Notas iniciais
Oi, geeeente!! Demorei, mas postei. Esse é o penúltimo capítulo. Então, significa que teremos mais um e talvez um epílogo, para não perder o hábito. hehehe Hope you enjoy... Reviews are love!! hehehehehe Beeeeeeeeeeeijos p.s.: postei uma fic de Páscoa, chamada Easter Game, que quase ninguém leu... =( Confiram quando puderem!! p.s. 2: meu grupo no Face, pra quem ainda não conhece: https://www.facebook.com/groups/667511339976033/

A Red Rave passou dias em luto pela morte de Rachel. Os membros da diretoria e a maior parte dos funcionários ficaram realmente consternados ao saber do que tinha acontecido com a presidente da empresa, pois, mesmo quando ainda não tinha conhecido Finn e era uma pessoa fechada, com uma vida em tons pastel, ela sempre tinha sido admirada por pagar salários acima do mercado e dar condições de trabalho dignas, que nem sempre era possível ter no ramo de indústria e comércio.

Ficaram também surpresos quando jornais, revistas, TV e Internet veicularam notícias sobre o acidente sofrido por ela, junto com a informação de que Rachel Berry, na realidade, se chamava Rachel Gleizer, e tinha falecido junto com o irmão, depois de os dois terem permanecido sob a guarda do Serviço de Proteção à Testemunha por vários anos. O impacto não foi, no entanto, exclusivo daqueles que tinham uma relação profissional com a garota, tendo sido experimentado até por pessoas mais íntimas, como suas melhores amigas, Harmony e Kitty.

Finn, por sua vez, conhecia a identidade verdadeira de Rachel e inclusive já tinha ficado sabendo, por meio de Sam e Puck, que Brody tinha, de algum modo, encontrado os irmãos Gleizer, e perseguido os dois. Não esperava, porém, que a polícia chegasse ao apartamento em que morava com a noiva, sem ela. Não esperava um casal de detetives com alguns objetos para serem identificados, por mera formalidade, uma vez que, segundo eles, o carro da polícia que transportava os irmãos já tinha sido devidamente reconhecido, bem como pertences dos agentes que os escoltavam.

A dor que ele sentiu naquele momento seria impossível de descrever. Uma sensação de absoluto vazio tomou conta dele, por dias, depois de muitas lágrimas vertidas, e de um adeus incompleto, uma vez que sequer pode ver o rosto dela, por um último momento, graças ao estado em que a polícia disse ter encontrado os corpos. Houve horas em que se negou a acreditar e outras em que sentiu raiva do mundo e pena de si mesmo, mas agora, exatamente um mês depois, pode-se dizer que ele apenas vivia no automático. Talvez só não tivesse tomado uma atitude extrema por causa dos avós, com quem, aliás, tinha voltado a morar.

Ele acordava, comia alguma coisa, sem ao menos se dar ao trabalho de prestar real atenção ao que a Sra. Hudson havia preparado, dava um beijo na testa da velha senhora, agradecendo, um aperto no ombro do avô, que normalmente estava à mesa, lendo o jornal, e voltava ao quarto, onde ficava olhando para o teto, em silêncio, ou com o barulho da televisão ao fundo, como quando fora dormir na madrugada anterior. Tomava banho quando um dos dois, ou Rory, ia até o quarto e insistia muito, e só comia mais alguma coisa, ao longo do dia, nas mesmas circunstâncias. Não fazia a barba, não passava perfume, usava apenas calça de pijama e chinelos, que pareciam arrastá-lo e não o contrário.

Em seu isolamento, Finn tentava pensar nos momentos bons e convencer a si mesmo de que deveria ser grato por ao menos ter experimentado a felicidade ao lado dela, um amor que nem todo mundo tem o privilégio de conhecer nessa vida. No entanto, normalmente falhava miseravelmente e, ou acabava pedindo a Deus que tivesse pena dele, e o levasse também, ou rompia definitivamente com o Sagrado, por causa da ironia e humor negro que Ele tinha demonstrado, ao levar mais uma pessoa que ele amava usando um acidente automobilístico.

Naquele dia especialmente, ele estava questionando a existência do Criador e foi por isso que preferiu não ir à missa celebrada em homenagem a Rachel e Blaine. Também escolheu ficar em casa para evitar gente, mas tal objetivo não foi alcançado, pois a casa ficou cheia de pessoas que queriam permanecer por mais tempo juntas, ajudando umas às outras a lidar com a saudade e a incredulidade, e que também desejavam vê-lo, e tentar confortá-lo de alguma forma.

“Meu filho, você precisa sair desse quarto! Ver gente.” A avó falou, pela terceira vez, enquanto ele insistia em se manter debaixo das cobertas, como um menino mimado. “São pessoas que te amam, que amavam a Rachel. Elas querem te ver, ter certeza de que você tá bem.”

“AMAM, vó! AMAM a Rach! Não fala dela assim, como se ela fosse algo do passado!” Descobriu-se, finalmente, irritado. “E se tem alguma coisa de que eles vão ter certeza, me vendo, é de que eu NÃO to bem. Eu não to NADA bem! E nem vou ficar, conversando com eles, ouvindo os mesmos conselhos de sempre. A única coisa que me deixaria bem seria se um deles me dissesse que ela tá viva, que ela va-vai voltar.”

“Meu querido, você precisa se conformar.” Disse, com a voz embargada, sentando-se na cama.

“E se ela estivesse viva, vó? E se ela estivesse por aí, escondida, pra se p-proteger daquele monstro?” Questionou, esperançoso. “Ela nem precisava voltar pra mim, vó. Eu só queria saber que ela tá viva.” Afirmou, abraçando a senhora de cabelos grisalhos com força, e chorando junto com ela.

“De novo isso, Finn?” Rory, que tinha acabado de entrar no quarto, indagou. Já tinha escutado sobre as desconfianças de Finn, que julgava completamente infundadas.

Finn não retrucou, pois parecia mesmo loucura pensar que a morte de Rachel pudesse ser parte de uma armação. Ninguém com quem ele tinha conversado sobre o assunto concordara que aquilo fosse possível, nem mesmo o homem que trabalhava, havia anos, em casos cujas testemunhas precisavam de proteção, e que tinha sido tutor de Rachel, quando ela fizera parte do programa. Hiram não lhe dera a mínima esperança, quando ele falara ao juiz sobre suas suspeitas.

Não é que o Sr. Berry, com sua vasta experiência, julgasse impossível que o programa optasse por esconder Rachel e espalhar a notícia de sua morte, mas ele jamais poderia concordar e deixar o rapaz se apegar à ideia. Mesmo que a garota que vivera como sua sobrinha por um bom tempo não estivesse realmente morta, isto seria algo do qual eles nunca poderiam ter uma confirmação. Por essa razão, Hiram julgou que Finn precisava ter o falecimento da noiva como certo para, eventualmente, poder seguir em frente.

“Você tem razão. Ninguém vai aparecer de repente e dizer que a Rach tá viva.” Finn respondeu ao primo, lembrando-se da conversa. “E é por isso mesmo que eu não vejo razão pra ver ninguém.” Teimou.

“Mas, vendo razão ou não, você vai, Finn!” Rory disse, enérgico. “Você vai se levantar daí, vai vestir uma roupa, e vai dar um abraço e conversar com essas pessoas que se preocupam com você e que também sentem falta da Rachel, cara! Eu sei que você ia se casar com ela, naquela semana, e que pra você é mais difícil, mas todo mundo que tá ali, naquela sala, ama a Rachel e sente saudade dela! E, mesmo assim, eles vieram até aqui, porque querem mostrar que tão do seu lado... querem ajudar você!”

Finn trocou um olhar com a avó, que assentiu, concordando. Saiu da cama, ainda sem vontade de encarar ninguém, mas sabendo que realmente não podia dar as costas às pessoas que tinham ido visitá-lo. Ele as evitara por quase um mês inteiro, depois do funeral e da missa de sétimo dia, mas elas já tinham demonstrado que não estavam dispostas a desistir dele, e insistiriam até que ele falasse com elas, ou pelo menos as escutasse.

Vestiu qualquer coisa, chegando à sala com peças de roupa que nem mesmo combinavam entre si, e os velhos óculos de grau, há tanto tempo aposentados. Sua aparência, a voz muito baixa e as pouquíssimas palavras que trocou com os presentes demonstravam que todo o progresso pessoal que ele tinha feito ao lado de Rachel estava em risco. Conseguia não gaguejar, mas não olhava nos olhos das pessoas, a não ser nos de seus familiares, e não se sentiu à vontade nem por um segundo fora do quarto, mesmo sabendo estar entre amigos.

“Quando você vai voltar ao trabalho, Finn? O Rory não dá conta, não.” Harmony tentou brincar um pouco.

“Eu não sei.” Finn respondeu, em um fio de voz, que ela só escutou porque estava de frente para ele.

“Trabalhar pode te fazer bem, Finn. Tem me ajudado muito.” Completou a garota, que vinha trabalhando arduamente, e aproveitava para treinar tiros nas horas vagas no quartel, como forma de extravazar a raiva que ela também sentia por ter perdido a amiga subitamente.

“A Rachel não ia querer te ver assim, Finn.” Artie assegurou.

“Ela te amava muito. Ela ia querer que você fosse feliz.” Reforçou Kitty.

“Talvez eu arrume um outro emprego.” Finn finalmente comentou. As palavras saindo lentamente, quase como se ele apenas estivesse pensando alto. Não quis pensar sobre ser feliz porque parecia-lhe impossível sem ela, mesmo que ele acreditasse que ela gostaria que ele conseguisse. Teve vontade de mandar que parassem de usar o particípio dos verbos, mas não o fez porque não tinha forças para reclamar de mais nada.

“Ninguém falou pra ele?” Kitty questionou, encarando Rory, e os olhos de Finn estudaram o semblante do primo, querendo saber a que ela se referia.

“A leitura do testamento, na semana passada?” Rory falou diretamente com ele, que assentiu, mostrando lembrar-se do evento, ao qual se recusara a comparecer também. “Ela deixou a empresa pra você. A gente só queria te dar mais um tempo, antes de te falar.”

Rachel tinha feito mesmo um testamento e, ainda que os bens pertencessem oficialmente a Rachel Berry, como a identidade falsa era autorizada judicialmente, o documento valia como se fosse da Srta. Gleizer, que era também a verdadeira proprietária da Red Rave, dos imóveis, e de tudo mais. Finn não ficou animado para cuidar da empresa, mas prometeu a si mesmo voltar na semana seguinte, pois não poderia ignorar um dos últimos desejos da mulher que ele amaria por toda a sua vida.

Bastante longe dali, Blaine Gleizer tentava, totalmente em vão, consolar a irmã, que estava passando por um péssimo dia, depois de ter percebido que eles estavam oficialmente mortos havia exatamente um mês. Eles até estavam se adaptando bem ao local e à vida simples, mas mortificava a garota o fato de Mike e Santana jamais darem qualquer informação sobre as pessoas que tinham ficado para trás. O policial se recusava a dizer-lhe, inclusive, se já tinha contado a verdade a Finn, e ela já não sabia mais se confiava na palavra dele, com relação à promessa de que o faria.

O dia, entretanto, não estava sendo pior do que o sábado em que ela deveria ter-se casado com Finn. Naquele dia, ela tinha se trancado no quarto, sem permitir que o irmão se aproximasse, recusando-se a fazer qualquer refeição, e deixando até a própria higiene de lado. Apenas chorara, agarrada ao travesseiro, repetindo incontáveis vezes o nome dele, como se pudesse atraí-lo para si, acabar com a distância que, para segurança dos dois, provavelmente seria definitiva.

Ficar sem a pessoa que a havia tirado de um certo tipo de torpor, em que ela nem mesmo sabia viver, agora já não doía tanto. Não doía simplesmente porque ela tinha voltado para aquele mesmo estado anterior, em que ela não era ela mesma, mas uma pessoa com outro nome, vivendo em uma casa estranha, em uma cidade estranha, tendo que criar uma personagem para si mesma, tendo que guardar as memórias, sem nelas poder tocar. Estava voltando ao padrão de não confiar em ninguém, de olhar as pessoas com formalidade, e a única coisa que a fazia lembrar que havia sangue em suas veias, que seu coração não era uma pedra fria de rubi, era pensar no luto que estava impingindo ao homem que amava.

Porém, mesmo que ela não tivesse certeza disso, Mike era uma pessoa de palavra e Finn não ficaria de luto para sempre. O policial precisava apenas se certificar de que ela e o irmão estavam em segurança, para então poder procurar o rapaz e revelar um segredo tão importante quanto aquele. Completado um mês de operação, parecia-lhe que havia, enfim, chegado o momento oportuno, e, após falar com o agente que ficara responsável por Blaine e Rachel na cidade para onde haviam sido enviados e confirmar que eles estavam se adaptando muito bem, ele tomara sua decisão.

Estava apenas terminando tarefas cotidianas, quando Santana Lopez chegou com uma notícia de última hora que mudaria seus planos.