto pressionava a ereção em sua intimidade. Segurou seus seios, apertando-os levemente, e depois brincando com os mamilos, fazendo-os rijos.
"Finn." Ela chamou com dificuldade. "Finn, a gente não pode... a gente não tem..."
"Proteção, eu sei. Mas eu s-só quero te tocar." Respondeu, empurrando-a para que se deitasse na mesa.
Ele deslizou as mãos pelas coxas dela, em direção à barra da camisola, e passou por ela, alcançando a pequena calcinha que cobria a parte à qual ele mais queria chegar. Ela era de algodão e cor de rosa, combinando com todo o visual fresco e natural de Rachel naquele momento, o que o fez sorrir. Ele gostava muito da garota dominadora que ela se tornava no quarto secreto, mas ele gostava ainda mais de pensar que, naquele momento, ele estava completando seu conhecimento de todas as mulheres que ela podia ser, em uma só. Isso era fascinante!
Então ele foi puxando a calcinha dela, devagar, até retirá-la e descartá-la sobre a mesa. Votou as mãos ao lugar que ela antes cobria e tocou Rachel como se fosse um instrumento que ele estava aprendendo a tocar, e melhorando a cada dia. Introduziu dois dedos nela, pressionou seu clitóris com o polegar, alternou ritmos de acordo com a resposta dada pelos quadris dela, e a viu ir ficando mais e mais entregue, mais e mais ofegante, mais e mais pulsante sob o seu hábil manejo.
"Goza pra mim, Srta. Berry. Ver e se-sentir você gozando é como um vício. Não existe nada ma-mais gostoso de que eu possa me lembrar." Suplicou e foi atendido, sentindo o interior dela apertar seus dedos e vendo o corpo dela tremer, os músculos contraírem e relaxarem, o peito inflar diversas vezes, a boca emitir sons incompreensíveis.
Foi a primeira vez que ele conseguiu fazê-la desmontar apenas com as mãos e ele ansiara por aquela sensação, que agora o fazia orgulhoso, envaidecido. Ele lambeu os dedos e ficou apenas observando, enquanto ela se recuperava. Sabendo que não adiantaria querer ter nenhum tipo de momento de troca de carinho pós-orgasmo com ela, adotou o tom indiferente dela e foi comer suas panquecas, ignorando a própria excitação, da qual ele cuidaria sozinho em seu quarto. Era preciso saber jogar o jogo dela, se quisesse avançar mais tarde.
"Isso foi surpreende." Ela disse, levantando-se e vestindo a calcinha. "E eu normalmente não gosto de surpresas, mas devo admitir que essa foi boa... e me ajudou a relaxar antes de dormir." Os dois trocaram sorrisos safados, enquanto ele continuou devorando o doce e ela se ajeitando. "Boa noite, Finn." Completou, andando para a porta e, sem que um estivesse vendo o outro, cada um soltou um suspiro. Aquele momento tinha sido delicioso, mas também escondia frustrações de ambos os lados!
Antes de sair da cozinha, no entanto, ela se lembrou de que ele ainda não lhe havia respondido sobre sua proposta e de que eles não tinham feito nenhum tipo de plano. Ela precisava da resposta dele, precisava estabelecer os parâmetros do relacionamento e recobrar o controle da situação, e se deu conta, de repente, de que os próximos dias pareciam perfeitos para isso.
"Finn?" Ela disse, tirando-o do transe em que ele estava mergulhado desde que conhecera a dona daquele lugar. "Eu vou viajar nos próximos dias, a trabalho, mas volto no sábado. Eu tenho planos pro nosso final de semana. Espero te encontrar aqui, quando chegar." Ela fez uma pausa, mas ele nada respondeu, então ela entendeu que ele viria. "É só combinar com Sam." Acrescentou a informação nada nova.
E, no momento seguinte, já não estava ali...
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