Cascão gostava de gibis.

Havia alguma coisa mágica naquelas páginas. As lutas cósmicas, a comédia, a ação, o suspense, até mesmo o romance o fascinava, e ele perdia horas lendo-os, incessantemente. Seu preferido, entretanto, era o Cosmo Guerreiro; colecionava gibis, figuras de ação — e não os chame debonequinhos -, postêres e tudo mais que possa haver. Ele era, simplesmente, seu super herói preferido.

E Cascão pensou em como seria sua vida se fosse um gibi. Se vivesse as aventuras do Cosmo Guerreiro, se pudesse ao menos brincar disso, mas a época de brincadeiras já passou. Porém, Cascão se deixou fantasiar um instante: imaginou-se metido nas roupas do Cosmo Guerreiro, imaginou-se viajando pela galáxia atrás de malfeitores, imaginou-se dizendo as palavras de ajuda e apóio do próprio Cosmo Guerreiro ("Eu tenho a lógica!", e riu ao dizer isso) e imaginou-se salvando a donzela indefesa.

Era de se esperar que, ao pensar em donzela indefesa, viesse Cascuda à sua mente. A garota havia suportado seus vícios desde a infância e fora sua primeira namorada — sendo a única até então. Porém, a imagem que vinha à sua mente era um tanto diferente: olhos escuros brilhantes, cabelos longos e negros, um sorriso amoroso e palavras compreensivas. Sorriu ao imaginar Magali clamando por sua ajuda enquanto ele lutava contra monstros imaginários para salvá-la, e as formas de agradecê-lo; uma melhor que a outra.

Por incrível que pareça, Cascão gostou da ideia de Magali ser a sua donzela indefesa

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