Donzela Guerreira

24 O trebuchet inglês e as flechas escocesas


Notas iniciais
Olha quem voltou depois de quase meia década. Eu sinto muito! Mas antes que comecem as torturas, foi tudo culpa do meu note que precisou passar mais de uma semana na assistência. Triste, eu sei. Ele voltou ontem e adiantei para postá-lo hoje, pretendo adiantar os restantes para postar com frequência. O capítulo, como prometido, é a volta do nosso casal Jily e a chegada do nosso casal BlacKinnon em meio a tormenta dos ingleses. Espero que gostem, boa leitura! Ah! Já ia me esquecendo, capítulo dedicado aos leitores fantásticos que acompanham a minha fic assim como os perfeitos que comentam e favoritam, não consigo encontrar palavras para agradecer aos que recomendaram, apenas, muito obrigada, em especial a você Tori Black que aumentou o número de favoritos. Ps¹ No gif Aaron Johnson e Karen Gillan como James Potter e Lily Evans, que saudade deles!

Capítulo 24

O trebuchet inglês e as flechas escocesas

Os dias passavam em relativa harmonia agora, com isolados desacordos entre eles. James permanecia firme no relativo à defesa do castelo, havia provas litográficas de que uns lordes ingleses se uniram às forças, formando um considerável exército que agora estava atacando castelos ao longo da fronteira. Então o Potter estabeleceu grupos de homens que preparavam flechas dia e noite, e a forja na ferraria jamais deixava de trabalhar.

Mas lhe tinha cedido voluntariamente a Lily a administração de justiça no castelo.

Tão pacíficos como eram os dias, as noites estavam cheias de conflitos. Brigavam por quem ocuparia a posição de cima na cama, não concordavam se deviam fazer o amor antes ou depois do jantar, e não ficavam de acordo sobre qual era o lugar eleito para dar o beijo de cada dia, uma discórdia que James tolerava agradado. E depois de várias noites, foi se convencendo de que era o cavalheiro mais afortunado do mundo. Quantos homens podiam dizer que se deitavam com seu companheiro de treinamento favorito e que “este” também era sua esposa?

Do alto da almenada sobre a muralha, Lily ajustou sua capa, envolvendo-se ainda mais contra a tarde nebulosa e alegremente estudou a comoção no jardim abaixo. As melhoras edificais de James à medida que passavam os dias eram mais imprevisíveis.

Enquanto homens e meninos cooperavam com as tarefas de construção, Lily e Dorcas se ocupavam do funcionamento diário do castelo e se asseguravam de que sempre houvesse comida e cerveja para os trabalhadores.

Ela sorriu. Ainda Marlene estaria impressionada.

Deu a volta para olhar para o bosque, ao ponto longínquo onde ela sabia que estava a cabana abandonada, o lugar onde ela suspeitava estar Marlene e seu refém Sirius.

Estava surpresa de que não houvessem retornado ainda. Certamente com o voraz apetite de Marlene, já deveriam estar ficando sem comida. Mas Lily não estava preocupada. Marlene era uma mulher capaz e auto suficiente. Estava suficientemente segura nessa cabana, e, de acordo com James, suficiente segura em companhia de seu homem de confiança.

Mas além dos bosques, sobre as distantes colinas, numerosas nuvens se elevavam. Ela grunhiu, esperando que as chuvas esperassem até que o teto do novo curral para as pombas estivesse terminado. Voltou-se para observar ao jardim, como esperava, era só uma questão de tempo antes que James cruzasse a grama em meio de suas atividades.

O Potter caminhava com segurança, levando um pacote sob um braço, saudou o Peter enquanto passava, detendo-se em falar com o construtor. Lily suspirou, perguntando-se se seu coração alguma vez se aquietaria ante a imagem de James.

Seu matrimônio tinha sido transformado nos últimos dias.

Ela se dava conta disso agora, o laço entre marido e esposa podia ser potente. Não era só a intimidade física que ela e James compartilhavam, mas a união que criava uma força de espírito que excedia o poder individual de cada um. Assim como no campo de batalha, dois guerreiros podiam vencer mais inimigos quando brigavam juntos. Sua união tinha criado algo mais também, ao menos de acordo às profecias de Sung Li. A mulher podia ser extremamente crítica às vezes, mas suas predições raras vezes estavam erradas, e essa manhã tinha informado a Lily que o novo herdeiro de Hogwarts tinha chegado.

Lily apoiou sua palma em seu ventre, maravilhando-se ante essa possibilidade.

James captou a imagem dela e se deteve em seco, por um momento só esteve parado olhando-a fixamente. Deus! Seu olhar, ainda a essa distância, esquentava-a até os ossos. Era difícil imaginar-se tendo uma conversação racional com ele tão cedo. Mas ela sabia que devia. Girou para as escadas, e se preparou para baixar e encontrá-lo, não para falar do bebê, já que era muito cedo para lhe criar expectativas, a não ser para discutir que fariam a respeito de seu pai.

Tristemente no meio do caos da construção, a demolição e modificação das paredes e as muralhas exteriores, a mente do lorde de Hogwarts progressivamente se debilitou. Agora não só chorava por sua esposa, mas também pelo mundo morrendo antes seus olhos. Hogwarts, sua fortaleza sólida, já não lhe era familiar. E para um homem que se perdia constantemente, essas mudanças eram diretamente incapacitantes para ele.

Lily não podia pedir a James que detivesse as melhorias. Eram essenciais. Mas havia uma coisa que se podia fazer, algo que as três irmãs haviam posposto sempre e quando puderam. E isso era remover o Lorde de sua posição de poder. Isso não deveria trocar as coisas visivelmente. O lorde, de fato, exercia pouco poder atualmente. Mas uma vez que o poder fosse oficialmente transferido, uma vez que a designação de James o convertesse em lorde, isso seria irreversível.

E se o Lorde, em um momento de lucidez mental, percebesse transferência de poder como uma deslealdade? Lily tremeu. Tanto como lhe doía, não podia arriscar a segurança de Hogwarts pelos sentimentos de seu pai.

Tinha intenção de confrontar James de uma vez. Mas quando viu a expressão em seus olhos, soube que estava planejando uma travessura. Ele cantarolou uma canção e ela decidiu que possivelmente o assunto de seu pai podia esperar um dia mais.

— Tenho algo para você — provocou.

Ela sorriu.

— É o mesmo que vislumbrei essa manhã debaixo dos lençóis?

— Moça insaciável, só pensa nisso?

Ela teria continuado com esse pícaro intercâmbio de palavras, mas notou o pacote que ele carregava. Estava envolto em um tecido de veludo muito caro.

— Ah, isso que tem aí? — Lily tratou de arrebatar o vulto, James correu para impedi-la.

— Cuidado!

— Isso é para mim?

O Potter arqueou uma sobrancelha.

— Talvez.

— O que é?

— Que ambiciosa é — provocou — No dia de seu aniversário.

Assombrada, ela pestanejou.

— O que quer dizer com “o dia de seu aniversário” — ela perguntou indo atrás dele. Lily franziu o cenho, era o dia de seu aniversário? James se parou subitamente no alto da escada, e ela quase se chocou com ele. Então se deu volta.

— Não sabe?

— Você sabe a data?

— Sung Li me disse, é verdade? Duas semanas depois da Véspera de natal?

— Eu... acredito que sim — não emprestava muita atenção às datas.

Saíram para o caminho da muralha, James pôs um joelho no chão ante ela.

— Então sim, minha lady, é seu presente de aniversário — ele sorriu, lhe oferecendo o pacote envolto em veludo.

Lily não sabia que dizer, não havia recibo um presente de aniversário em anos. Seu pai não podia recordar seu nome e muito menos a data de seu aniversário. E suas irmãs, com o típico pragmatismo escocês compravam só o que era essencial.

Seus dedos tremiam enquanto tocava o tecido suave.

— Abre-o — ele brandamente a apurou.

Cuidadosamente abriu as bordas do tecido contendo a respiração ante o que viu. Aninhada no tecido escuro havia uma brilhante espada de aço. Lily rapidamente descobriu o resto. Era uma espada, uma magnífica espada e gravados no punho estavam as figuras da Fênix dos Cavaleiros da Ordem e o Leão de Hogwarts, inseparavelmente entrelaçados. Ela passou o polegar no punho, sobre a inscrição: amor vincit omnia. O Amor Conquista Tudo.

— Você gosta? — ele perguntou, sabendo muito bem que era sim.

Um nó na garganta dela fez que suas palavras se afogassem.

— É o mais... a mais bela coisa que vi.

— Prova-a.

Ela tomou o punho em suas mãos e a levantou, estudando o comprimento da espada, era perfeita, nunca havia sustentado algo tão perfeito. A agitou no ar e assobiou docemente.

— Oh!

James sorriu.

— Oh?

Ela a moveu para a esquerda e a direita e logo deu uma investida para frente. A espada quase não pesava, era como a extensão de sua própria mão, esse tipo de espada aumentaria sua própria velocidade e agilidade de modo que ela quase poderia voar para seus oponentes.

— Por Deus!

— Não, só aço de Toledo.

— Isto é — ela começou, faltavam-lhe palavras — Surpreendente.

James sorriu novamente.

— Oh, sim.

— O equilíbrio, o punho... Tudo!

— Perfeito?

Ela assentiu.

— Farei que meu armeiro fabrique mais para todos os cavalheiros de Hogwarts.

Ela girou e seu olhar encontrou a ele.

— Brincas?

— Já tem meia dúzia feitas.

Uma alegria inexpressável recorreu seu corpo e sua mente e com toda a calma que pôde, colocou a valiosa espada sobre o pacote de veludo. Então foi diretamente para James, e o abraçou com força.

— Obrigada — sussurrou.

James retribuiu o abraço, surpreso.

— Um prazer.

Mas enquanto ele sustentava entre seus braços, ela notou uma mudança sutil em seu abraço, como se ficasse rígido. Sem olhar, sentiu que sua atenção já não estava focalizada nela, a não ser no longínquo horizonte.

— O que acontece?

— Por todos os demônios! Chegou o momento.

Foi como o momento em que chegou o mensageiro de Marlene, a chegada de um personagem que trouxe um novo drama para distraí-los do velho drama. Mas desta vez, Lily descobriu que não era uma artimanha de sua irmã. Havia urgência nos olhos de Marlene.

Enquanto a loira falava com James era evidente, havia problemas a caminho. Ela e Sirius tinham visto uma grande companhia de cavalheiros ingleses, partindo para Hogwarts. Sequestradora e refém aparentemente tinha alcançado algum tipo de trégua, já que tinham cruzado a colina juntos, Marlene ajudando a sustentar a Sirius, quem tinha sido vítima de certa ferida misteriosa, embora ele insistia que era só um raspão. Lily se perguntou qual seria a verdade, mas não havia tempo para um interrogatório.

— Bones! — Lily gritou — Dá o alarme, reúne aos granjeiros. Fenwick junte o gado.

— Caradoc! — James lhe lançou a chave da armería — Reúne aos homens na armería, Diggory! Te assegure que os cavalos estejam nos estábulos.

Para não ser menos, Sirius gritou.

— Marlene! Procure Dorcas e busque refugio com as outras mulheres dentro da fortaleza.

Mas para sua surpresa, a ordem foi recebida com um silêncio mortal. O olhar letal de Marlene o perfurou.

— Não me dê ordens, fanfarrão de...

— Basta, moça! — ele disse — Não é momento para jogos.

Ela sacudiu sua cabeça.

— Não aprendeste nada? Quem tomou como refém a ponta de faca? Quem te defendeu dos bandidos? Quem salvou seu traseiro inútil?

— Parem vocês dois! — James levantou suas mãos — Não temos tempo para isto. Marlene, pode preparar aos arqueiros?

— É obvio — ela respondeu com desdém para Sirius, então adicionou entre dentes — Se os encontro em meio desta confusão que têm feito em minha fortaleza.

— Então faça-o.

Sirius pôs uma palma sobre o peito de James.

— Espera! Não pode permitir que ela esteja sobre a muralha. Ela é... é... uma mulher.

James sorriu maliciosamente para seu amigo, lhe aplaudindo o ombro.

— Ela é perfeitamente capaz, confia nela.

— Está louco? — Sirius grunhiu, perplexo — Não pode lhe permitir...

Mas Marlene já tinha baixado a escada. James apertou o ombro de Sirius.

— Estará bem, foi capaz de sequestrar por acaso só ao Sirius Black.

Sem sua alegria habitual, Sirius o olhou e assentiu. Ele observou o lugar por onde Marlene tinha desaparecido. Se Lily não estava equivocada poderia assegurar que esse pobre homem estaria apaixonado por sua sequestradora.

— Pode caminhar para encontrar a meu pai? — ela lhe perguntou.

Sirius, agradecido por ser útil, cumpriu o pedido dirigindo-se para a escada. Enquanto isso, Dorcas guiava as mulheres e os meninos com calma e eficiência, levando-os a um lugar seguro dentro da fortaleza. Quando todos estiveram acomodados, ela se refugiou aí também.

Bones levou os últimos animais dentro do jardim. No meio do caos, ninguém notou uma pequena figura deslizando-se fora dos portões. Fenwick os fechou e baixou as grades, isolando Hogwarts do mundo exterior. Só então Lily deu um suspiro de alívio.

— Bem, minha lady — James lhe disse depois dos cavalheiros estarem reunidos e armados — Parece-lhes que vejamos a quem nos enfrentamos?

Aventuraram-se para cima da muralha externa. Lily esteve agradada de ver que os arqueiros da Marlene estavam em lugar, seus arcos preparados. Um dos guarda gritou.

— Aí estão!

Sobre o alto da colina podiam ser visto uma série de insígnias de um exército estrangeiro. Foi suficiente para acender o medo no coração de Lily. Ela tragou em seco.

— São muitos.

— Sim — James disse, seus lábios curvando-se em um sorriso — Mas são Ingleses.

Ingleses ou não, Lily contou pelo menos quatro dúzias de cavalheiros a cavalo e um número a pé. Essa tinha que ser a aliança dos lordes ingleses que tinha estado aterrorizando a zona de fronteiras.

— Ninguém briga contra os cavalheiros da Ordem voluntariamente — James a tranquilizou — Uma vez que saibam com quem terão que lutar estabelecerão um sítio antes de combater corpo a corpo.

Lily esperava que James tivesse razão, ele parecia acreditar firmemente na reputação de seus cavalheiros. Estudou aos soldados aproximando-se.

— Acredito que seria útil lhes fazer acreditar que nós somos mais em número.

Lily pensou por um momento. Então uma inspiração lhe chegou.

— Usaremos a todos. Granjeiros, gente da cavalariças, da cozinha e as servas. Lhes diga que se tapem as caras. À distância, ninguém pode diferenciar a um cavalheiro de um servente, a um homem de uma mulher.

James a olhou atônito. Então sua face mostrou um sorriso orgulhoso.

— Brilhante.

Mas enquanto lhe devolvia o sorriso, um arqueiro de Hogwarts gritou.

— Que diabos... !

A cabeça de James girou para o aflito arqueiro, e seguiu o olhar do homem para o exército invasor.

— Maldição.

Lily olhou no horizonte cinza carregado de nuvens escuras, a silhueta sinistra contra o céu, uma enorme estrutura de madeira, empurrada por um par de bois. Parecia uma torre gigante ou o mastro de um navio.

— O que acontece?

A voz de James se fez neutra.

— Têm um trebuchet.

Ela pestanejou e estreitou seus olhos.

— O que é um trebuchet?

James estava muito distraído para responder. Ele começou a disparar ordens.

— Arqueiros! Se fizerem funcionar essa máquina, disparem fogo. Não deixem usá-la.

Ele passou pelo lado dela, e Lily teve que correr para alcançá-lo enquanto baixava as escadas a passos aumentados.

— Têm mais arcos? — lhe perguntou enquanto se apressava através do grande salão.

— Arcos Cruzados.

— Necessitaremo-los, todos os que haja. O que tem que para fazer um fogo Grego?

Ela franziu o cenho. Nunca tinha ouvido falar do fogo Grego.

— Não há sulfureto — ele murmurou — Tecidos que possamos umedecer com azeite?

— Sim.

— Usaremos isso, e busca vela, muitas velas.

Ela queria lhe fazer perguntas, mas... Maldição! Sentia a urgência de James, e confiava em seu julgamento. Enquanto se dirigia para procurar trapos e velas, ouviu-o ordenar aos cavalheiros da muralha do oeste, que cada mão livre estivesse armada com um arco. E vez ou outra, entre os homens da Ordem, ela ouviu sussurrar a palavra “trebuchet.”

Enquanto James ia atrás dos arqueiros, lançou um olhar ao céu. Tormenta. As nuvens cobriam o céu agora. Apoiou sua mão no punho de sua espada enquanto observava ao inimigo acampar. Não havia nada mais excitante que um inimigo com uma espada em sua mão.

Sim, ele reconheceu os méritos das outras armas: a tocha, a adaga, o facão, os arcos. Mas todos careciam do espírito de uma espada de aço de Toledo. Para um guerreiro como James, o trebuchet era uma abominação, uma máquina de guerra que se apoiava na força bruta mais que na sutileza da esgrima. Era uma máquina para covardes e bárbaros demasido estúpidos para empregar a arte da estratégia. Usar esse tipo de máquinas era deplorável, e nada cavalheiresco.

Então quando os olhos de James se fixaram nessa monstruosidade rodando colina abaixo, uma silenciosa fúria começou a ferver dentro dele. O fato de que os ingleses recorressem a usar esse tipo de arma, uma besta de destruição que devorava tudo em seu caminho, significava que não tinham intenção de estabelecer um bloqueio à fortaleza, não haveria negociações, nem compromissos mútuos, e possivelmente não haveria prisioneiros. Provavelmente tinham a intenção de fazer um trabalho rápido com a fortaleza, e reclamá-la como própria antes que o sol findasse e antes que qualquer ajuda pudesse chegar.

Mas o que mais exasperava James, e além disso o fazia sentir culpado, era o fato que por causa da construção da muralha interna, a grama que rodeava Hogwarts estava coberta com grandes pedaços de rochas, que seriam perfeitos mísseis para ser disparado pelo trebuchet.

Os escoceses aparentemente nunca tinham visto esse tipo de máquina. Com alguma sorte, James pensou apertando o punho de sua agora espada inútil, nunca a veriam em ação. Mas deveriam prover os trapos molhados em azeite aos arqueiros rapidamente para que pudessem prender fogo a essa máquina e desse modo poder desabilitá-la para o combate.

Lily emergiu na muralha, seus braços carregados com velas, meia dúzia de moços a seguiam com trapos e azeite. James agradeceu a Deus que ela não fosse uma dessas moças choronas que poderia distraí-lo da tarefa que devia enfrentar. Na verdade, era uma companheira e uma colaboradora excelente. Sua cara mostrava preocupação, mas o escuro fogo em seus olhos lhe disse que ela era tão temerária e determinada como qualquer de seus cavalheiros. O orgulho lhe encheu o peito quando a olhou, orgulho e veneração... e... sim... amor.

Amava a sua obcecada esposa escocesa.

Desejou que houvesse tempo para dizer-lhe quando tudo isto terminasse, James silenciosamente jurou a si mesmo, esgotaria seus ouvidos com palavras de amor. Mas por agora, tinham um castelo que defender, seu castelo.

Lily estudou a torre de madeira, tratando de adivinhar como funcionaria.

— É como uma catapulta.”

— Sim, só que muito mais poderosa — ele disse — Um trebuchet pode perfurar a muralha de um castelo sozinho.

Lily empalideceu. James se arrependeu de haver dito essas palavras. Ela podia ser uma administradora capaz e uma guerreira valente, mas ela nunca tinha enfrentado a uma ameaça tão absoluta a sua própria fortaleza. A tomou pelo ombros e a olhou aos olhos.

— Me escute, Lily — então James fez um juramento, um que rogou a Deus que pudesse cumprir — Não deixarei cair Hogwarts.

Por um momento, uma dúvida morou em seus olhos. Mas ela assentiu, desejosa de acreditar nele.

— Será melhor que não — lhe advertiu, seu olhar duro, lhe recordando que debaixo de sua suave carne havia ossos de rígido aço, então seus olhos brilharam misteriosamente — Se não deixaremos ao bebê uma pilha de escombros.

James pestanejou, enquanto se olhavam um ao outro, as palavras dela foram compreendidas e ele franziu o cenho confuso.

— Quis dizer nosso bebê? — Estava ela? Não, não podia ser. Era muito cedo. Entretanto, a possibilidade existia e isso lhe causou uma secreta excitação que deixou um estranho torvelinho em seu coração. Seria uma questão que falariam mais tarde, porque ela já havia deixando seu abraço para fazer algo mais útil, distribuir velas aos arqueiros.

Ele também tinha outros assuntos que atender se queria cumprir sua promessa.

— Empapem os trapos com o azeite e fixem-nos nas pontas — instruiu aos cavalheiros — Os acendam e assegurem-se que estejam ardendo antes de os lançar.

Marlene apareceu perto de sua cabeça.

— Pus sentinelas ao redor do perímetro, em caso que eles tratem de minar as muralhas.

James assentiu sua aprovação. A irmã de Lily podia ser impulsiva, mas era admiravelmente eficiente e capaz. Apesar de ser tão premente a situação, apesar do pouco preparada que estava a gente de Hogwarts para a guerra, James começou a acreditar que podiam ter uma chance de vencer aos ingleses, se conseguissem desabilitar o trebuchet.

Então a primeiro gota de chuva caiu sobre sua bochecha.

— Jesus — ele disse entre dentes.

Qualquer outro dia a chuva seria bem-vinda, porque o mau clima era o calcanhar de Aquiles dos sitiadores. Mas hoje, a chuva poderia apagar as flechas com fogo de Hogwarts.

Lily e Sir Dearborn vieram para seu lado, olhando a chuva.

— Merda — Lily murmurou — Temos que disparar agora.

Caradoc sacudiu a cabeça.

— A máquina ainda está muito longe, fora de nosso alcance.

James esfregou o queixo, sopesando enquanto a chuva começava a descarregar-se.

— Não podemos nos dar o luxo de esperar, se não a desabilitarmos logo...

Lily forçou sua vista para as nuvens no horizonte.

— Quanto tempo lhes leva preparar a máquina? — Caradoc seguiu seu olhar.

— Não muito tempo.

— Merda.

— Vejamos que podem fazer os arqueiros — James decidiu.

Tinha razão. O trebuchet estava fora do alcance das flechas, ainda para os melhores arqueiros da Ordem. As flechas de fogo cruzaram o céu prateado, só para cair no terreno úmido, várias jardas diante da linha de frente do exército inimigo.

Os ingleses pareciam imunes à chuva. Continuaram seu trabalho, empurrando o trebuchet para frente, protegendo-o com uma série de escudos que formavam o que parecia uma armadura gigante. Embora entrarem dentro do alcance dos arqueiros, nenhuma flecha pôde penetrar o amparo de aço. Ainda as flechas que fortuitamente foram dar à parte alta do trebuchet logo se apagaram devido à chuva.

Olhando ao cruel céu, James começou a perguntar-se se Deus seria Inglês.

Em uma cela subterrânea da fortaleza, Dorcas fez calar aos meninos e a suas mães, sempre vigilante aos sons de batalha. Sempre e quando as muralhas externas resistissem, ela sabia, estariam seguros. E se Sung Li tivesse conseguido sair pelo portão de entrada, a ajuda chegaria nesse dia.

Enquanto isso, faria o que Sung Li lhe tinha aconselhado e estava atenta aos sons de invasão, porque se o assédio se convertesse em um ataque de grande escala, se a segurança de Hogwarts fosse quebrada, ela seria forçada a revelar um dos mais guardados segredos do castelo.

Se isso falhasse, Dorcas tinha outra opção, ela olhou à pequena coleção de armas que tinha posto em um rincão da cela. Se precisasse entrar em combate, não duvidaria de as usar. Teria que dar um montão de explicações mais tarde, mas ao menos viveria para fazê-lo.

No alto da muralha agora com sua armadura, Marlene passou ao lado dos arqueiros que tinha estacionado ao longo da muralha. Até o momento, ela pensou, os ingleses estavam focalizados no lado oeste do castelo, mas isso podia trocar em qualquer momento. Era essencial que os arqueiros estivessem atentos a pequenas bandas de soldados que poderiam atacar por essa zona. Ela sorriu com satisfação quando olhou à fila de sentinelas atentos. Ao menos estes homens não contradiziam cada uma de suas ordens, como o Normando cabeça dura que ela tinha tomado cativo nos últimos dias.

Mordeu-se o lábio, imaginando-se o que teria sido de Sirius. Esperava, depois de tudo, que não fizesse nada estúpido expondo-se a si mesmo a ser morto. Ele era muito audaz, acreditava que podia ordenar a ela que ficasse na fortaleza junto com as outras mulheres. Não tinha aprendido nada sobre ela nesses dias? Não se tinha dado conta que ela não era como as outras moças, a não ser uma Donzela Guerreira de Hogwarts? Não podia aceitar que ela valia tanto como qualquer guerreiro homem? Sirius Black tinha muito que aprender sobre Marlene. Desejou que ele vivesse o suficiente para inteirar-se quem era ela.

Sirius fez uma careta quando uma dor aguda tomou a coxa, o suor empapava suas sobrancelhas enquanto ascendia os degraus da muralha externa de torre oeste, apoiando-se pesadamente contra as pedras. Ainda não tinha encontrado ao pai de Marlene, mas a esse passo de tartaruga ao que estava forçado, o velho possivelmente se afastava dele a cada segundo. Sirius não era o homem para essa tarefa, não com sua perna nesse estado. Mas nesse momento ele estava agradecido por essa distração, porque em tudo o que podia pensar era em Marlene e sua obcecada insistência de participar da batalha.

Deus! Ela era uma moça para tomar armas. Uma vez que colocava um objetivo não havia perigo, raciocínio e nem sequer um Deus, que a desviasse dele. Assim tinha sido quando o sequestrou. Não importava quanto ele tivesse tentado raciocinar com ela, quanto lhe tivesse assegurado que sua irmã não sofreria em mãos de James, nem quão duro seria o castigo por esse sequestro, ela insistia em seu plano de pedir um resgate por ele. Ainda quando Sirius lhe assegurou que seria perdoada se eles voltavam para castelo, ela não o escutava. Mas, devia reconhecê-lo, sua tenacidade lhe tinha salvado a vida. Ela tinha sido muito valente ao enfrentar o perigo. Na verdade, ele teria morrido sangrando se não tivesse sido pela férrea determinação dela de mantê-lo como refém.

Mas, isto? Isto era diferente. Havia um exército inteiro fora, e não importa quão invencível ela se acreditasse, sua carne era tão mortal como a do resto dos homens. Mortal e vulnerável e... tão suave como a seda fina.

Enrugou a sobrancelha, amaldiçoando as lembranças luxuriosas que o espreitavam a cada segundo. Não amava à moça, disse a si mesmo, sem importar o que tinha acontecido a noite anterior. Ela era divertida, sim, e atrativa. Desejável. E fascinante. Mas ela era problemática. Além disso, se ela continuasse vivendo tão perigosamente, sem cuidado por sua própria segurança, não sobreviveria ao assédio dos ingleses. Cambaleou-se contra a parede, outra onda de dor o atacou. Esta, entretanto, não lhe perfurou a perna, a não ser o coração.

Diretamente por cima de Sirius, no alto da muralha externa do castelo, o Lorde de Hogwarts escutava a sua amada Edwina. Ela o estava chamando, lhe pedindo ajuda. Um soluço afogou a garganta do velho, e lágrimas rodaram por suas bochechas, porque não importava por onde a buscasse, ele não podia encontrá-la.

— Edwina, meu amor — ele chamou, sua voz desesperada.

Havia amado primeiro Madalene McKinnon, uma nobre como ele, dona dos cabelos mais belos de toda Hogwarts, brilhantes como o sol, bela como a lua. Mas a saúde da donzela o fez viúvo quando ganhou sua primeira filha, Marlene, tão bela quanto a mãe. Ele jurou que nunca amaria alguém como sua eterna Madalene, e como se os deuses o contrariasse, Edwina entrou em seu caminho, uma camponesa tão bela quanto os lírios do campo, os cabelos ruivos como o pôr do sol, macios e suaves como ela. Os deuses também não o queriam deixar amá-la, uma vez que ao final da gravidez o deixou com sua segunda filha, Lily, uma cópia perfeita da mãe, com exceção dos olhos, estes eram seus. Sua terceira esposa ainda era uma moça, talvez dez anos mais nova que ele, doce e gentil, filha de um nobre inglês, mas bastarda. Não se surpreendeu quando a dona de belos cabelos negros também o deixou, seja qual fosse a maldição que o amaldiçoaram, não desejou mais casar, teria Dorcas sua última filha.

Entre todas, Edwina era a única que se fazia presente. Na beleza de sua filha Lily, no campo de lírios próximo ao castelo, no perfume de seu aposento, nas canções, Edwina ainda estava presente, viva nele. O som cortando a chuva pareceu envolvê-lo, vindo de todos lados. Girou lentamente uma e outra vez, mas só via pedras cinzas.

Sentiu-se desamparado, tão desamparado. Atirou-se o cabelo frustrado, esforçando-se por ouvir, mas agora só parecia a chuva murmurando sobre o parapeito de pedra.

Apareceu pelo parapeito, um exército se reuniu. Não eram soldados de Hogwarts, nem eram os cavalheiros do normando. Olhou à estranha companhia com certa indiferença, como se observasse as preparações para a festa de Natal. Tinham uma coisa enorme de madeira, observou, parecia um brinquedo gigante. Então viu que vários homens elevavam um grande pedaço de rocha sobre a plataforma que sustentava ao gigante.

Como levadas pela mão de Thor, uma chuva de flechas de fogo subitamente descenderam dos céus. Mas as chamas instantaneamente se apagaram, afogadas por um toró.

Então, o gigante de madeira se estremeceu com tanta violência e velocidade que ele mal vislumbrou brevemente o míssil catapultado para ele. A rocha bateu na torre, impactando com força, então uma ominosa rachadura, abriu as pedras debaixo dele, deixando o de joelhos.

As rochas ao redor dele rugiram e se precipitaram. Ante seus olhos, a metade da torre oeste se derrubou. Um vento úmido subitamente lhe voou o cabelo branco e golpeou em sua cara, enquanto seus olhos verdes se esforçavam por abrir-se lutando contra um brilho intenso que vinha do céu. Deveu ter aborrecido aos deuses, ele decidiu. A devastação ao seu redor era certamente obra do martelo de Thor.

Notas finais
Eu sei, eu sei, ele esta com vários POV's no final, mas como a batalha será narrada toda por Jily, decidi colocar pelo menos os pensamentos da Dorcas, assim como da Marlene e do Sirius. O Lorde também precisava de um momento dele, já que será de suma importância esse ataque do trebuchet. Lily esta grávida! Só eu amei o presente que ele deu a ela? Quase perdoei o James por ter quebrado a outra espada. Bem, como disse, vou adiantar os capítulos para postá-los com frequência. Por favor, comentem, favoritem, recomendem, acho tão estranho o fato dos comentários diminuírem, assim como os favoritos e não ter sinal de uma recomendação a tempos. A fic não esta mais excedendo as expectativas de vocês? Até!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.