Dos Tons Pastel Ao Vermelho
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Blaine conseguiu dispensa do trabalho até o final da semana, e Rachel convenceu o irmão a deixar o hotel e ocupar o quarto de hóspedes do apartamento dela. Durante os próximos dias, ela também tirou folga e passou a maior parte do tempo com ele, e ambos ajudaram Finn e fazer sua mudança, que não era muito grande, pois coisas como móveis, roupas de cama e de banho, e utensílios de cozinha ficariam na casa dele, que seria anunciada para aluguel com mobiliário completo.
Rachel decidiu cuidar da questão de sua segurança, contratando o irmão de Noah, Jake Puckerman, e um amigo dele, chamado Azimio, para trabalharem com o próprio Noah e Sam Evans, que passaram a acompanhá-la para todos os lugares, sempre em duplas. Preferiu não entrar em contato com ninguém da polícia e não contou aos Berry sobre a visita de Blaine, pois Hiram certamente acharia aquela convivência perigosa para ambos, e ela não queria ver as coisas desse modo.
Na última noite do rapaz na cidade, a garota conseguiu fazer o tal jantar, no qual apresentou Blaine a Kitty, Harmony, Artie e Rory, dizendo que ele era um amigo de infância que morava em Washington e estava de passagem pela Filadélfia. O jantar foi animado, apesar de o clima estranho entre Harmony e Rory não ter passado despercebido no começo da noite. A relação conturbada entre eles, que passavam uma semana se agarrando, como se não houvesse amanhã, para, na seguinte, brigarem sem parar, como se não existisse modo de suportarem a presença um do outro, logo virou motivo de piada.
Artie e Kitty, que estavam namorando praticamente desde o dia em que se conheceram, e, assim como Rachel e Finn, saíam sempre com Rory e Harm, contaram várias histórias hilárias dos dois, arrancando risos de Blaine e do chef de cozinha, Kurt, que fora convidado a se juntar aos demais. No começo, eles tentaram protestar, principalmente ao serem intitulados de casal, mas, no final da noite, estavam achando graça de tudo também e dando início precocemente ao que seus amigos chamavam de "semana da trégua".
A felicidade de Rachel só não era maior, por ela não poder gritar ao mundo que tinha reencontrado seu irmão, mas ela tinha esperança de que, um dia, isso fosse se tornar possível. Também esperava que eles não fossem ficar tanto tempo sem se encontrar outra vez, e só por isso aguentou vê-lo entrar no setor de embarque do aeroporto na manhã seguinte, rumo à capital do país.
Ao voltar com Finn para o apartamento, naquele dia, ela já tinha planos para os dois, nos quais vinha pensando havia vários dias, e o puxou pela mão, entrando com ele no quarto secreto. Fechou a porta, como sempre, mas parecia um pouco hesitante, ao andar pelo cômodo, e tinha ficado estranhamente calada, de repente.
"Você vai colocar alguma fantasia?" Finn questionou, quebrando o silêncio.
"Não. Eu quero tentar algo diferente hoje." Informou, caminhando até a cômoda, abrindo a primeira gaveta e pegando algo. "Eu... quero que me prenda." Pediu, entregando a ele duas algemas. "Quero que hoje você seja o dominador, Finn."
"A gente não precisa fazer isso, bebê. Nós estamos namorando há meses, vivemos juntos, agora! Você é minha mulher e é isso que importa pra mim. Eu nunca me incomodei de ser submisso, aqui, entre quatro paredes, e continuo não me incomodando."
"Vai dizer que você não ia gostar de comandar um pouco?" Ela perguntou, desafiadora.
"É claro que, provavelmente, eu ia gostar, mas não é importante pra mim. Eu não quero que você pense que tem que fazer isso, só porque naquele dia eu fui um pouco mais..."
"Eu não acho que tenho que fazer isso..." Ela o interrompeu. "...mas eu quero. Depois daquele dia em que eu surtei, eu preciso ter certeza de que, com você, eu não vou mais sentir medo de nada, agora que eu to fazendo tratamento e que você já sabe de tudo." Respirou fundo. "A única coisa que me falta é eu saber que consigo me entregar completamente, sair totalmente do controle... deixá-lo nas mãos da pessoa em quem eu mais confio, a pessoa com quem eu quero construir uma vida nova." Ofereceu a ele, mais uma vez, as reluzentes algemas, com olhar suplicante, e ele, mesmo um pouco temeroso, pegou os objetos.
"E qual vai ser a sua palavra de segurança, bebê?" Perguntou, acariciando o rosto dela.
"Ouro. A palavra que mais me lembra do meu pai, que era o meu porto seguro. Ouro!" Falou com firmeza.
"Ok." Ele concordou, e então levou Rachel até a cama, onde ela se deitou, controlando o nervosismo, que ele também sentia.
Antes de prender os punhos de Rachel a uma estrutura de ferro na parede que servia de cabeceira à cama redonda, Finn colocou as algemas sobre esta e despiu a garota, lentamente. Tirou-lhe os sapatos, a calça e a blusa, beijando os lábios dela, entre uma peça e outra, como se estivessem prestes a fazer amor e não o tipo de sexo mais despudorado e bruto que era reservado ao quarto secreto.
"Você tem certeza, Rach?" Ele indagou novamente, tocando um dos pulsos dela, quando ela já estava só com um pequeno conjunto de calcinha e sutiã brancos.
"Tenho." Ela falou, resoluta, e ele, então, utilizou o objeto, finalmente, e a deixou sem poder usar as próprias mãos. Deslizou para fora da cama, em seguida, e se afastou, deixando a garota confusa. "Aonde você vai, Finn?"
"Se é pra fazer isso, vamos fazer direito." Sorriu, malicioso.
Ele diminuiu a luz do cômodo, deixando aceso, depois de algumas tentativas falhas, um spot que iluminava o pequeno palco onde ficava o poste de pole dance. Foi até a aparelhagem de som e escolheu uma música que achou que seria perfeita, uma vez que ele não era bom dançarino para escolher nada que exigisse movimentos muito rápidos. Trust Me, de Dee Joy e Yasmine Shah, começou a tocar e ele tomou sua posição sob o holofote, sempre seguido pelo olhar curioso dela.
Finn podia não ser mais introspectivo e tímido, principalmente quando sozinho com Rachel, mas ainda era um pouco desajeitado, o que fez com que fosse engraçado vê-lo mexer os quadris ao som da canção e começar a abrir a blusa. Ele mesmo fazia caretas engraçadas, querendo que seu striptease fosse divertido, para acabar com qualquer clima tenso, mas, quando ficou só de cueca boxer, viu desejo nos olhos dela, observando seu corpo, e se deixou levar pela melodia e pela letra sensuais.
Rachel podia até ter rido um pouco no começo da "apresentação", mas aquele homem tirando a roupa sempre teria o poder de tirar seu fôlego, de arrepiar os pelos de todo o seu corpo, de aquecer sua pele e criar aquela sensação difícil de descrever entre suas pernas. Sua boca ficou seca e ela passou a língua entre os lábios, enquanto apertava uma coxa contra a outra, deslizando um pé de cada vez pelo colchão, para cima e para baixo. Viu um sorriso satisfeito surgir no rosto dele, e sorriu também, lembrando-se de quantas vezes já tinha feito o mesmo jogo, de se exibir, sem que ele pudesse tocar o corpo dela ou mesmo o dele.
"Você me quer, bebê?" Ele perguntou, indo em direção à cama, mas parando a alguns passos dela. "Tá gostando do que tá vendo?" Provocou e ela deu uma gargalhada sonora, por estar provando do próprio veneno e estar gostando. "Pra não ficar tentada, talvez seja melhor não ver." Disse, mudando seu percurso até a cômoda e pegando um lenço de seda, que brincou de enrolar em volta de uma das mãos, enquanto andava devagar até Rachel, encarando-a.
Afastou as pernas de Rachel o suficiente para engatinhar entre elas, se aproximando da mulher e inalando o aroma gostoso de seu pescoço, mordiscando a pontinha de sua orelha, esfregando seu rosto no dela devagar. Tinha aprendido a jogar aquele jogo com uma ótima professora e provou isso ao ir deslizando a face, muito lentamente, para, antes de se afastar de vez, aproximar os lábios dos dela o máximo que era possível sem que eles se tocassem.
Riu, satisfeito com o suspiro frustrado dela, e amarrou o lenço de seda em volta de sua cabeça, cobrindo seus olhos. Tirou o sutiã, dedilhando-lhe as costas, os ombros, e as laterais e o vale entre os seios, ignorando propositalmente os mamilos. Livrou-se da calcinha, espalmando as coxas, acompanhando com os polegares o traçado deixado pelo biquíni, em volta da virilha, brincou com os pelinhos claros da barriga, em movimento ascendente, até tocar as auréolas, apenas por mínimos segundos.
Ficou parado um tempo, apenas admirando Rachel à sua mercê, como nunca antes, e deixando que ela sentisse como era ficar sem saber o que estava por vir. Então, de repente, segurou o cabelo dela todo com uma das mãos, puxando sua cabeça para trás, e atacou o pescoço, os ombros, o colo, a mandíbula, alternando beijos, lambidas e mordidas. Sua mão livre agarrou um dos seios dela, a palma roçando o biquinho, que se pronunciava cada vez mais, reagindo ao toque.
"Aaaah, Finn... aaah, bebê." Ela gemeu alto, sem qualquer cerimônia.
"Shhhh... Cala a boca! Não tem nenhum bebê aqui... eu sou seu HOMEM!" Falou com firmeza e sentiu a morena estremecer. "Tá tudo bem, meu amor?" Perguntou, mudando o tom, preocupado, depois de soltar o cabelo dela e tirar rapidamente a venda, para ver a resposta verdadeira em seus olhos.
"Tudo bem." Ela assentiu, sentindo o coração se acalmar ao ver o amor brilhando na íris dele.
"Eu te amo, Rachel. Eu nunca... NUNCA vou machucar você."
"Eu sei." Ela sorriu, docemente. "E é por isso que você É o meu homem, Finn. Tá tudo bem e você pode relaxar... de verdade!" Assegurou. "Eu tenho uma palavra de segurança, lembra?" Riu e ele respirou fundo, concordando.
Finn recolocou o pano sobre os olhos de Rachel e explorou cada centímetro de sua pele, desde a ponta dos pés até os cabelos, utilizando-se de dedos, palma da mão, lábios, língua e dentes, da ponta do nariz e até do próprio rosto, e variando na intensidade do toque, ora torturantemente terno, ora rude como o de um verdadeiro dominador. Sabia onde ela queria ser tocada, mas, como ela mesma fizera tantas vezes com ele, ignorou seus desejos, não permitindo sequer que ela esfregasse a intimidade nele e mantendo suas pernas afastadas.
Aquele momento não era sobre as vontades de Rachel, mas, ao contrário, era sobre ela sentir prazer em se submeter às vontades de outra pessoa, às vontades dele. Por isso, depois de provocá-la ao máximo, deixando-a totalmente enlouquecida de tesão, ele parou o que fazia e tirou sua boxer branca, sentindo alívio, ao liberar o rijo membro da espécie de prisão em que este se encontrava, para masturbá-lo velozmente, grunhindo de satisfação.
Pelos sons que ele emitia, ela sabia o que estava acontecendo, mas ele quis que ela visse e arrancou o lenço de seus olhos, sem parar de dar prazer a si mesmo. Encarou os olhos dela, suas pupilas se dilatando, enquanto ela observava a mão dele segurar firme o pênis ereto e se mover com aquela maestria para a tarefa, que os homens adquirem durante a adolescência. O peito dela arfava, as algemas tilintavam, mostrando a sua impaciência, a língua umedecia os lábios e os dentes os trincavam com força, contendo os gritos que a sua garganta queria deixar escapar.
Ele continuou se tocando, mas moveu-se para ainda mais perto, friccionando a ponta de seu membro na barriga dela e lambendo sua orelha, antes de chamá-la de gostosa, de dizer que o cheiro dela tinha o dom de deixá-lo maluco, e repetir, algumas vezes, que ela era dele, que ele era seu homem, seu dono, o único que podia usá-la daquela maneira. Ficou aliviado e contente, ao perceber que ela não só não estava tensa, como parecia ainda mais excitada a cada palavra que ele proferia.
Com a mão que estava livre, agarrou, de súbito, os cabelos dela, na altura da nuca, avançando em direção a seus lábios, e beijando sua boca com sofreguidão, enquanto gozava, lambuzando seus seios e barriga. Parou o beijo para respirar, mas continuou quase grudado a ela, sentindo o ar quente que saía de suas narinas se misturar, vendo a paixão nos olhos dela, que não deixou que seu corpo se desanimasse, mesmo depois de uma forte onda de prazer.
"Onde estão as chaves das algemas?" Perguntou, baixinho, com medo de quebrar o clima. Deveria ter perguntado antes, mas não estava acostumado com aquela posição que assumira tão de repente.
"Primeira gaveta da cômoda. É uma chave só." Ela sorriu.
Ele a soltou, pouco tempo depois, mas mandou que ela permanecesse quieta e em silêncio, enquanto abocanhava um de seus seios e finalmente lhe dava um pouco de prazer com os dedos, ainda que com todo o cuidado do mundo, para que o deleite não fosse suficiente para ela alcançar o orgasmo. Mesmo quando substituiu os dedos pela boca, ávido por experimentar o gosto dela mais uma vez, não estabeleceu um ritmo contínuo, ainda não sendo o momento certo para satisfazê-la.
Com um tom autoritário que ele mesmo não sabia ser capaz de usar, ordenou que ela também provasse seu sabor. Enquanto ela o fazia, segurou a nuca da namorada com força, movendo-se na direção de sua boca, fechando os olhos e jogando a própria cabeça para trás, extasiado. Foi difícil não gozar de novo e guardar a explosão de prazer para quando estivesse dentro dela, enterrando fundo, olhando em seus olhos, sentindo o corpo dela no dele, o gosto do seu beijo.
Aliás, isso era tudo em que ele conseguia pensar no momento, então ele puxou a cabeça dela para trás, fazendo com que parasse, e a surpreendeu, ao puxá-la para um beijo apaixonado. Por alguns segundos, não foram personagem algum, e ninguém esteve no comando. Havia só um homem e uma mulher que se queriam muito, trocando carícias safadas e se preparando para serem um do outro, até que deitaram-se na cama, com ele por cima, segurando firme os braços dela sobre a cabeça, e, enfim, ele a penetrou, fazendo com que gritasse de prazer.
"Shhhh... quieta, bebê. Bem quietinha e silenciosa." Determinou, com a voz rouca e o hálito quente entrando pelo ouvido dela. "E nada de gozar enquanto eu não disser que você pode."
Depois disso, tudo que se ouviu foram os urros dele e as batidas de seu corpo contra o dela. Ele se divertia vendo Rachel controlar o prazer e o volume de seus murmúrios, descontando tudo na firmeza com que se segurava aos ombros dele, deixando pequenas marcas de suas unhas no local. Levou o sexo até onde conseguiu sem que ele mesmo chegasse aonde queria, e, então, disse as palavras que ela jamais tinha ansiado tanto em ouvir.
"Goza, bebê. Goza pra mim. Goza comigo!"
Rachel teve certeza, instantes depois, que, ao lado daquele homem, que estava junto dela na cama e segurava uma de suas mãos, nunca mais sentiria medo. Ele era o seu amor, o seu alicerce, a sua paz e o seu júbilo. Ela confiava nele com o corpo, o coração, a alma, e o passado já não tinha mais capacidade de afetar aquela relação tão cheia de verdade.
Rachel Berry estava livre da sua própria dominação.
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