Finn entrou na grande e modernamente mobiliada e equipada cozinha do apartamento de Rachel, pegando o maior copo que encontrou em uma prateleira e o enchendo com água e algumas pedras de gelo. Vinha tentando dormir havia mais de uma hora e meia, mas um calor que vinha mais de dentro dele do que do ambiente não estava deixando seu corpo relaxar completamente. Na verdade, pensando bem, a culpa era mais de sua cabeça, que não conseguia se desligar da mulher que, naquele momento, ele imaginava estar dormindo como um anjo em um luxuoso quarto daquele mesmo imóvel.

Depois de consumir metade da água em seu copo, com um só gole, Finn andou até a sala principal da casa e caminhou por ela, prestando, pela primeira vez, maior atenção aos detalhes da decoração. Os móveis eram modernos e claros, e alguns focos de luz que ficavam acessos mesmo durante a noite tinham sido estrategicamente posicionados para dar destaque a objetos de arte, como quadros e esculturas, e a alguns porta-retratos, que mostravam Rachel e pessoas que ele, obviamente, não conhecia.

Entre as imagens espalhadas pelo local, as que mais chamaram a atenção de Finn estavam todas juntas em uma prateleira, e mostravam Rachel se aventurando em esportes radicais. Em uma, ela e uma amiga sorriam para o fotógrafo, penduradas em suas cordas de escalada, frente a uma parede rochosa. Em outra, ela e mais duas pessoas faziam sinais indicando que tudo estava "ok", em pleno céu, durante um salto de paraquedas. Na terceira, se via uma bela cachoeira ao fundo e Rachel se jogando, de braços abertos, da plataforma do bungee jumping. Havia ainda outros flagras, como o dela aprendendo os movimentos que deveria executar em cima de uma prancha de surf, aquele em que ela carregava seu equipamento de snowboarding e o que a mostrava com tudo pronto para um voo de asa-delta.

Finn ficou encantado com as fotos, que mostravam mais um dado da personalidade aventureira e corajosa de Rachel. Ela e ele eram realmente opostos e isso explicava muito bem como eles tinham acabado onde estavam, em lados opostos de um tipo de relação que não tem como ser vivida por iguais.

Rachel tinha experimentado um nível altíssimo de adrenalina nas atividades de que as fotos eram registro e, provavelmente, aquelas não tinham sido as únicas oportunidades em que ela havia flertado com o perigo. Ele sempre tinha sido o menininho da vovó e a velha senhora provavelmente teria tido um infarto fulminante se ele sequer tivesse mencionado participar de coisas como alpinismo, mergulho em alto mar, sky diving ou rafting. Sua maior aventura ao ar livre na vida tinha sido acampar com alguns colegas de faculdade em uma praia isolada.

Rachel tinha feito parte de um clube de sexo, vinha dominando homens, havia algum tempo, sabia jogar, seduzir, enfeitiçar. Tinha um quarto só para fazer sexo com seus submissos, com acessórios, trilha sonora especial, roupas sensuais, para usar nas ocasiões próprias, com o jeito de falar e o olhar certos, mas também tinha seu escritório austero, as roupas sóbrias, o olhar e a voz corretas, para combinar com a máscara que usava em sua vida pública. Ele era e tinha sido sempre o mesmo Finn, por fora. Tinha reprimido qualquer atitude que pudesse ser considerada imoral, mal educada ou ousada. Sua maior aventura na vida, ele estava tendo agora, nos últimos dias, e ele se via querendo mergulhar cada vez mais fundo nela, e trazer um Finn diferente à superfície, enfim.

Sorriu e tomou o último gole de sua água, decidindo voltar à cozinha para encher novamente o copo, pois o calor voltava com tudo, ao pensar no dia maravilhosamente inusitado que havia tido. Primeiro, Rachel tinha demandado sexo oral em pleno escritório da rede de joias em que ele trabalhava e na qual ela era CEO. Depois, ela o tinha feito gozar com força, em sua boca, e sugado cada gota que ele derramara, em pleno banco de trás do carro, no trajeto entre a empresa e o edifício em que ela morava.

É claro que ele sabia que, se ela o havia levado até ali, a brincadeira não tinha terminado. Porém, mesmo assim, ficou surpreso quando, logo depois de passar alguns poucos minutos no escritório de casa, enquanto ele ficara na cozinha com Brittany, para que fizesse um lanche leve, ela engoliu rapidamente um suco e mandou que ele a seguisse, indo direto para o quarto secreto. Ele não esperava o que veio depois!

"Finn, me diz uma coisa." Ela disse, em tom autoritário. "Que parte você não entendeu sobre se comportar bem para não precisar ser castigado?"

"Eu... e-eu enten-di, Srta.Berry."

"Huuum... entendeu?" Perguntou, debochada. "Eu elogiei tanto você, Finn. Eu te recompensei te dando um momento pra curtir... pra SÓ curtir... e você me retribui sendo desobediente?"

"Eu... não..." Tentou responder, mas estava confuso.

"Você não se lembra mesmo de ter feito nada errado, não é?" Ela o viu confirmar, com um aceno de cabeça. "Eu acredito em você, Finn... mas, mesmo assim, eu vou ter que te castigar. É uma pena, meu gostoso... mas são as regras." Falou irônica.

"O q-que você vai fa-fazer comigo?" Questionou, sentindo a respiração começar a ficar ofegante, o coração acelerado. Não se tratava, no entanto, de medo, e sim de uma ansiedade enorme para saber o que viria. Ela o levou pela mão até o poste onde tinha dançado para ele, na noite anterior, e o encostou nele, ao mesmo tempo em que voltava a falar.

"Você não se lembra, mas falou o meu primeiro nome algumas vezes, enquanto eu te chupava." Ela esclareceu qual tinha sido o desvio às regras, ignorando a pergunta sobre o teor do castigo. "Não só isso, como também me chamou de babe... e eu não sei de onde você tirou a ideia ridícula de que poderia falar assim comigo." Continuou, arrogante. "Eu sei que foi gostoso, bebê." Continuou, enfatizando a última palavra, a fim de mostrar que ela, sim, poderia lhe dar um apelido carinhoso, se quisesse. "Mas, mesmo assim, você tem que saber se controlar... eu não posso sempre perdoar os seus deslizes." Terminou, em um tom forçadamente carinhoso, parecido com o de uma professora de criança.

Ela, então, caminhou até a cômoda, pegou duas algemas e voltou até ele, mostrando-as. Abriu a primeira e empurrou os braços dele para trás, prendendo um ao outro, de modo que ele ficasse preso ao poste. Depois, abriu a segunda, lentamente, olhando nos olhos dele, com um sorrisinho safado nos lábios, e, em seguida, atou os tornozelos dele ao poste, para que os movimentos de perna dele também ficassem limitados. Ele não entendeu a necessidade das duas algemas de início, mas depois perceberia que sem uma delas ele poderia ter mesmo frustrado, pelo menos um pouco, os planos dela.

Rachel colocou a música Straight to number one do Touch & Go para tocar, pois era uma das mais sensuais que havia em sua coleção, apesar de não pretender levar a sério a letra da canção. Ela voltou até bem perto de Finn e, sem pressa, soltou os cabelos. Sacudiu a cabeça para alvoroçá-los e começou a abrir os botões da blusa, se livrando dela e revelando um sutiã branco de renda, que deixava à mostra parte considerável de seus pequenos seios.

Logo ela repetiu os movimentos com os botões da blusa dele, deixando sua camisa perdurada nos cotovelos e tocando o muito de pele que ficou exposto. Suas mãos inteiras deslizaram pelos braços dele, pelo peitoral, pelo abdômen, enquanto a boca e o nariz percorriam maxilar, pescoço, ombros, que ela só conseguia alcançar porque ele se inclinava um pouco, não se negando a seu papel de submisso e mais do que desejoso das carícias dela.

Pouco depois, ela se afastou e virou as costas para ele, abrindo o zíper da saia e a deixando deslizar pelas pernas. Ele soltou um suspiro de decepção ao ver que, ao longo do dia, ela tinha vestido a calcinha sem a qual o havia esperado em seu escritório mais cedo. No entanto, a peça era bem pequena e mostrava bastante do bumbum dela, que era uma visão da qual ele não seria capaz de se cansar jamais. Ele mexeu instintivamente as mãos, com vontade de tocá-la, e a algema fez um pouco de barulho, então ela se virou para ele com um sorriso provocante e vencedor em seus lábios.

"Você quer me tocar, Finn? Você quer deslizar as mãos por todo o meu corpo... sentir a minha pele quente e macia?" Perguntou, retoricamente, passando as mãos pelo próprio corpo, enquanto ele não tirava os olhos dela. "Você quer beijar o meu colo... lamber os meus mamilos... me... chupar?" Continuou, tocando cada lugar que mencionava, e gemendo exageradamente ao envolver a própria intimidade com as mãos. "Eu sei que você quer... mas você não pode, BEBÊ! Não agora."

Ela continuou na frente dele, bem perto, dançando sensualmente, agarrando os próprios cabelos, mordendo o lábio inferior, de olhos fechados, abraçando o próprio corpo, mexendo nas laterais da calcinha, tateando a barriga lisinha, espalmando os seios, mordendo um dos dedos. Todos os seus movimentos eram lentos, sensuais, um pouco elaborados, mas também resultantes do próprio desejo que estava sentindo, vendo aquele homem lindo totalmente entregue a ela, totalmente pronto para o que ela quisesse fazer com ele.

No momento, ainda era tempo, no entanto, de torturá-lo, porque era assim que funcionava aquele tipo de relação. Havia várias formas de castigo e a que ela estava usando, naquela hora, era a da excitação e frustração. Então ela abriu os olhos e encarou os dele, e foi se aproximando ainda mais, encostando seu corpo no dele. Esfregou os seios nele, sentindo os mamilos endurecerem, depois virou-se e esfregou o bumbum na ereção dele, rebolando ao ritmo lento da música, que se repetia. Sentir o corpo dele e o quão duro ele estava fazia com que a intimidade dela latejasse, o que representava uma tortura também para ela, mas o jogo tem suas regras, e ela as cumpriria até o fim.

"Você não pode me tocar, Finn. Você não se controlou... não seguiu as minhas regras. E são regras tão simples, gostoso! Você poderia estar agora mesmo dentro de mim, se tivesse se controlado só um pouquinho." Ela encostou de novo a parte da frente do corpo no dele e, dessa vez, levantou uma das pernas, encontrando um ângulo, e roçou com intensidade suas intimidades. "E eu queria, Finny... eu queria muito você dentro de mim, agora, bebê." Afirmou, não só por provocação, mas porque era verdade.

Ela se afastou e ele engoliu seco, ofegou. Aquilo era mesmo um castigo, porque ele estava muito duro e seu membro, apertado dentro das calças, não somente precisava do alívio de sair delas, como necessitava de alguma ação, para explodir e baixar toda aquela pressão, para que o sangue voltasse a circular normalmente no corpo, até porque ele podia jurar que não havia quase nenhum passando por seu cérebro, naquele momento, tal era sua falta de capacidade para raciocinar. Ao mesmo tempo, tudo era loucamente excitante e ele teria chamado o nome dela do mesmo jeito, se soubesse que essa seria a sua reação.

Então, para coroar a tortura, Rachel deitou-se na cama e, olhando fixamente para ele, começou a se masturbar, passando um dedo no clitóris, por sobre a lingerie. Fez isso observando-o por quase todo o tempo, até o prazer ficar intenso demais e ela fechar os olhos, se tocando um pouco mais e emitindo gemidos altos, ao gozar. Finn não poderia saber, mas ela havia pensado nele todo o tempo, no corpo dele colado no seu, nas maravilhas que a língua dele tinha feito com ela, horas antes.

O rapaz pensou que ela o soltaria naquele momento e que eles transariam, como no dia anterior, em que ele tinha ficado observando um bom tempo sem poder nem se tocar, mas depois ela o tinha deixado escolher fazer pelo menos uma coisa com ela. No entanto, Rachel se levantou da cama e começou a vestir suas roupas, sem nada dizer ou fazer, como se ele nem mesmo estivesse ali.

"Se-senhorita Berry? Eu... hum... você n-não vai me soltar?" Perguntou, receoso.

"Daqui a pouco. Quando você e seu amiguinho tiverem se acalmado." Ela disse, apontando para a ereção evidente dele. Foi quando ele soube que a tortura era ficar excitado ao máximo e não poder realmente fazer absolutamente nada a respeito, nem com ela nem sem, e ter que simplesmente esperar a vontade passar. "Você tá com sede... fome?"

"Não."

"Tudo bem, então. Eu volto logo... BEBÊ." Sorriu, maliciosa.

Ele ficou sozinho por mais ou menos quinze minutos que pareceram uma eternidade. Teve que pensar na contabilidade da empresa, na visita que estava devendo à avó, no carro que ele estava querendo comprar, em qualquer coisa que pudesse tirar a imagem de Rachel dando prazer a si mesma de sua mente, para que seu membro saísse do estado de excitação.

Rachel, por sua vez, tomou um banho, se perfumou, e voltou ao quarto secreto, pronta para dar continuidade a seus planos que, é claro, não incluíam apenas dar um castigo a seu submisso, mas também se servir dele, da melhor forma possível. Ela jamais ficaria satisfeita com masturbação apenas, quando poderia fazer sexo com aquele homem grande, delicioso e lindo.

"Cheguei, gostoso." Ela disse, se aproximando dele. Usava uma camisola branca de cetim que, apesar de não ser transparente, emoldurava seu corpo de forma que ele podia ver que a morena não usava nada por baixo dela. "Eu espero que você tenha aprendido a lição, bebê. Eu não quero te castigar de novo." Disse, não sendo sincera porque as sessões de tortura tinham um gostinho especial na relação com um sub. Porém a forma carinhosa de falar era verdadeira e o apelido não tinha saído como forma de ironia, o que surpreendeu a ela mesma.

Ela tirou primeiro a algema que prendia os pés dele e depois a das mãos, pegando-o de surpresa ao acariciar e beijar seus pulsos. Ele não esperava esse tipo de carinho, assim como não estava esperando que ela, depois de soltá-lo, guiasse as suas mãos até o corpo dela, colocando-as em sua cintura primeiro, e então deslizando-as até o seu quadril e depois para trás, para o bumbum.

"Me toca, Finn. Agora que você já teve o seu castigo, é hora de nós dois nos divertirmos juntos, finalmente." Ela virou as costas para ele, mas sem tirar as mãos das dele, e as dele de sua camisola. Apenas deslizou ambas para a frente, para seu abdômen. "Nós dois queremos isso, Finn... as suas mãos grandes no meu corpo." Ofegou, quando levou uma delas a um de seus seios e a outra até uma das coxas. "O seu toque... eu... ansiava por ele."

Ela, então, deixou as mãos dele livres, levantando as suas e colocando-as na nuca de Hudson, enquanto encostava seu corpo ainda mais no dele. Ele brincou com os mamilos dela, usando um dos polegares. A outra mão se ocupou de levantar a camisola e segurar a intimidade dela, formando uma espécie de concha a sua volta, enquanto o dedo médio fazia pressão no clitóris, suficiente apenas para provocar a mulher em seus braços. O nariz dele roçava atrás da orelha dela, os lábios passeavam pelo pescoço e os dentes mordiscavam o lóbulo, de um jeito talvez carinhoso demais, mas que surpreendentemente a excitava.

Então, ela o puxou até a cama, e se ajoelhou nela, sem se desgrudar dele ou mudar de posição. Ele entendeu bem o recado silencioso e subiu na cama junto com ela, que jogou o corpo para a frente, ficando de quatro. Ele levantou a camisola dela, deixando toda a parte de baixo do seu corpo exposta, e se masturbou um pouco, ao mesmo tempo em que voltava a tocá-la, preparando os dois para a penetração.

"Onde t-tem camisinha?" Ele perguntou, meio frustrado por ter se lembrado disso quando já estava preparado para invadi-la, finalmente.

"Embaixo do travesseiro." Ela respondeu, rindo de um jeito orgulhoso, de quem sempre pensa em tudo.

Ele sorriu, achando que nela o jeito presunçoso caía como uma luva e ficava até um tanto adorável. Então pegou a camisinha e não perdeu mais tempo, preenchendo-a devagar, com suavidade.

"Mais forte, Finn." Ela disse, impaciente, e ele continuou enfiando lentamente, mas com força, até que ela ficasse impaciente de novo e suplicasse."Mais rápido, bebê. Mais rápido!"

Ele obedeceu e encontrou um ritmo perfeito para os dois e, além disso, mudou o ângulo, se encostando mais no corpo dela, enquanto enfiava uma das mãos dentro da camisola e passava o bico rígido de um dos seios dela entre o indicador e o polegar, além de esfregar com desenvoltura o ponto feminino mais sensível, com a outra mão. Percebeu as reações que provocava nela e soube que ela estava perto.

"Goza pra mim, vai... gostosa!" Pediu, sentindo-se no domínio da situação por um momento. "Goza pra mim, Srta. Berry." Enfatizou o pronome e o sobrenome, querendo mostrar que ele faria o que ela quisesse, que a chamaria como quisesse, se ele pudesse ter isso dela, se eles pudessem ter prazer juntos.

Os dois tinham gozado intensamente, mas logo Rachel tinha ido para o próprio quarto e Finn para o de hóspedes, onde não tinha conseguido dormir, o que o levara a passear pela cozinha e pela sala da cobertura de luxo. Ele estava acostumado com uma dinâmica muito diferente depois do sexo, e se sentia sozinho e confuso, apesar de muito envolvido e ansioso por mais.

Berry não estava acostumada com companhia depois do sexo, sempre achara que preferia dormir sozinha. No entanto, sua cama parecia vazia demais naquela noite e, por isso, ela não tinha encontrado posição para dormir, e ficara ansiosa.

Resolveu ir até a cozinha e comer uma fruta, e foi assim que se encontrou, pela primeira vez, com Finn sem qualquer planejamento. Ficou frente a frente com ele, enfim, sem que estivesse plenamente no controle da situação.