Don't let me down
4 Capítulo 4: Posers de bueiro
Notas iniciais
Capítulo 2: Posers de bueiro.
POV Melissa
Algumas coisas simplesmente não saem da maneira que você espera.
Comecei a ter esse conclusão quando fui sentar-me na poltrona que eu comprei.
A sala de cinema estava bem escura, e o filme ainda não tinha começado. Meu estômago se contorcia de nervosismo, o que era totalmente compreensível já que estava esperando pelo lançamento do filme há 1 ano, 8 semanas, 6 dias e 18 horas e meia.
Depois de ler o livro, descobrir que ele iria virar o filme, e passar tanto tempo esperando pela estreia, nada poderia estragar esse dia.
Nada a não ser fatores que me levaram a acreditar que eu sou a droga de uma azarada.
Então lá está eu, quietinha na minha poltrona de estofado de couro, com visão perfeita para a tela, quando escuto uma voz saida da desgraça falar perto de mim.
Fator 1:
–Com licença minha jovem, mas eu acho que você sentou na poltrona errada.
–Então você deve estar drog-
Quando olho para cima, levo um susto. Saindo das profundez do inferno e da miséria, olho para a idosa tarada da fila, que ao perceber que era eu com quem ela falava, desfez sua expressão de meiguice e “calma netino, pegue mais um biscoito”.
–Ah, é você- sua voz soou fria e tediosa.
Aquela velhinha é do mal.
Porém eu sou pior.
–Porque, surpresa? A macumba para encontrar um marido não funcionou?
Lily olhou para mim com olhos arregalados, mas, fala sério, eu não disse nada demais.
–Não tanto. Acho que o efeito veio contrário. Pedi um marido e dou de cara com um dodó em extinção.
Ela ta me chamando de feia?
–Não sabia que estava concorrendo ao cargo de patati e patatá. E ao invés de alegrar as crianças vai as assustar.
Lily não conteve a risada.
–Olha sua menina mal educada, eu não estou aqui para ter que te aguentar, mas você está sentada no meu lugar.
–Eu não estou sentada no seu lugar- eu disse impaciente com aquela acusação. Fala sério, eu passei não sei quantas horas na fila, e depois tanto tempo no computador do atendente escolhendo a poltrona perfeita, aí essa senhorinha vem e me difama?
–Escuta aqui- comecei a falar me levantando, mas fui interrompida por Lily, que se levantou e entregou para a senhora nossos comprovantes do ingresso. Ela me lançou aquela olhar de “você está louca? Quer o rivotril?” e apontou com o dedo a região do ingresso que dizia o número da fileira em que estávamos.
–Desculpas- ela balbucionou levemente, se dirigindo para a poltrona ao lado de Lily, depois de conferir seu ingresso.
Ahh, tudo termina bem quando acaba bem.
É, eu estava de novo errada.
Estava lá, esperando os trailers começaram quando algo inusitado aconteceu. Uma luz, vinda das profundezas do incômodo, brilhou tão forte em meus olhos, que cheguei a me perguntar se já chegara a minha hora. Olhei para o lado, de onde a luz vinha e surpresa, a idosa estava mexendo no celular, e a luz, mesmo com uma cadeira de distância estava me irritando. Lily parecia chateada, mas eu sabia que ela não iria fazer nada. Ela só reagiria quando estivesse bem irritada. Então cabe a mim, resolver esse problema. Porém pretendi esperar.
–Senhora, pode por favor deligar a luz do seu celular?- Lily disse com sua voz calma beirando à irritação.
Ela fingiu não escutar.
–Senhora? Pode por favor-
–Olha só- interrompi Lily, enquanto me debruçava na sua cadeira para falar com a senhora...educadamente- é melhor você desligar esse celular que parece um farol, ou eu vou fazer um perfil falso em um site de relacionamentos para te dar esperanças e depois vou te dar um chute à lá Catfish. Certo?
Ele me lançou um olhar estranho de desprezo e medo, e guardou o celular na mesma hora, meio receosa, como se ainda se perguntasse se eu tinha coragem de fazer o que eu disse que ia fazer.
Bem eu não faria, porém ela não sabe do que sou capaz.
Fator 2:
Os trailers começaram e eu obviamente estava repetindo o que os atores falavam, já sabendo a maioria das falas de có.
“-Se o futuro for ao seu lado, eu não me importo querida, se a morte for o meu fardo, assim é melhor. *Pois saiba que estas alegrias violentas, tem fins violentos. Falecendo no triunfo, como fogo e polvora que num beijo, se consomem. Se eu morrer, já não bastará, pois apenas sentir seu coração batendo é o que me faz estar agradecido por minha prazerosa dor”
Estava na cena em que Edmundo/Harry estava se declarando para Aurora, numa das cenas mais lindas de todos os três livros, quando ouvi vozes na fileira da frente.
Bem, como era estreia, era claro que estava o maior barulho em cada cena, afinal na maioria das estreias dos filmes que viravam livros, tudo se baseava em 3 categorias:
Primeira: 70% dos presentes eram leitores àvidos e fãs, que esperam o livro virar filme e não tem paciência de esperar outro dia para assistir o que antes eram letras agora transformadas em cenas programadas.
Segunda: 5% dos presentes eram aquelas pessoas que vem para o cinema assistir um filme e escolhe na hora, ou vem pela influência dos outros.
Terceira e mais fatal: 25% dos presentes eram os temidos posers.
Aqueles posers de bueiro(N/A: Essa descrição é um oferecimento de Ketiney e Jhonan *-*) que se dizem fãs apenas por ser modinha. Que quando lança filme novo sae até do esgoto dizendo que é fã número um. Aqueles que ficam se denominando apelidos que não entendem. Aqueles que só viram o trailer e de uma hora para outra o que eles acharam legal vira o motivo de sua existência. Entre outras características que no momento desprezo.
–Ai, porque isso aconteceu?- ouvi a voz de uma garota sentada na fila a minha frente- Eles são tão lindos juntos, aposto que eles vão terminar com um final feliz- a voz dela precisava ser tão nojentinha?
“-A aurora já basta para o amanhecer, as flores, mesmo mortas, podem servir também para a primavera, as passáros em seus grupos, podem afirmar que o anoitecer já vem, mas o meu amor por você só vem nos outonos”
Repeti as palavras da protagonista, Aurora, feliz por ter entendido o trocadilho do nome dela com o que ela disse.
–Lily, está indêntico à quando eu LI o livro- falei com um pouco de enfâse de propósito, apenas para suprir minha necessidade de expor que eu tinha lido o livro, na verdade, os livros. Minha vontade era de levar um cartaz enorme afirmando que eu li a trilogia, ou usar uma blusa dando uns belos de spoilers. Aqueles spoilers que desincentivam outros a lerem os livros.
–Agora vem a cena em que Thomas aparece e estraga a conversa dos dois.-Disse animada para Lily que comia avidamente sua pipoca sem manteiga, bem diferenta da minha.
Algumas meninas que estavam sentadas na fileira da frente olharam para mim com curiosidade. É suas posers, eu li o livro.
“-Eu sei, que seu coração bate por Edmund, que sua vida gira ao redor dele e que você o ama mais que a mim. Mas sinta, Aurora, sinta meu coração batendo, ele bate por você, eu vivo para o momento em que seus lábios irão se abrir e expor que você também pode me amar, que meu final feliz não está tão distante.”
–Porque Thomas chamou o cara de Edmundo, sendo que o nome dele é Harry?- Posers.
–Ah, acho que é porque ele tem dupla identidade- sério que ela chegou a essa conclusão sozinha? Que gênia!
Ironia! Quanto tempo! Você por aqui?
–Eu vou descer a voadora na cara dessas posers- eu sussurrei para Lily trincando os dentes.
–Calma Mel, calma. Elas não tem culpa de não lerem o livro. Além do mais, você não pode correr o risco de ser expulsa do cinema como da ultima vez.
Eu estava calma, realmente calma. Afinal elas não tem culpa...
“-Eu não te amo Thomas. Desculpe. Você pode até ter minhas palavras de amor, por pena, mais o meu coração já é de Edmundo, por minha mais pura abnegação.”
–Ow, tadinho dele- uma das posers falaram- mas gostei dela, tem atitude, além de gostar de um, mas fazer o outro morrer de amores por ela de propósito.
Dane-se.
–Mel, você não vai fazer isso- Lily falou segurando meu braço.
Sorri maldosamente.
–É, eu vou.
Me curvei para a fileira da frente, apoiando minha meus antebraços por cima de uma das poltronas daquele bando de poser de bueiro, e com minha voz mais ingênua, falei coisa pior do que erguer o cartaz dizendo que li o livro.
–É, né?- falei observando todas dirigirem para mim- Legal a protagonista, é uma pena que ela morre no final.
Pisquei meus olhos angelicamente, sorrindo sem mostrar os dentes, me deliciando as as expressões de espanto de todas, e até mesmo de pessoas proximas à elas.
Eu tava amando isso!
–É mentira!
Disse uma delas ainda com os olhos arregalados.
–É, eu também não acreditei quando o Thomas matou ela- disse fingindo empatia.
Todas elas ficaram ainda mais chocadas, tentando assimilar o que eu tinha dito.
–Mas acreditem, eu fiquei ainda mais supresa quando Edmundo se mata no final do terceiro livro.
–Sua maldita...- uma delas sussurrou ainda catatônica.
–Tenham um bom filme- falei me encostando de novo na poltrona com um sorriso maldoso nos lábios.
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