Notas iniciais
Olá, people!! Como estão? Espero que todos bem. Apareci com atualização ;DDDD Espero que vocês gostem desse capítulo, pq eu gostei bastante. Uma boa leitura a todos;*

Os bloqueadores de chakra tinham mais poder e relevância do que Sakura previu. Obviamente ela sabia desde o início que qualquer ninjutsu ou genjutsu estaria fora de cogitação. Se ainda fossem apenas as algemas ainda dava para armazenar, mas o maldito remédio sumia com tudo. Mesmo que se concentrasse ao máximo, não conseguia manipular nenhuma gotinha de seu chakra, era quase como se ele não existisse mais. Porém a questão é que ela nunca pensou que seus sentidos aguçados também seriam afetados pela falta de chakra. Deduzia que a técnica surgia pelo árduo treinamento, um avanço natural, algo que se desenvolvia sem a dependência da energia, mas estava enganada.

Não é como se seus sentindo estivessem totalmente fracos agora. Não era isso, com certeza ainda são melhores que os da maioria das pessoas comuns, mas estavam muito aquém do que foram um dia.

Quando aguçados o mínimo farfalha era perceptível a ela e apesar de não ter a capacidade de sentir assinaturas de chakra, o ambiente e suas conversões de energias davam uma pista. Uma força muito grande, uma presença forte sempre gerava uma reação no meio que eclodia com todas as vibrações ao redor e ela podia pressentir, caso estivesse relativamente próximo.

Se ainda estivesse com seu chakra poderia tê-lo sentido.

Ali parado na penumbra, observando-a sem ela nem ao menos conseguir enxerga-lo. Sem dúvida o susto teria sido bem menor, ele nem existiria. Não teria passado pelo pavor que a assolou quando ao se virar em seu canto perceber um reflexo laranja, mesmo que mínimo em um espaço onde deveria ser tudo negro. Um arrepio subiu a espinha de Sakura e ela se empertigou em seu canto, puxando a manta que a cobria para bem junto ao corpo, prendendo-a embaixo do queixo e colando suas costas a parede.

Quando? Como? Há quanto tempo?

Foram as perguntas que rodaram a cabeça dela. A porta fazia barulho o suficiente para desperta-la sempre que era aberta, as vezes acordava com o som das portas das celas ao lado. Como ela não a ouviu? Não fazia o menor sentido. Ele se teletransportou ali para dentro? Há quanto tempo só a observava? E o principal por que?

Por que a observar? Por que ficar ali? Por que desejar que sua presença seja notada ao esmo e não se fazer perceber?

— Olá, Sakura — a voz dele era falsamente tranquila, quase como se estivesse tendo uma conversa casual com uma pessoa qualquer e não sua prisioneira. A respiração de Sakura se agitou, tudo nele gritava “perigo” — Espero que minha presença não tenha perturbado o seu sono. Eu queria conversar, mas quando cheguei você dormia a sono solto e achei que seria rude da minha parte acorda-la então preferi esperar. — Tobi deu um passo a frente, seu dorso foi clareado pela luz que entrava pela claraboia, mas isso era inútil, indiferente. A expressões dele continuavam escondidas pela máscara que usava. — Você dormia de costas para a porta, sabia? — Um formigamento subiu a espinha de Sakura e ela franziu o cenho, o que isso tinha a ver com qualquer coisa...

— E que diferença isso faz? — Queria que sua voz saísse neutra, mas ela podia perceber as variações que nervosismo e apreensão causavam.

— Eu não sei bem, nunca parei para estudar meus prisioneiros, mas sempre dizem que não é bom dar as costas ao inimigo. Faz parecer que você confia em nós — ela ouviu a risada dele e entendeu a insinuação, mas era besteira. Ela não confiava em ninguém ali, não tinha como.

— Não posso controlar como me mexo enquanto durmo, nem em que posição acabo ficando.

— É verdade você não pode. Dormir é algo que nos põem em vulnerabilidade por diversas razões. Deve ser por isso que Sasuke dorme tão pouco — após a fala Tobi virou o rosto, como quem entra em uma divagação muito própria, poderia supor que se estivesse sem máscara o olhar dele estaria vago. Se era real ou não, Sakura não poderia dizer, apenas que se sentia mais apreensiva, ele a deixava desconfortável pois nada nesse homem faz o mínimo sentido. — Sasuke... você o vê muito? Ele costuma vir muito aqui? — Não respondeu, sacudindo de leve os ombros — Não estranharia se viesse, vocês foram companheiros de time. Você estava atrás dele quando foi pega, imagino que seja algo amargo tê-lo como captor. Seria para mim, se estivesse na sua posição... eu já tive um time também... — Tobi voltou a se aproximar, sentando bem na frente dela, se Sakura esticasse o braço poderia toca-lo, mas ela não esticou. — Enfim não estou aqui para divagar sobre o seu passado e sim para concede-la um último desejo.

— Por que? Pretende me matar?

— Talvez. Vai me atacar agora? Vai chorar? Vai resistir? Vai me xingar? — Sakura não mexeu um músculo sequer, o olhar visível parecia brilhar intensamente e ela não conseguia entender o que exatamente ele queria dela. — Ou o seu pedido será por Sasuke? Se for esse o caso, talvez eu te conceda dois pedidos. Eu permito que seja ele a pôr um fim no seu tormento, embora não ache que você vá encontrar o que busca. Minha antiga companheira de time também buscou pelo nosso companheiro no final, esperou gentileza talvez, algo menos pior do que seria dado a ela, mas não foi o encontrou. Ele não foi misericordioso com ela, ninjas nunca são.

— Eu quero escrever uma carta — a garganta dela estava seca, não fazia ideia de onde estava tirando tango sangue frio, pois sua cabeça estava surtando.

— Uma carta? Para quem; posso saber?

— Naruto.

— Claro, claro. Queria poder dizer sim, mas acho que o nosso amigo não está em condições de ler uma carta, uma pena, obviamente — os olhos de Sakura ficaram enormes, ela o fitou espantada, podia sentir as lágrimas se formando, a ardência dando sinal de que não conseguiria segurar por muito tempo.

Não.

Karin tinha dito algo dela não ser mais útil, mas não... eles não poderiam ter conseguido.

Não.

O sorriso de Naruto transpassou sua mente como uma kunai afiada. A ida para aquele maldito lugar, a missão, a prisão.

Após ouvirem as informações da missão com Kakashi cada um foi para um lado, sem conversar sobre o que poderia vir a acontecer, os dois estavam muito abalados para falar qualquer coisa. Após sair do hospital, Sakura encontrou Naruto remexendo o seu lamen no Ichiraku.

— Naruto — ele virou a cabeça minimamente para fita-la, um sorriso meio contido nos lábios — O que houve? — Naruto encolheu os ombros.

— Eu sei o que o Kakashi-sensei disse, nada de esperanças, mas... é o Sasuke — “é o Sasuke” essa frase gritava em cada poro dela. Como se conter, seus olhos deveriam dizer a Naruto o que ele esperava ouvir, porque ele sorriu e naquele mar azul estava o mesmo tipo de sentimento perigoso que ela sentia.

Ele a puxou para um abraço apertado, afundando o rosto no ombro dela.

— Ele vai voltar para casa com a gente e tudo estará como sempre deveria ter sido — sussurrou contra o ombro dela, não era uma afirmação cheia de convicção era quase uma prece. Quando o abraçou de fora, fechou os olhos, ecoando o desejo de Naruto em sua cabeça, desejando que os deuses a ouvissem, que sua oração fosse aceita.

Naruto.

Ela sentiu uma picada em seu braço, estava tão focada no rosto dele que não reparou nas mãos. Tobi a pegou totalmente desprevenida. Sua respiração se agitou, mas não teve pânico em si.

— Você não vai sentir nada, eu prometo — fitou a agulha sumir por baixo do manto da Akatsuki, observou o local em seu braço, estava ficando letárgica. — É engraçado como os planos mudam a todo instante — Tobi voltou a devanear, é engraçado como ele disse ter vindo conversar com ela, mas nunca pareceu se importar com as respostas dela, ou sequer se ela iria responder. Ele só falava e falava. —, nós precisamos estar sempre prontos para nos adaptarmos. Você foi um erro que virou uma adaptação promissora, mas que acabou se mostrando infrutífera e que agora foi readaptada e dessa vez eu posso ver os frutos que irei colher. — A visão dela estava ficando nublada, difusa. Ele entrava e saia de foco, a garganta dela estava ficando seca também — Lembranças são sempre uma perdição para qualquer um. Mesmo para aqueles que, a primeira olhada, parecem inalcançáveis. Eu sei porque conheci alguém há muito tempo que... — a voz dele se perdeu, foi devagar, foi como ele disse, indolor, ela não sentiu nada. O rosto de Sasuke preencheu sua cabeça, mas seu último pensamento coerente foi Naruto antes que a escuridão a tragasse

Karin levou sua bandeja para junto da pilha suja e pegou uma limpa, a contragosto começou a pôr em cima as pequenas porções da comida horrível que era servida naquele lugar. Hoje tinha peixe e algumas verduras frescas, mas prisioneiros não precisavam desse tipo de regalia. Pegou a sopa aguada, um pequeno punhado de arroz e o pão da cesta velha, era mais do que suficiente para aquela ninguém.

— Você já fez isso para Orochimaru, não? Nunca se solidarizou com as cobaias dele na hora de ter que os medicar, então os outros dois poderiam amolecer, você não.

Caminhou altiva e cheia de raiva em direção as celas, era o cumulo ter que fazer esse trabalho. O desgraçado quis fazer parecer que ela estava fazendo algo imprescindível, mas qualquer um poderia alimentar e andar com aquela coisa por aí, não precisava ser ela. Karin apoiou a bandeja em um braço, enfiando a mão no bolso e pegando o molho de chaves ao ver a porta se aproximar.

Nenhum outro prisioneiro tinha uma pessoa especifica a servi-lo como essa praga.

— Que ódio! Que ódio! Que ódio! — Abriu a porta em um solavanco e parou, estupefata, A cela estava vazia, completamente vazia. Como? Onde?

Correu para fora na mesma hora, Sakura era conhecida por viver armando formas de tentar fugir, era só o que faltava a Karin. Porém chegava a ser estranho que nenhuma movimentação parecesse estar acontecendo para corrigir essa situação. Avistou um guarda a fazer a ronda há alguns metros à frente dela, despreocupado.

— Hey, você! Temos um prisioneiro fugitivo, mova-se! — Na mesma hora o guarda se virou alerta para ela. — A menina da cela 124, ela não está lá, avise aos outros, agora mesmo — no entanto o guardar que tinha se agitado com a informação da fuga, relaxou ao ouvir o número da cela. Voltando a postura de outrora.

— Não houve fuga. Fomos informados que a partir de hoje essa cela estaria vazia.

— O que? Como assim? E para onde ela foi levada? — O guarda deu de ombros

— Só fomos informados de que não tinha mais necessidade vigiar tal cela — ele voltou a fazer sua ronda, mas essa resposta não era suficiente para ela. Então Karin foi verificar junto com o encarregado daquela ala para onde Sakura tinha sido movida e porquê dessa alteração abrupta.

No entanto a resposta dele também não foi o que Karin esperava, ele não tinha sido o responsável por essas mudanças e também em sua listagem não tinha nenhuma cela que deveria ser cuidado por ela. As informações vieram de cima e ninguém questionou a Tobi o porquê de ele ter feito tudo isso e o que exatamente ele fez com a prisioneira.

Karin voltou para a sala de refeições quase exultante. Acabou. Poderia cantarolar a sua felicidade e sorrir para todos. Seu tormento tinha acabado e os seus temores também, Sasuke poderia voltar ao normal agora, não corria mais riscos de atrair a desconfiança de Tobi.

A-ca-bou!

— Aqui — estendeu a bandeja para o cozinheiro — essa comida está intocada, pode repassar. — Observou com demasiado entusiasmo a bandeja ser levada para o canto onde o prato dos outros prisioneiros eram separados.

Ela soltou um longo suspiro animado e ao se virar se deparou com um olhar que não tinha notado até então. Sasuke estava sentado há uns bons cinco metros dela e a encarava de sua mesa solitária. Ele tinha visto quando ela entrou trazendo a bandeja que claramente era para Sakura e não entendeu o porquê da devolução.

Karin sentiu uma comichão subir, lembrando das palavras dele na outra noite. Tratou de rechaçar tal lembrança de sua cabeça, isso não tinha mais importância, não tinha mais com o que se preocupar. A garota tinha levado o fim que merecia, nenhum ponto fraco de Sasuke estava mais a vista.

A manhã no esconderijo seguiu como todas as outras, com cada um cumprindo suas devidas funções. Durante o almoço, Karin sentou junto com o time Hebi e após terminar sua refeição, continuou por lá, protelando antes que de ir cumprir suas obrigações, estava com preguiça. Sem dar a menor atenção para a conversa idiota que Suigetsu e Juugo estavam tendo.

— Hey, você não deveria levantar e ir servir a garota, lá? — Karin soltou um suspiro, fechando os olhos. A voz de Suigetsu até parecia mais agradável hoje, bom humor faz milagres mesmo.

— Não, não deveria. Não mais. — cantarolou, sorrindo logo em seguida.

— E o que isso significa? — a voz dura, inflexível e familiar a fez se ajeitar na mesa. Sasuke estava parado bem ao lado dela, com a sua refeição em mãos. — Por que não deve mais servi-la?

— Eu, eu... eu não sei! A cela está vazia e não tem outra encarregada para mim — deu de ombros, tensa — Não explicaram o que aconteceu. — Sasuke não disse uma palavra, largou a comida dele intocada na mesa dos três e rumou para fora da sala de refeições. Karin levantou na mesma hora, indo atrás dele.

— Volte para lá! Coma e esqueça isso! — mas ele não a ouvia, ele não se importava com os conselhos que estava recebendo. Desceu sem se importar com Karin em seu calcanhar, tentando pará-lo a todo custo. Ele só tinha um caminho e uma finalidade. — Sasuke! Isso pode ser um teste, você mesmo disse que...

— Eu não me importo! Só quero entender o que aconteceu. — Karin ficou quieta, continuou a segui-lo.

Mesmo antes de abrir a porta da cela, ele viu pela claraboia o interior vazio. Destrancou a porta e entrou estava igual a qualquer outra, as paredes cinzas, o chão lizo, a palha no canto, as correntes pendendo. Não tinha mais as cobertas que Sakura usava ou qualquer outro sinal de que até ontem aquele lugar abrigava alguém.

— Ah! Vocês estão aqui... — Sasuke se virou para ver Tobi parado fora do lado de fora da cela, Karin estava a porta com os braços cruzados, a feição tensa de nervosismo. — Karin, eu acabei me esquecendo de dizer a você que seus serviços não são mais necessários. — ele deu um toque leve no braço da garota que estremeceu e aquiesceu, fitando de soslaio Sasuke — Está tudo bem, Sasuke? Você parece... hum... tenso?

— O que foi feito com... — não completou a frase, cerrando os punhos, ele respirou fundo. Queria que Tobi estivesse sem a marcara para poder ler suas verdadeiras intenções.

— Ora, ela não me servia mais. O que acha que foi feito? — com uma risada breve ele se afastou pelo corredor — Teremos uma reunião de estratégia logo mais, não se atrasem.

O que você espera? Que eu fique aqui bonitinha sentada enquanto vocês estão maquinando uma forma de pegar o Naruto e me usar para isso? Isso não vai acontecer, eu não vou parar! E se por alguma razão incomodar o seu “mestre” vai levar a minha morte eu prefiro estar morta a ser usada para atrair Naruto.

... vem comigo, vamos juntos voltar a Konoha.

— Sasuke... — Karin o chamou, chegou a ouvir, mas estava longe dali.

Deu um passo para trás. Ele poderia ter evitado tudo isso, tê-la ajudado como foi pedido, não custaria nada. Poderia até mesmo ter feito tudo isso sem ser notado. Por que não a tirou quando Karin disse que tinha conversado com Tobi?

— Vamos sair daqui, por favor... — saiu da cela no automático. O ranger da porta vibrou no corredor, passou a chave pelo trinco, mesmo sem ter necessidade.

O plano de Sakura não era patético, não era absurdo ele quem era. Patético...

... vem comigo, vamos juntos voltar a Konoha.

Uma outra lembrança antiga e desbotada despontou, uma lembrança que ele tinha certeza já estar enterrada há muito tempo:

...então me leva com você, eu vou com você!

Ele estava outra vez na ponta do precipício.

Página: Fleur D'Hiver

Notas finais
E ai, o que vocês acham? Sakura está bem, Tobi tá só brincando com os feels do Sasuke? E o própio Sasuke como vai lidar com essa noticia bombástica? Espero que vocês tenham gostado e não deixem de me dizer o que acharam;*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.