Dormitório 801

11 Desconforto


Guz podia jurar que tinha deixado seu jaleco no guarda roupa, e ele provavelmente não tinha evaporado. Então onde diabos...? O loiro precisava dele para a segunda parte da aula de química — químico-física experimental. Todavia a roupa se recusava a surgir. Revirou todos os cantos: no guarda roupa, em baixo da cama, no cesto de roupa suja, no banheiro... Achou artifícios que estavam perdidos desde a era paleolítica, mas não encontrou o bendito jaleco. Suspirou. Se não o localizasse, logo se atrasaria.

Seus olhos percorreram o quarto até que pousaram no guarda roupa de Tohe. Guz nunca tinha mexido lá, até porque nunca tivera necessidade. Porém talvez o amigo tivesse misturado suas roupas na hora de guardar.

Abriu o móvel como se fosse um sacrilégio. E talvez até fosse. Guvensiz não gostava que mexessem nas suas coisas e duvidava que Tohe não se importasse. Mas era um mal necessário. Caçou em algumas gavetas e revirou os cabides. Nada. Fechou a porta.

O garoto gostaria de ter dito que saiu do quarto despreocupado, contudo outra coisa lhe chamara a atenção. O uniforme de Tohemmet não estava lá. E ele nunca deixava em outro lugar. Por isso sempre passava no dormitório antes do treino. Guz se sentiu desconfortável novamente. O amigo havia movido o uniforme para evitar se atrasar? Ou para evitar Guz? Até porque isso significava que se veriam com menor frequência.

Desconforto. Desconforto. Desconforto.