Notas iniciais
Então, chegamos ao final de mais uma fic. (Ou não, se vocês quiserem epílogo...) Espero que tenha sido uma jornada interessante para vocês, tanto quanto foi para mim, começar por uma relação de dominação e terminar em uma história de amor, como são todas as histórias envolvendo Finchel que brotam da minha mente perturbada... kkkkkk Beijos e até breve, com o epílogo, ou outra fic ou capítulo de fic em andamento. p.s.: Me perdoem por não estar respondendo aos comentários, como venho tentando fazer sempre, mas minha Internet está horrível e já está sendo um milagre conseguir postar.

Brody Weston estava escondido em um hotel, depois de sua perseguição a Rachel, quando soube, por um dos mais importantes noticiários de TV dos Estados Unidos, que a garota tinha usado o sobrenome Berry, nos últimos anos, e construído um grande império, antes de morrer, naquela noite, junto com o irmão, que adotara o nome falso de Blaine Anderson, em um gravíssimo acidente de automóvel. Sentiu-se ultrajado por ter sido enganado por tanto tempo e jogou, com raiva, uma garrafa de uísque na direção do móvel onde ficava o aparelho, por ela ter sido mais esperta do que ele e conseguido se manter fora da mídia, mesmo tendo sido uma grande e riquíssima empresária.

A notícia de sua morte era até convincente, porque, segundo relatado, ela estaria indo da delegacia para casa em um carro de polícia, depois de ter prestado queixa contra o mesmo homem de quem o Serviço de Proteção a mantivera resguardada por longo tempo, em razão de uma perseguição ocorrida naquela mesma tarde, em ruas do centro da Filadélfia. As informações batiam, mas, mesmo assim, ele não acreditou completamente na história e, juntando sua necessidade de descobrir mais sobre a vida dela ao fato de que ele provavelmente estava sendo procurado pela polícia novamente, decidiu não deixar de imediato a cidade.

Esteve logo no dia seguinte na porta do prédio da empresa, que agora sabia ser dela, e, disfarçado e fingindo ser um curioso qualquer, conseguiu conversar com algumas pessoas e descobrir que ela estava noiva de um contador chamado Finn Hudson, antes do acidente. Não teve, no entanto, tempo para descobrir mais sobre o rapaz a quem odiou instantaneamente, pois começou a ser caçado por gente ainda mais perigosa para ele que a polícia e decidiu colocar, ao menos por alguns dias, sua própria segurança em primeiro lugar.

O fato de ter-se tornado parte importante da organização criminosa que integrava, usando a identidade falsa de Preston White, aparentemente não o isentava de seguir o "Código de Ética" do grupo e, por mais que o coordenador das atividades na Filadélfia devesse grandes favores ao superior dele, a colaboração com Brody tinha cessado no exato momento em que ele deixara de socorrer um companheiro baleado, por causa de interesses pessoais. Para piorar a situação, ele se recusara a pedir desculpas a quem quer que fosse e, assim, passara a ser, do dia para a noite e sem aviso prévio, não mais um membro da organização, e sim seu inimigo.

Pouco tempo depois, quando o cadáver dele foi encontrado em uma caçamba de lixo, perto do cais do porto, e a polícia chamada, foi fácil perceber que ele não tinha sido somente morto, mas bastante torturado. Os muitos hematomas e cortes, as queimaduras, e a ausência de unhas e dentes, davam uma boa ideia do requinte de crueldade com que fora tratado, ainda que os agentes da Divisão de Homicídios não tivessem como saber que ele passara metade do mês trancado em um galpão com o mesmo rapaz que não se importara em socorrer e mais três traficantes sem nenhuma piedade de gente sem espírito de equipe e com o "rei na barriga".

Fora encontrado pelo grupo quando a obsessão por Rachel falara mais alto que a inteligência e o instinto de sobrevivência, e ele resolvera voltar à porta do prédio da Red Rave e tentar descobrir o paradeiro do homem com quem ela, um dia, tinha planejado se casar. Chegara a conseguir, de um funcionário corrupto, um endereço pretensamente usado para envio de correspondências, mas logo fora empurrado para o banco traseiro de um carro, encapuzado, amarrado, e, então, jamais voltara a ver o celular onde armazenara a informação, ou mesmo a luz do sol.

"Será que é ele mesmo?" Mike perguntou a Santana, depois de receber a informação. Não queria se encher de esperança e depois frustrar-se, como já acontecera em outros casos, em que a morte de um criminoso, do qual eles estavam protegendo alguém, tinha sido alarme falso.

"Segundo me falaram, o rosto dele não tá completamente desfigurado, então deu pra reconhecê-lo nas fotos de arquivo. Parece que ele também tem impressões digitais em alguns dedos, que batem com as do sistema. Mas, de qualquer forma, o pessoal da Homicídios disse que nós podemos ir até lá e ver com nossos próprios olhos, se você quiser." Ela deu de ombros, enquanto o parceiro se levantava rapidamente e vestia um paletó, antes pendurado no encosto da cadeira.

"É claro que eu quero ver com meus próprios olhos, cara! Eu fiquei responsável pela proteção da Rachel, aqui na Filadélfia, logo que comecei no Programa, quando eu era praticamente um garoto ainda, e esse babaca tinha destruído a vida de uma menina ainda mais nova do que eu!" Falou, demonstrando emoção como poucas vezes fazia, talvez não só porque ela tinha sido uma das primeiras pessoas por cuja proteção ele se tornara responsável, mas também graças ao estado em que vira o noivo dela ficar, ao receber a falsa notícia de morte, e por ter passado os últimos dias se preparando para contar a verdade a ele, sem que, todavia, pudesse lhe dar qualquer esperança de um futuro reencontro. "Seria o maior prazer comprovar que esse bandido foi varrido da face da Terra, e ela, o irmão e o noivo vão poder viver em paz, finalmente." Concluiu, pensando na doce possibilidade de se livrar da tarefa e de se tornar mensageiro de verdadeiras boas-novas.

"Normalmente, eu te criticaria por levar as coisas pro lado pessoal, parceiro. Mas eu te confesso que, nesse caso, eu também vou sentir prazer, se for o tal do Brody o cara com moscas na boca, morando num saco preto. Eu nunca vi alguém reagir à morte de uma namorada como o tal do Finn, e nem uma garota jovem e bonita como a Rachel, cogitando dispensar o programa e arriscar a própria vida, por causa de um cara!"

"Ficou com inveja, gata?" Ele sorriu debochado, abrindo a porta para a colega de trabalho e amiga.

"Se eu gostasse de caras ou ela de uma garota, quem sabe." Respondeu rindo e saiu, para que fossem, enfim, ao necrotério.

Mike não visitou Finn naquela tarde, como planejara, e deixou o rapaz sofrer por mais um tempo, sem saber que Rachel e Blaine estavam vivos e bem. Quando Hudson voltou a trabalhar e se apresentou oficialmente como novo sócio majoritário da Red Rave, em uma reunião convocada pela secretária Quinn, com toda a diretoria presente, ele teve que brigar contra muitas sensações. Cada sala ou corredor do lugar o faziam sentir uma tristeza imensa, uma saudade insana, mas isso não era pior do que temer que suas próprias faculdades mentais estivessem prejudicadas, porque a sensação de que a voltaria a ver, em breve, naquele mesmo lugar, só aumentava dentro dele.

Em seu segundo dia pós-retorno, muitas atividades novas o haviam mantido suficientemente distraído até a hora do almoço, quando voltou de uma reunião e, por um valioso instante, esqueceu-se de que a sala da presidência era dele agora, e acreditou estar ali para encontrar a noiva e ir a um restaurante com ela, como fizeram tantas vezes. Àquele segundo de esquecimento, pelo qual daria qualquer coisa nesse mundo, seguiu-se o de uma dor aguda, como se a volta à realidade depois de um breve desligamento reforçasse a perda, apagando o caminho percorrido em direção à aceitação e à adaptação.

Finn sentou-se, fechou um programa em que estivera trabalhando e observou o rosto sorridente de Rachel, na imagem que servia de plano de fundo para o computador que ela costumava usar. Instintivamente, passou os dedos pela tela fria, antes de fechar os olhos, entregando-se a lembranças inúmeras de sua garota. Não percebeu que estava chorando, como só fizera nos primeiros dias posteriores ao acidente dela, até que Quinn batesse na porta e pedisse licença para adentrar a sala, com o semblante carregado de piedade que as pessoas ostentam quando veem alguém sofrendo e não sabem bem como agir.

"Finn... é... Sr. Hudson..." Ela ainda estava confusa em relação a como deveria se dirigir a ele, agora que era seu chefe direto. "Tem uma pessoa querendo falar com você... com o senhor." Hesitou.

"Quinn, me chama de Finn... e de você. Por favor!" Rogou. "Quem é que quer falar comigo? Algum diretor?"

"Não. Não é ninguém da empresa. É um detetive. O nome dele é Mike. Mike Chang."

"Eu sei quem é. Pode mandar entrar." Disse, secando o rosto com a manga da camisa. Não estranhou a visita, pois sabia que Mike e Santana estariam envolvidos no "Caso Gleizer" até que Brody fosse encontrado.

Mesmo que Rachel e Blaine já não estivessem sob proteção, era trabalho deles acompanhar as buscas ao criminoso, além de assegurar que mais ninguém da família, por exemplo, corresse nenhum risco. Tanto que o agente lhe dera todos os contatos de ambos, para que pudessem ser informados, caso um dos Hudson ou pessoa próxima recebesse algum tipo de ameaça ou se sentisse inseguro, por qualquer razão. O lado racional do rapaz assumiu que o policial estava ali para falar de Weston, ainda que seu coração desejasse e teimasse em imaginar que as notícias podiam ser ainda melhores.

"Detetive." Cumprimentou, apertando a mão de Chang, quando ele foi trazido por Quinn, que os deixou sozinhos imediatamente, fechando a porta do escritório.

"Olá, Sr. Hudson." O outro respondeu, encaminhando-se em seguida para a cadeira que Finn lhe apontou, enquanto pedia para ser chamado pelo primeiro nome, como fizera com a secretária minutos antes.

"O que aconteceu?" Hudson perguntou, ocupando a própria cadeira, ficando de frente para o agente. "Vocês encontraram o safado? Tiveram alguma notícia dele? Foi isso?" Mostrou-se ansioso. Provavelmente a única coisa pela qual ele ainda tinha algum interesse real na vida era a captura do bandido.

"Não foi sobre isso que eu vim falar." Esclareceu o outro, querendo primeiro dar a informação mais importante de todas. "E eu não vou fazer rodeios, Finn. A sua noiva e o irmão dela... eles estão vivos."

"O que?" Indagou, encarando o policial e esperando, por alguns segundos, para que ele pudesse corrigir a informação, ou avisar, se estivesse fazendo uma piada de muito mau gosto. "Mas como isso é possível? Foi... o programa, não foi? Onde ela tá? Eu preciso vê-la!" Cuspiu as palavras, sem tomar fôlego, e se ergueu da cadeira, agitado, depois que Mike apenas assentiu.

"Calma, Finn." Pediu, colocando a mão no braço dele e dando um leve aperto. "Eu te conto tudo no caminho, se você puder viajar comigo agora, e ir até onde eles estão. Eu só teria que fazer algumas ligações, que eu posso fazer do carro mesmo."

"É claro!" Não hesitou, indo direto para a porta, passando por Quinn, a quem apenas deu ordens para desmarcar todos os seus compromissos daquele e do próximo dia, sem nada explicar, e apertando nervosamente o botão do elevador privativo. "A minha Rachel, meu Deus! A minha Rach! Obrigada." Murmurou, fechando os olhos e respirando fundo para tentar fazer os batimentos cardíacos baixarem.

Mike contou absolutamente tudo o que havia acontecido a Finn, desde o momento da entrada dos Gleizer na delegacia, depois de terem conseguido escapar de Brody, até a descoberta da morte do mesmo, provavelmente eliminado por antigos parceiros de crime, segundo investigações preliminares apontavam. Também explicou que o levaria até a noiva, para que eles pudessem passar algum tempo juntos, antes do retorno oficial dela, que teria que ser acompanhado de muitas explicações à imprensa, uma vez que ninguém pode simplesmente voltar do mundo dos mortos, de uma hora para a outra.

Os dois rapazes se juntaram a Santana no aeroporto e os três viajaram em um avião da polícia. Finn não conseguiu dormir e provavelmente falou mais em algumas horas do que em um mês inteiro, olhando para seus interlocutores sem constrangimento e com a voz firme e audível, como se a energia vital perdida tivesse voltado ao seu corpo. Também comeu tudo o que lhe foi servido, com um apetite que não conhecia desde a última refeição que fizera acompanhado de Rachel. Retomara a vontade de viver e de ter saúde, para poder passar o resto de seus dias ao lado dela e formar, enfim, a família que tinham planejado.

Quando o monomotor usado na segunda parte da viagem deles aterrissou na fazenda onde a garota estava morando, ela desceu devagar os cinco degraus que separavam a varanda do gramado. Ficou encarando a aeronave, até ver sair dela o homem por quem estava aguardando havia dias, depois de saber que não precisaria continuar se fingindo de morta, e de pedir a Santana que o levasse, junto com ela e Mike, quando fossem buscá-la. Mal conseguia respirar e apenas alguns segundos lhe pareceram um tempo imenso de espera.

No momento em que o viu, ele também se deu conta da presença dela, e ambos começaram a caminhar, um na direção do outro. Deram passos lentos, de início, hesitantes, depois substituídos por passadas mais rápidas, para logo, em inexplicável sintonia, começarem a correr, até se encontrarem mais ou menos no meio do caminho e praticamente jogarem seus corpos um contra o outro, se abraçando com força.

"Meu amor!" Ele falou, se afastando para olhar o rosto dela, acariciando cada pedacinho dele, como para se certificar de que era real. Assim como ele, ela estava bem mais magra, abatida, e com olheiras abaixo dos olhos que a maquiagem não conseguiu disfarçar completamente, mas, mesmo assim, continuava linda, iluminada pelo sol do fim de tarde.

"Me desculpa pelo sofrimento que eu te fiz passar." Ela implorou, molhando os dedos dele com lágrimas.

"Eu te amo, Rachel. Eu te amo DEMAIS e, se foi preciso que eu pensasse que tinha perdido você, pra que você ficasse em segurança e eu não te perdesse de verdade, eu passaria por isso mais mil vezes." Assegurou, sério. "Mesmo que não pareça fazer sentido isso." Acrescentou, rindo, e fazendo a garota sorrir pela primeira vez, antes de apertá-lo de novo contra si e de ficar na ponta dos pés, colando os lábios nos dele por repetidas vezes.

"Casal." Santana interrompeu o momento e os dois se viraram para ver a policial e seu parceiro, que tentavam disfarçar seus sorrisos.

"Eu e Santana vamos descansar e deixar vocês sozinhos, agora. Mas amanhã de manhã, infelizmente, a gente tem que conversar sobre a volta... sobre alguns detalhes importantes, ok?" Indagou Mike, e Finn e Rachel, sem se soltarem um do outro, assentiram.

Os quatro entraram na casa e conversaram um pouco com Blaine, que os estivera observando da porta. Rachel, porém, não demorou a puxar Finn em direção a um quarto, onde fizeram amor, provando o gosto de viver, de fato, deixando de apenas suportar o peso da existência, como vinham fazendo nos últimos tempos. Acarinharam-se lenta e proveitosamente, beijaram-se com fervor, formaram um só corpo de dois e sentiram o arrebatamento na carne e na alma, fruto não só de desejo, mas também de amor.

Mesmo que tivessem ficado sem se ver por um mês, em circunstâncias absolutamente inusitadas, e existissem muitas coisas para serem ditas, eles escolheram o silêncio, enquanto descansavam e trocavam carinhos. Todos os assuntos podiam ser adiados por mais algumas horas, sem prejuízo algum, e Finn gostava de apenas desfrutar da maciez do cabelo dela em seus dedos, do cheiro de sua pele entrando pelas narinas, do arrepio sutil causado pelos dedos dela desenhando círculos imaginários em seu abdômen.

"Finn?" Chamou a atenção dele, de repente, não querendo deixar de lado uma única pauta.

"Hum?"

"Eu quero me casar o mais rápido possível... assim que a gente voltar, se der." Informou, bastante séria. "A gente não precisa de uma cerimônia grandiosa, nem de uma festa pra um número imenso de convidados, como a que a Rachel Berry ia ter."

"Você fala como se ela fosse uma outra pessoa." Riu.

"Rachel Berry me protegeu, por um bom tempo, e me deu muitas coisas boas, inclusive você, Finn. Mas o fato é que eu tinha um nome falso, uma história falsa, uma família falsa, e uma personalidade meio indefinida... ou algumas personalidades, bem definidas até demais, pra me sentir mais segura do que o programa de proteção conseguiria me deixar." Afirmou, referindo-se ao tempo em que ia dos tons pastel ao vermelho, mas sem passar pelas outras cores, se colocando dentro de moldes e não sendo, como todas as pessoas, um ser único justamente por seus múltiplos aspectos.

"Já não era mais assim, bebê." Ele assegurou, fazendo carinho no rosto dela.

"Já não era, mas, de qualquer forma, o propósito de Rachel Berry acabou. Eu nem posso usar mais esse nome!" Lembrou. "Por outro lado, a Rachel Gleizer... ela é uma pessoa marcada, com um carma pesado, cheia de traumas. Eu amo meu pai, mas sei que ele mesmo não ia querer que eu carregasse mais esse nome, que eu pensasse mais nesse passado, quando eu posso ser... Rachel Hudson." Sorriu largamente, sendo acompanhada por ele, que também adorava a ideia de dar a ela o seu nome. "Rachel Hudson vai ser o nome que vai acompanhar, pro resto da vida, uma pessoa totalmente verdadeira e verdadeiramente feliz." Concluiu, deitando-se sobre o peito dele e se deixando envolver por uma sensação de paz.

Uma pessoa nova vinha sendo gestada há algum tempo, mas ela realmente só pode nascer com a morte de Brody Weston, e pessoas novas precisam de nomes escolhidos para pertencer somente a elas.

Se Rachel tinha alguma certeza naquele seu momento de pleno recomeço, era a de que o sobrenome Hudson era uma escolha mais do que perfeita!