Dos Tons Pastel Ao Vermelho
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Queria agradecer a todos que deixaram reviews... é muito bom saber que estão gostando da história!! Muito mesmo!!!!
Também queria agradecer especialmente à Francine pela recomendação, que fez com que essa se tornasse a minha fic mais recomendada =D
Obrigada, mil vezes obrigada, Francine!!!! Este capítulo é pra você e pra Dani, que fez aniversário ontem.
Danizinha, ainda é seu niver em algum lugar, não é? Então tá valendo, eu acho... rsrsrs
Beijos, boa leitura e até a próxima!!
Finn se espreguiçou e abriu os olhos devagar, se ajustando à claridade do dia, como sempre fazia. Virou-se, então, na cama, esperando encontrar a mulher com quem tinha passado a melhor noite de sua vida, mas ficou confuso e alarmado ao ver que Rachel não estava deitada a seu lado e nem se encontrava no banheiro, uma vez que a porta deste estava aberta e não havia qualquer barulho que indicasse uma movimentação.
Felizmente, ao olhar melhor à sua volta, constatou que as roupas dela ainda estavam em seu quarto, penduradas sobre o encosto de uma cadeira, e sentiu um enorme alívio. Levantou-se da cama, pegando uma boxer preta no armário e vestindo-a, e caminhou até a sala, onde finalmente acharia a garota.
Ela estava deitada no sofá e sentou-se, sorrindo, ao vê-lo se aproximar. Usava a camiseta dele e tinha a parte de baixo do corpo coberta por uma manta fina que ele deixava na sala para os momentos em que ele mesmo se encolhia no sofá para assistir a um filme, jogo ou programa na TV. Se não tivesse feito um calor atípico durante aquela madrugada, certamente teria congelado com tão ínfimo recurso para se proteger do frio.
"Bom dia." Ele cumprimentou, sentando-se ao lado dela e depositando um beijo rápido em seus lábios.
"Bom dia." Ela respondeu, sorridente, e repetiu o gesto.
"Você caiu da cama?" Brincou.
"Eu não consegui dormir com você. Fiquei tensa, rolando na cama." Explicou, um tanto sem jeito. "Eu acho que ainda não estou preparada pra essa parte. Eu... nunca dormi com ninguém, nem mesmo antes de me tornar uma dominadora." Ele franziu a testa, surpreso. "É sério. Eu nunca tive um relacionamento de verdade com alguém. Eu só transava e depois voltava pra minha casa."
"Entendi." Disse, um pouco desanimado.
"Eu prometo voltar a tentar, Finn." Assegurou, passando a mão pelo peitoral dele. "Me deixa só ir me acostumando aos poucos com todas as mudanças, tá?" Pediu, fragilizada.
"Tudo bem." Ele sorriu. Afinal, por que se deixar abater pelo que não podia ter ainda, quando tinha conseguido tanto nas últimas horas? "Mas você não dormiu nada, então?" Questionou.
"Cochilei um pouco aqui." Deu de ombros.
"Bom, mas agora a cama tá vazia, e você pode ir pra lá e ficar mais confortável. Eu vou resolver umas coisas e não vou dormir mais." Observou.
"É tentador, mas eu não posso ir dormir agora, de jeito nenhum." Lamentou. "Eu tenho reunião às dez e não dá pra adiar."
"Sério?" Fez uma careta lastimosa e suspirou. "O pior é que eu nem tenho nada aí, pra fazer café pra gente. Eu ia sair pra comprar, mas eu vou te atrasar, se fizer isso."
"Que isso! A gente toma café lá em casa, bebê." Riu, mas ficou séria quando o viu passar as mãos pelo rosto, de um jeito nervoso. "O que foi?"
"É que eu acho que, mesmo eu não tendo mais motivos pra ficar longe de você, eu ainda devo manter meu pedido de demissão, Rach."
"E por que você faria isso?" Perguntou, chocada.
"Porque nós vamos ter uma relação diferente, agora, e uma das coisas que eu não quero da nossa relação antiga é me esconder." Declarou. "E, quando as pessoas souberem da gente, vai ser uma falação danada."
"Você liga se disserem que você tá lá por minha causa ou algo assim?"
"Não por mim. Eu sei que não entrei e nem to lá por isso, então não por mim. Só que vão falar de você também e eu não quero criar problemas pra você."
"Finn, eu sei que eu tenho toda uma imagem pela qual zelar, e que eu a criei escondendo coisas sobre mim. Mas era mais porque as coisas que eu escondia eram muito não convencionais. Um namoro, na verdade, é o oposto disso e talvez passem até a gostar mais de mim... a me achar mais humana." Riu. "Uma crítica pelo fato de você trabalhar na empresa, sinceramente, não é algo que me preocupe... eu juro."
"Tem certeza? Porque eu não teria problemas em conseguir uma colocação muito boa em outras empresas. Outro dia mesmo..."
"Por favor, Finn." Fez carinho no rosto dele, olhando diretamente em seus olhos. "Nós vamos nos vestir agora, passar lá em casa pra comer e trocar de roupa, e vamos trabalhar... e eu mesma vou explicar pro pessoal do RH que você queria sair porque estamos... namorando." Disse a última palavra hesitante.
"Tudo bem, mas se ficar desconfortável pra você..."
"Finn!" Repreendeu, levantando-se, colocando a manta em cima do sofá, indo na direção do quarto, e sendo logo seguida por ele. "Eu vou ligar pra Brittany, pra ela deixar tudo preparado.Você quer o que no café da manhã?"
"Ah, eu nem sei. Waffles, panquecas, croissant... qualquer coisa que o Kurt faz fica uma delícia mesmo!" Afirmou, se referindo ao jovem chef de cozinha que coordenava os trabalhos no refeitório da empresa e ia, algumas vezes, durante a semana, à casa de Rachel, para preparar pessoalmente as refeições da garota. No começo, Finn se referia a ele como Sr. Hummel, mas depois os dois tinham começado a se encontrar com frequência, e o rapaz pedira para ser chamado por seu primeiro nome.
O casal apenas se vestiu e em poucos minutos estava do lado de fora do prédio. Ela, é claro, usava as roupas da noite anterior, e ele optou por uma calça jeans, uma camiseta preta e um all star, deixando para tomar banho e adotar o visual formal de trabalho apenas depois do café da manhã, uma vez que também tinha roupas de todos os tipos na casa de Rachel.
"Que carro é esse?" Ele perguntou, vendo a morena se dirigir ao Maybach Landaulet branco, estacionado próximo ao edifício.
"É o meu carro particular. Os outros dois são da empresa." Explicou. "Quer dirigir?" Balançou as chaves na frente dele, sorridente.
"Não, não." Respondeu, sério, respirando fundo. "Eu não consigo, ainda, com alguém no carro... ainda mais você." Deu, então, a volta, entrando pelo lado do carona.
"Eu pensei que tava tudo bem agora." Ela comentou, já sentada no banco do motorista.
"Eu to dirigindo, o que já é um progresso pra mim... mas eu sinto medo ainda, e esse medo vira pânico quando eu penso que alguém, além de mim, pode se machucar ou acontecer coisa pior, de novo. Ainda mais alguém que eu ame, porque foram pessoas que eu amava que me deixaram... ou se machucaram." Terminou com a voz mais baixa.
Finn ficara anos da vida dele, quando criança, sem sequer querer entrar em um carro. Fizera os avós utilizarem metrô, trem e ônibus, e dar muitas caminhadas para todos os lugares. Com o tempo, os adultos conseguiram convencê-lo a tentar, ele conseguiu e, aos poucos, foi relaxando, mas pensava que jamais dirigiria. Nos tempos da faculdade, acabara aprendendo com amigos e tirara a habilitação, mas sempre arrumava desculpas para não guiar, e só recentemente tinha comprado um carro, cansado de usar transporte público todos os dias.
Ele tinha contado a Rachel, na noite anterior, quando tiveram a sua primeira conversa realmente íntima, que seus pais tinham morrido, quando ele tinha sete anos, em um acidente de carro, do qual ele saiu apenas com arranhões e seu melhor amigo e vizinho, Artie Abrams, com uma lesão na coluna que o condenou a usar permanentemente uma cadeira de rodas. Como se perder os pais já não tivesse sido doloroso o suficiente, ele ainda vira o amigo destruído física e emocionalmente, e depois fora afastado dele, cujos pais se voltaram contra toda a família Hudson, chegando ao ponto de ajuizar uma ação, pedindo uma grande soma em dinheiro de indenização.
Afortunadamente, ficou provado que o pai de Finn não teve qualquer responsabilidade em relação à colição, e foi tão vítima quanto o filho dos vizinhos e sua própria esposa. O motorista do outro veículo envolvido estava em velocidade muito acima do permitido e fez uma ultrapassagem proibida. Os Abrams nada receberam dos Hudson, mas também não permitiram que os meninos fossem amigos novamente, o que ainda deixava Finn chateado e, percebendo isso, Rachel deu um rápido beijo nele, ligando o carro e mudando de assunto.
Conversaram, animadamente, até chegar ao apartamento dela, onde Britt os esperava com o café já servido na sala de jantar. Havia tantas opções que parecia um café de hotel, e Finn comeu com o grande apetite de sempre, afirmando que não poderia permitir o desperdício de comida com tantos passando fome no mundo. Rachel não comeu tanto quanto ele, obviamente, mas surpreendeu, trocando as habituais frutas, cereais e iogurte por waffles com requeijão e panquecas recheadas com brie e damasco.
Partiram para quartos separados, em seguida, a fim de tomar seus banhos e se preparar para o dia de trabalho, e Finn, apesar de não poder se dizer surpreso, não gostou de ver Rachel aparecer com um terninho feminino cinza claro, acompanhado de uma blusa em um rosa que, de tal pálido, parecia branco mal lavado. Estava linda e sensual, como sempre, mas sua personalidade se apagava com uma roupa como aquela, deixando à vista apenas uma burocrata. No mesmo lugar onde era a principal responsável pela fabricação das joias mais brilhantes, ela perdia a luz própria, mas ele decidiu que ainda não era a hora certa para lhe dizer isso.
"Eu acho melhor você ligar pro Sam e combinar com ele, pra ele te levar lá pra casa, mais tarde." Ela comentou, quando os dois estavam quase chegando ao edifício comercial, levados por Puckerman. "O Noah deve me levar no meio da tarde, porque eu vou sair logo que der. To exausta."
"Talvez seja melhor eu não ir pra lá hoje e você descansar."
"Como assim não ir pra lá?" Ela se surpreendeu. Eles não estavam bem agora?
"Eu queria falar com você sobre isso, Rach." Disse, sério. "Se eu e você não vamos dormir juntos, eu não vejo sentido em morar na sua casa."
"Mas eu pensei que você tivesse entendido, Finn. É difícil pra mim! Você viu!" Falou, nervosa. "Ainda mais todas as noites. Seria como um casamento e eu não to preparada pra isso."
"Eu entendi e não vou te pressionar." Segurou as mãos dela nas suas, fazendo carinho. "Eu vou esperar o tempo que for necessário. Eu só não acho que eu deva morar com você, se não temos uma relação como a de marido e mulher, e eu tenho meu próprio apartamento. Isso fazia sentido quando você me dava ordens e queria que eu estivesse à disposição."
"Tudo bem." Ela respondeu, mas a decepção transparecia em sua voz. "Mas como vai ser, então?"
"Como é com todo mundo que namora. A gente vai passar o final de semana juntos, sair... curtir as coisas juntos, curtir um ao outro." Sorriu. "Também podemos nos ver durante a semana, jantar juntos. Eu só não vou morar no seu quarto de hóspedes."
"Era o SEU quarto."
"É a SUA casa."
"Ok." Suspirou, vencida. "Eu não te vejo mais hoje, né?" Perguntou, por fim, já abrindo a porta do carro, pois tinham chegado á empresa.
"Hoje, não, mas a boa notícia é que amanhã é sexta-feira, e eu sou todinho seu, durante o fim de semana inteiro." Respondeu, já fora do carro, com a voz sedutora, deslizando as mãos pela cintura dela e beijando-a, em seguida. Nenhum dos dois se importou com o fato de que estavam no estacionamento da rede de joalherias que ela comandava.
Algumas mensagens foram trocadas por eles, ao longo do dia, e um telefonema de quase meia hora encerrou as noites de ambos. Era tudo muito novo para Rachel, e uma espécie de redescoberta para Finn, visto que ele também só tinha namorado uma vez na vida. Para ele, no entanto, era mais fácil, porque ele sabia que bastava ser espontâneo e estava acostumado a isso, enquanto ela estava, ao contrário, habituada a ter sempre tudo programado nos mínimos detalhes.
Fora um alento o fato de saber pelo menos que eles estariam juntos na noite seguinte. No entanto, Finn não quis combinar nada e simplesmente chegou, no começo da noite, estacionando seu próprio carro em frente ao prédio, com sacolas nas mãos, que ela descobriu estarem cheias de DVDs e comida chinesa em caixinhas, que eles devoraram sentados no chão da sala de TV, já vendo a introdução do primeiro episódio de The Big Bang Theory.
Hudson era fã da série e Berry nunca havia assistido, então ele chegara à casa dela disposto a corrigir aquilo que ele chamava de um "grande erro", apesar de, para tanto, ter tido que prometer assistir The Vampire Diaries em troca. Soube que valeria a pena fazer o sacrifício assim que a primeira gargalhada dela, dentre muitas que vieram depois, encheu de vida a sala bem equipada, e ela quase rolou, de tanto rir, pelo tapete macio onde estavam deitados, apoiados em almofadas roubadas do sofá.
Naquela sexta-feira, Rachel descobriu o quanto o universo nerd podia ser retratado de um jeito engraçado e, se eles não chegaram a assistir a todos os episódios que Finn levara consigo, não foi por ela ter reclamado ou pedido para fazerem outra coisa. Na verdade, eles viram bem mais do que ele achava que ela iria aceitar ver, em uma única noite, e só deixaram o programa de lado porque os carinhos entre eles foram ficando cada vez mais quentes, e eles acabaram fazendo sexo, ali mesmo, no chão.
Já era tarde quando Finn se despediu, depois de se deliciar com uma fatia generosa da torta de chocolate com laranja de Hummel, e atacar Rachel na cozinha, transando com ela sentada sobre uma das bancadas. Prometeu voltar no dia seguinte, para almoçarem juntos, e até deixou os DVDs, para continuarem a maratona de loucuras de Penny, Sheldon, Leonard, Howard e Raj.
Rachel tinha tido uma noite tão gostosa e as promessas de Finn faziam com que sentisse tanta segurança, que ela nem tentou protestar por ele não passar a noite no apartamento onde antes morava. Também não tentou fazer outros planos para o dia, e aceitou, de bom grado, deixar que o namorado e a vida a surpreendessem.
Por que não, se até agora todas as surpresas tinham sido tão boas? Se até o sexo sem qualquer fetiche, sem fantasias, sem música sex e luz baixa, e com muito carinho, beijos na boca e sussurros que incluíam seu primeiro nome, estava sendo tão gostoso quanto aquele que faziam antes?
Talvez namorar, no final das contas não fosse ruim. Talvez perder o controle e deixar a vida apontar novas direções não fosse tão perigoso.
Talvez Rachel Berry pudesse, enfim, voltar a pensar em uma coisa que ela ignorava havia muito tempo e que chamamos de futuro.
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